Sem começo, meio ou fim


por Luiz Henrique Matos

Sempre gostei de ler. Desde a infância meus pais sempre incentivaram a mim e meus irmãos a cultivar esse hábito. No começo eram livros só com figuras, pinturas e ilustrações auto-explicativas. Depois esses deram espaço a uma ou duas frases por página e a medida que os anos passavam (ou eu subia um grau na minha carreira escolar) o espaço para os desenhos iam ficando cada vez menores e as letras diminuíam em tamanho, cresciam em espaço e não satisfeitas tornavam os livros cada vez mais grossos.

As letras sempre foram o meu esconderijo secreto. Os momentos em que estou sozinho, alheio ao mundo e focado em um único ponto. Minha cabeça pára de girar, os relatórios atrasados, dores de cabeça e avenidas entupidas deixam-me por um instante e permitem que eu me concentre em uma coisa apenas: a história contada.

Há alguns anos descobri as Escrituras Sagradas, ou melhor, com o perdão da palavra, creio que foram elas que me descobriram. Palavras de consolo, de ânimo, histórias reais de vida, de morte e até de ressurreição. Aventuras, poesias, história, geografia, romances, ilustrações. Palavras de vida, palavras vivas. Eternas e ternas. A cada leitura uma experiência e um crescimento. Não é bem a voz de um homem que ali se encontra, mas dentre tantos relatos, histórias e pontos de vista, posso encontrar a influência de um só Autor, inspirando Seus instrumentos a registrarem Sua verdade.

Cuidadosamente, Ele preparou tudo muito antes de acontecer, deu o grito de largada e assistiu o desenrolar dos fatos. Amparou os tropeços arrependidos, castigou a arrogância destemida, viu Seus filhos crescerem em estatura, graça e sabedoria. Por cerca de 1.600 anos providenciou que essas palavras fossem registradas, por – estima-se – 42 homens diferentes em momentos e lugares igualmente distintos. E apesar de tantos probabilidades de erros e contradições, essas palavras se confirmam e completam em harmonia incomparável.

Doce como o mel, luz para o meu caminho, lâmpada para os meus pés, fonte de sabedoria, verdade cortante, espada, Palavra de Deus.

Hoje, quase 2.000 anos depois do ponto final desses relatos, mesmo que os leia de uma ponta a outra, percebo que esses livros envolvem de forma especial e de fato, me tornam um homem ao mesmo tempo mais forte e inocente, um filho liberto e igualmente dependente, vazio de mim mesmo e cheio de Sua inspiração. E ao contrário das leituras em que me embrenhei a.C. (antes de Cristo em mim), a Palavra do Senhor não tem um ponto final, ela é realmente viva, tal como seu grande Autor que continua a falar, falar e falar a quem quer que Lhe consulte.

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