À procura


por Luiz Henrique Matos

É meio de tarde, é verão, nesse instante estou sozinho em uma casa. Inquieto com tantas coisas, resolvi separar alguns minutos para refletir no silêncio, ouvir os detalhes, acalmar o espírito ultimamente tão agitado.

No primeiro instante ouvi o canto dos pássaros que brincavam no quintal, sorrateiros, voando baixo rente à grama, passaram como o vento e partiram lá para ao longe. E foi só, desde então reina o silêncio, o calor e minha inquietude teimosa. Rompida somente, tempos depois, pelo zumbido chatíssimo de uma mosca que se atreve a invadir a sala e, imitando os pássaros, voar baixo rente ao meu ouvido que se irrita e incomoda e coça e se enche. Vai e volta a mosca barulhenta e eu já não acho boa a idéia desse silêncio contemplativo…

Achei, no início desse fim de semana prolongado, que o simples fugir da cidade grande para o campo, me faria desligar das tantas coisas do dia a dia, do trabalho, da vida. Eu queria é me esvaziar um pouco de mim mesmo e viver um tiquinho vazio, renovado, ser abastecido de paz, de Deus.

Descobri, para minha frustração, que não são trezentos quilômetros interior adentro pelo Estado que me levarão ao sonhado objetivo. Descobri, sem querer que fosse assim, que me forçar a dez minutos de silêncio não fariam com que meu espírito fosse renovado. Não, a essência do que desejo não se compra por encomenda, não se vende em “fast-foods”.

Essa paz, longe do que desejei, está sim por perto, quase ao alcance das mãos, não fosse ela tão discreta e impossível de se apanhar. É ela, pois que nos apanha, faz surpresa, nos envolve, quando nos pega assim desprevenidos, despreocupados, entregues. Descobri aqui nessa sala, que ao contrário do que procurei a tantos quilômetros distante de casa, precisava (preciso) eu é de uma viagem curta, simples, sincera, para dentro de mim, eu.

Parei então de forçar o que não se toma pela brutalidade e resolvi sentar para ler um pouco, deixar o corpo ceder, a mente aquietar e o coração sem muros para se romper. Vim aqui para esse teclado digitar, contar do que me passa, me esvaziar.

E descobri aqui que de assalto fui num instante tomado, pela graça, pelo amor, pela verdade de algo muito simples: Deus está em toda parte. E, opa lá, se quero ter a Sua paz, preciso eu estar em Deus.

O que é “estar em Deus” senão viver consciente de tudo aquilo que Ele mesmo é. E Deus é amor, é justiça, é poder, é carinho, é misericórdia, é vida, é paz, é bom, é Pai, é sabedoria, é tanto e tão tudo que breves linhas não descrevem, palavras não resumem, corações não compreendem. Mas é Deus e feliz estou por saber que só n’Ele sou realmente o que sou.

Quisera eu ser sábio para nunca disso me esquecer – eu me conheço nos amanhãs. Quisera ter eu essa verdade impressa no coração para em todo o tempo em meu Deus estar, cheio, transbordante, vivendo às margens de Sua sombra.

Mas espere, eu li e leio aqui, noutro pequeno trecho, e vejo o que tanto quero e ouço a doce voz da Sabedoria divina, que nos chama:

“Amo os que me amam, e quem me procura me encontra. Comigo estão riquezas e honra, prosperidade e justiça duradouras. Meu fruto é melhor do que o ouro, do que o ouro puro; o que ofereço é superior à prata escolhida. Ando pelo caminho da retidão, pelas veredas da justiça, concedendo riqueza aos que me amam e enchendo os seus tesouros” (Provérbios 8:17-21).

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