Cura interior


por Luiz Henrique Matos

Cura interior. No meu caso, teve nome, Colicesctomia com Colecistite por Videolaparoscopia. Um nome muito peculiar é verdade. Mas na linguagem quase popular, chamam de cirurgia de extração da vesícula biliar por vídeo. Já no palavrório totalmente popular, “retirada da visícra” transmitida pela TV. Em resumo, entrei na faca.

Cura interior. Hoje eu acredito e defendo esse processo. Passei pela minha há algumas semanas e agora gozo o alivio da restauração.

Mas, nem tudo foi tão simples (se é que parece ter sido). Antes, lamentei por algum tempo a minha falta de fé. Pensava que sendo eu um cristão tão convicto, bem que poderia experimentar um milagre, desses espetaculares, e passar incólume por essa luta.

“Ué”, qualquer um de nós poderia perguntar, “mas Deus ainda não cura os doentes tal como fez tantas vezes na Bíblia?”. É verdade, mas para entender o motivo, minha pequena fé me faz apelar à dose de razão que tenho. E é por ela que percebi e passei a crer em mais duas coisas.

A primeira foi ao descobrir que o verdadeiro processo de cura de Deus para mim passava por essa cirurgia. E vai muito além da “visícra” – que até doer eu nem sabia que existia. O que ele tinha a mudar dizia respeito a meu relacionamento com ele, ao meu caráter e, principalmente, ao estilo de vida que eu vinha levando. E agora, só eu, meus lençóis e o surrado travesseiro em que recosto a nuca sabemos o quanto tenho sido realmente curado.

A segunda aconteceu quando, refletindo sobre os motivos pelos quais eu não era milagrosamente atingido por um raio celestial que curasse meu estômago, fui levado – para minha decepção – a reconhecer que Jesus não realiza seus milagres por espetáculo puro e simples. Sua intenção, ao contrário, é atender à grande carência de seu povo. Sofresse um indivíduo do primeiro século de lepra, asma ou colecistite calculosa, certamente não haveria na Judéia uma medicina avançada como a que temos hoje. O Deus Pai providencia o que seus filhos precisam, até que esses evoluam e se tornem capazes de aprender os meios naturais sobre como isso acontece.

E agora, do que precisam as pessoas de nossos dias em sua dependência da intercessão divina? Quais são os males que carecem da ação de Jesus Cristo hoje?

Cura, eu ainda diria. Estamos doentes. Não mais leprosos, tuberculosos ou febris, mas quantos não somos os dependentes de enfermidades “emocionais”? Quantas não são as famílias contaminadas pelo câncer da separação, dos relacionamentos desajustados, dos filhos que se perdem pela falta de atitude dos pais? Quantos não sofremos de estresse, depressão ou fraquejamos pela asfixia de sentirmo-nos incapazes para ações aparentemente tão banais?

Estamos contaminados. E para conter essas epidemias das “feridas da alma”, precisamos sim do toque curador de Jesus Cristo. Instantâneo, puro, renovador, eterno. O toque que afaga, transforma, refaz. Precisamos. E muito, porque filhos que somos, ainda não descobrimos os meios que o Pai usa para curar esses males.

Mas, – não é preciso ser muito inteligente para saber – Jesus já não caminha entre nós, como homem, desde que começou a conta do nosso calendário. Ele fez melhor, resolveu viver dentro dos que crêem nele e a esses incumbiu a tarefa de realizar tantos milagres e feitos quantos ele mesmo realizou.

Faz através de nós. Pode e quer fazer. Tudo o que conhecemos e lemos a seu respeito, os seus feitos… esse agora é um papel nosso, trazer cura para as pessoas em nome de Cristo Jesus. Cabe a nós, filhos e herdeiros, entender, ministrar, tocar e cumprir tudo o que recebemos como fruto da promessa.

E, quer saber? Cura interior, cirurgia na alma ou seja lá qual nome você quiser dar a isso, agora livre de meu preconceito tolo, a isso chamo, sem ironias, de cristianismo. E isso cabe a nós.

“Estes sinais acompanharam os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados”. (Marcos 16:17-18).

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