Sobre guerreiros e pigmeus


por Luiz Henrique Matos

(O texto abaixo tem como propósito ser uma analogia para a nossa postura dentro das comunidades e em nossa conduta cristã. Reconheço que pode soar um tanto preconceituoso quanto à questões físicas e étnicas de alguns povos, mas isso não condiz com a intenção real, que é sempre a de edificar a caminhada com Cristo – escrevo esse comentário depois do texto já divulgado em outros meios, obrigado ao Tonho pela observação).

* * *

Alguém disse certa vez, talvez um professor, que existe uma razão para alguns homens serem mais altos do que outros, a exemplo de algumas tribos africanas onde chegam a medir quase dois metros em contraste a certas comunidades de pigmeus, também africanos, que mal chegam a um metro e trinta.

Conta a história que no tempo em que nossos ancestrais começaram sua peregrinação pelo mundo, o macho tinha por função sair diariamente para a caça e trazer para casa o alimento que supriria a necessidade de sua família (eram tempos em que as geladeiras não existiam). Nessa jornada errante, algumas tribos foram viver em desertos e grandes planícies (no exemplo acima, é o caso dos africanos) e outras firmaram suas moradias nas florestas (os pigmeus).

Segundo a (provável) teoria do (também provável) professor, a caminhada por grandes campos e planícies criou em alguns homens a necessidade de ampliar o seu campo de visão diante de um horizonte tão longínquo. Essa necessidade, ao longo de anos e anos, gerou homens com biotipos mais altos e reconhecidos como grandes guerreiros e caçadores. E muito disso é por conta de sua excelente capacidade de visão e pela estatura.

Quanto aos pigmeus, cresceram em meio às florestas. Esse “habitat” sempre os impediu de ver mais do que alguns metros adiante e sua necessidade de visão limitava-se aos espaços e detalhes que os cercavam. Diante de tal cenário, seu corpo nunca foi dos mais avantajados. Enxergavam muito bem no estreito ambiente à sua volta mas eram facilmente atacados pelas feras quando expostos a um campo muito grande. A tática para não serem devorados era abaixar e se esconder, afim de passarem desapercebidos.

Hoje, as nossas igrejas estão cheias de “pigmeus”. Crescemos dentro de pequenos espaços e nos limitamos a olhar para os empecilhos que nos cercam, as lutas particulares, as dificuldades em nossas comunidades e nos esquecemos da “visão de Reino” que o Jesus nos deixou como tarefa. Precisamos passar mais tempo no deserto, encarar a planície e compreender que fomos criados para enxergar a partir de uma visão alta e global. Assim como Deus.

Quando deixarmos de olhar para os obstáculos de baixo para cima e os observarmos de cima para baixo, compreenderemos que os problemas não são afinal tão grandes. No momento em que lembrarmos que o mundo não é constituído apenas pela pequena floresta em que habitamos e suas dificuldades rotineiras, mas é na verdade uma enorme massa em movimento, saberemos então que essas tribulações são ínfimas diante do “todo”, que devemos ser guerreiros preparados para as batalhas e que afinal de contas, a Terra é redonda e quanto mais altos formos, mais longe enxergaremos.

Então veremos um mundo realmente grande. Veremos nossos irmãos sendo perseguidos de um lado, veremos a igreja carente de outro, os povos sofrendo por toda a parte, a sede de Cristo vindo daqueles que nem ao menos sabem que Ele veio. Entenderemos a necessidade e o valor de nossa intercessão, aprenderemos que a Terra não se resume ao nosso umbigo e enfim teremos implícitos em nossos corações o verdadeiro significado de expressões como: servir, amar ao próximo e crescer… crescer para ver longe.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55:8-9).

Não fomos concebidos para viver perdidos em meio à floresta, sem visão, tropeçando em qualquer pedra que cruze o nosso caminho e nos escondendo das feras. Mas fomos feitos à semelhança de Deus para crescer e ter visão… visão do alto, visão ampla e plena, conscientes e batalhando pelas bênçãos e promessas que Deus sonhou para nós, todos nós.

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