Dia D


por Luiz Henrique Matos

Acho que vou chorar. Creio realmente que naquela hora, ao ouvir meu nome, vou sentir um arrepio me subindo pelas espinhas, um aperto de dentro para fora em meu coração que não me deixa pensar em outra coisa, um calor que derrete o gelo e a frieza em meu interior e faz vazar aquele líquido salgado que escorre de dentre os olhos pelas bochechas e embaça minha vista, trava meu nariz, me deixa avermelhado e impede que com clareza eu enxergue o que tanto sonhei. Aliás, com ou sem lágrimas, nem sei se conseguirei olhar diretamente em Seus olhos. Penso que minha primeira atitude será, cabisbaixo, parar diante de Sua glória revelada como uma criança envergonhada, me dobrar calmamente, ajoelhar aos Seus pés em silêncio e fazer algo que nunca ao menos mereci: humilhar-me diante dEle e mostrar minha admiração e honra.

Nada se pode imaginar a respeito da mente e da criatividade de Deus. Não sabemos como será o tal momento, os detalhes, a decoração, o ambiente, a aparência dos anjos auxiliando, guardando e louvando. Como é o Seu trono, como são Suas vestes brancas, o formato do Seu cajado e de que comprimento afinal é Sua barba? Imagino que Ele estará ali, contemplando aliviado àqueles que creram (pudera, Ele trabalhou tanto por isso), com um sorriso no canto dos lábios, a sensação de ter valido a pena o sacrifício de Seu Filho unigênito e o olhar amoroso de um Pai vendo enfim, Seus filhos pródigos voltando para casa.

Como ovelhas antes desgarradas, estaremos ali reunidos. E já separados dos bodes, voltaremos obedientes para o lar, sendo conduzidos pelo nosso Bom Pastor. O veremos então dando alguns passos em nossa direção e dirigir-nos a voz com o tão esperado convite: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25:34). Ouviremos nossos nomes sendo chamados, um a um, não como nos conhecemos, mas como por Ele somos conhecidos.

“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido” (1 Coríntios 13:12).

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