Um coração dedicado


por Luiz Henrique Matos

“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mateus 22:37).

Nesses versículos o Senhor Jesus no ensina em poucas palavras toda a razão e motivação de nossas vidas. Mas como posso adorar a Deus com todo meu coração se não posso vê-lo? Não consigo medir a amplitude de sua majestade, seu poder… como compreender com minha ignorância humana a verdade sobre onipresença, onipotência ou onisciência. Como pode isso acontecer? Sou tão pequeno.

Eu não sei o tamanho de Deus, o pouco que consigo visualizar de meu Senhor é pela vivência que tenho tido nesses tempos em que me lancei em seus braços. Deus! Isso é grande demais para mim. De certa forma, tento ‘enquadrar’ Deus através do que ele fez EM minha vida (a transformação de meu caráter) e PELA minha vida (sua morte em eu lugar). E ‘só’ por conta disso, tenho uma vaga idéia do que é amar verdadeiramente. Não pelo que sinto por ele, mas pelo que ele sente por mim. E cada experiência dessas me soa como encontrar uma pequena peça de um quebra-cabeças infinito mas que revela um pouco de sua glória, mesmo sabendo que só terei essa experiência quando estiver ao seu lado, lá em ‘riba’.

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I João 4:20). Isso é um exercício para o meu comportamento. Se quero ama-lo, preciso amar tudo o que ele fez, principalmente aquelas ‘cascas de ferida’ que aparecem em nossas vidas.

Pense em uma pessoa que ama muito, talvez sua esposa, filhos, pais, amigos, não importa. Mas lembre especificamente no que você procura fazer para mostrar a eles o seu amor. Em geral procuramos declarar nosso sentimento através de palavras, cartas, presentes, surpresas, mas sabemos que o amor verdadeiro não é refletido somente por pequenos gestos (isso é conseqüência do que sentimento), ele é mostrado, ele é visível em nossos gestos, olhares, preocupações, agrados, compadecimento… quando amamos alguém, queremos estar mais ao seu lado.

Isso também deve ser aplicado em nosso relacionamento com Deus. Não podemos comprar o seu amor, salvação e misericórdia. Ele já me amou, salvou e perdoou antes de eu saber (só precisava ver isso).

E o que posso fazer para mostrar meu amor àquele que deve sê-lo acima de tudo e todos?

Podemos usar palavras (orando), cartas (textos e cânticos), presentes (ofertas), mas isso não tem “efeito” algum se antes, o nosso coração não arde em paixão por Jesus. Devemos sim, mostrar nosso amor verdadeiro ao Pai, com nossos gestos. Amamos a Deus quando temos prazer em estar com ele, quando nossas atitudes tem o propósito de fazê-lo feliz, quando nos preocupamos em saber se ele gosta de nossas ações e em procuramos acima de tudo o desejo do seu coração para nós.

Agradamos ao Pai com sussurros, com louvor, com uma ‘oração surpresa’ em um momento qualquer (fora da igreja e de ‘esquemas’ que criamos para o devocional, nós temos o Espírito Santo em todo o tempo, dentro de nós!), quando amamos e cuidamos da sua criação (nosso próximo), resistimos à tentação de pecar e rejeitamos as coisas ‘do mundo’ e priorizamos as de Deus. Nesses momentos imagino que o Pai, lá de cima, olha e diz: “Esse é o meu garoto… ê filhão!”.

Queremos mesmo estar cada vez mais “ao lado” de nosso amado? E o que fazemos para declarar esse amor?

Existe um texto na Bíblia, muito usado em casamentos e aconselhamento de casais. São os versos de Paulo em I Coríntios 13, que falam sobre o amor. Vou transcrever um trecho abaixo, mas tente aplica-los em sua vida espiritual, tomando como base os dois versículos que estão no começo dessa mensagem (o primeiro mandamento de Jesus).

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Coríntios 13:1-8).

Essa é a melhor descrição do que é o amor que pode haver em qualquer livro. Esse amor que buscamos sentir pelo nosso próximo, é o amor que Deus também sente por nós. E quando reconhecemos o amor infinito e incondicional de nosso Deus, deixamos de lado a religiosidade, a vergonha, o preconceito, o pecado e lembramos que esse ‘relacionamento’ tem duas pontas, dois corações ligados em um sentimento comum e maravilhoso: o nosso coração com o coração do Pai. A partir de então, estamos vazios de nós mesmos para sermos preenchidos pelo seu Espírito Santo, com nossos corações abertos a recebê-lo e dispostos a ama-lo com todo nosso entendimento.

“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:19-24).

Antes de tudo, ame a Deus. Jesus disse: “a hora vem, e agora é”. Ele é digno e merecedor do melhor que temos. Quem ama dá o melhor de si para o seu amado. Devemos dar o nosso melhor para Deus. Seja dançando, dando brados de júbilo, saltos, canções, orações, línguas, ou então, de forma intimista, silenciosa, sentado e tranquilo. Afinal, quem disse que a adoração está no gesto? Deus não quer os nossos gestos, ele quer o nosso coração!.

O importante é que seja sempre o melhor, amor verdadeiro, devoto, entre filho e Pai. Assim como você e eu, Deus também tem o “jeito” especial dele com cada um de nós. Ele nos fez, diferentes uns dos outros, de maneira individual e única, do modo como ele se agrada em nos ver, com um propósito maravilhoso.

Se estamos realmente preocupados em agradar o coração daquele que nos amou primeiro, precisamos buscar primeiramente a sua vontade. Como o nosso Amado gosta de ser tratado? Ele deixou tudo escrito, em um “bilhetinho” de mil e tantas páginas, chamado de Livro Sagrado.

“No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez” (Gênesis 5:1b).

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