Tragédias – O que os números não dizem


por Luiz Henrique Matos

Parecem só números. Os frios números dos economistas, estatísticos, contabilistas, pesquisadores. Os relatórios chegam das agências através de notas, com dados, gráficos, escalas, percentuais, contagens, somas e/ou subtrações.

Chegam também as imagens. Duras imagens. Mas tão artificiais e estáticas como poderiam ser as produzidas em qualquer estúdio. Vemos na tela da TV, do computador ou nas páginas de sites e jornais. Fatos, dados e fotos. Nada mais.

E eu leio, quase como se meu olhar passasse por sobre uma receita de bolo:

– 100.000 mortos por ciclone que atingiu Mianmar. 1.500.000 foram afetados.
– 1 mãe é morta na frente dos filhos em Taubaté (SP).
– 18.000 soterrados em terremoto na China. Mais de 12.000 mortos.
– 45 pessoas morrem após explosões no oeste da Índia.
– 1 criança jogada da janela do 6º andar morre em São Paulo (SP).
– 4.000 soldados americanos já morreram desde a invasão do Iraque.
– 48 mortos e 5 desaparecidos em naufrágio de barco no rio Solimões (AM).

Faz diferença para você?

São pessoas. João, Johnny, Cheng, Mohammed, Maria, Jen, Isabella, Hashid, Park, Lee… gente, vidas, com sangue correndo nas veias, coração pulsando, a mente atribulada em medo, desesperados. São planos que não se cumpriram, famílias destruídas, crianças órfãs, cidades inteiras arruinadas. É mais, muito mais do que podemos calcular.

Não, por favor, não são números. Nunca poderão ser.

Eram, são, somos pessoas. Criados e sonhados por Deus. Cada um para quem o Pai concedeu seu sopro de vida. Homens, mulheres e crianças por quem Jesus Cristo morreu naquela cruz.

Sonhos interrompidos.

Há lágrimas nos céus. Angústia, dor e luto no coração do Pai, que vê sua criação sucumbir diante da fúria de uma catástrofe.

E nós. Não podemos ser apenas espectadores, leitores e analistas dos fatos que chegam pela mídia. Não podemos passar por mais essa sem nos comover. Não, não dá para encarar a tragédia com a mesma normalidade e inércia do mais recente aumento de 0,25 pontos percentuais na taxa de juros nominais. Que se danem os juros!

Não importam os dados, importam as pessoas.

Precisamos ter o coração de Deus. O Deus que rasgou o céu, o tempo e a eternidade para resgatar aqueles a quem ama. O Deus que se sacrificou e levou a dor da humanidade em seus ombros. O Deus que deixou o mandamento para que os seus filhos sejam na terra o que ele mesmo é.

Devemos resgatar o caráter e a atitude de Cristo, que são nosso exemplo e direção de vida.

E hoje, vale, muito mais que palavras, a intercessão sincera, seja em oração, em donativos ou em atitudes. Vale, mais que um sermão, ser mão estendida para ajudar.

“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’. “O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’.” (Mateus 25:34-40).

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