Oportunidade ou indiscrição?


por Luiz Henrique Matos

Ontem à tarde o presidente Lula discursou em Brasília sobre a implantação do novo programa de saúde mental promovido pelo governo. O programa visa gerar melhorias no tratamento de deficientes mentais, capacitando esses pacientes para serem readaptados à sociedade e em contrapartida, lançar esforços no combate ao preconceito sofrido por essas pessoas.

Aconteceu que ao término do discurso do presidente, uma mulher que estava na platéia pediu licença para se aproximar. Concedida a permissão, a senhora iniciou uma breve pregação sobre Jesus, tendo em suas palavras temas como a conversão/salvação do traficante Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar e por fim (ou até onde a televisão divulgou) falou sobre a repercursão que esse fato teria no exterior e que a partir disso, todo o mundo saberia que nosso país é comandado pelo Senhor.

Foi aplaudida, mas o presidente não pareceu muito feliz com as palavras de nossa irmã, alternando momentos de atenção e impaciência. Quanto aos demais convidados que estavam sentados a seu lado, nota-se que alguns riram sutilmente enquanto outros portaram-se com educação e respeitaram as palavras daquela senhora.

Mas a questão não é bem o comportamento do presidente Lula, sobre quem devemos lembrar, é uma autoridade constituída pelo nosso voto, com a permissão de Deus. Creio que o debate aqui deva ser outro discurso, o que foi feito pela mulher que pediu a palavra e de alguma forma, levou o evangelho àquele local (ela não foi identificada pela organização da Presidência, tampouco pelo Ministério da Saúde).

Devemos lembrar que em diversas passagens da Bíblia somos convocados por Deus a levar o evangelho aos povos, creio que o mais explícito desses chamados está em Marcos 16.15, que diz: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. A realidade é que como filhos e servos do Senhor, temos sempre a obrigação de levar o propósito de salvação. E vale lembrar também, que foi através de um ato/apelo como esse, que muitos de nós fomos tocados pelo poder de Deus.

As palavras daquela senhora foram muito adequadas, ponderadas, verdadeiras e pelo visto, proféticas. Houve ali a revelação de uma realidade até então não discutida em nosso país. Tratamos nossos criminosos como ameaças, cujas vidas devemos enclausurar e assim manter até que se percam na morte de sua carne. Esquecemos porém que o mesmo amor que Deus tem por nós, também o tem por eles e como filhos tocados e salvos pelo Senhor, devemos levar o evangelho a toda criatura, seja ela o Fernandinho Beira-Mar ou o Presidente da República.

Mas existe uma outra questão nessa história: agiu certo essa irmã que aproveitou-se de um momento como aquele para falar de Jesus? Era mesmo uma hora oportuna para falar sobre salvação?

Agostinho disse: “Prega o tempo todo. Se necessário use palavras.” E é justamente desse aspecto que muitas vezes nos esquecemos. Vinculamos o “pregar” com palavras, discursos, mensagens, sempre associados a uma platéia. Mas o que a Bíblia nos ensina é que nosso comportamento cristão, deve ser reflexo do de Jesus. Veja o versículo abaixo, as palavras de Paulo confirmam as de Agostinho:

“Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (II Coríntios 3.18).

Jesus sempre agiu de forma discreta, pacífica. Talvez, uma grande prova disso (além do evangelho) seja o fato de existirem pouquíssimos registros históricos sobre sua passagem nessa terra. Nosso Senhor nunca foi um showman, nunca procurou as multidões, Ele trabalhou nos detalhes, agiu nas pequenas coisas, assim como tem feito em nós. Entrava onde era convidado e até hoje, só faz efetivamente parte da vida daqueles que o aceitam. Sofreu em silêncio, morreu por nós e em momento algum, emitiu alguma nota de cobrança pelo seu ato de salvação.

Não estou dizendo que devamos frear as motivações dadas pelo Espírito Santo, mas que da mesma forma como precisamos falar de Deus, precisamos ser um exemplo do ministério de Jesus, dando testemunho de nossa fé, em primeiro lugar, com nossas atitudes e depois disso com palavras. Devemos imitar o comportamento de Cristo.

Se aquela senhora ontem à tarde, comportou-se de maneira apropriada ou não, quem somos nós para julga-la? Entendo e creio no que diz a Bíblia, que tudo, tudo mesmo, tem seu propósito, nada acontece por acaso. Talvez tenha sido necessário ela estar ali para pregar com palavras e levar salvação para alguma vida, ou simplesmente para Deus usá-la e nos trazer entendimento sobre nossas atitudes. Em qualquer opção, cumpriu-se o propósito de Deus :-)

Como tem sido muito comentado aqui, existem coisas loucas nesse mundo, criadas pelo nosso Senhor, para confundir as (aparentemente) sábias. Existem atitudes “estranhas”, feitas para confundir a cabeça do povo de Deus e até de nosso presidente, que pouco antes de ouvir a pregação daquela mulher, comete sua gafe chamando os dontes mentais de… loucos:

” …porque a dura realidade é que todos nós temos um pouco de louco dentro de nós. Todos nós. Quem não acreditar, é só fazer uma retrospectiva do seu comportamento pessoal nos últimos dez anos, que vai ver como já viveu esse momento.” (clique aqui e leia a integra do discurso de Lula no site da Folha de São Paulo).

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