As histórias de cada um


por Luiz Henrique Matos

Talvez, digo talvez, algum poeta diria que “o que vivemos revela o que somos”. E que por trás de cada rosto existe uma história, que cada olhar alheio revela uma alma encoberta pela máscara dessa vida, pois afinal, existe algo muito maior dentro do homem, maior até do que ele próprio, é a sua história, sua vida, sua marca.

E todos nós possuímos uma saga, partilhamos segredos, vivemos grandes emoções. Ou não. Talvez nossas aventuras rendessem um livro ou quem sabe um filme. Muitas dariam comédias, outras tantas dramas arrastados, algumas romances e raras delas seriam épicos marcantes.

Todos também temos cicatrizes, alguns no corpo, outros na alma. Algumas cobertas discretamente, outras expostas de forma horrenda. E todos igualmente amargamos grandes derrotas, mas pudemos outras vezes, erguer o rosto exibindo nossas conquistas. Somos apenas pó, uns e outros, uma pequena partícula entre seis bilhões de outras tantas no planeta. Mas cada um com um DNA diferente, com sua origem exclusiva e seus sonhos próprios.

Cada certidão esconde um passado e cada expressão revela um momento novo naquela vida. Todo mundo já se emocionou num filme, já torceu pela seleção, já tropeçou na rua diante de uma multidão. Todo mundo já brincou quando criança, já se decepcionou com os adultos, já quis voltar à infância. Todo mundo já amou, já sofreu, já sorriu e chorou. Não há um de nós que seja como o outro, mas também não somos exclusivos em nossas experiências. Por isso somos assim, “iguais mas diferentes”. E as emoções que vivemos são o sal que tempera essa rotina tão comum, são as aventuras que ocorrem durante esse processo repetitivo de “inspirar e expirar” que nos mantém vivos.

Não sei se você passa por esses momentos, mas às vezes, andando pela rua, vejo alguns rostos e naquele instante eu gostaria de saber o que se esconde por trás daquelas cortinas, como são os bastidores do espetáculo que os homens representam, quem são realmente esses personagens habitando o mundo. Sem preconceitos, desejo conhecer as aventuras daquela senhora imigrante de cabelo branco que vi no parque, os causos do caboclo na cidade grande que embarcou no trem, as pegadas de um mendigo errante que descansa sob um toldo. Queria ouvir em detalhes cada uma das epopéias, que acredito, todo homem carregue em sua idade. Todos possuem sua linhas escritas, por vezes tortas, rabiscadas, sujas, mas lá estão cada uma delas gravadas para a eternidade.

Mas gostaria de saber observar sem deixar que os meus filtros humanos me revelassem um hipócrita que cria estereótipos para cada “categoria” de gente. Queria usar os óculos divinos, que olham com amor incondicional, sem se importar com a forma, sem ser surpreendido pelos absurdos escandalosos, que sabe amar e compreender.

E quanto a eu e você? O que as pessoas pensam de nós? Será que nos acham engraçados? Soberbos? Bondosos? Chatos? Sinceramente, não gosto de saber que alguém tem uma impressão errada a meu respeito, diferente do que sou realmente. Talvez então eu deva considerar o mesmo antes de fazer um julgamento acerca de alguém…

Mas sei que apesar de minhas falhas, existe um momento em que, por milagre ou ocasião, nossas máscaras caem. E é aí que somos despidos de preconceitos e julgamentos, lavados e vestidos de “verdade”. Olhamos fundo nos olhos cansados de nosso próximo e vemos algo comum. Sondamos o interior, enxergamos a verdade e entendemos a sua história como se dentro de nós elas também fossem vividas.

E nessas horas, somente nessas horas, vemos que não estamos sós. Sentimos uma mão ser estendida, vimos que provamos o bom fruto do banquete e temos o ímpeto de dizer que entendemos, sim, nós entendemos o que se passa. Queremos ajudar, nos entregamos a uma bondade sincera, somos preenchidos de amor e só assim compreendemos que também amamos. E entendemos que esse sentimento pode estar gravado em nós, mas que amar também é uma opção.

E então, com o espirito aberto, ouvimos Deus nos sussurrar:

– Isso! Ame-os filho. Ame como a si mesmo.

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