Em defesa da crise


por Luiz Henrique Matos

Wall Street

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Por outro lado, essa crise até que é boa. “O mundo andava muito cafajeste” disse uma mulher numa entrevista recentemente. É verdade. O consumo desenfreado, a ganância das empresas, os lucros estratosféricos, a falta de consciência. Estávamos tomando decisões sem medida, sem pesar conseqüências, sem pensar no futuro. Afinal, pensar no futuro era ganhar muito dinheiro agora.

Mas as bolhas sempre estouram. E quando uma coisa estoura – bolhas ou bombas –, existe o efeito natural e físico de o que está dentro se misturar e afetar o que está fora.

É claro que não estou falando das pessoas que estão sem casa, dos pais de família desempregados e todas as tragédias. Isso é lamentável, é doloroso, é algo que os que estão sendo menos afetados – ou que, incrivelmente, estão incólumes nesse tempo – precisam observar para ajudar de alguma forma.

Mas é aí justamente que pode estar um ponto de mudança positiva. Não na tragédia mas no seu efeito sobre nós.

Talvez, o estouro dessa bolha, produza em nós uma atitude mais consciente.

Talvez a gente pare para pensar. Talvez percebamos, só agora, que precisamos cuidar do planeta, que precisamos controlar o aquecimento global, que não precisamos de uma TV de plasma ou LCD – ou saber a diferença entre uma coisa e outra –, que podemos gastar menos, doar mais, ajudar o vizinho que perdeu o emprego, cuidar do carro, talvez percebamos que a internet de oito megabytes por segundo serve tanto quando a de um, que o jeans de dois anos é mais confortável do que o da vitrine, que se o tênis for lavado vai ficar parecendo novo, que as “suaves prestações” prometidas pelos grandes magazines nunca foram, na verdade, tão suaves assim.

Talvez descubramos que podemos reformar as coisas ao invés de trocar por uma nova, que a boa refeição feita em casa junto com os amigos é mais aconchegante e gostosa do que a do restaurante caro, que bons livros podem ser comprados em sebos ou emprestados em bibliotecas, que precisamos passar mais tempo em casa porque, afinal, todo o tempo que passamos correndo atrás de dinheiro acabou não dando em nada. Ou melhor, deu sim, veja só no que deu…

Talvez percebamos que o dinheiro é algo que existe para nos servir e não o contrário. Talvez o que é “talvez” seja uma oportunidade.

A crise é dura. É como uma onda forte, inesperada, que chega varrendo tudo e tirando coisas do lugar. Mas quando passa, a água limpa e tira alguns excessos.

E no fim, logo ali na frente, tenho fé, sairemos dessa ainda mais fortes. Alguns antes do que outros, mas todos, certamente, mais conscientes quanto ao seu papel nesse mundo.

“Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza. O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá.” (Provérbios 11:24 5 25).

3 comentários sobre “Em defesa da crise

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