Pequenos grandes heróis


por Luiz Henrique Matos

Você já reparou na imagem ou figura de um grupo de soldados? Aqueles homens armados e equipados parecem autoridades capazes para qualquer batalha. Tente lembrar também das cenas dos filmes de guerra, com batalhões marchando em direção aos campos, uma fila linear com milhares desses heróis seguindo em um bloco de poder, representando alguma nação ou um ideal – que não são necessariamente os seus.

Hoje mesmo, agora há pouco, eu vi um soldado. E apesar de estar em uma estação de trem e não no Iraque, à distância notei as mesmas características da brava autoridade heróica, do guerreiro imponente. Mas a medida que nos aproximávamos, eu podia ver seu rosto e, meu Deus, era só um garoto! Tinha seus 18 anos e a feição de 15. Dentro daquela armadura verde estava um menino. Na cabeça coberta pela boina, habitam sonhos juvenis, preocupações simplistas, o placar do jogo de ontem, a tarefa da aula de amanhã.

E pensando em garotos, eu me lembrei então de Davi. Ele próprio ainda um menino nas primeiras vezes em que aparece citado nas Escrituras. O futuro rei de Israel era franzino e simples, vivia a pastorear ovelhas e tocar sua música, em nada parecia um guerreiro. E quando então é desafiado para seu primeiro combate, é tão magro e pequeno que a armadura oferecida pelo rei é pesada demais e o impede de andar. Ele livrou-se então do peso, empunhou seu alforje e acertou uma, leia bem, apenas uma pedrada certeira na testa do gigante Golias. Assim derrubou seu oponente, e a partir daí começa a narrativa sobre como então tornou-se um guerreiro, assumiu um trono e formou um grande reino. Mas continuou poeta, homem e amigo de Deus.

Pensando também sobre amigos de Deus, lembrei-me daqueles que estiveram pessoalmente com o próprio: seus discípulos. Eles viveram e caminharam ao lado de Jesus durante o tempo em que viveu nesta terra e receberam dele a incumbência de estabelecer e difundir o Reino dos Céus. Experimentaram provações, realizaram milagres, batalharam pela fé e morreram como mártires por amor a Cristo. A iniciativa e a pregação desses heróis permanecem vivas até hoje. Mas também esses, eram pessoas comuns, com suas dúvidas transparentes, um coração dividido e famílias para sustentar. Tinham fome, medo, dores e fraquezas. Em outros tempos, anos mais tarde, a igreja romana os declarou “santos”, mas isso não mudou sua essência: em vida, foram todos homens.

Os títulos que receberam, colocaram esses homens em pedestais de honra, que os afastam da nossa realidade humana. Assim, passam a ser ícones e não mais exemplos. E talvez tenhamos nos esquecido de que livros como Reis, os Evangelhos e Atos dos Apóstolos não são ficção, mas relatos históricos reais de fatos que ocorreram há alguns séculos.

Precisamos enxergar além das máscaras para contemplar essa verdade. E a verdade é que, despidos de armaduras e mantos reais, somos todos iguais, reis e plebeus.

Lembre-se que alguém como você foi escolhido o governante de Israel. Um homem com suas mesmas dificuldades e defeitos, foi escolhido para ajudar a implantar a Igreja de Cristo neste mundo. O soldado imponente marchando para a batalha, é um garoto com as mesmas dúvidas e sonhos que lhe sondam. Você se sente capaz? Pois nenhum deles se sentia.

Nada ou ninguém é pequeno demais para ser subestimado ou tão grande que não possa ser vencido. Isso vale para coisas e para homens.

Por isso, sim, podemos vencer. Não por mérito ou capacidade, mas por um outro feito, ainda maior, heróico e esse sim, infalível… E bem, chego finalmente ao sentido fundamental e conclusivo dessa mensagem. Mas, por outra vez, gostaria de convida-lo a observar um homem. Não qualquer homem, mas o Jesus homem, o Deus menino que se perdeu da família, o Messias que pediu um pouco d’água para matar a sede, o Mestre que cochilou no barco porque teve sono, o Filho de Deus que sentou-se à mesa para comer com os amigos e o Cristo que abaixou-se para rabiscar na areia e se concentrar.

Veja que muitos dos gestos sobrenaturais de Jesus eram precedidos por atitudes comuns, banais até. E observar sua humanidade nos ajuda e enxergar o modelo de homem que devemos e podemos ser. Ele sofreu e venceu, em cada situação, para nos mostrar que sim, podemos levantar a cabeça e ver a luz no fim da escuridão. Jesus é nosso padrão de comportamento. Ele fez tudo isso para soubéssemos que é possível. Você já viu um Deus assim?

“Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hebreus 4:14-16).

Se, como nós, Ele veio e passou por dores e dificuldades. Assim também, como Ele, nós podemos ser vitoriosos em cada uma delas.

E meu amigo, se chegamos até aqui é porque você tem me permitido escrever-lhe. E nesse ponto, gostaria de convida-lo para uma nova leitura dos Evangelhos, permitindo que as palavras de Jesus Cristo cheguem ao seu coração como a de um homem, que deixou sua posição de Deus para ser como você, sentir como você, sofrer como você e afinal te mostrar que fez tudo isso justamente por você.

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