No olho do furacão


por Luiz Henrique Matos

Furacão Katrina. Está em todos os jornais do planeta. Até o momento em que escrevo, foram contados ao menos 200 mortos, milhares de vítimas e prejuízos estimados entre 25 e 100 bilhões de dólares. Segundo fontes, 80% de Nova Orleans pode estar destruída depois de a cidade ter ficado submersa. A maior parte das áreas afetadas está sem acesso a energia elétrica, telefonia, alimentos e água potável. A população pede socorro. Balneários foram cobertos por ondas de até oito metros de altura e em alguns pontos alagados o nível da água chegou a seis metros de profundidade. Todos tentam se proteger da ameaça iminente ao entrar na rota de devastação provocada pelo furacão mais caro da história.

Furacões, por definição, são “tempestades ciclônicas com ventos muito fortes que se formam sobre os oceanos nas regiões tropicais” e podem ser classificados em graus de devastação que vão de 1 (para os mais brandos) a 5 (os mais cruéis e catastróficos). Eles são também nomeados, cada novo furacão recebe um nome que começa seqüencialmente com uma letra do alfabeto (Andrew, Bonnie, Camile, Danielle, Emily, etc.). O Katrina atingiu 5 pontos e segundo calculos, é 141º na ordem do alfabeto.

Análises meteorológicas podem prevê-los e transmitir alertas de precaução, mas não existem recursos que possam impedi-los de varrer o que estiver em seu caminho. Invariavelmente, a única solução é fugir.

Você já esteve na rota de um furacão?

É fato, não podemos negar que daqui, gozando a paz destas terras tropicais, aos vinte graus em pleno inverno, é muito provável que você e eu não tenhamos idéia do real impacto causado por uma destruição dessas. Não me refiro apenas ao prejuízo capital, causado pela perda de tantos bens, falo das necessidades humanas, das perdas pessoais, da gravidade emocional.

Afinal, sabemos, só quem está no centro de uma devastação como essa, sabe a dor e a aflição que se sente. Pelos noticiários, podemos avaliar, ponderar e nos comover com os números, índices, notícias e imagens reproduzidas pela mídia. Mas não estamos, de forma alguma, na pele daqueles que deixaram tudo o que tinham para preservar suas vidas.

Você já viu tudo o que construiu ser levado pela força de uma tempestade?

E quantos outros não foram e não são, os furacões e tempestades que assolam os homens e os povos ao longo de sua existência e caminhada? Alguns, tolos, tentam enfrenta-los, julgando-se capazes e fortes o suficiente para sair ilesos de uma força como essa.

Entenda, não importam os nomes, para cada circunstância e coração eles tem seus efeitos particulares. São os Andrew ou Avareza, Bornie ou Blasfêmia, Camile ou Ciúmes, Danielle ou Discórdia, Emily ou Egoísmo. Isso, além de todo um alfabeto de Tentações, Pecados, Opressões e Injustiças… tantos ventos fortes são capazes de nos consumir e derrubar. E não nos adianta, a qualquer um dizer que não puderam ser previstos, pois eles nascem dentro de nossos próprios instintos, como frutos de nossas decisões e atitudes (ou a falta delas). E também, aliás, não resolve pensar que entramos como presas desprevenidas em suas rotas.

“Seu trovão anuncia a tempestade que está a caminho; até o gado a pressente” (Jó 36:33).

Aconteceu, porém, afinal. E agora? Às vezes a vida entra em um desses ciclones, os sonhos pareceram frustrados, a esperança foi devastada e o coração amargo, vazio, deixado à margem da destruição. E o pior – ah como isso dói! – é saber que o primeiro sopro desse caos partiu de nossos pulmões.

Pecadores. Nessas horas, talvez só nelas, temos a oportunidade de reconstruir. Recebemos o poder de observar os vestígios desse pó e partir dele para recomeçar. Pecadores. Entendemos enfim o sentimento do arrependimento, nos quebrantamos e oramos ao único capaz de acalmar essa tempestade.

“Na sua aflição, clamaram ao Senhor, e ele os tirou da tribulação em que se encontravam. Reduziu a tempestade a uma brisa e serenou as ondas. As ondas sossegaram, eles se alegraram, e Deus os guiou ao porto almejado” (Salmo 107:28-30).

“Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!” (Mateus 13:9).

(Fontes: Folha de S. Paulo, Wikipedia.org, Associated Press, Bíblia NVI, Wahington Post, Yahoo! Brasil e Reuters).

PS.: É óbvio que, eu não poderia fazer tal analogia e descartar de forma indiferente a situação de necessidade e emergência daquelas pessoas nos Estados Unidos. São milhares de vítimas precisando de nossa ajuda e oração. E de coração, resolve muito.

2 comentários sobre “No olho do furacão

  1. pode crer cara….foi feio demais isso…e sempre agosto….ô meizinho viu? Ano passado aquela escola com as crianças mortas…aí outro dia aquela dos peregrinos em Bagdá…agora essa do Katrina…e tem tembém que lá, New Orleans, é terra de tudo que é bluseiro e jazzeiro bom…que coisa…Charlie Parker teve estar chorando também…Belo texto camarada…

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  2. pode crer cara….foi feio demais isso…e sempre agosto….ô meizinho viu? Ano passado aquela escola com as crianças mortas…aí outro dia aquela dos peregrinos em Bagdá…agora essa do Katrina…e tem tembém que lá, New Orleans, é terra de tudo que é bluseiro e jazzeiro bom…que coisa…Charlie Parker teve estar chorando também…Belo texto camarada…

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