Marketing do Senhor?


por Luiz Henrique Matos

Você sabe o que é marketing? Segundo Philip Kotler (o cara mais entendido nesse assunto) “Marketing é a atividade dirigida para a satisfação das necessidades e desejos, através dos processos de troca”.

Analisando friamente, vemos que Jesus foi um ótimo marqueteiro. Não no sentido negativo da palavra mas no aspecto conceitual mesmo. Seguindo a definição de Kotler, sabemos que Ele satisfaz plenamente nossas necessidades e desejos. E só pede em troca que sejamos fiéis a Sua Palavra. E convenhamos, não existe “consumidor de Deus” que esteja insatisfeito com os “serviços prestados”.

E a nós, igreja do Senhor, não tem nada de errado usar o marketing e as ferramentas da administração em favor do Reino. Comunidades cristãs em todo o mundo já tem programas de televisão, rádios, websites na internet, divulgação de CDs em revistas, malas diretas, e-mails de divulgação. E isso não é de hoje, veja por exemplo os Gideões Internacionais, há anos eles deixam amostras de Novo Testamento em qualquer canto que se vá, com o objetivo claro de expor a Palavra de Deus a todos. Deus deu inteligência e conhecimento ao homem para que esse faça uso dela em um bom propósito. É verdade que tudo desse mundo tem seu mal uso, mas isso não significa que pertençam a Satanás, significa sim, que são usados por ele em outras áreas.

Em nossos dias, uma grande ferramenta de marketing que temos em nossas mãos é um filme. É natural que pela superexposição na mídia (lembram do e-mail da semana retrasada?) falemos de “A Paixão de Cristo”, no cinema há algum tempo, ainda está bem fresco em nossas conversas e é especulado por muitos como “a melhor ferramenta de evangelização em dois mil anos”.

É fato que esse filme não é exatamente a Bíblia e nem se compara a uma experiência verdadeira com o Senhor. Portanto, não podemos usa-lo livremente como único argumento na tentativa de converter uma vida. A semente a ser plantada sempre foi e continua sendo a Palavra de Deus e quem a semeia é o Espírito Santo. Mas isso não quer dizer que devemos descartar um meio valioso que temos em mãos. Afinal, de cinema todo mundo gosta, de ir a igreja, só crente mesmo. Então, para onde é mais fácil levar um amigo?

Para se ter uma idéia do barulho que a fita tem feito, basta entrar em qualquer portal evangélico na internet. Bem ou mal, todos falam algo sobre o filme (a expressão “A Paixão de Cristo” traz 53.000 resultados no site de busca Google). Olhe então para sua caixa de e-mails, com certeza algum texto evangelístico, uma apresentação em powerpoint ou notícia já devem ter aparecido. Nas igrejas, os pastores falam sobre o filme. Em algumas cidades do mundo, congregações fecharam salas exclusivamente para exibição aos seus membros.

Como não era de se impressionar, os grandes estúdios de cinema norte-americanos já começaram a encomendar histórias com o mesmo perfil “religioso” para serem filmadas. Junto com o filme, crescem também em vendas os livros, cds, filmes e todo material que trate sobre a morte de Cristo.

Também no meio secular, o assunto ganhou destaque em espaços, digamos, valiosos em se tratando de divulgação. A revista Time, trouxe na capa de uma de suas edições uma chamada para a matéria que debate o motivo da morte de Jesus. O jornal francês Le Monde, diz que o filme provoca fundamentalismo entre cristãos. No Brasil, a Editora Abril dedicou a capa de três revistas no mesmo mês para o assunto, além das inúmeras matérias no interior de outras publicações e a Editora Globo colocou na primeira página de sua principal revista (Época), uma reportagem sobre o filme. Na Folha de São Paulo e outros grandes diários do mundo todo, várias notas sobre o tema. Enfim, toda a mídia tem dado destaque ao assunto, eu creio que não é por interesse ou sede do Senhor, mas porque isso dá audiência e audiência gera publicidade, que traz dinheiro para o caixa.

Em marketing, damos a esse efeito o nome de Mídia Expontânea, ou seja, divulga-se o nome do produto em um meio confiável e de credibilidade, sem que seja necessário desembolsar dinheiro para isso. Há também um outro conceito aplicado a tudo isso, chamado Marketing Viral, ou o famoso “boca-a-boca”. Todo cristão promove o filme, todo judeu critica, todo mundo comenta alguma coisa para se fazer de entendido e isso naturalmente desperta a curiosidade humana em torno do assunto.

E justamente sobre isso está a oportunidade que temos. Não é exatamente sobre o filme, mas pela curiosidade que as pessoas ficam em saber do que tanta gente tem falado. Com isso, nossos pastores e mestres recebem convites para esclarecer e debater o assunto em canais de audiência que não se conseguiria normalmente. O filme ajuda muito, mais ainda por contar com tanto primor e emoção uma história como a de Cristo.

Mas devemos ter consciência de que essa “onda” do Mel Gibson vai passar, outros assuntos polêmicos surgirão e na velocidade em que gira a informação no mundo globalizado em que vivemos, não dá para crer que em um ou dois anos, ainda se ganhe alguma notícia falando de “A Paixão de Cristo”.

E o que nós, filhos dEle, podemos fazer aqui embaixo para ajudar a manter o assunto na boca (e no coração) do povo? Usar as mesmas ferramentas, fazer o marketing, divulgar as escrituras, dar produtos cristãos, ou seja, levar sempre adiante o ensinamento do Senhor. Devemos sempre lembrar que se hoje a história de Cristo é viva e permanece íntegra, é porque nosso Deus soberano usou ferramentas de divulgação (homens de Seu povo) para manter acessa a chama de Jesus. E como se acende uma chama? Com fogo, assim como se acende uma vela, que ilumina um ambiente escuro.

Quando imitamos e vivemos segundo o caráter do Mestre, somos efetivamente “a luz” deste mundo e estamos fazendo o que Ele nos ensinou: brilhar onde quer que estejamos. E se somos luz do mundo e sal da terra, não há filme, religião, opinião ou jornal que bloqueie o interesse das pessoas pelo responsável por tudo isso. Aquele quem tem Jesus, de seu interior fluem rios de águas vivas.

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