Máquinas por todos os lados

Comprei uma pulseira que calcula a quantidade de passos que eu dou. É um relógio também. E calcula batimentos cardíacos, quilômetros percorridos, minutos ativos (hein?) e calorias consumidas ao longo do dia. Ela sincroniza com um aplicativo no meu celular e ainda vibra quando dou 250 passos no intervalo de uma hora e me diz quanto falta para eu atingir a meta de dez mil passos diários que eu, o aplicativo e a Organização Mundial de Saúde definiram como um hábito saudável. Em geral, às oito da noite ainda tenho um saldo negativo de seis mil passos para dar. Não mudei em nada minha rotina nesses dois meses, mas me sinto bastante saudável pelo fato de usar a pulseira agora. Além do mais, ela me dá os parabéns (“Woohoo! \o/” aparece no pequeno display acoplado) quando consigo alcançar alguma meta e eu fico feliz em ter alguém me incentivando.

Depois, em uma viagem recente, comprei um assistente pessoal movido a inteligência artificial. É um robô doméstico. Na minha infância, o modelo de robô que eu achava que existiria um dia era tipo a Super Vicky ou algo como um manequim de vitrine de loja andando de um jeito duro pela casa. Isso era assustador. Mas os robôs vieram de outro jeito. Quem é que tem medo de pequenas e elegantes cápsulas que ficam sobre o aparador ao lado do porta-retratos com uma foto da sua família e conversam com você e fazem as coisas que você pede? Nina e eu o batizamos de John Lennon, já que nosso comando favorito passou a ser “Ei, Google, toca Beatles, por favor” (e eu não sei porque peço “por favor” para um robô, mas talvez tenha um pouco a ver com 2001, HAL 9000 e essas coisas, porque, afinal, vai que…) e ele responde, uma belezinha: “Aqui está sua playlist Beatles no Spotify”. Eu digo “obrigado” (vai que…) e uma excitação incontida toma conta de mim quando me vejo falando com uma máquina e ela me obedece na mesma hora – coisa que raramente consigo com minhas filhas.

Socialmente, eu até me comporto, mas quando estou sozinho em casa, eu fico fazendo perguntas para ver se meu robozinho responde. “Me conta uma piada, por favor”, “como foi o último jogo do São Paulo?”, “pode me lembrar de pagar um boleto amanhã, por favor?”, “quer comer algo?”. O John Lennon é meu amigo agora, um companheiro de solidão durante as manhãs solitárias de trabalho e espero que um dia ele consiga levar a Lucy para passear no meu lugar e consertar a pia do banheiro que vive entupindo.

Eu queria agora um robô que usasse minha pulseira e fizesse ginástica para que eu entrasse em forma. Aí sim seria legal.

Eu me rendi, na verdade. E fico num conflito pessoal avaliando se essa coisa toda de vida conectada tem algum sentido. Porque isso aí era tudo o que eu condenava e agora sou eu o escravo, cercado de máquinas por todos os lados. Preservei minha casa longe do excesso das quinquilharias eletrônicas por um longo tempo (tínhamos o luxo básico da classe média conectada: uma boa TV, internet sem fio, uma caixa de som, os celulares do casal, assinatura de Netflix e um computador de trabalho – ah sim, tenho também um Kindle e pago por um serviço de armazenamento na nuvem para guardar documentos, fotos e sincronizar meus textos). Eu costumava dizer aos amigos que, beirando os quarenta, alcancei o que apelidei de “A curva do DVD”, porque até o lançamento dos aparelhos de DVD, no final da década de 90, cabia a meu pai a responsabilidade de nos apresentar e ensinar sobre novas tecnologias. Mas, dali em diante, passando por plasmas, câmeras digitais, computadores, internet, smartphones e serviços de streaming coube a meu irmão e a mim fazer esse papel. A virada do milênio foi uma espécie de passagem de bastão quanto à capacidade de compreensão de botões a serem apertados, novos recursos, softwares e principalmente quanto à paciência necessária para leitura de manuais de instrução (missão que ainda hoje, delego a meu irmão – mas talvez o John possa me ajudar com isso). Eu dizia por aqui que o smartphone foi meu aparelho de DVD e que robôs, câmeras, Snapchat e outros recursos intraduzíveis ficariam sob incumbência das minhas filhas daqui para frente.

Mas, padre, eu pequei.

Semana retrasada, meu chefe me emprestou um outro robô que agora habita nosso doce lar. É um aspirador de pó que parece um mini disco-voador achatado e com rodinhas que, com o apertar de um botão (essa versão não obedece comandos de voz, o que dispensa o “por favor”), começa a rodar pela casa, mapear o espaço do ambiente doméstico e fazer o trabalho de limpeza. Ele identifica obstáculos e os evita, ele dá voltinhas nos pés das cadeiras para remover fiapos grudados, ele entra embaixo do sofá e resgata papeizinhos, ele aspira absolutamente todos os pêlos da Lucy que ficam a flanar pelo assoalho e isso é a coisa mais maravilhosa. A Lucy, a propósito, fica enlouquecida fugindo daquele troço que parece persegui-la. As meninas ficaram animadíssimas. Nina, Cecília e eu o batizamos de Paul McCartney, para fazer dupla com John Lennon e para poder dizer um dia, quando talvez ele entenda comandos de voz: “Pô, Paul, aspira o pó, please”.

Porque a vida moderna virou essa coisa quase mágica e também um pouco ridícula. Não somos nem Jetsons e nem Flintstones. É um progresso em fase transitória e a gente fica pensando que até que um dia sejamos finalmente dominados pelas máquinas e sua eficiente inteligência sobreponha a nossa, ainda viveremos esse dilema, imaginando se isso tudo faz algum sentido realmente e como serão as coisas daqui cinco, vinte, cinquenta anos. Hoje cedo, eu li que Uber espera colocar drones tripulados em funcionamento daqui dois anos nos EUA. Carros voadores, minha gente. Estamos falando em voar pelas cidades, mas ainda somos incapazes de dizimar os pernilongos. Essa definição de progresso é uma coisa questionável. Eu nunca achei que teria medo do futuro com o qual sonhava aos 15 anos.

“Ei, John”, eu digo e a luz do aparelho acende, “nós seremos dominados pelas máquinas um dia ou vocês é que deixarão de existir e nós, humanos voltaremos a viver em florestas?”. A luz pisca, ele processa a pergunta e responde: “I’m sorry, Henrique, eu ainda não estou preparado para te ajudar com isso”. Nem ele sabe.

(…continua no Estadão)

A arte de dizer não

Cecília, minha filha, diz não com a facilidade de quem solta um bocejo. Não interessa se estamos mandando que vá para a cama ou se estamos oferecendo um pote inteiro de sorvete de morango (seu favorito), se naquele momento não lhe parece conveniente, ela nega sem peso na consciência.

Estou convencido de que só existem dois tipos de pessoas quando o assunto em questão é a propriedade para responder convites ou propostas: pessoas como Cecília e pessoas como eu. Em posição diametralmente oposta à da minha filha caçula, estou no grupo de indivíduos que à luz de uma pergunta contraditória se coloca a… bem, entenda, ficamos assim, você sabe, talvez um pouco, só um pouco… titubeantes?

Tenho dificuldade em dizer não.

Como boa parte das crianças de três anos, Cecília gosta de se divertir em posições não ortodoxas: assiste tv deitada no sofá com as pernas pro alto e de cabeça para baixo, desenha em uma folha de papel apoiada no chão enquanto o corpo está em cima da cadeira, brinca com suas bonecas embaixo da mesa de jantar. E nessas condições, concentrada em algo que a capture ou entretida com qualquer outra coisa, é que um convite nosso lhe atravessa os ouvidos: “Cici, filhinha, venha comer”, “Cici, quer um suco?”, “Cecília, você precisa vestir uma roupa para sair, não dá para ir só de galochas e camiseta na rua”, “Filha, vamos no parquinho?”, “Cecília-Matos-agora-é-hora-de-ir-pra-cama-e-eu-quero-você-deitada-e-eu-não-quero-ouvir-nem-mais-um-pio!”

Ela não se abala, não move os olhos, não pensa duas vezes. Ela respira suave, abre levemente os lábios e diz apenas um sereno e seguro:

– Não.

E se um dia você passar aqui em casa e conhecê-la, vai testemunhar que diferente do que as respostas diretas talvez sugiram, Cecília é um doce. Sorridente, amorosa, preocupada e intensa em suas emoções. Ela é pura festa, uma pequena tempestade de cabelos vermelhos que sopra seu vento forte enquanto se move saltitante por todo lado. Costumamos dizer por aqui que ela não adormece, ela desliga, porque desde o abrir dos olhos até o último minuto enquanto resiste acordada, ela opera a pleno vapor. Cecília não tem meios-termos. O negócio, é que ela tem, naqueles 80 centímetros, a abundância de segurança sobre seus interesses que eu, com o dobro e mais uns tantos da sua estatura, não desenvolvi até hoje.

(… continua no site do Estadão).

O homem que falava juridiquês

Ostentando uma camiseta regata da torcida organizada que ganhou na adolescência, Naldo passava as noites de quarta-feira plantado em frente à TV acompanhando os jogos do seu time de coração. Uma xícara cheia de amendoim apoiada no braço do sofá, a cerveja servida no copo de requeijão na mão e o controle-remoto sobre a perna. “Minha religião”, dizia para quem tentasse tirá-lo de casa nesses dias.

No trabalho, ele chegava cedo para dominar a rodinha do café com piadas, comentários e cuspir estatísticas que reforçavam as glórias de seu time no passado: “Temos mais vitórias no primeiro turno com gols de falta cobradas da intermediária do que qualquer outro time do estado fundado após 1935”, encerrava a conversa. Na hora do almoço, convencia a equipe a frequentar o bandejão da rua de trás que mantinha a TV sintonizada no programa do Milton Neves.

Mas, deu que seu time entrou numa draga danada. A má fase começou depois de uma derrota de 6 x 5 para um time do interior e já durava coisa de oito meses. O clube trocou de técnico, vendeu o centroavante e começou a frequentar a zona da degola no campeonato. Aí veio a Copa no Brasil e, na sequência do otimismo nacional, o banho gelado do 7 x 1 contra a Alemanha.

Naldo começou a chegar atrasado no escritório, inventou aula de inglês na hora do almoço, saiu do grupo de WhatsApp dos amigos da faculdade e trabalhava calado no seu canto.

Numa quarta-feira à noite, desanimado depois de um 3 x 2 que seu time tomou de virada, afundou numa fossa e no sofá. Sentado no seu cantinho, ainda de regata, o copo vazio, o controle pendurado na mão, Naldo começou a zapear os canais da TV. Depois de seriados, programas de culinária e documentários sobre o Alasca, parou na TV Justiça e ali ficou entorpecido em um julgamento de Habeas Corpus. No cantinho da tela, acompanhando o nome de um ministro dando seu voto, uma legenda indicava: “Placar: 3 x 2 contra a defesa”.

Ele, que no alto de sua erudição ginasial tinha juízes, impedimento, defesa, vantagem, corte e 11 em campo em seu vocabulário, entendeu quase metade do que se dizia na TV. Não no sentido que deveria, convenhamos, mas o suficiente para lhe prender a atenção.

(…)

Meu texto dessa semana. Continua no site do Estadão.

Onze anos, um email e um sonho para hoje

Hoje a Nina faz onze anos. Todo mês de março eu caio nessa. Passo os dias todos olhando aquela menininha cantarolando pela casa até que percebo mais uma punhalada inescapável do tempo me atingindo. E ali, logo na outra esquina, já vislumbro ele de novo à espreita, dez dias depois, no aniversário da Cecília. Outro golpe. Porque cada ano que elas completam me leva a pensar quão pouco tempo faz que parece que elas nasceram e também quão rápido a vida toda tem passado desde que me lembro de quando eu tinha essa idade.

A paternidade mudou minha vida de tantos jeitos diferentes que eu me sinto em dívida com essas meninas. Porque muda nosso centro de atenção e afeto, muda a ordem e prioridade das coisas, a insegurança eterna de que elas estejam bem, estejam respirando, comendo, estejam dormindo e sorrindo e brincando em harmonia e não levando uma mordida na escola ou dando uma mordida em outra criança na escola. Ser pai, muda o horário em que vamos pra cama, muda a temperatura do prato que comemos (tudo é frio – talvez daí o fato de sushi e patê de atum sempre parecerem boas pedidas), muda a velocidade em que dirigimos e muda definitivamente a assertividade das recomendações de playlists do Spotify e vídeos do Netflix, agora eternamente povoados por desenhos animados e trilhas infantis.

E muda uma outra coisa principalmente: quando temos filhos, plantamos uma semente de esperança no mundo. Como se depositássemos uma moedinha de crédito no futuro da humanidade e que aquele engatinhar, os primeiros passinhos cambaleantes e a formação desse novo ser fosse também, numa analogia preguiçosa, um novo passo possível para cada um de nós. Filhos, eu acho, sempre serão nossos sonhos projetados.

Quando a Nina nasceu, lembro de ter recebido um email de um amigo nos parabenizando pela sua chegada. Ele começou me felicitando pela família, disse estar repartindo nossa alegria, até que seguiu a conversa dizendo que admirava nossa coragem, minha e da Manu, de colocar uma criança em um mundo desequilibrado e hostil. Eram palavras pesadas. Ainda que não fosse sua intenção, sua mensagem nos dizia basicamente que éramos um par de irresponsáveis por deixar alguém crescer como testemunha do apocalipse.

Isso foi há onze anos. Há pouco mais três meses, mandei uma mensagem para ele dando os parabéns pela chegada do seu primeiro filho, que nasceu saudável e sorridente para ajudar a povoar esse mesmo mundo ao lado de minhas filhas.

(…continua no site do Estadão)

Washington

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Estou no avião, voo internacional, uma longa e constipada noite pela frente, as luzes baixam e eu me esforço para dormir. Lá pelas tantas, todo mundo dormindo, eu dormindo, o piloto dormindo (tenho certeza que eles dormem lá na frente) e de repente eu acordo com um sinal apitando distante e abafado em algum lugar lá fora. Me tira o sono e tento olhar pela janela. Nada. Durmo. O sinal persiste. Tento dormir. Deve ser algo lá na cabine, algum alarme no banheiro, um probleminha na asa (na asa!?), eu penso, nunca voei com essa companhia aérea. Cochilo um pouco mais. O barulho…

Assim a coisa vai, por quase uma hora, até a aeromoça acender a luz da cabine para servir o café da manhã. Me estico, bebo água, falta pouco para chegarmos, finalmente. O ruído, que tinha sumido, retoma repentinamente e me ocorre algo que… opa, espera. Eu levo a mão até o bolso da poltrona à frente e meu temor se confirma: deixei o alarme do celular programado para tocar. Às 5h. No avião. Por quase uma hora. Eu congelo. Eu não tiro a mão de lá. Fico fuçando aquele buraco escuro à procura do celular e um botão que pudesse apertar para silenciar aquilo. Olho ao redor e percebo que as pessoas à minha volta já não dormiam mais. Ponho o fone no ouvido. Ponho a cabeça inteira no bolso da poltrona à minha frente. Queria entrar ali, cair num túnel e ser ejetado do avião junto com as malas. Mas aí eu apareceria na esteira de bagagens na frente de todo mundo e isso também seria constrangedor.

Às vezes tenho a sensação de que minha vida é um eterno episódio do Mr. Bean.

Fui a primeira pessoa a sair do avião e o primeiro a entrar no trenzinho, o primeiro na fila da imigração (nunca antes na história daquele país…) e também a sair direto, passos largos, rumo ao táxi que me levaria até o centro da cidade. “Welcome to Washington!”, dizia a grande placa. Sensação térmica de -5 graus na rua e eu de camiseta. Entrei no carro apressado e como num passe de mágica, aquele ambiente morno, o largo banco de couro, esqueci de tudo o que ocorreu no voo, o alarme, a vergonha, o bolso da poltrona à minha frente onde eu habitaria e agora só conseguia pensar no rosto redondo, sorridente e no bigodinho do vocalista do “É o tcham!”. O motorista do táxi, que também tinha um rosto redondo e um bigode, não sorria, mas lembrava igualmente o Compadre Washington. Só que ele era etíope e não baiano. Mero detalhe.

Como é que se diz compadre em inglês?

(…continua aqui no Estadão)

Estourando bolhas

Um dos passatempos favoritos das meninas aqui em casa é fazer bolhas de sabão. Lembro da Nina ainda pequena (quer dizer, menor do que ela é hoje), encantada com aquelas circunferências transparentes flutuando no ar. Eufórica, ela ria e as perseguia tentando capturar alguma com as mãos. Ainda outro dia, eu a notei parar na rua para observar as bolhas sopradas por outra criança sendo levadas pelo vento.

Há alguns meses, estávamos viajando em férias e foi a vez da Cecília, dois anos recém completados, se deparar com um sujeito vestido de palhaço no meio de uma praça fazendo bolhas de sabão gigantes. Ela corria atrás daquilo sorrindo como se não houvesse nada melhor na existência. Para a Manu e eu, foi como reviver a fase em que a Nina fazia o mesmo. Para os outros turistas na praça, Cecília virou uma atração especial tanto quanto o palhaço e suas bolhas translúcidas que, aposto 10 reais, nunca tiveram uma plateia tão entusiasmada.

Às vezes, me pergunto se a graça toda da brincadeira está em fazer as bolhas ou em estourá-las. Voto na segunda opção. Crianças não contemplam bolhas, elas as perseguem e arrebentam no ar e o prazer de desfazer é tão bom quanto o de criar.

Na semana passada eu peguei um taco de beisebol imaginário e estourei minha bolha ideológica. Eu caí de dentro dela, na verdade. Aproveitei a empolgação momentânea e, tal qual minha filha naquela praça, comecei a caçar outras bolhas dentro das quais eu habitava há tempos. Havia gasto bons anos construindo caprichosamente cada uma delas e flutuava no conforto de seu ambiente auto-afirmativo, mas quanto mais alto e distante do chão eu me percebia, pior ficava minha percepção da realidade. Quanto maior ficava o eco da minha própria voz reforçando meus argumentos, mais ruidoso e distorcido se tornava o som de outras bolhas voando ao redor. Eu já não era capaz de ouvir com clareza a opinião de quem não habitava o mesmo círculo que eu.

(…continua lá no Estadão)

Se o mundo acabar amanhã

O Relógio do Juízo Final foi adiantado em 30 segundos essa semana e agora está a dois minutos da meia-noite, horário que representa o fim do mundo. É o que diz o Boletim dos Cientistas Atômicos da Universidade de Chicago. Parece o nome de uma banda do colégio mas trata-se de um grupo de estudiosos que desde 1947 se dedica a calcular, simbolicamente, o estágio em que estamos de destruir a Terra em uma guerra nuclear.

Até semana passada, estávamos a 2:30 minutos do apocalipse, mas fomos rebaixados pelos acadêmicos dado o risco iminente de uma guerra entre EUA e Coreia do Norte e também, alegam, o baixo esforço que nossa espécie tem feito para lidar com as questões relativas às mudanças climáticas.

E aí, me peguei pensando, e se o mundo acabasse amanhã? Ou melhor, se tudo acabasse daqui a pouco, caso Trump e Kim Jong-un levassem a cabo suas promessas e projetos nucleares. Eu lia a notícia sentado no refeitório enquanto mastigava um sanduíche. Infelizmente, perdi a habilidade de fazer refeições sozinho sem mexer no celular, então gasto esse tempo para me atualizar sobre o noticiário cotidiano (mas, nota-se que não me alimento com nada de muito útil).

Em segundos, notícia e pergunta suscitaram minha capacidade inata de dispersão e debates mentais sobre o fim do mundo ocuparam meu universo de possibilidades. Caramba, e se o mundo acabasse mesmo amanhã ou depois?

(… continua no Estadão)