A patrulha celestial


por Luiz Henrique Matos

Tomado de assalto

Vivendo em uma grande metrópole como São Paulo é (ironicamente) natural que todo cidadão tenha lá sua experiência pessoal com essa violência quase epidêmica que nos acomete. E como todo cidadão que se preze, faço parte dessa nada agradável estatística.

Aos 11 anos. À tarde, em um fliperama perto de minha escola ginasial. Com alguns amigos eu passeava por aquele lugar, procurando a máquina certa onde investir minha ficha e gozar de alguns minutos de diversões eletrônicas. Cinqüenta centavos, esse era o valor desses minutos. Cinqüenta centavos, o exato valor que aquele outro garoto, dois palmos mais alto, pressionava-me a lhe entregar. Eu cedi. Cedi e horas depois me culpei por não ter revidado com os golpes ninjas que eu com certa dificuldade aprendera a manusear no vídeo-game.

Aos 14 anos. À noite, dentro de um ônibus no centro de São Paulo. Eu seguia com meu tio e um amigo seu para um show de rock n’ roll na cidade. No trajeto, o veículo parou e nesse momento eu senti uma mão subtrair de minha cabeça o boné que antes ela ostentava. Importado, com o logotipo dos X-Men bordado, presente de aniversário da minha tia. O rapaz (imagino) enfiou a mão pela janela e puxou o boné. O ônibus seguiu seu destino, eu também, mas o boné ficou.

Última segunda-feira. Fim de tarde, saindo do trabalho. Deixei o escritório e caminhava até a rua onde costumo estacionar meu carro. Dobrei a esquina e o vi ali parado, sujo como sempre, embaixo de uma árvore e com o pisca-alerta ligado. Espere, pisca-alerta ligado? Inocente, cheguei a pensar que circulei com aquele carro por quatro anos sem saber que ele tinha um alarme. Segui até ele, abri a porta e me deparei com o painel violado. Levaram meu cd-player. O indivíduo extraiu a fechadura ao lado do passageiro, fez o seu trabalho cuidadosamente e ligou o pisca-alerta só para festejar a conquista. Triste, foi presente de Natal de minha esposa três anos atrás.

Hoje exerço o aprendizado cristão. Nenhuma mágoa ou rancor. Estou no mundo e sujeito às suas aflições (João 16:33).

O grande seqüestro

Não soube ao certo quanto tempo durou. Sei que só aos vinte anos fui descobrir que estava naquele cativeiro. Para ser sincero, já havia me acostumado. Via o mundo por aquela janelinha, dormia e sonhava tão mal, comia aquela refeição barata e pensava ser aquilo o meu alimento.

Então, um dia, eu vi aquela mão estendida. Era um convite, eu sei, mas convite para quê? Um mundo diferente, novo, cheio daquela luz ofuscando minha vista. Eu não queria isso, estava tudo bem.

Liberdade? Uma nova vida? Entrar pela porta estreita? Viver como quem sonha? Alimento sólido e espiritual? Apagar o meu passado…

Essa era sua oferta bizarra e eu a experimentei. E gostei. Cheguei a compara-la com os “baratos” vendidos por aquele traficante do colégio, mas foi diferente. A sensação era maravilhosa, melhor do que qualquer droga. E era de graça. Era na verdade, a Graça.

E eu só sabia chorar.

Seu poder me deu liberdade, me tirou daquela prisão e quando enfim pude contemplar minha situação, clamei: “Oh Deus, me sinto na lama!” E mesmo sujo, pude sentir seu afago, seu toque, sua voz doce me dizendo: “Venha como você está. Eu te limpo. Você agora é meu. Filho!”. Com passos trêmulos eu fui, desci às águas e renasci. Limpo e novo.

O Salvador

Pude ler, em certa ocasião, suas palavras dizendo: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir” (João 10:10a). Roubar-nos a inocência infantil, seqüestrar o pensamento e até quando conseguir, induzir nossos passos a trilharem o caminho da morte.

Aprendi que ele, o bandido, ambicionou ser como Deus, independente daquele Reino. Foi expulso dos céus, com um terço dos anjos que seguiram sua mentira. Reinou pois, neste mundo, plantando o pecado na criação de Deus, o coração do primeiro homem, Adão.

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5:19).

Então o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Nasceu, viveu, pregou, chorou, sofreu, morreu e ressuscitou. E em toda sua vida, cumpriu o plano perfeito e com sua morte, concretizou a estratégia divina, colocando Satanás no subterrâneo, embaixo dos céus e sob nossos pés.

Cristo veio para nos fazer livres, nos tornar filhos e tirar-nos do caminho criminoso do diabo. Foi Jesus quem nos livrou dos “pequenos” assaltos que ele promoveu em nossa santidade, nos levando a pecar. Foi Jesus que nos libertou do cativeiro escuro e nos revelou seu amor incondicional, constrangedor e misericordioso. E ainda hoje Ele faz tudo isso.

Satanás reinou neste mundo, mas Deus amou o mundo. Amou tanto que enviou seu Filho para que pelo mundo morresse e cada um que aqui viesse a nascer, o fizesse como filho e herdeiro de sua maravilhosa promessa: a vida eterna!

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