Minha religião não permite


por Luiz Henrique Matos

Ontem ouvi essa frase depois de muito tempo. Acho engraçada. Me lembro de quando era criança e ouvia essa expressão de uma tia minha, de seus filhos e de alguns colegas de escola que eram “crentes” (eu também achava isso engraçado). Eu ficava imaginando a figura de um pastor – que para mim era um padre que pode casar – limando e proibindo seus fiéis daquilo que lhes era permitido ou não. Só para constar, na minha percepção infantil existiam duas religiões: os católicos e os “crentes”. Só isso.

De quatro anos para cá Deus tem feito sua obra em minha vida. Como corriqueiramente ouço, sou um “bebezinho na fé” (pudera eu ser puro e verdadeiro como um). Mas se tenho aprendido algo da parte dEle, dentre outras coisas, é justamente o desapego que devemos ter à religiosidade. A religião em si não nos é negativa, sendo simplesmente a descrição humana que classifica a diretriz de nossa fé, que segue ao cristianismo, pela visão da Reforma Protestante de Lutero. Mas o significado literal dessa palavra é valido tanto para nós quanto para espíritas, budistas, hindus, muçulmanos, etc (veja no dicionário Michaelis Online). Religiões e diferenças que só vim a conhecer ao longo de alguns anos.

Infelizmente, de um significado puro e simples, nós deixamos que decorra algo intrinsicamente negativo (agora sim), a religiosidade. Sentimento que nos vincula a dogmas e tradições de falsas verdades. Religiosidade que fez com que o povo de Deus, há mais ou menos 2003 anos não visse sua profecia cumprida e seu Filho vivo caminhando em nosso meio.

“Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (João 1.10 e 11).

Como já disse aqui antes, aqueles homens judeus, o povo de Deus, não conseguia acreditar que alguém pobre e feio pudesse ser o Messias prometido nas Escrituras. Eles estavam tão apegados à sua visão particular e humana dos planos de Deus que se deixaram enganar pelas tradições de sua… religião. Pelo que se vê, eles esperavam por um mega-evento, anunciando em todos os veículos de comunicação que a vinda do Senhor estava próxima e Ele apareceria nos altos e pousaria, sei lá, no Maracanã. Tanto não acreditaram, que esperam por ele até hoje.

Nos tempos atuais, em uma visão beeem particular e ficticía. Imagine se Jesus nascesse hoje, aqui no Brasil. Guardadas as devidas proporções, o Filho de Deus viveria em uma cidade muito pequena como… Lagoinha (cujo tamanho foi citado no blog nessa segunda-feira). Ele nasceria pobre, talvez morasse em uma favela. E “para ajudar”, quando aos 30 anos de idade começou seu ministério, suas companias invariavelmente eram homens simples como ele, que sem preconceitos, falava com prostitutas, adúlteras, loucos, mendigos, aleijados, ou seja, a “escória” daquela sociedade. Imagine também os moldes atuais de nossa religião, as condições e as igrejas. Acreditaríamos em um homem desses? Será que nossa “religião permitiria” essa crença? Será que alguém que é amigo de sujeitos sem expressão poderia ser o Deus vivo?

Nossa religião deve ser Jesus. Jesus que em vida quebrou os paradigmas de sua época, rompeu com as tradições religiosas e trouxe o perdão, a graça, a paz ao seu povo. E enquanto morria, teve misercórida e amor por cada um de nós.

“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tiago 1.27).

Quem sabe seria mais fácil se na luta contra maldições desse mundo (como a educação de nossos filhos, a violência e a promiscuidade por exemplo), as nossas igrejas mostrassem a verdade bíblica, a vontade, o amor e o poder de nosso Deus, dando testemunho e vivendo a vida de Cristo ao invés de procurar o mérito da conquista e o crescimento de suas propriedades e denominações. Devemos sempre lembrar que não temos ou merecemos glória alguma, devemos trabalhar e viver como servos e adoradores do Senhor, seguindo os mandamentos de sua Palavra.

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é Dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.8-9). Coincidentemente ou não, esse versículo é inspiração de Lútero para sua reforma.

Na minha infância, eu nutria uma certa rejeição por essa tal “religião” que não “permitia” meus primos e amiguinhos fazerem coisas que para mim eram tão legais. Cresci achando os crentes certinhos e… chatinhos, mas por graça divina nunca deixei de respeitar a Deus. Analisando atualmente, maioria daquelas crianças (e eu entre elas), não tinham o comportamento cristão que deveriam ter recebido pela educação espiritual de seus pais. Talvez porque esses mesmos pais lhes ensinaram a temer a “permissão” da religião e a figura de um pastor e esquecer a revelação bíblica e o amor do Pai verdadeiro.

“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Mc 12. 30 e 31).

* Como referência para esse texto, além dos versículos citados, leia os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas ou João. Está tudo lá.

2 comentários sobre “Minha religião não permite

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