O mundo cinza


por Luiz Henrique Matos

(2º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Você consegue sentir falta de algo que não existe? Sente, por exemplo, saudades de uma pessoa que não conhece?

E se o mundo fosse feito diferente? E se Deus o tivesse criado sem as belezas, recursos e maravilhas naturais, você sentiria a ausência desses elementos? Não.

Pense nas coisas que você gosta nessa terra. Talvez cachoeiras, praias com seus mares verdes e areias finas, a beleza dos oceanos, as florestas com cada palmo de sua terra, flora e fauna. O céu azul, as nuvens brancas e todo o universo desconhecido que está acima de tudo isso. A água que sacia a sede, o sabor de cada fruto e cada alimento.

Imagine por um segundo que tudo isso não exista, que Deus tenha criado um mundo estritamente funcional, onde não haveria dia ou noite, sol, lua ou estrelas, o céu seria simplesmente cinza. Nos alimentaríamos de um único e suficiente elemento, talvez um “maná” que saciaria toda nossa fome pela vida toda. O mundo seria uma planície reta, com o solo escuro. Sem verão ou inverno, apenas um clima sóbrio que nos manteria imunes, sem qualquer variação.

Parece horrível, mas nós não notaríamos. Só sentimos falta de algo que necessariamente possamos imaginar, desejar e achar necessário (ou você acredita mesmo que refrigerante e hambúrguer são uma necessidade real?).

Mas Ele preferiu fazer diferente. Por algum motivo Deus não quis um mundo sombrio. Por alguma razão o Rei do universo fez um mundo lindo, perfeito e delicioso. Porquê?

Porque Ele tinha em mente a Sua mais célebre obra de arte, Ele iria realizar um sonho e pensou que esse sonho precisava de um cenário impecável onde viver, de forma a refletir Sua própria glória e majestade.

E não foi de uma vez. A Bíblia diz que Deus foi criando cada elemento da terra e a medida que surgia o resultado Ele gostava (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25 e 31). O Senhor partiu de uma idéia fixa, começou então a passar Seu pincel sobre a “tela” e foi gostando. Caprichou aqui, fez um enfeite ali e terminou Sua magnífica obra de arte: um planeta perfeito. E viu que isso era bom.

Mas ainda havia um novo passo. Ele viria a criar o elemento singular que reinaria sobre todos os outros. Dotado de inteligência, raciocínio e feito à Sua imagem e semelhança, Deus criou o homem.

* * *

Não é maravilhoso pensar que Deus criou esse planeta só para que habitássemos nele? Fez águas potáveis e cristalinas a ponto de refletirem nosso rosto. E hoje vemos correr em suas margens a imagem de nosso descaso. O que era fonte de vida e abundância, hoje é um símbolo urbano do que representa morte e poluição (quem mora em São Paulo entende melhor o que digo).

E como deveríamos nos sentir em saber que cada gesto nosso a destruir o meio-ambiente é igualmente uma mancha nessa “obra de arte” divina? Sendo mais claro, onde está a nossa consciência ao saber que cada papel jogado no chão é uma atitude de negligência para com a obra de Deus?

Isso realmente pode soar como radicalismo, mas não é. Seguir a Deus tem seu preço e esse preço chama-se “obediência”. Obediência é reflexo de amor, respeito, compromisso, dependência, ou seja, quem segue aos mandamentos, necessariamente obedece.

Em verdade, nunca saberemos exatamente a vontade do Senhor se ficarmos sentados no banco da igreja ouvindo o sermão dominical. Precisamos nos aprofundar em Sua vontade explícita nas Escrituras para a partir de então tomar uma atitude construtiva para o Reino. E então concluímos que sim, a Bíblia fala de ecologia.

“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20a).

* * *

Para não parecer vago, veja o exemplo de Salomão e Adão, dois homens reconhecidamente sábios. Um foi o rei mais inteligente que este mundo já conheceu e o outro, o primeiro de todos nós e alguém que antes de pecar, provavelmente usava 100% da capacidade de seu cérebro (os seres humanos como um todo usam, no máximo, 10% do seu potencial). Veja um pequeno trecho do que esses homens fizeram:

Salomão: “Dissertou a respeito das árvores, desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede; também dissertou sobre os animais, as aves, os répteis e os peixes. De todos os povos vinha gente para ouvir a sabedoria de Salomão, e da parte de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1 Reis 4:33-34).

Adão: “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar” (Gênesis 2:15). E segue: “Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo” (Gênesis 2:19-20a).

Sábios, comprometidos com Deus, adoradores verdadeiros, exemplos do que o Senhor sonhara para Sua criação. Eles agiram com respeito à Sua obra, a preservaram e a cultivaram. E Deus tem sido tão bom que deixou isso registrado para que nós, hoje, pudéssemos tomar suas atitudes como exemplo. Com os 10% de capacidade que nos restam, não é difícil entender esse propósito. Ou é?

Sementes: Pense no seu dia a dia, o ambiente em que vive, os locais por onde passa. O que você faz com o lixo do que consome? Como administra água, luz e gás? Afinal, qual tem sido o seu esforço em preservar a obra de Deus para as próximas gerações?

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