Analogias não bastam


por Luiz Henrique Matos

“Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração” (Romanos 12:12).

Existem situações em que as ilustrações não resolvem. E também tampouco ajudam. São momentos que exemplos e gracejos são incapazes de retratar. Luzes no fim de túneis, Davis vencendo Golias, vales escuros sendo cruzados por valentes guerreiros, faróis reluzentes nos portos frente a penumbra solitária da noite. Não, nessas horas as parábolas nada refletem. Os versículos ecoam e soam apenas como afirmações frágeis de homens que não viviam, ah não, eles não poderiam estar passando por isso!

Tampouco dizem algo qualquer uma das palavras escritas. As poesias e registros que florescem desses tais são tão somente exercícios e desabafos atrasados não ditos quando deviam. Momentos em que o mundo parece quieto e sentimos que mesmo os anjos apenas observam. Num suspiro, olhando à volta, notamos um tanto do gesto dos solidários que dedicam-se a consolar a dor, mas mesmo eles não podem entender, ninguém poderia.

E brotam as dúvidas, florescem os cravos, desatina a dor, gira confusão, sonhos, transes e um questionamento que perdura: por quê?

Por isso, me calo quanto aos modelos de uns ou outros e até aos meus próprios instintos e aqui procuro ater-me à franqueza dos atos e fatos.

Na busca da resposta, acreditamos e sabemos, assim por simples saber e crer, que tantas e outras vezes ela se esconde não em outro lugar, senão em nós, ali dentro, debaixo, atrás, num canto talvez que, retorcendo e sondando quem sabe? Não, nem mesmo nós podemos enxergar.

E quem pode?

Sim, você já sabe, aqui, isso tudo é cristão, busca sê-lo. E não falaria de outra senão da Verdade. E ao contrário da outra, falsa, a verdade não se envergonha, nunca se cala, nem cansa de se repetir. E a verdade de Deus, tal como o próprio, é eterna e inabalável.

A verdade que sim, ora pois, sim! Sabemos, mas carecemos de confiar. Principalmente nesses tempos em que as muitas dúvidas questionam até o verbo que é, ser.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jesus).

É Ele, somente Ele, que nos ouve quando já não temos fôlego para chamar. Nos atende, quando na fraqueza somos dobrados ao chão. E no pó vemos a matéria do que fomos, somos e seremos. Mas ainda assim, poeira deste mundo, temos um Deus, tão grande mas tão próximo, tão Senhor e tão Pai, tão justo mas que assim, perfeito, nos ama sem condições. E Ele mesmo se entrega, por amor às criaturas que insiste em chamar de Filhos, perdoa e cura, restaura.

Pena, eu lamento, que talvez não compreendamos tal grandeza em meio à turbulência nesse instante avassalador. Mas não é a compreensão que se faz necessária, sim a fé. Ora, a certeza das coisas que não se podem ver…

“Pois nessa esperança fomos salvos. Mas, esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo?” (Romanos 8:24).

Se ainda vai doer? Sim, certamente vai. Mas uma hora passa. Se acredito que minhas palavras curam? Honestamente, não. Creio e sei, que nosso Deus nos vê e conhece. E ele sabe, com seus caminhos e seus pensamentos tão mais altos do que os nossos, que ali adiante há algo melhor.

É bom dizer que, o que digo apenas me parece, assim por acreditar, não sei muito bem. Quanto a isso sou também mais um dos que ainda esperam. Me entrego, peço, agradeço e permaneço. Deixo a janela do quarto aberta, aguardando pelo momento em que o sufoco passe e a brisa… ah, a brisa há de soprar, há de tocar, ah ela virá!

Mas sigamos na fé, na oração e no esperar em Deus. Esperar de esperança. Esperar que passem as parábolas, que cessem as lágrimas e que fuja o desespero de tantos porquês. Aguardar pelo novo dia que chega daqui a pouco, onde palavras poderão contar o passado, o passado pretérito perfeito que já se foi e agora é só história, mas que ainda assim esperamos… esperamos que ajude alguém. É, esperança.

“Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus” (Salmo 42:11).

“Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Romanos 5:3-5).

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