A menina e o vento


(Versos para os 15 anos da Nina)

Ela sentia o vento no rosto e sorria.
No balanço, na corrida,
no gira-gira, voando nos braços do pai, o sopro lhe tocava a face e ela reinava.
Acelerando atrás da vida.

Fechava os olhos
e abria as janelas.
Não tinha as asas que tanto queria,
Mas voava distante naquele vento.

O vento era o tempo.
Teimoso.
Chegava logo e atravessava, rompia, batia portas, levantava cortinas, levava coisas.
Nunca parava.

Crescia o cabelo, seus olhos, os vestidos.
O sorriso, seu brilho crescia. Cresciam os sonhos.
E o tamanho da escova de dentes, da cama, dos chinelos largados pela casa.
A vida passa como sopro.

Crescia o medo do escuro,
do futuro.
Crescia a distância, o abismo, os muros. A menina crescia.
O vento era ventania, difícil, respiro duro.

Mas a menina era leve, a moça era forte.
Sua poesia, sua arte, seu sorriso que atravessa o vento como um toque
que fazia parar o tempo, fazia abrandar a fúria,
que capturava todo afeto solto ao redor.

Porque no meio da ventania,
a menina era a brisa.

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