Pregadores da bola


por Henrique Matos

Foi essa a declaração do jogador Zé Roberto, meio-campo da nossa Seleção ao site GloboEsporte.com e à revista Veja na última semana: “É uma coisa em que penso, sim (virar pastor). Quem sabe depois do fim da carreira?”.

Com jeitão de rapper e aparência sisuda (mas de comportamento discreto), o desejo do rapaz tem seus méritos. Ele faz parte dos Atletas de Cristo, instituição bastante séria e respeitada. E a atitude dele parece muito sincera e apaixonada – e até mesmo coerente, pelo que segue na reportagem dizendo que a decisão não cabe apenas a ele.

Não tenho dúvidas de que serão muitas as portas abertas para um possível pregador com sua fama (e ainda muito mais se ganharmos o hexacampeonato), como também não tenho da quantidade de convites e explorações oportunistas de algumas comunidades sedentas pela audiência que um “convidado” como esse atrai para os cultos.

Mas a dúvida que me cerca é: teria ele talento e maturidade para ministrar e pastorear pessoas?

Essa é uma dificuldade na igreja brasileira (e não do jogador, coitado). Somos tão deslumbrados pela conversão de celebridades que qualquer uma delas que se apresente como cristã ganha logo um microfone e um título eclesiástico. Nada contra testemunhos, pelo contrário, são fonte de inspiração. Mas temo pela exposição exagerada sobre essas pessoas, que tal como qualquer outro “recém-nascido” no cristianismo, precisam de acompanhamento pastoral, estudo e discipulado.

Sobre ministérios e vocações, ainda acredito que podemos e devemos ser luz nesse mundo, usando como instrumentos os dons que nos foram confiados por Deus. Ah, seu eu jogasse bola como algum daqueles 23 convocados – o fato é que não jogo nem como o gândula – pregaria com os pés e não com essas mal-escritas frases.

E quanto ao Zé Roberto e seu desejo, espero sinceramente que esse irmão tenha com suas palavras o mesmo talento que tem com a bola.

2 comentários sobre “Pregadores da bola

  1. Alô, Henrique.

    Pois, já há muito que aqui não vinha… mas isto da bloguice é mesmo assim… distâncias, paragens, esperas, e até desaparecimentos… é a vida ;)

    O teu texto arrepiou-me todo (http://missaovirtual.blogspot.com/2004_10_01_missaovirtual_archive.html. O nome do texto é “Amigo de pecadores”)… não só pelo tema do pecado, mas pela força com que afirma Cristo vivo presente… aqui, agora… onde senão?… Tantas vezes o conjugamos no passado ou na representação simbólica ou cultural… E Deus ou é vivo ou não é….

    E por falar em interacção transatlântica, já deste uma espreitada no Samuel “Estação Nocturna”?…

    http://estacaonoturna.blogspot.com/

    O seu post “Por que?” de quinta-feira 4 de Maio tem muito que ver com isto.

    Abração!

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  2. Alô, Henrique.

    Pois, já há muito que aqui não vinha… mas isto da bloguice é mesmo assim… distâncias, paragens, esperas, e até desaparecimentos… é a vida ;)

    O teu texto arrepiou-me todo (http://missaovirtual.blogspot.com/2004_10_01_missaovirtual_archive.html. O nome do texto é “Amigo de pecadores”)… não só pelo tema do pecado, mas pela força com que afirma Cristo vivo presente… aqui, agora… onde senão?… Tantas vezes o conjugamos no passado ou na representação simbólica ou cultural… E Deus ou é vivo ou não é….

    E por falar em interacção transatlântica, já deste uma espreitada no Samuel “Estação Nocturna”?…

    http://estacaonoturna.blogspot.com/

    O seu post “Por que?” de quinta-feira 4 de Maio tem muito que ver com isto.

    Abração!

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