Alienação


por Luiz Henrique Matos

Luz vermelha. Ponto morto.

Então, pela manhã eu acordo, tomo banho, troco de roupa, desço o elevador até a garagem no subsolo do prédio. Entro no carro, dirijo com o vidro fechado e o ar-condicionado ligado por cerca de 10 quilômetros até o escritório. Isso leva bem uma hora. Entro no prédio, estaciono na garagem coberta, subo direto pelo elevador até o andar em que trabalho. Almoço no refeitório do prédio. No fim da tarde, o mesmo itinerário até o elevador me deixar novamente na porta de casa. Isso leva bem o dia todo. Chego, tomo meu banho, troco de roupa, desfruto o jantar, vejo TV, brinco com minha esposa e minha filha, leio algo e então deito para dormir.

E o dia passa, inteiro, sem uma única experiência ao ar livre.

Sabe, tem gente – gente mau caráter – que acredita realmente que os fins justificam os meios. Dá pra ver isso a toda hora nos jornais, na vizinhança e por aí. Gente que não mede esforços para conquistar o que deseja ou precisa. Eles tem um plano e fazem o que for necessário para alcançá-lo. Julgamos e condenamos esse tipo de atitude o tempo inteiro.

Mas, sei lá o motivo, há algum tempo, tenho conhecido gente que acredita que os meios por si só se justificam – volta e meia tenho sido essa gente também. Elas não tem um fim concreto em que acreditam ou algo perseguem. O dinheiro, seus bens, o trabalho, tudo o que era instrumento virou objeto. E as pessoas vivem cercadas disso, dedicadas a isso, alienadas em atividades e coisas que estão longe de serem respostas. A gente esquece que o dinheiro serve, o trabalho serve, nossas posses servem… para alguma coisa. E viramos escravos e nem bem sabemos de quê.

Quando o meio vira fim, alguma coisa ficou de fora da história. Talvez a história toda, em muitos casos.

É como correr atrás do vento. E a gente faz o quê com isso?

Luz verde. Primeira marcha. Segunda. Buzina. Uma fechada. E então, rapaz, será que chove?

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