Ensaio sobre intercessão


por Luiz Henrique Matos

– Nunca pensei em criar minha filha assim, mas se Deus quiser, eu vou vencer.

Depois de alguns minutos, foi essa a frase que me derreteu por dentro e fez com que eu perdesse a concentração na leitura e prestasse atenção àquelas palavras tímidas e rápidas do desconhecido sentado à minha frente. Seu olhar parecia perdido em todo o movimento das pessoas e no pequeno espaço do vagão de trem, mas parecia encontrar um refúgio quando olhava para a menina de 7 ou 8 anos brincando do seu lado, alheia a tudo o que lhe acontecia e à sua preocupação desabafada. E era nessas horas que ele soltava sem querer um sorriso feliz, que parecia meio engasgado no meio de tanta preocupação.

Dos poucos e confusos instantes em que estive com Evaldo (seu nome foi a última coisa que descobri), saí pensando na lição de vida que tinha acabado de receber e no que eu poderia escrever sobre sua história. Mas aí percebi que não valia a pena lição ou texto algum, eu precisava mesmo era cumprir a promessa envergonhada que fiz àquele homem assim que ouvi as palavras que você leu no travessão do primeiro parágrafo:

– Vou orar por vocês – entenda, é uma tremenda ousadia falar um negócio desses para um estranho.

“Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos, de acordo com a vontade de Deus” (Romanos 8:26-27).

Mas existe algo um pouco inquietante nesse compromisso: será que isso realmente poderá mudar alguma coisa? O fato de eu pedir algo à Deus em favor daquele homem e sua filha poderá mudar sua preocupação e fazer com que consiga educa-la da forma “vitoriosa” como sonha? Que valor afinal pode ter a dedicação, por alguns minutos, da minha intercessão?

Honestamente, eu não sei. E imagino que ninguém realmente compreenda o quanto isso representa na esfera espiritual em seus efeitos. Mas, podemos ver os bons frutos colhidos quando oramos por um propósito, conseguimos experimentar o melhor da vida através de uma prática regular de oração. E muito, acredito, porque vemos o próprio Deus agindo dessa forma, preocupando-se com as pessoas e agindo em favor delas muito mais do que com sua satisfação pessoal.

Além disso, há um outro fato. Quando intercedemos nos tornamos também um pouco mais parecidos com o Senhor, refletindo uma porção daquilo que Ele fez por nós na cruz, no pedido pela vinda do Espírito Santo e pelo que ainda faz na eternidade quando sabemos que: “Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Romanos 8:34).

E o que é afinal o cristianismo senão o amor, sincero e simples, dedicado a Deus e ao próximo?

Me pergunto então como vou resistir à necessidade de um irmão, privilegiando meu egoísmo, quando depois da minha afirmação envergonhada, vejo Evaldo com seu sorriso preso, o carinho pela filha, seus olhos em minha direção e ouço sua resposta, ainda tímida e rápida:

– Amém… por favor, ore por nós sim.

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