Falar sobre escrever não é escrever

Os dias vão passando e esse espaço continua no vácuo, sem posts, sem textos novos. Peço desculpas, caso alguém aí alimente qualquer expectativa sobre isso aqui. Quando me sento em algum canto da casa com a intenção de colocar algo no papel, tudo o que consigo reunir é um punhado de anotações breves que não dariam meio texto sequer.

Ando vazio. Tal como o blog, a pasta de rascunhos no laptop, o aplicativo de notas do celular – ah, essa modernidade… – e o caderninho que ganhei da Manú como um presente para me incentivar.

Li, hoje, uma citação do americano E.L. Doctorow no blog do Sérgio Rodrigues que traduz um pouco a minha inversão de valores:

“Planejar escrever não é escrever. Traçar o projeto de um livro não é escrever. Pesquisar não é escrever. Falar com as pessoas sobre o que você está fazendo, nada disso é escrever. Escrever é escrever.”

Talvez valha dizer que publicar um post sobre o problema de não escrever também não é escrever.

Tentarei mudar esse quadro.
Abraços.

Sobre escrever

Escrever é uma aventura. Para começar, é um um brinquedo e uma diversão. Então se torna um amante, e depois vira um dono, depois um tirano. A última fase é que quando você está pronto para se reconciliar com sua servidão, você mata o monstro e o atira ao público.
– Winston Churchill

Fonte: blog do Dagomir Marquezi

In Principio ert Verbum

In Principio ert Verbum. Pense no Gênesis. Pense em como era antes de o mundo ser criado. Não havia nada. Diz a Bíblia: “Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo”. E era escuro, e não havia nada. Não havia montanhas, nenhuma árvore, nenhum rio. Não havia nada. Mas havia trevas por tudo ao redor, e nas trevas algo aconteceu. Algo aconteceu! Houve um único som. Nada o produziu, mas lá estava ele. E não havia ninguém para ouvi-lo, mas lá estava ele. Surgiu nas trevas, pequeno e baixo, em si mesmo algo diminuto – como um único sopro, como vento surgindo. Sim, como o sussurro do vento surgindo lentamente e se apagando no começo da manhã. Mas não havia vento algum. Havia apenas um som, mínimo e suave. Em si mesmo era algo diminuto, apenas a menor semente de som – mas tomou conta das trevas, e houve luz. Tomou conta da quietude, e houve movimento para sempre. Tomou conta do silêncio, e houve som. Era em si mesmo algo diminuto, um único som, uma palavra – uma palavra que se desprendera do centro mais escuro da noite e fora solta no terrível vazio, para sempre, para todo o sempre. E era em si mesma algo diminuto. Mal aconteceu, mas aconteceu, e tudo começou.

– J. B. B. Tosamah

Trecho de sermão citado por Diane Glancy em “Perspectivas da narrativa escrita”, capítulo do livro “Muito mais que palavras” de Philip Yancey e James Calvin Schaap.