Cá entre nós


por Luiz Henrique Matos

Ainda não se entende como ou porquê, só se sabe, aqui entre os que creram, que ele sabia. De um jeito muito simples, ele olhava e sabia. Hoje compreendemos, ele sabia porque amava. Mas, porquê amava, ninguém sabia.

De um modo direto e muito humano. Era como se aquele simples olhar consolasse toda dor, seu toque sutil tirasse todo peso, sua voz calma penetrasse os lugares mais escuros da alma. Ele sabia tudo o que pensavam e sentiam, mas isso não trazia medo a ninguém, ao contrário, era o grande consolo e a certeza de que sim, ele era o Messias.

E seu poder era transformador. Não era como o de um super-herói dos quadrinhos, que se concentra em uma pessoa e sonda o seu interior. Também não era como um robô da ficção científica que não vê carne ou sangue, somente imagens em dimensões digitais.

Sim, ele era Deus, totalmente Deus. Mas aqui, cá entre nós, ele era homem, completamente homem. Vivendo entre homens, comendo com homens, dormindo ao lado de homens. Apenas homens, bem distantes de qualquer semelhança divina.

E ele, justo ele. Que participou do nascimento do universo, céus, terra, mares e cada ser vivente de sua criação. O Deus vivo era agora um deles.

Junto ao Pai concordou quando disseram: “Façamos o homem”. E dos altos céus viu o primeiro ser criado. Mas viu também a queda desse Adão e sentiu a dor ao ver seu grande sonho ser adiado. Se dispôs então a viver entre esses homens, gerações mais tarde, na plenitude dos tempos, ao lado de toda a criação desviada de seu propósito santo.

E vivendo como eles, morreu sem pecados para poder livra-los da condenação fatal, dando aos que creram a herança da vida eterna e a graça de serem chamados filhos de Deus.

Depois de morrer, ressuscitou. Mas não para subir ao seu trono e descansar da penosa jornada, mas justamente para voltar a viver entre seu povo, não mais em carne perecível, mas em espírito, santo e divino.

E ainda hoje ele está aqui, em verdade, em espírito, em amor, em nós.

E ainda hoje, ele sabe… ah, como sabe! Ninguém entende como ou porquê, simplesmente sabe de sua presença consoladora e sente… ah, como sente! A certeza de seu toque, meu ser. A revelação de seu caráter, meu Deus.

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