Do direito de atirar pedras

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“A suprema tentação é a maior traição: fazer a coisa certa pelo motivo errado.” (T. S. Eliot)

Atirar pedras nos outros é um direito garantido por lei em certos países. Pelo que apurei, ao menos dez nações – entre elas, Irã, Somália, Indonésia, Arábia Saudita e Paquistão – ainda tem o apedrejamento como punição para crimes considerados graves.

Funciona assim: a pessoa é pega em flagrante, vai presa e segue todo processo de julgamento. Se condenada, marcam a data do apedrejamento. No dia agendado, um buraco com pouco mais de um metro de profundidade é cavado no chão. Mulheres são enterradas até o pescoço e homens até o quadril. Um grupo se reúne em volta do réu e, dado o sinal, o juiz atira a primeira pedra. A partir daí os demais seguem o rito. Como a parte do corpo exposta é bem pequena, o objetivo é acertar a cabeça. As pedras devem ser grandes, de forma que sejam capazes de matar. De tempos em tempos, um agente confere se a pessoa já está morta. Se não estiver, seguem arremessando as pedras até que o óbito seja confirmado. Ah, sim, a pessoa pode salvar a própria vida se conseguir se libertar do buraco e fugir enquanto as pedras são atiradas contra ela.

É hediondo. Eu leio, releio, reflito e não consigo acreditar que sejamos realmente capazes de executar alguém por esses meios. É de um primitivismo tamanho que é difícil imaginar que isso de fato aconteça no mundo de hoje. O homem aprendeu a voar, chegamos ao espaço, aceleramos partículas, temos refrigeradores na cozinha para preservar alimentos, descobrimos e reconstruímos esqueletos de dinossauros com centenas de milhares de anos, conectamos o mundo através de uma rede de computadores e fazemos cirurgias de alto grau de complexidade usando técnicas pouco invasivas e braços mecanicamente guiados. E ainda matamos nossos vizinhos com pedradas na cabeça.

Vale lembrar que o objetivo do apedrejamento é humilhar o criminoso em uma morte vagarosa. A punição não é apenas física, fosse assim um tiro na testa resolveria o problema de forma ainda mais rápida e eficaz (esses mesmos países também praticam outras formas de execução). A ideia do apedrejamento é a exposição pública, é punir pelo exemplo, é fazer com que o condenado se arrependa e pague pelo mal que cometeu.

Fossem mais espertos, aiatolás, ditadores e governantes dessas nações poderiam adotar medidas mais aceitas pela comunidade internacional e diplomaticamente adequadas ao redor do mundo para garantir o mesmo tipo de exposição pública: bastaria que liberassem o acesso ao Facebook em seus países.

Haveria, inclusive, alguns avanços no processo de apedrejamento: em redes sociais, mais gente participa do ato, o que faz com que o condenado seja rapidamente executado. O propósito principal de humilhação e exposição pública é imbatível. Diminuem também as chances de condenado conseguir fugir da punição e o processo de julgamento é popular, movido pela massa sedenta por descontar sua raiva, o que em certa medida tira o peso da decisão das costas de um juiz. O primitivismo é o mesmo, a irracionalidade dos gestos também e a motivação, acredito, segue os mesmos instintos.

É hediondo. Eu leio, releio, reflito e não consigo acreditar que sejamos realmente capazes de expor alguém por esses meios. É de um primitivismo tamanho que é difícil imaginar que isso de fato aconteça no mundo de hoje. O homem aprendeu a voar, chegamos ao espaço e tal… E ainda agredimos nosso semelhante por pensar diferente da gente.

Há patrulheiros vigilantes. Há diversos deles, navegando pelas redes sociais, assistindo diligentemente vídeos no YouTube, rastreando cada tuíte, cada foto no Instagram, cada texto publicado à procura de um deslize, um erro, um ponto de dúvida que justifique seu dedo em riste, que condescenda com a mão inquisidora, que possa finalmente sofrer sua punição. E, juízes que somos todos, atiramos a primeira pedra. E a multidão acompanha.

O critério para se decidir se o crime é grave ou não cabe tão somente ao juiz e seus seguidores. Não há lei. Basta não concordar, basta votar diferente, torcer para outro time, gostar de outra banda. Basta compartilhar aquele post polêmico, basta assistir Big Brother, não ser da mesma religião, não ser igual, ou não ser diferente. Basta estar ali, rolando sua tela, na mira de alguém e, de repente, uma pedrada lhe atinge a cabeça.

* * *

No Novo Testamento há uma passagem clássica que conta sobre o dia em que um grupo leva até Jesus uma mulher flagrada em adultério. Pela lei, ela deveria ser apedrejada até a morte. Querendo comprometer Jesus em seu julgamento, eles a colocam diante dele e questionam se a lei deveria ser cumprida. Eles tinham pedras nas mãos. Queriam, com isso, condenar a mulher, mas também encontrar caminho para incriminar Jesus, que vinha pregando o amor e desconstruindo conceitos arraigados da lei. A resposta de Jesus, tão conhecida, virou um ditado que ainda repetimos com frequência: “Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra”.

Ninguém ousou dar o primeiro golpe. Deixaram a pobre mulher ali com Jesus e partiram.

No entanto, note, os inquisidores da mulher adúltera (alguns intérpretes do texto bíblico afirmam que se tratava de Maria Madalena) não a apedrejaram porque a lei os impediu. Pela regra, esse era um direito que tinham poderiam tê-lo exercido, aprovando Jesus ou não. Mas, abandonaram sua condição de acusadores porque foram constrangidos por Jesus com uma pergunta. Um espelho. Diante deles, a mulher em pecado era um reflexo de sua própria condição moral. Não de adúlteros, mas de pecadores. Os seres falhos que também eram, era a imagem da mulher jogada no chão de terra à sua frente.

Porque é no espelho que nos vemos, enxergamos nosso reflexo, nossa fragilidade, as rugas e a pequenez de nosso estado. No espelho, não vemos o outro, só a nós mesmos, diante dos defeitos que talvez só nós conheçamos. Ali, o dedo acusatório aponta para nós mesmos, as ofensas rebatem e voltam, a pedra arremessada estilhaça nossa própria imagem.

Espelhos.

Talvez seja isso. Diante da tela do computador ou do celular desligada, naquele instante de reflexão, seria melhor se no lugar de pedras, tivéssemos nas mãos o reflexo de nossa condição.

* * *

O problema são os outros, dizemos o tempo todo. O problema é da internet, o problema são as redes sociais, alguém diz. Então vamos acabar com as pedras. Mas, acabar com as pedras não resolve. O problema está no braço que as arremessa, outro poderia dizer. Mas amarrar as pessoas também não resolve.

O problema está no que nos motiva, eu diria. Está em olhar para o outro e não nos enxergarmos nele. O problema está em não amar o próximo, em não parar para pensar em suas motivações e perceber que também erramos.

Nos sentimos em meio a um fogo cruzado e nunca na posição de acusadores. Mas somos parte ativa do conflito. Porque atirar pedras, tecer comentários ácidos e levantar contendas são apenas gatilhos, atitudes que resultam de uma perda profunda que tem acontecido dentro de nós: a insensibilidade ao sentimento do outro.

E se fôssemos julgados com o mesmo critério que julgamos? E se fôssemos amados com a mesma medida que amamos?

Há muito, isso deixou a esfera política e virtual. Há tempos deixou de ser contra inimigos históricos e estranhos anônimos. Atiramos pedras com quem convivemos cotidianamente, desfazemos amizades, ignoramos a presença dos nossos semelhantes que estão segregados em nossa sociedade, vivendo à margem da dignidade, ofendemos gratuitamente o outro com nossa arrogância, diminuímos aqueles com quem dividimos um teto ao não reconhecer seu valor. Deixamos nossa atenção plena ser usurpada pelo entretenimento superficial que nos anestesia e emburrece. Nas pequenas e nas grandes coisas, temos fechado os olhos para o próximo. O próximo que dorme ao lado, o que vive ao lado, o que caminha ao seu lado na rua.

Ignoramos diferentes perspectivas, rechaçamos opiniões e atiramos pedras porque o outro… – e sua opinião e sua dor e sua história e seus anseios e suas dúvidas e sua vontade – o outro basicamente não nos interessa.

Onde abunda o egoísmo sempre falta compaixão.

Jesus chamou isso de amor. E ele disse que amar era o resumo de toda e qualquer lei ou mandamento.

Quando viveu entre nós como homem, na história que lemos e relemos nos evangelhos, Deus não queria salvar a humanidade do diabo, ele queria nos salvar de nós mesmos. Os exemplos, as mensagens, as atitudes, o sacrifício e a história de Jesus não revelam propriamente uma batalha entre Deus e um inimigo, nada entre duas forças espirituais opostas. A Bíblia mostra que Jesus veio salvar o homem do egoísmo, da tendência de procurarmos apenas nossos próprios interesses, ele veio nos curar de cegueira, da insensibilidade na alma, nos tirar da lama espessa em que afundávamos e nos purificar para que pudéssemos ser livres.

Ao viver entre nós, ele se ofereceu como imagem que pudesse nos servir de inspiração. Ao se tornar o ser humano perfeito, nos mostrou o caminho livre e perfeito que desenhou para a humanidade. Ao se revelar homem, Deus expôs diante de nós sua face bondosa para que pudéssemos contemplar o Criador e, finalmente, nos enxergar em nosso Pai.

Um espelho.

O mundo que eu carrego nos braços

Estou andando pelo quarto, com a Cecília no colo há cerca de 30 minutos. Na verdade, já faz uns três ou quatro dias que a Manú e eu estamos nessa. Ela está febril, com algum mal estar e só choraminga, a toda hora. Não dorme direito, tira uns cochilos e já acorda berrando alto, muito alto. Ela só para de chorar, veja só, quando a pegamos no colo.

Tem um livro ou artigo ou ensaio, vai saber, que diz que na França os pais deixam os filhos chorarem por uns 10 minutos antes de atendê-los. Esse texto defende um modelo de criação diferente e diz que, como resultado desse tipo de tratamento, na França as crianças não fazem birra. Há quem diga que deveríamos copiar os franceses. Mas a França é longe demais e a Cecília está chorando aqui, agora, ali no quarto. E o instinto de coruja não me permite ver minha filhinha chorando doente e ignora-la solenemente para ver se algo diferente acontece.

O mais perto da França que a gente está aqui em casa é o biquinho que a Cecília faz quando chora no berço. E Ceci (ou Céci) é um apelido que até pode soar francês para quem a quiser chamar assim – no caso aqui, um parente ou dois.

A gente se preocupa com tanta coisa. Há tanto acontecendo no mundo agora, por esses dias. Coisas demais. Na França, na Turquia, na Somália, nos Estados Unidos e aqui no Brasil também. O noticiário pipoca escândalos, guerra e barbárie. Eu, que sempre figuro na ala dos otimistas, tenho andado ressabiado. Penso na minha família. E dá um certo medo ser pai, marido e cidadão num mundo assim nesses dias.

Lembro quando fui roubado pela primeira vez. Roubado, não extorquido. Fui extorquido aos 10 anos num fliperama quando um moleque mais velho me tomou os últimos 50 centavos que eu tinha paga comprar uma ficha de jogo. Mas fui roubado aos 14, sentado num ônibus ao lado do meu tio Beto, com meu boné azul novinho dos X-Men na cabeça, a caminho de um show dos Beastie Boys no Olympia. Eu pensava na noite bacana que teria pela frente (meu primeiro show!), pensava longe, a cabeça apoiada no vidro da janela, quando um braço se esgueirou pela fresta aberta, vindo do lado de fora, e tomou o boné da minha cabeça. Levei um susto, fiquei pasmo. Não pelo valor do boné, mas por sentir que alguém subtraia algo de mim, violentamente, subitamente, sem que eu visse e muito menos permitisse. Olhei para os lados, procurei o boné no chão, procurei entender o que aconteceu, até que a ficha caiu (uma outra ficha, não aquela extorquida).

É meio assim, pasmo, que me sinto hoje em dia. Roubam a gente todo dia. Ando pela rua com a sensação de que há dez – ou duzentas – mãos tentando puxar minha carteira, arrancar meu suado salário, exigindo que eu pague suas perdulárias contas. Respiro com dificuldade, com o estranho sentimento de que o ar me falta nos pulmões, de que falta aquela brisa fresca da aurora, porque a ganância – a nossa ganância – derruba galho por galho, gota por gota, canto por canto, da natureza que nos sustenta e garante nossa existência. Morremos aos poucos como humanidade, engolidos por essa lama que vai consumindo a vida. Sigo pelo mundo com a percepção de que minha liberdade vai sendo subtraída, de que tentam assassinar a pureza da nossa alegria, pedaço a pedaço, em cada ataque terrorista, em cada apedrejamento, em cada cuspe na cara, lá na Tunísia, no Quênia ou na França.

Mas a França, a Tunísia, o Quênia ou Mariana estão todos longe demais.

A Cecília chora outra vez. Largo correndo o computador aqui no sofá, corro até o quarto e a embalo no colo mais um pouco até ela pegar no sono novamente. A luz dos postes lá na rua atravessam pela janela aberta e refletem na parede onde fico vendo nossa sombra em movimento. Há um pouco dessa luz iluminando parte do seu rosto, o cabelo vermelho, uma das bochechas e os olhinhos fechados. Agora ela repousa, nessa segurança ela descansa. Coitada. Mal sabe sobre que monte de dúvidas ela deposita sua pequena paz. Eu a deixo no berço e volto para o texto.

Às vezes, tenho vontade de me alienar (às vezes nada, penso nisso todo dia). Queria parar de me preocupar com o mundo todo, ser um ignorante. Deixar de acompanhar a política, fazer pouco caso dos desastres distantes, trocar o noticiário pela novela. Penso o que seria se decidisse cuidar só da minha vida e dos meus, olhar para um alvo só e manter o foco. O mundo é grande demais, elaboro. Deveria me ater ao microcosmo de coisas e pessoas que já exigem tanto de mim. Mas logo me dou conta de que não tenho essa habilidade. Não descobri ainda se por virtude ou limitação, mas não consigo não me importar e sofrer profundamente.

O que não quer dizer que eu possa fazer algo, de fato, por eles todos. O que posso fazer além de dedicar àquelas vítimas todas as minhas orações, enviar pacotes de água para Minas Gerais e doar algum dinheiro para instituições de apoio presentes nessas regiões? Isso ajuda, é evidente – e procuro fazer – mas ainda é muito pouco.

É quando me dou conta de que não é bem de alienação que preciso, mas saber claramente que o que está ao meu alcance eu devo realizar agora. Ter consciência de que tem uma porrada de coisas que posso fazer hoje para mudar o meu mundo.

Porque sempre haverá uma calçada para varrer, um vizinho necessitado para alimentar, um voto para se pensar direito, um vereador preguiçoso para cobrar. Tem, todos os dias, um asilo que podemos visitar com as meninas (idosos adoram ver crianças correndo em volta), um pedestre para darmos a preferência no trânsito, uma criança carente a quem podemos pagar os estudos. Tem uma escola e o posto de saúde do bairro em que podemos ser atuantes, tem o condomínio em que vivemos onde podemos ser presentes, a igreja da comunidade em que podemos servir.

Tem esse mundo todo de coisas a serem feitas no mundo ao nosso redor. É, no duro, nesse meio ambiente que nos cerca que podemos fazer grandes mudanças, são as vidas ao nosso redor (vizinhos, amigos, familiares) que podemos transformar.

Um morador aqui no meu bairro conseguiu que uma rua que estava totalmente esburacada há mais de 30 anos (e onde jaz parte do meu dente da frente depois de um tombo de bicicleta em um dos seus buracos há 24), fosse inteira recapeada e reformada. O que ele fez? Pregou duas faixas, grandes, coloridas, destacadas, cobrando o prefeito de uma de suas promessas de campanha. Quando a obra foi concluída, ele colocou outras duas faixas: uma agradecia a nova rua que agora temos e outra cobrava que um parque público fosse construído num terro da rua debaixo. O parque já está em obras.

Parece insignificante perto da lama toda em Brasília. Soa pequeno demais diante de problemas tão críticos no Oriente Médio e na África. Mas, não é. No fundo, é nessa escala que tudo se transforma. No limite dos municípios, do bairro, da rua, dentro de casa, na verdade. Nas necessidades da vida cotidiana, na educação dos nossos filhos, mostrando a eles o que é ser um bom cidadão, o que é ter respeito pelo próximo, o que é estender a mão a quem precisa e ser a voz de quem não a tem para exigir o direito comum a todos. O mundo inteiro, cada cidadão de bem, fazendo sua pequena parte para compor o todo. Acredito nisso, de verdade. Porque não somos a França ou Mariana, nós somos indivíduos. Somos o Henrique, o Mohamed, a Sayuri, o Maputo e a Mercedez, na beleza da nossa diversidade e individualidade. Esse é o mundo que eu consigo abraçar.

“Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”. A frase é de Madre Teresa de Calcutá, lembrada por sua vida dedicada à caridade e que passou a maior parte dos seus dias em um hospital indiano cuidando de leprosos. Essa era sua obra: um pequeno hospital. Esse foi o mundo que ela tocou de fato. Mas por alguma razão, os efeitos de sua vocação transformaram no mundo todo a maneira de se enxergar a fé cristã.

Jesus ministrou, ao todo, por três breves anos. Nasceu na Galileia, uma região da Palestina onde, estima-se, viviam na época cerca de 200 mil pessoas. Em Jerusalém, capital da Judeia naquele tempo, viviam aproximadamente 25 mil pessoas. Sua mensagem, não deve ter alcançado mais do que uma parte dessa pequena região. Se compararmos com o Brasil de hoje, o ministério de Jesus não teria uma cobertura maior do que uma cidade entre as 100 maiores do país. Mas, honestamente, não acho que ele tinha em mente que precisaria de amplitude para começar ou exercer sua missão de vida: o amor. Porque não se ama o mundo todo, ama-se o próximo, o cego, o leproso, a viúva, a criança, o guarda, o ladrão condenado ao seu lado na cruz.

Não é a amplitude, entende? É empenhar amor aqui, é amar o próximo. Faça o que está ao seu alcance e certamente isso tocará mais gente do que poderia imaginar. Não é o tamanho que faz a grandeza da obra, é o significado, é saber que nosso esforço tem como fim o bem estar comum de nossos semelhantes e que a justiça e o bem devem sempre prevalecer. Porque essa, a bondade, é a natureza com que fomos criados.

Transformar o que me cerca, trabalhando duro, pregando no deserto, estendendo a mão ao desamparado, doando um tanto do que recebo. Embalando minhas filhas no colo e orientando seus passos para o mundo. Elas, as duas, serão grandes heroínas. Não é para menos do que isso que as educo.

Cecília chora de novo lá no quarto. Ela só tem sete meses. Esta febril, respira ofegante. Em sua pequenez, em sua fragilidade, ela depende de socorro. Eu a embalo. A Manú chega e a pega também. Só precisa de um pouco de toque para poder voltar a dormir em paz.

Esse é o mundo que eu carrego nos braços agora. A gente fica querendo abraçar o planeta todo, mas todo meu mundo, todo universo, é esse bebê que eu embalo no colo. Agora.

Nunca erguemos tantos muros – ou, o silêncio dos moderados

Eu estava parado num engarrafamento na Marginal Pinheiros pela manhã, a caminho do trabalho. Em São Paulo, infelizmente, isso não é exceção – e quando você desemboca num trânsito desses parece que o relógio fica em câmera lenta, a vida se arrasta e absolutamente nada acontece, nunca chega. Os minutos passavam, o rádio ligado, eu tamborilava os dedos no volante, observava o movimento ao redor. À esquerda, o rio, morto, parado, marrom, a impressão é que se você se jogar naquela lama, ainda vai demorar uns 30 minutos até afundar. À frente e por todo lado, carros e mais carros, tão parados quanto as águas sem vida do rio. Motocicletas zunindo nos corredores entre os veículos, passando a 100 km/h e a dois dedos do meu retrovisor.

A Marginal, para mim, parece o retrato de um mundo pós-apocalíptico. É triste, seca, poluída, aquele filtro sépia enfumaçado distorcendo a imagem e as cores de tudo. As motos, muitas motos, acelerando violentamente, como numa cena do Mad Max. E à minha direita, finalmente, um muro alto e cinza separava o inferno do paraíso. Ali, poucos metros depois, atrás do concreto cheio de pixações de “Fora PT” (o mesmo onde se lia, anos atrás, o mesmo grito imperativo contra o FMI), a Cidade Universitária abriga a área com o menor índice de poluição no ar na cidade. Árvores enormes, alamedas verdes, passarinhos cantando, gente saudável correndo e uma raia de remo e canoagem com água limpa. Da vida em câmera lenta para a o pulsar dos pulmões a plenos ares. O caos e a paz divididos por um muro.

No carro, o rádio tocava notícia. Um correspondente internacional sediado no Oriente Médio fazia uma análise do panorama sociopolítico na região. “A que se deve o crescimento dessa onda de intolerância e ataques? Por que o Estado Islâmico atrai tantos jovens, do Ocidente inclusive, que aderem a um grupo terrorista? E essa onda de migração de refugiados para a Europa?”, perguntava o âncora.

“Em parte”, respondeu o analista depois de explicar o contexto, “atribui-se essa polarização ao silêncio dos moderados”.

A análise, basicamente, afirmava que há no mundo uma maioria de muçulmanos moderados, seguidores sinceros da religião e praticantes de uma doutrina baseada na paz a na tolerância. Mas essas vozes estão caladas, já não se manifestam. No lugar disso, o discurso de intolerância gritado pelos fundamentalistas ganha força. Não se pode culpar inocentes pelos atos criminosos dos terroristas, obviamente, mas a omissão dos líderes moderados ajuda na criação de um cenário de polarização. E, com cada vez mais ataques promovidos pelos ultra radicais, maior se torna a resistência do mundo ocidental ao islã – e às expressões religiosas que, de forma geral, passam a ser vistas como raiz dessa condição.

Ele completou dizendo que, por outro lado, há que se fazer uma crítica à forma como o Ocidente encara a expressão religiosa. Porque o escárnio também motiva esse silêncio. Charges e declarações antirreligiosas ofendem a radicais e moderados. Para esse grupo já acuado, cria-se uma situação contraditória: como sair em defesa de algo que se impõe contra sua crença mais íntima? No ponto em que chegamos, já não existe uma crítica dirigida exclusivamente ao pensamento fundamentalista. Há uma agressão, um míssil lançado contra todos os que creem e adotam uma religião como seu estilo de vida. Levantamos barreiras.

Enquanto pensava nisso, lembrei de uma notícia que li outro dia: há no mundo, hoje, mais muros separando fronteiras entre países do que havia na época da queda do Muro de Berlim. Quando a Alemanha, em um dia histórico, resolveu botar abaixo o muro que dividia o país, ainda havia outras 16 barreiras iguais erguidas mundo a fora. Hoje, temos 65. Separando fronteiras, povos e pensamentos. Crescem no mundo todo, manifestações de intolerância contra as diferenças (de raça, crença ou pensamento). Pessoas fogem de guerras, fogem do terrorismo que explode seus vilarejos e violenta suas crianças, deixam para trás suas casas, familiares e sua pátria em busca de esperança, de uma nova vida e dão com a cara em grandes barreiras erguidas diariamente.

O movimento migratório de refugiados do Oriente Médio para a Europa é o exemplo mais evidente disso porque tem ocupado a mídia nesses dias. Mas a África vive isolada de todo o mundo há séculos, abandonada em seu próprio fim miserável, enquanto nos escandalizamos apenas através de redes sociais. E aqui, em nossas cidades, crianças crescem em favelas, sem escola, sem perspectiva, escravizadas e condenadas a ocupar sub-empregos que mal lhe garantirão a subsistência. Suas mães frequentam nossos condomínios diariamente, mas vivem do lado de fora dos portões automáticos.

Temos mais divisões. No século XXI, no tempo da economia globalizada em que a China espirra e o planeta adoece, em que se debatem temas de interesse planetário e o Facebook conecta 1 bilhão de pessoas ao mesmo tempo, durante um único dia. A globalização é um livre trânsito que serviu ao Capital mas nunca às pessoas. Uma reportagem do jornal inglês Independent no ano passado revelou que, entre 162 países no mundo monitorados pelo Institute for Economics and Peace’s (IEP’s), apenas 11 não estão envolvidos em alguma guerra. Sim, 151 nações do planeta estão envolvidas, de alguma forma, em uma guerra. O Brasil está entre as 11 exceções.

Mas, ainda assim, também temos erguido nossos muros de barro e tijolinho baiano. Barreiras sociais, de ideologia política, de opção sexual, de ordem religiosa, de questões futebolísticas, de mobilidade urbana. No lugar de pontes, temos empilhado tijolos. No lugar de diálogo, temos cuspido ofensas. Ao invés de paz, cresce o ódio. Temos muito mais em comum e tão poucas diferenças, mas temos preferido nos apegar a essas pequenas exceções.

Sempre nos orgulhamos de ser um povo de paz, uma nação que se alegra ao exaltar sua diversidade. Mas agora temos caído nas armadilhas dessas pequenas divisões e nos apegado a cada uma delas com veemência, como se disso dependessem as nossas vidas. Até que a próxima grande questão apareça (na semana que vem, quem sabe) e pulemos para outro barco.

Esses debates meio idiotas que testemunhamos na internet são apenas uma pequena expressão de um tipo de sentimento que tem nos acometido há mais tempo.

Tenho falado disso com amigos próximos. Escutamos, cada vez mais estridentes, as vozes extremistas ecoarem pelos telejornais, púlpitos, redes sociais, assembleias e palanques políticos. Há, nessas vozes, que ficam nos empurrando para um lado ou outro da trincheira, um discurso nocivo que contraria as boas intenções que alegam defender.

Os moderados não podem se calar.

Contrariando o ditado popular, estamos falando aqui de política, futebol e religião. Sobretudo, religião. Especificamente, sobre o cristianismo que confesso.

Não há cristianismo na intolerância contra as diferenças, no preconceito racial, na homofobia, na defesa do uso de armas de fogo por civis, na redução da maioridade penal. Não há cristianismo na bancada evangélica, no show tele-evangelista nos horários nobres, na pregação da teologia da prosperidade. Não há cristianismo quando não se tem o senso de pertencimento a algo maior e o próximo como centro de nosso empenho sincero de promoção do amor, da inclusão e da paz.

Os primeiros cristãos – os discípulos que continuaram se reunindo depois da morte e ressurreição de Jesus – recebiam novos adeptos para seu iminente grupo atraídos, em boa parte, por sua simpatia. É o que diz a Bíblia no livro de Atos. Ainda segundo o mesmo relato de Lucas, eles ministravam o amor, curavam doentes, alimentavam os pobres e dividiam suas posses para que ninguém tivesse falta de nada.

Ainda é assim, acredite. Os bons são a maioria. Os honestos, os pacificadores continuam atuantes e perseverando diariamente. Estão recebendo refugiados, alimentando os famintos, estão estendendo suas mãos aos necessitados nos confins da Terra. Mas estão calados. Em um caso raro na história, os argumentos e pensamentos a serem combatidos pelos cristãos estão vindo de dentro e não de fora da igreja. Ultimamente, as principais mensagens contrárias aos ensinamentos de Jesus têm saído da boca de supostos líderes cristãos.

* * *

Motoristas enfurecidos, refugiados sírios, terroristas, a crise política brasileira e as bobagens da internet.

Não podemos nos calar. O ódio dos doentes se perpetua em seu discurso de ódio e intolerância vociferado aos ventos. A indiferença pela dor do próximo se alastra com a falta de empatia e de amor pelos nossos semelhantes. A falta de esperança leva o homem a esperar que o pior aconteça, sempre.

Os moderados, os que procuram viver suas vidas sob a ótica de suas crenças (e não o contrário), são os que deveriam se manifestar, afinal. Se pedimos por vozes que nos representassem em algum momento, talvez agora seja hora de tentarmos nos fazer ouvir. Para servir de ponte, para abrir o diálogo, para pregar a paz e o amor em que acreditamos. Sob risco de toda forma de crença cair em desprestígio, sob a iminência de vermos a desesperança dominar o pensamento de uma geração inteira e nossa omissão ofuscar a mensagem que confessamos.

“Deus, salve-nos da irrelevância”, tem sido uma oração frequente para mim.

O trânsito anda, finalmente. O carro segue o fluxo, a vida seu rumo, o rio morto para seu leito. Alguém xinga um motoqueiro, que buzina de volta. Dirigimos em direção a uma zona cinzenta, não há destino bom se as coisas continuarem nessa inércia. Olho para a barreira de concreto à minha direita e tenho a vontade pixar outra mensagem por cima: “Fora daqui… Há vida, ar puro e pássaros cantando.”

Só precisamos derrubar o muro.

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” (Martin Luther King)


Ainda nessa linha:
Com licença, me desculpe
Eu quero menos
O que eu ganho com isso?
O engano da felicidade
85 pessoas e metade do planeta todo

O espelho

“Quando nos livramos do ego, estamos livres para ver o divino”
-Karen Armostrong

Tem dias, em que por mais que eu me esforce, não consigo encontrar alguém ou algo em que eu possa colocar a culpa por meus problemas. Eu olho no espelho e o vidro está rachado. Preciso reconhecer que fracassei. Admitir que a culpa é toda minha, olhar aquele reflexo torto e fitar a dura realidade nos olhos. Perdi uma, ou mais uma.

Imperfeito, incompleto, pecador. Toda vez que me deparo com a frustração de não poder fazer algo contando apenas com minhas forças, caio abraçado com meu orgulho. A consciência de que não sou auto-suficiente é o choque de humildade de que necessito para reconhecer que preciso de ajuda. No fundo do poço, expelidas todas as camadas de superficialidade, eu me revelo. Resta pouco ou quase nada do que é rótulo, cai a máscara, sobra a essência.

E talvez a surpresa mais escandalosa seja, na hora inglória, olhar em frente e enxergar a imagem do Cristo. A notícia pungente é ter que encarar o fato de que, em meu resgate, Deus não me leva de volta a ponto de conforto algum onde eu gostaria de estar. Ele se rebaixa, se acomoda. Deus já estava ali.

Toda vez que me humilho e me sinto inferior à condição do mundo, estou, na verdade, me aproximando da imagem de Jesus. É controverso, mas o padrão de sucesso dele é assim. O Deus que vira homem, o Messias que caminha com ladrões e prostitutas, o Mestre que lava os pés dos seus discípulos, o Senhor que a todos torna e trata como iguais. É na simplicidade da alma que ele me encontra, na essência do que fui criado para ser, sem as cascas, que ele se revela, me cura e me guia de volta pelo Caminho.

Ficamos cegos às vezes, insensíveis. O fato é que Deus nos dá sua presença e temos tanto dele o tempo todo – nos eventos cotidianos e na natureza – que já não nos damos conta do deserto cruel que seria a sua ausência. Não sabemos o que é sentir fome. No entanto, quando nos deparamos com o que somos de fato, como num espelho, entendemos nossa natureza.

Precisamos reaprender a viver carentes da influência de Deus. Com fome, com sede, ansiosos por aprender e ter mais da sua pureza influenciando nossas mentes.

“Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte – morte de cruz.” (Filipenses 2:6-8)

Jesus veio ao mundo e nos mostrou que é debaixo para cima que se olha para o céu. E é lavando os pés que nos relacionamos com o próximo. Cada vez que enxergo o reflexo da minha fragilidade e me reconheço nele, me aproximo, me preencho de seu Espírito e sou renovado. Porque a consciência de que dependo totalmente é a revelação de que só sou, de fato, quando estou em Deus.

“Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.” (2 Coríntios 12:9-10)


(Crônica publicada no site carisma.com.br)

São 20 centavos, sim

Caro amigo,

Vinte centavos não é pouco dinheiro. Talvez na sua – ok, nossa – perspectiva, não faça falta pensar nessa merreca diante do rombo das tantas outras despesas que nos assaltam cotidianamente. Mas não é preciso ir muito longe para inverter essa ótica.

No Brasil, segundo o IBGE, temos 8,5% da população vivendo na faixa de extrema pobreza. Em grana, isso quer dizer que 16,27 milhões de pessoas vivem com renda mensal entre zero e 70 reais todos os meses (ou 2,33 reais por dia – muito menos do que uma passagem de ônibus). Isso, nossos compatriotas, nossos semelhantes, aqueles a quem chamamos irmãos.

Mas, como já temos feito há muito, vamos continuar ignorando esse fato por mais um instante e nos concentrar numa camada mais “próspera” da sociedade: as pessoas que vivem com um salário mínimo: R$ 678,00. Ainda parece muito pouco? Te soa como minoria? Bem, pasme, o último Censo aponta que 56% (sim, mais da metade) dos domicílios brasileiros vive com até um salário mínimo per capta.

Pois bem, meu caro, estamos falando do brasileiro médio. Tente imagina-lo. Suponha que essa pessoa, como todos de seu meio, vive na periferia da nossa cidade e precisa tomar duas conduções para chegar no trabalho diariamente e depois mais duas para voltar para casa. Agora vamos fazer umas contas: com a passagem a R$ 3,00, ele gasta R$ 12,00 por dia. Com a passagem a R$ 3,20, como queria aumentar o governo, gastaria R$ 12,80. O aumento de R$ 0,80 por dia, no final do mês, somaria R$ 24,00.

Esse acréscimo, na renda de um salário mínimo, representa 4%. Mais do que isso, se dividirmos o valor do salário pelos 30 dias do mês veremos que essa pessoa recebe R$ 22,60 por dia (o preço de um combo especial no McDonald’s). Isso quer dizer que “só” o aumento de 20 centavos no transporte já lhe garfaria um dia inteiro do ordenado.

Já não parece tão pouco, certo?

Se ainda assim você me disser que isso não é da sua conta, juro que paro agora mesmo com as expressões “caro” e “amigo”.

Na semana passada eu estava ouvindo no rádio a notícia sobre a greve dos profissionais dos trens e metrôs. A repórter então abordou um homem para entrevistar. Ele era porteiro num prédio no centro da cidade e estava preso em seu bairro sem conseguir chegar ao trabalho. Ela perguntou se não havia um meio alternativo de transporte e ele respondeu que sim, haviam vans particulares levando as pessoas. Questionado sobre o motivo pelo qual não fazia uso desse meio, o sujeito respondeu: “As vans cobram 5 reais na corrida. Aí não dá. Se eu pagar na ida, não sobre dinheiro pra voltar”.

Você entendeu, meu caro? 20 centavos é muita coisa no bolso de quem vive com R$ 22,60 por dia. E mais da metade dos nossos compatriotas amarga essa condição.

* * *

Ah, tem mais uma coisa.

Se isso não parece suficiente, preciso dizer que revogar o aumento na tarifa do transporte significa, de fato, muito mais. Para o trabalhador e para qualquer cidadão do nosso país, é uma resposta para os que duvidaram do poder da vontade popular. Conseguir que o governo volte atrás numa decisão porque as pessoas foram às ruas e reclamaram seus direitos, significa que, sim, eles precisam parar e ouvir e que, não, eles não podem fazer o que bem entendem com o dinheiro que arrecadam e deveriam administrar com lisura – para usar uma palavra que eles tanto gostam de gastar.

Meu caro, você, eu e eles todos ouviram muitas vozes gritando. Eu gritei, confesso. Conquistar a volta dos 20 centavos significa que o indivíduo pode requerer e conquistar tantos outros direitos que lhe foram roubados ao longo dos anos. E significa que muita gente engravatada – eleitos por nós, não vamos esquecer – vai começar a pensar duas vezes antes de tomar qualquer decisão arbitrária e unilateral. Significa que precisarão fazer alguma coisa decente para que preservem suas posições e gabinetes luxuosos. Nós temos voz. Isso quer dizer ainda que deverão tomar bastante cuidado antes de desrespeitar o povo brasileiro com decretos que ceifam seus direitos básicos.

Meu amigo, os 20 centavos nunca valeram tanto.

Livres da irrelevância

“Em um mundo em que 840 milhões de pessoas irão para a cama com fome nesta noite por falta de condições financeiras para fazer uma refeição, em um mundo em que 1 milhão de pessoas cometem suicídio todos os anos.

Jesus quer salvar nossa igreja do exílio da irrelevância.

Se tivermos quaisquer recursos, qualquer poder, qualquer voz, qualquer influência, qualquer energia, devemos convertê-los em bênção para quem não tem nenhum poder, nenhuma voz, nenhuma influência.”

(Rob Bell, em Jesus quer salvar os cristãos)

Leia antes de gastar

Alguns motivos para pensar antes de passar o cartão de crédito na próxima loja:

  • Quase 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de um dólar americano por dia. Outros 2,5 bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares americanos ao dia. Isso quer dizer que mais da metade do mundo vive com menos de 60 dólares por mês.
  • 1 bilhão de pessoas no mundo todo não tem acesso a água tratada.
  • Falta saneamento básico para 40% das pessoas no mundo inteiro.
  • 1,6 bilhão de pessoas não tem eletrecidade no mundo.
  • A maioria absoluta das pessoas no mundo não tem carro.
  • Quase um bilhão de pessoas não conseguem ler ou assinar o próprio nome.
  • Nega-se educação básica a quase 100 milhões de crianças.
  • Uma em cada sete crianças no mundo todo precisa trabalhar todos os dias só para sobreviver.
  • A cada 7 segundos, em algum lugar do mundo, uma criança com menos de 5 anos de idade morre de fome.

(Dados extraídos do livro “Jesus quer salvar os cristãos”, de Rob Bell)