O silêncio


por Luiz Henrique Matos

O silêncio. Se tem algo na crucificação de Jesus que me espanta é o silêncio. É claro que dia após dia ainda me sinto comovido com todo o propósito de Seu sofrimento por nós e a salvação que há n’Ele. Mas esse fato (como Ele mesmo diria) já “está consumado” nos corações e na história. Mas o silêncio…

Porquê Ele não falou nada? Porquê sofreu quieto, sem reclamar ou se defender? Porquê não condenou aqueles pecadores que blasfemaram e não quiseram crer? E se ali, na cruz, Ele dissesse: “Estou aqui por causa de vocês, ingratos. Estou morrendo no seu lugar!” Isso mudaria alguma coisa? Ele deixaria de ser o Filho de Deus e Salvador da humanidade?

Mas preferiu sofrer quieto. Em Suas últimas horas neste mundo não pregou o arrependimento, nem falou de morte ou ressurreição, não realizou milagres e tampouco se defendeu. E tantos à sua volta o agrediam com palavras, socos, pontapés, chibatadas, pregos, cravos. Foi humilhado, não reagiu e todos que se diziam Seus amigos também não fizeram nada.

E nesse grupo, ainda hoje, estou eu. Estou entre os que Lhe prometeram fidelidade e fugiram ao menor sinal de perigo. Estou entre os que clamaram por sinais e milagres mas que no Sinédrio apontaram o dedo gritando: “Crucifica!”. Estou como o discípulo que afirmou que morreria em Seu lugar mas que em apenas uma noite foi capaz de negar Seu Mestre por três vezes e também estou como o outro discípulo que O entregou aos guardas, com um beijo na face, por algumas moedas prata. Estou entre os soldados que O torturaram, cuspiram e pregaram no madeiro. Estou entre os fariseus hipócritas.

Sim, sou um deles, cada um deles, com suas atitudes e razões, lutando contra os impulsos da minha carne e buscando acreditar na Verdade que agora se cala. O silêncio.

Ironicamente, o silêncio que disse tudo. O silêncio que expôs a dor, revelou o amor e ensinou Sua misericórdia. Silêncio rompido pela voz fraca e os lábios trêmulos que enfim disseram o que mais me dói o peito: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem”.

“Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça. Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados” (1 Pedro 2:23-24).

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