Diante de nossos olhos


por Luiz Henrique Matos

Sábado pela manhã, peguei minha esposa e malas, carreguei o meu já cansado carrinho e segui pela rodovia Carvalho Pinto em direção ao Rio de Janeiro. O destino era um ponto mais próximo, a cidade de Lagoinha, distante cerca de 210 km da capital de São Paulo. O motivo, uma visita ao meu sogro que está morando por aquelas bandas.

Depois de pontuais duas horas e meia, chegamos à cidade que segundo o último censo do IBGE, possui 4.957 habitantes. O estado de São Paulo em sua totalidade soma 645 munícipios, sendo que o maior deles, a capital São Paulo possui 10.434.252 habitantes (deu para ter uma idéia do que Lagoinha significa?).

Chega a ser engraçado o simples fato de estar menos de três horas de minha casa e a nítida sensação e se estar em outro planeta. A calma, as pessoas, a tranquilidade… nada de trânsito, elevadores, fumaça… coisa de interior.

Vivendo em uma metrópole, conto os minutos do meu dia, envolvido em relatórios, números, taxas, índices, campanhas de marketing e outras coisas que me parecem vitais nessa rotina. E quando, pelo acaso ou necessidade, me abstraio dessa vida maluca por um dia ou dois, enxergo a inversão de valores em que me concentro. O vital é a vida, vida que se vê abundante na natureza que acaba sucumbida no meio do cinza da cidade grande, que teima em crescer. Natureza essa que é clara, até demais, naquele monte de mato que não acaba.

Quando alguém como eu, que cresceu nesse cinza, encontra o “mundão” de cores que só a obra divina pode proporcionar, incrivelmente nota-se a maravilhosa obra de nosso Pai Criador. É como se ao olhar o céu, as montanhas e mesmo a simplicidade natural de uma estradinha de terra, pudessemos ver, errr… eu não diria bem o dedo, mas a “impressão digital” de Deus (sabe como é?).

E nesses dias o que não me faltou foi tempo para pensar sobre essa beleza toda (como dura o tempo em um lugar desses) e “automaticamente” imaginar a presença do povo de Deus por ali. De certa forma me espantei, pode parecer estranho, mas não só Lagoinha como as demais cidades da região, são fortemente presas à idolatria e suas festas pagãs. Tive a oportunidade de conversar com um irmão daquele local, que informou que existem apenas 3 igrejas evangélicas ali, todas com capacidade para abrigar, no máximo, 40 pessoas.

Posso parecer inocente, mas fico até certo ponto chocado com uma contradição tão forte. No mesmo lugar onde se é tão visível o poder de Deus, é da mesma forma necessária a presença de Sua palavra.

Não por acaso, me lembrei da primeira aliança do Senhor com o povo de Israel nos tempos de Moisés, na situação em que Deus se faz presente no alto do monte e o todo povo ao ver aquilo, tem medo e foge (Êxodos 19 e 20). E a Bíblia relata mais adiante (capitulo 32) que em outra ocasião, quando Moisés desce do monte com a revelação da palavra do Senhor, encontra o povo de Deus adorando a um bezerro de ouro, que construiram com suas próprias mãos. Deus estava ali, poucos metros adiante e eles não quiseram enxergá-lo. Não me pareceu diferente aquela cidade, não me parece diferente da vida que muitas vezes levamos quando permitimos que “bezerros de ouro” tomem o lugar de nossas prioridades, de nossa oração, nossa meditação e comunhão com o Senhor.

Gostaria de pedir, a quem ler essa mensagem, que ore por aquele povo. A glória do Senhor está diante de seus olhos e eles não podem ver. E quando fizer a sua intercessão, ore também pela sua vida, pela vida de cada um de seus irmãos, porque nós também permitimos, diversas vezes, essa distorção em nossas casas.

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