Um filho teu não foge à luta

Foto de Fabio Motta (O Estado de S. Paulo)

Foto de Fabio Motta (O Estado de S. Paulo)

Há coisa de três semanas, eu escutava o noticiário político no rádio e senti um amargor me vir à boca. Tudo de novo, as mesmas notícias, os mesmos métodos, nada muda, nunca. Já há tempos isso me incomodava, mas naquela hora, travado no trânsito da Marginal Pinheiros, escrevi um tuíte de desabafo:

“Cansado dessa esquerda enferrujada. Cansado da direita asquerosa. Será mesmo que não tem nada de novo, na prática e nas ideias, a ser feito?”

Pouco tempo depois, li no jornal sobre uma manifestação na Avenida Paulista contra o aumento na tarifa do ônibus. Confesso que ignorei solenemente a questão. De cara, não me parecia diferente das outras tantas marchas lentas e paradas que tomam a cidade ao longo do ano que não me atraem como adepto – Marcha para Jesus, Parada Gay, Marcha da Maconha ou greves de qualquer tipo ou instância.

Mas os dias se passaram e por meio de amigos, informações paralelas em redes sociais e alguns blogs, pude ter uma perspectiva diferente e mais profunda dos fatos. Julguei mal, admito, e assumi um ponto de vista.

A verdade é que estamos todos cansados, com tantas coisas presas na garganta pra serem ditas. E, finalmente, agora escuto uma resposta para minha dúvida solitária no trânsito. Ela vem em gritos de protesto, ali mesmo nas ruas. Há, sim, algo novo sendo feito. Há uma alternativa, nas práticas e nas ideias: o povo.

Filhos deste solo. Está em nossas mãos.

“Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”. (Provérbios 31:8, 9)


(Mais aqui: O poder do indivíduo)

Se o mundo tivesse 100 pessoas…

Um breve vídeo para refletir (e fazer alguma coisa, pelamordeDeus…). Premiado em Cannes em 2001.

Me fez lembrar o texto de Mentor Muniz Neto, que publiquei aqui no ano passado: “Para salvar da fome quem já estava de barriga cheia”.