Um vídeo que você já deve ter visto

Ok, você já deve ter visto esse vídeo em outros sites nos últimos dias, mas ainda assim peço licença para armazena-lo por aqui também. Se não viu, aqui está.

Teologia na estante

por Luiz Henrique Matos

Hoje, eu mexia lá na minha estante de livros à procura de alguma inspiração para a próxima leitura. Mas, estranhamente, nenhum daqueles na prateleira dos “cristãos” parecia me interessar (isso porque, para facilitar minhas decisões, procuro ler o primeiro capítulo de cada livro que compro ou ganho para definir a sequência certa das próximas leituras – é, também acho que tenho TOC).

A verdade é que já faz um tempo que perdi o interesse por esses debates teológicos e as correntes de pensamento do cristianismo (já falei disso antes – aqui). Ao menos por um tempo, não quero ler o que esses caras pensam sobre Deus e as coisas da igreja. Não estou interessado em defesas de tese e outras questões periféricas da fé.

Mas sinto a necessidade, cada vez maior, de conhecer a Deus. Quero amá-lo e cumprir cada sonho seu que arde em meu peito, quero me apaixonar pelo que faz com que seus olhos brilhem e travar a mais cruel das batalhas contra o que lhe desperta ira. E acho que isso passa por aprender a amar as pessoas.

Eu preciso aprender a amar o meu semelhante – e acho que esse é o foco da vida no momento. Sem as teorias de sempre, de um jeito sincero e real. Quero viver a minha espiritualidade de um jeito mais simples e essencial. E quero ler a Bíblia a partir da ótica dessa nova experiência. Não ao pé da letra, como fiz na maior parte do tempo, mas com o encanto das histórias de homens e mulheres, imperfeitos, inconstantes, mas santificados pelo mesmo Deus que me resgatou.

Então, parei de novo diante da estante e saquei um romance que aguardava empoeirado na prateleira de cima.

Sobre escrever

Escrever é uma aventura. Para começar, é um um brinquedo e uma diversão. Então se torna um amante, e depois vira um dono, depois um tirano. A última fase é que quando você está pronto para se reconciliar com sua servidão, você mata o monstro e o atira ao público.
– Winston Churchill

Fonte: blog do Dagomir Marquezi

O sacrifício do Messias – Walter Wangerin Jr.

Depois de alguns meses – bom, toda leitura para mim, em geral, dura alguns meses – finalmente terminei a leitura de O Livro de Jesus, de Walter Wangerin Jr. Não é uma leitura fácil. Tal como em O Livro de Paulo, Wangerin mergulha nos detalhes da história bíblica para construir seu romance. Sua ficção não muda os fatos, ela os enriquece.

As roupas, os costumes, o clima, a geografia e os alimentos. Cada página contém nuances que ajudam na compreensão da história e enriquecem a narrativa.

Não posso dizer, entretanto, que concordo com todos os seus pontos de vista. Mas me rendo à riqueza do texto, à qualidade de sua imaginação e a capacidade de emocionar contando uma história que já lemos tantas vezes.

Parece-me difícil escrever um romance a respeito de circunstâncias nas quais cremos como reais e cujo personagem principal é tão essencialmente verdadeiro a ponto de tê-lo como seu Deus.

Reescrevo abaixo um trecho:

Durante todo o tempo que convivi com Jesus nunca o ouvi reagir a dor física. Que ele sentia eu via em seu rosto. Seus lábios se comprimiam e branqueavam. Sua testa franzia. Seus olhos arrojavam-se num tique para a esquerda, pálpebras tremulando. Porém, a linha de seu cabelo densamente cacheado nunca se alterava, nem tampouco sua resistência ao desgaste, o que fazia com que ele, mesmo nos ferimentos mais graves, parecesse alinhado, não-perturbado. Ele nunca proferiu nenhum som de resmungo.

Hoje ele grunhe e gargareja de dor.

Não há nenhum pilar natural ou poste na parte alta da praça. Por isso os romanos rebocaram uma imensa carroça de transporte, prenderam as rodas com pedras e amarraram o Senhor, inteiramente despido com exceção de sua roupa de baixo, às tábuas de sua porção posterior.

Certa ocasião, ele se pusera de pé, como uma vela, na popa de um barco açoitado por uma tempestade, seu manto drapejando como uma bandeira, e erguera os braços; e o mar se acalmara por completo.

Com freqüência ele erguera os braços e toda a população ficava em silêncio e era ensinada, e milhares haviam sido alimentados com peixe e com pão.

No alto dos montes, ao crepúsculo, ele erguera os braços como mastros e bandeira, e orara.

Agora seus braços foram erguidos para ele. Estão amarrados às extremidades das traves mais altas da carroça; seu rosto apertado contra a madeira áspera.

O legionário que está em pé e de lado, atrás do meu Senhor, empunha o cabo de um açoite na mão direita. Ele estala o pulso. Faz com que suas tiras e garras de metal agitem-se no ar, um som de serpente. Então, correndo de repente, o legionário gira o braço inteiro acima da cabeça e salta. Precipitando-se até Jesus, dobra-se sobre ele com tamanha violência que as garras de metal vergastam como um ancinho as costas do prisioneiro, fatiando a carne do ombro à cintura; Jesus se contorce; a pele se alarga; suas feridas são sorrisos abertos, o osso branco aparecendo como dentes do lado de dentro, seco como pedra calcária – mas em seguida o sangue corre pelas longas feridas e começa a espalhar-se.

(p. 382)

E segue. Se puder, leia.

É uma pena que não tenhamos tantos livros de Walter Wangerin traduzidos para o português (além dos dois citados, a Mundo Cristão também publicou O Livro de Deus, que completa a trilogia). É uma pena que não tenhamos bons livros de autores cristãos sendo publicados por aqui.

– LHM