Levante a cabeça, você é filho de Deus!


por Luiz Henrique Matos

Em quantos momentos de sua vida, você parou e pôde sentir que naquele exato instante Deus estava ali olhando para você? Um exemplo óbvio, em nossas orações, quando estamos em nossa intimidade com o Pai, nos derramando e declarando à Ele tudo o que se passa conosco (como se Ele já não soubesse). Em momentos como esse podemos sentir que o Deus poderoso, que criou tudo e todos, desde Adão até o nosso cachorro de estimação, está ali olhando para nós, ouvindo cada palavra que expressamos.

Davi diz que Deus se inclina para ouvir a nossa oração (Salmos 116:2). Paulo diz que não sabemos orar e por isso, o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26). Há poucos dias ouvi um pastor dizer: “Muitas vezes, entre dois amigos, o silêncio já diz muita coisa”. Intimidade com Deus, independente de como ou o quê falamos, Ele nos ouve, nos sustenta, afaga e diz: Filho “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (Isaías 41.10).

Somos chamados por Ele de filhos! Desde aquele momento, em que ouvimos, lemos ou simplesmente lembramos de Jesus Cristo sendo sacrificado naquela cruz para nos livrar de nossos pecados, nós o reconhecemos como nosso Salvador, como caminho verdadeiro para a vida eterna.

“Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1:12-14).

Jesus Cristo nos salvou. Quanto já não ouvimos isso desde que entramos em uma igreja? Mas quantas vezes, de fato, reconhecemos isso a cada dia? Não falo apenas de quando pecamos conscientemente e “ajudamos” a pregar mais fundo aquela estaca que o segurava na cruz. Falo também de quando deixamos a incredulidade tocar nossas vidas esfriando assim o nosso coração, quando a leitura da Bíblia nos parece um sacrifício, quando nossas orações estão sem aquele calor e tranquilidade por saber que nosso Pai está ali nos guardando sob suas asas.

Há poucos dias eu estava seco, meu coração estava frio, minhas orações não tinham sentimento, eu não conseguia adorar a Deus com meus lábios, simplesmente me ajoelhava e declarava para o assoalho do meu quarto (sim, porque eu não poderia estar dizendo aquilo para Deus) que vivia dificuldades, que tudo me parecia tão difícil e inclusive, eu chegava a não acreditar nEle. Me levantei e fui dormir. Na manhã seguinte acordei e pensei sobre isso, senti a voz do Espírito em meu coração dizendo “você já se converteu hoje?”. Como assim me converter!? Pôxa vida Deus, o que o Senhor está falando? Tô aqui nessa dureza e o Senhor vem me falar em conversão?! Achei que Deus tinha errado de Henrique.

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: arrependei- vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17).

Instantes depois eu estava quebrantado, reconhecendo e me lembrando que a minha conversão, assim como a de todos, se deu e dá através do arrependimento de nossos pecados. A Bíblia nos diz que a cada dia as misericórdias do Senhor se renovam sobre nós e, diante disso e da mesma forma, a cada dia devemos nos arrepender e confessar nossos pecados a Deus. Ora, do que se trata isso se não de minha conversão! Naquele momento eu orava dizendo: “Pai, hoje eu quero reconhecer a Jesus como meu salvador, de novo, todos os dias”.

“O Senhor está no seu santo templo, o trono do Senhor está nos céus; os seus olhos contemplam, as suas pálpebras provam os filhos dos homens.” (Salmos 11:4).

Não sei de onde você lê esse texto mas eu estou no escritório e a minha frente vejo uma janela, fico no décimo andar de um prédio na capital do estado e daqui posso observar um panorama dessa cidade. Algumas construções sendo levantadas, outras já bastante degradadas, arquitetura moderna, casas, poucas árvores, um céu nublado que sempre ameaça com uma garoa. Lá embaixo, vejo um dos “ícones” dessa cidade, um rio sujo, poluído e sem vida que dá nome ao bairro onde trabalho.

Sujos, poluídos e sem vida… assim nos sentimos muitas vezes. E teimamos em achar que nossa vida está envolta em um mar de injustiça, culpamos a Deus pela nossa desgraça e pecamos ao pensar que Ele se esqueceu de nós. Mas somos nós quem nos esquecemos que nosso Pai nos permite passar por provas (veja o caso de Jó) e que a única finalidade dEle com isso é proporcionar o nosso crescimento.

Ouvi uma história vivida pela minha esposa. Nós ainda não nos conhecíamos, era cedo, ela estava chegando ao trabalho e atravessava o andar do prédio. Andava cabisbaixa, com o corpo curvado para frente. Naquele momento uma senhora cristã, que era sua cliente, caminhava em sua direção. Ao passar por ela, tocou-lhe por baixo do queixo e disse: “Levante a cabeça, você é filha de Deus”.

“E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança.” (Romanos 5:3-4).

Filhos ou filhas, devemos ter a consciência plena de uma coisa, que Deus nos conhece por inteiro, tudo o que temos, tudo o que somos, o nosso ínterior. Ele sabe todas as coisas, Ele nos olha com olhos de amor (sempre) e não permitirá que nada nos ocorra para o mal. Aliás, como afirmou o apóstolo Paulo em sua carta à igreja de Roma: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28).

Existe um jargão que classifica a nossa fé, “crentes”. Simplesmente porque cremos em Deus, cremos na vida eterna, na salvação através de Cristo, na Palavra santa escrita, nos mandamentos, na Verdade.

Outro termo, “evangélicos”. Evangélicos porque praticamos o Evangelho, palavra essa que quer dizer Boas Novas. Na Bíblia existem as Boas Novas de Jesus segundo Mateus, Lucas, João, Marcos. Como praticantes e disseminadores dessas boas novas de Cristo (Marcos 26), devemos viver nossas vidas dando exemplo e nos movendo nesse Evangelho. Existe um poema do século XVIII que explica melhor o que quero dizer, veja abaixo:

“É uma maravilhosa história, esta do evangelho de amor,

Como o brilho da divina vida de Cristo.

Oh! Que sua verdade possa ser contada novamente

Na história de sua vida e na minha!”

“Você está escrevendo a cada dia uma carta às pessoas;

Cuide para que o escrito seja verdade.

É o único evangelho que alguns homens lerão,

Este evangelho segundo você.”

Uma outra observação, não mais um jargão mas uma expressão que nos identifica desde a igreja primitiva (Atos 11:26), somos chamados Cristãos. A palavra Cristo significa “aquele que é ungido do Senhor”.

Irmãos, deixemos de lado nossa religiosidade e vamos à prática do evangelho de Jesus, seguindo Seus passos e crentes em Sua existência e manifestação sobre nós. Independente de tribulações, acusações e setas, temos um Deus forte e guerreiro à nossa frente e que nos consola com Sua presença e palavra.

“Lança o teu fardo sobre o Senhor, e ele te susterá; nunca permitirá que o justo seja abalado.” (Salmos 55:22).

“Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.” (Mateus 11:30).

Levante a cabeça, você é um filho de Deus!

Um comentário sobre “Levante a cabeça, você é filho de Deus!

  1. Nossa mt lindo mesmo. Parabéns e é verdade tudo que escreveste.
    Nunca devemos esquecer que depois da tempestade escura, virá o sol do novo dia clareando tudo e levando tudo de ruim embora.
    Paz e bem

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