Fé para vencer (e-book)


por Luiz Henrique Matos

I. Introdução

Porque eu oro, oro, oro, oro e oro, chego a ver o agir de Deus em minha causa, mas depois eu caio novamente?

Quantas lutas não passamos em nossa caminhada? Quantas (insubmissas) dúvidas não nos permeiam na nossa rotina diária dentro e fora da igreja? Muitos de nós quando convertidos, cremos que o reconhecimento e aceitação de Cristo como nosso Senhor e Salvador seria suficiente para suprir e eliminar as dificuldades que enfrentamos.

Diversas vezes tentamos encurralar a Deus e dar-lhe um ultimato sobre determinada situação ou então nos damos por vencidos e deixamos de crer em Seu poder. E tanto em uma quanto em outra circunstância abrimos porta para o pecado e a conseqüência desastrosa disso já é bem conhecida

Precisamos lembrar sempre que nosso Deus é perfeito e mais do que isso, nos ama acima de qualquer barreira, defeito, pecado ou dificuldade. Como Pai, Ele nos estimula a ser fortes e observa tudo o que nos acontece com aquela expectativa em ver Seus filhos vitoriosos. Falta a nós, porém, praticar aquilo que Ele mesmo tem ensinado através da Bíblia.

O melhor que posso fazer nesse estudo (além de orar) é buscar nas Escrituras a resposta para isso. Você verá adiante, três passos que o ajudarão a alcançar vitória sobre as armadilhas satânicas. Espero que essa experiência seja uma benção para você, assim como tem sido para mim.

II. Deus nos conhece, o diabo nos vê

Uma primeira certeza que temos como cristãos é a consciência e crença de que nosso Deus é o único Onisciente (tudo sabe), Onipotente (tudo pode) e Onipresente (está em todo lugar). Pelo seu poder fomos criados, salvos, curados, libertos. Sob seus olhos vivemos cada instante de nossas vidas, na sombra de suas “asas” encontramos proteção e em seus braços o aconchego e carinho de um Pai que nos ama acima de qualquer rebeldia.

“Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade! Os filhos dos homens se refugiam à sombra das tuas asas.” (Salmos 36:7).

Mas talvez relevemos o fato de que, depois dEle (mas bem depois), Satanás é o maior conhecedor de nosso histórico de vida. Não que possua algumas das três características do nosso Senhor ou se eqüivale a Ele em algo, mas porque Satanás vive nesse mundo desde os princípios e tem acompanhado a humanidade em seus feitos desde então. A começar por Gênesis (do grego, que quer dizer ‘princípio’ ou ‘origem’), quando na forma de uma serpente convence Eva de que comer do fruto da árvore do conhecimento a faria “abrir” os olhos, ser como Deus e compreender o bem e o mal (Gênesis 3:1-7).

Ali, pela primeira vez na Bíblia, o anjo caído se manifesta à criação de Deus e malignamente faz com que o ser que havia sido feito à imagem e semelhança de seu Criador, caísse em pecado. Por essa legalidade, todos os pecados e desgraças foram surgindo como conseqüência de o homem ter afastado-se de Deus.

“Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:12-14).

Lúcifer (que em latim quer dizer ‘portador do archote/luz’ ou ‘estrela da manhã’) era um anjo com autoridade sobre os anjos de Deus, um líder. Era o ministro de música nos céus. Mas seu coração ensoberbeceu-se, ele desejou mais do que lhe era devido, ele não quis servir. Esse anjo desejou ser livre de Deus e ser seu próprio deus. A continuação dos versículos acima, revela o destino desse anjo:

“E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.” (Isaías 14:15).

E o vemos então na Bíblia, sendo chamado Satanás (que em latim significa ‘o que arma ciladas’ ou ‘inimigo’).

Não podemos ignorar, portanto, o fato de que por caminhar entre os homens antes mesmo de sermos criados, Satanás nos observa e tem como alvo desde o dia em que nascemos e acompanha nossas vidas observando cada passo em falso que damos, procurando uma brecha para arrombar a porta, nos destruir, roubar e matar (João 10:10).

Mas eis que vem Jesus, o Salvador, a estratégia perfeita de Deus, com seu nascimento (como homem) profetizado desde Gênesis 3:15 quando o Senhor declara que o filho (descendência ou semente, dependendo da tradução bíblica) da mulher, pisará na cabeça da serpente.

E nasce Cristo (do grego ‘Christôs’, que significa ‘ungido’, ‘sacerdote’, ‘rei’), vive em nosso meio, anuncia as Boas Novas, faz discípulos e então é preso (até aqui, vemos o Seu ministério). Depois é torturado, morto e sepultado (então vemos a consumação das 375 profecias a cerca de Sua vida e nossos pecados e enfermidades sendo levados sobre Ele). E por fim, ressuscita dentre os mortos (dando a vida eterna e soprando sobre os Seus com o Espírito Santo de Deus, o Consolador).

Por isso irmãos, a cada dia, a cada manhã, devemos nos entregar ao Pai, nos arrependendo de nossos pecados (Lamentações 3:22-23), convertendo-nos a Jesus novamente, agradecendo o Seu santo sacrifício por nós e pedindo o Seu renovo e revestimento.

III. Três passos para a vitória

Bom, até aqui temos uma visão de como as coisas estão e são em nossa realidade espiritual descrita na Bíblia. Vamos agora entrar especificamente nos pontos bíblicos que falam a respeito do triunfo sobre qualquer enfermidade espiritual que passamos.

Aos olhos das escrituras, vemos que a vitória sobre o pecado e a tentação vem pelo acontecimento de três etapas fundamentais, pelas quais sempre passamos, mas nem sempre reconhecemos. São elas:

1. Reconhecimento e arrependimento

2. Oração

3. Perseverança

Nenhum segredo para quem escreveu tanta coisa até agora. Mas é importante que tenhamos distinção entre esses três tópicos. Sem que consigamos perceber, paramos normalmente nos dois primeiros passos. Reconhecemos nossas falhas (1) e oramos ao Pai para que nos ajude (2).

De início, o Senhor nos reveste e cura, mas por tudo que vimos no capítulo II, o inimigo é astuto e certamente lançará seus dardos nessa mesma fraqueza. Nesse ponto, cabe a nós o discernimento para compreender a ofensiva maligna e perseverar em oração e resistência. O bom guerreiro só é conhecido no campo de batalha.

1. Reconhecimento e arrependimento

“Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras.” (Apocalipse 2:5a).

Em primeiro lugar precisamos entender o quê está errado, qual é a nossa dificuldade. Isso não é difícil, em geral sabemos pelo quê temos orado e colocamos essa situação diante de Deus com freqüência. Mas algumas vezes ficamos confusos e como uma neblina espessa não enxergamos sequer a razão de nosso desespero. A única solução nesse caso é orar ao Senhor, pedindo a revelação do Espírito de Deus sobre a origem do problema, onde erramos para que nos sobrevenha essa tribulação, pois a Bíblia nos mostra que existem os pecados ocultos que cometemos sem ter entendimento, mas Deus sabe quais são.

“Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, os nossos pecados ocultos, à luz do teu rosto.” (Salmos 90:8).

Sabemos que nada somos ou temos de nós mesmo para oferecer a Deus e Ele não quer nada além de um coração devoto e apaixonado por Suas “coisas”. Uma alternativa é seguir a Palavra que diz para não sermos mornos, ou é bom ou é ruim, não existe meio termo, não há pecado menor ou maior. Seguindo a afirmação de Tiago 5:12 “…que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não….” podemos parar para refletir se o que temos feito é uma atitude aprovada por Deus. O que Jesus faria se fosse com Ele?

Podemos ver então esclarecidos os nossos erros e seguir a oração de Davi quando diz: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmos 139:23-24).

2. Oração

Passamos pela primeira etapa, temos então que tomar nossa segunda atitude, chegar-nos a Deus com o coração aberto e clamar por sua ação em nós. O sangue derramado por Jesus já nos comprou dessa dificuldade, mas Deus quer ouvir essas palavras saindo de nossos lábios e o Espírito Santo intercederá por nós com Seus gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26).

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (II Crônicas 7.14).

O Senhor fala a respeito do povo “que se chama pelo meu nome”, esses são a igreja, os que se dizem de Deus. Veja que é o Senhor chamando o Seu povo que deve corrigir os seus passos, mudar a direção do seu caminhar, deixando de lado as coisas más para se preocupar com a coisa boa: a presença do Pai. A Palavra está dizendo que se o povo de Deus:

a) se humilhar: prostrando-se diante de Deus, reconhecendo seus erros e sua pequenez.

b) e orar: falar com o Pai, clamando pela sua misericórdia.

c) buscar a Sua face: caminhar na direção dEle, procurando também a Sua presença, através da oração, leitura da Bíblia e convívio na igreja.

d) e se converter dos seus maus caminhos: deixar de andar na direção da morte e voltar a caminhar em direção à Vida, na prática das boas coisas.

Esse gesto cabe a nós e a conseqüência vitoriosa dele é bíblica. A partir daí diz que então Deus:

e) ouvirá dos céus e perdoará os nossos pecados: seremos alcançados pelas misericórdias do Senhor e Ele nos perdoará.

f) sarará a nossa terra: a “terra” aqui somos nós, seremos tratados pelo Senhor, onde havia um buraco, haverá uma cicatriz..

Estamos sarados, fomos curados e tocados pelo Senhor e agora se algum mal nos sobrevier, contamos com o poder de Deus nos guardando!

3. Perseverança

Agora sim entramos no ponto crucial, como disse anteriormente, os tópicos 1 e 2 são uma verdade rotineira em nossa vida e inconscientemente já os realizamos quando nos vemos diante de uma tormenta.

Mas além de dar o primeiro passo e entregar nossa causa nas mãos poderosas de Deus, cabe a nós dar um passo de perseverança. Precisamos guardar essa palavra e esses princípios para tê-los como premissas diante das lutas.

Em seu livro, Tiago diz: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem ter falta em coisa alguma.” (Tiago 1:2-4).

Isso quer dizer que as lutas sobrevêm aos servos de Deus como permissão do próprio Pai objetivando gerar força e poder em Seus filhos. Deus tem um objetivo específico e um plano especial na vida de cada um de nós e assim como fazemos em nossas profissões, precisamos ser reciclados em nossos conhecimentos e poder a cada dia, para uma formação madura e a realização das grande obras que Ele tem para a vida de cada um. Quanto mais buscamos ao Senhor, com intensidade e disposição, tanto mais teremos provas, como desafios e testes para alcançar o sonho do Pai para nós.

Existem casos de irmãos que estão presos nas garras do inimigo. Independente de seus pecados (lembremos que para Deus não existe pecado maior ou menor, uma mentirinha ou um homicídio tem a mesma “gravidade” aos olhos do Senhor) e em medida de desespero são chamados os irmãos ou o pastor da igreja para que orem com essa pessoa. A oração é feita, o poder é ministrado e derramado sobre aquela vida e no lugar da ferida fica a cicatriz operada pelo Senhor (como os versículos de II Crônicas 7:14 citados mais acima).

Para o inimigo que foi expulso de seu “abrigo” o que resta é um buraco tapado. Mas Satanás sabe que aquele pecado afligiu essa pessoa por muitos anos e certamente irá investir suas armas nesse sentido. Ora, ele pode ver a marca, a “cirurgia” acabou de ser feita, ainda deve haver um buraco, uma marca, ele vai tentar novamente.

Deus porém já operou e agora Ele espera que o filho tome uma atitude e lute contra essa enfermidade espiritual para que a vitória seja efetiva. Se nos rendemos com facilidade, estamos entregando os pontos e admitindo que somos mais suscetíveis ao fogo maligno do que ao poder divino que nos restaurou, afirmando que cremos mais nessa acusação do que na promessa de Deus. Porém, se nos posicionamos, repreendemos e não aceitamos isso sobre nós, passaremos talvez por mais uma, duas ou três batalhas e conquistaremos então a vitória completa, sobre a qual o inimigo certamente não prevalecerá.

O grande problema é que muitas vezes não perseveramos e quando o fazemos, não nos resistimos ao segundo e terceiro rounds, jogamos a toalha, choramos, reclamamos e voltamos para aquela situação lastimável, sem fé e sem ânimo.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7).

No artigo chamado “O avivamento e a intercessão” o Pastor Márcio Valadão faz uma observação muito sábia afirmando: “O caráter de Jesus não simplesmente nega ou cancela o caráter de Satanás, Ele o supera completamente. Cada característica de Jesus não é meramente o oposto das características de Satanás, porque… ‘Jesus está acima de tudo. Satanás está debaixo dos seus pés’”.

Sabemos portanto, dos três passos para a vitória e vimos as iniciativas que devem ser geradas primeiramente em nós, que são: arrependimento, oração e perseverança. É pela comunhão e busca a Deus que obteremos sensibilidade e sabedoria espiritual para dividir essas três etapas e deixá-las diante do altar do Senhor.

“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento”. (Tiago 1:5-6).

Assim como pelo conselho de Tiago, Salomão também foi um homem que pediu a Deus, acima de tudo, sabedoria para reinar sobre Israel e a Bíblia diz que não houve homem mais sábio nesse mundo.

De nós também deve partir o passo em direção à vitória, tomando posse do que Deus já fez em nossas vidas, lembrando a cada instante que o preço já foi pago, Jesus morreu e levou sobre si todos os nossos pecados, dores e enfermidades. Entregar a Ele o nosso fardo, em meio à batalha devemos louva-Lo, na dificuldade exalta-Lo bradando “Aleluia” (do hebraico ‘hallelu Yah’ que quer dizer ‘louvai ao Senhor’).

“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” (II Coríntios 12:10).

“Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lucas 10:19).

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