Saudades de quando…


por Luiz Henrique Matos

Estou com saudades de um tempo que talvez eu nem tenha vivido. Um tempo menos complexo, mais devagar. Um tempo onde o amor bastava. O puro e simples amor.

Eram dias em que Jesus estava entre nós. Mas não, eu não falo do primeiro século, falo de duas décadas atrás, talvez dois meses ou duas semanas até. Tenho saudades de pequenos instantes onde olhamos uns nos olhos dos outros e vemos a figura expressa do Senhor em nosso meio.

Estou sentindo falta desse amor. O amor dos dias em que somos inocentes, quando não há competições, tecnologias ou avanços. Quando a economia é indiferente, a política inexistente e a justiça desnecessária. São aqueles momentos simples, em profundo silêncio mas cheios de significado, que produzem por si só uma marca em nossa própria história, porque sentimos Deus gravando-os em nosso coração.

Existe em mim um vazio a ser ocupado por algo que não está nos significados, livros ou dicionários. Um espaço que precisa ser preenchido pela presença da essência, da amizade pura, do riso espontâneo, da lágrima compreensiva.

Tenho saudades dos irmãos que não conheço. Nem mesmo sei onde vivem, mas sei que em algum lugar desta terra, membros de minha família, filhos do meu Pai, oram por seus povos, passam por necessidade, comemoram grandes vitórias. Gostaria que eles sentissem meu abraço.

Sinto falta de orar sem pedir nada. Desejo mais a presença vibrante de pessoas apaixonadas por Jesus, não pelo que Ele pode proporcionar, pela sensação milagrosa ou “extravagante” de sua presença, mas pelo puro e simples prazer de partilhar esse milagre vivo dentro de si e declara-lo Deus.

Gostaria de viver novamente os tempos em que éramos simplesmente um Corpo, movido pela complexidade do milagre divino, mas existindo apenas pelo leve sopro do Espírito. Sem mãos tradicionais, lábios pentecostais ou pernas romanas. Éramos apenas cristãos.

Tenho saudades de Antioquia. E mais uma vez, não falo de tempo ou época, mas do sentimento que motivou aqueles homens estranhos a olharem para os discípulos de Cristo e os apelidarem “cristãos”.

Quero ter essa semelhança. Mas não sozinho. Quero ser “cristão” com o próprio Jesus, com você, com todos os que se dizem povo do bom Deus e também com os que não se dizem. Pois sinto falta de ama-los também.

E antes que me perguntem eu digo: não, não estou sendo bucólico, utópico ou sonhador. Pensando bem, sonhador sim. Estou sonhando com uma verdade que, ultimamente, mais ouço do que vejo, que mais leio do que pratico. A verdade de Jesus Cristo com sua simplicidade, paz, sua luz: o amor.

E também sinto falta desses sonhos e eu sei que não são só meus. São, em princípio, sonhos de meu Pai (e como é bom poder chama-lo assim). E o que é o homem senão um sonho realizado à semelhança do sonhador? E o que é Deus senão o próprio amor? Criação e Criador, filho e Pai, amigos.

Tenho saudades de ser amigo de Deus. Caminhar ao seu lado no entardecer, cantar com Ele as boas músicas, ouvir sua voz e seus planos, mesmo sem compreende-los e ver a transparência de um relacionamento puro. Tenho saudade profunda e um desejo ardente de viver mais e mais a presença de nosso Deus em todos nós, seu Espírito sendo semeado e seus frutos sendo colhidos, somente para sua honra.

Deus: amor simples e eterno.

Sim, eu sei e confesso, certamente estou sonhando. Mas sonho porque já vi e, em Cristo, só em Cristo, sei que isso é possível.

Amém.

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