Colocando à prova


por Luiz Henrique Matos

Em outubro do ano passado, os noticiários começaram a divulgar a descoberta, por um arqueólogo da Universidade Sosbornne (França) de uma arca, que estaria identificada como o ossuário de Tiago. A arca traz inscrições em aramaico, que traduzidas significam “Tiago filho de José irmão de Jesus” (veja notícia da época na Folha Online)

É fato que Tiago, José e Jesus eram nomes muito comuns naquela época e região, mas o impacto e surpresa se deram justamente porque esse cruzamento de nomes na combinação de parentesco dificilmente existia. Outro aspecto curioso é que não era habito escrever algum outro nome que não o do pai, nesse caso estava gravado o nome do irmão (Jesus), situação que só acontecia quando tratava-se de alguém importante ou conhecido.

A novidade causou furor tanto no meio cientifico quanto no cristão. Os cientistas viram a ameaça de desmoronarem algumas de suas teorias que alegam que Jesus possivelmente nem existira e que sua história e ministério não passam de invenção da igreja em meados dos séculos III ou IV. E os religiosos cristãos enfim, teriam uma prova fisica e testificada de que o Senhor passou por essa terra. Isso porque, tanto para cientistas quanto para cristãos, só se tem conhecimento da vida de Crsito pelo próprio Evangelho, fora esse, não há citação alguma a seu respeito em nenhum documento histórico

Aqui no blog, do ponto de vista (sempre) cristão, nada contra o fato de se buscar a compreensão dos fatos datados que contrastam e esclarecem algumas das realidades biblicas e humanas, que nos auxiliam no entendimento teológico e das condições em que isso se deu.

Como já foi citado aqui anteriormente (no comentário A Criação): “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis.” (Romanos 1.19:20).

Nessa passagem Paulo nos mostra que nada tem de mal o homem buscar o conhecimento das coisas de Deus, até porque elas já nos são conhecidas. Entender o porquê de o Senhor ter feito e o como foi feito não tem nada de pecado. Mas isso não está relacionado em nenhum ponto a comprovar a existência de Deus por meio de suas obras, o que a Bíblia nos incentiva a fazer é justamente o contrário, conhecer as suas obras por meio de sua existência, a qual só “vemos” através da experiência da fé.

Como homens temos a teimosia de querer provar pelo material a existência do espiritual, queremos esclarecer a nós mesmos e ao mundo todo que Deus existe e para tanto não nos basta a nossa vida, nosso testemunho e experiências com Ele, precisamos mostrar algo “tangível” para que o outro possa olhar e concordar com a nossa eterna mania de querer ter razão. Pois veja bem, “razão”, expressão sobre a qual, o plano espiritual não exerce alguma.

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Porque por ela os antigos alcançaram bom testemunho. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê.” (Hebreus 11.1:3).

E esse capítulo (leia aqui na Biblia Online) nos mostra o testemunho e as conquistas alcançadas pelos antigos, fala de Abel, fala de Noé, fala de Moisés e como tudo na palavra, só está escrito para que possa ser aplicado hoje em nossas vidas também. Tudo o que foi feito ali, também poder ser feito agora, é esse o nosso Deus, o mesmo ontem, hoje e sempre (dentre outras passagens, isso também consta em Salmos 33.11: “O conselho do Senhor permanece para sempre, e os intentos do seu coração por todas as gerações.”).

Agora, porquê nos apegamos a essas falsidades? Pessoalmente, creio que Deus não permitiria que nossa crença nele fosse fundamentada sobre um elemento físico, uma condição. Ele requer nossa fé e pela fé somos curados (como o foram muitos durante a vida de Cristo), pela fé somos salvos (e não pela declaração de “aceitação”), pela fé oramos e experimentamos a presença do Pai em nossas vidas.

“Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Diziam-lhe, pois, ou outros discípulos: Vimos o Senhor. Ele, porém, lhes respondeu: Se eu não vir o sinal dos cravos nas mãos, e não meter a mão no seu lado, de maneira nenhuma crerei. Oito dias depois estavam os discípulos outra vez ali reunidos, e Tomé com eles. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não mais sejas incrédulo, mas crente. Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20.24:29).

Tomé precisou ver para crer que Jesus havia ressucitado. Quantas vezes não temos agido como Tomé? Quantas vezes não temos adotado ao velho “ver para crer” em Deus. Exigimos respostas a nossas orações, exigimos provas para comprovar “propósitos”, fundamentamos nossa (falsa) fé em situações que pouco ou nada tem a ver com a vontade do Senhor.

Só para constar, na última quarta-feira a Folha de São Paulo noticiou que após análises especialistas da Autoridade Israelita das Antiguidades declararam que o nome de Jesus gravado no ossuário (encontrado em uma loja de antiguidades de Israel) foi forjado, sendo uma reprodução na lingua original feita há pouco tempo. Quer tirar a prova? Acesse e leia.

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