Pega ladrão

por Luiz Henrique Matos

(4º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

O centrovante avança pelo campo de ataque com a bola dominada nos pés. Toda raça e habilidade nos minutos finais do jogo e fazer um gol nesse momento seria a consagração da vitória. Enquanto avança, toda a defesa do time adversário recua rapidamente e se posiciona na entrada da grande área. Sem opções de ataque, o jogador pára, segura a bola e procura ao seu redor alguma opção de tabela entre seus companheiros. Enquanto espera, é surpreendido por um volante do time rival que chega por trás e rouba-lhe a bola dos pés.

Onze horas da noite no centro da cidade de São Paulo. O rapaz sai do trabalho e caminha cerca de dois quilômetros até o ponto de ônibus onde toma a condução que o leva para casa. O chefe lhe pediu que fizesse hora extra e o segurou no escritório até tarde. No ombro esquerdo, o peso da mochila com os cadernos e livros da escola e lá no fundo o envelope com o pagamento do mês: dois salários mínimos e alguns passes de ônibus. Cansado, ele caminha pelas ruas escuras do centro abandonado da capital, pensativo nas atividades do dia seguinte e frustrado com o trabalho que já não o motiva mais. Não percebe quando um garoto vindo em direção contrária se joga sobre ele, fazendo com que, na trombada, perca o equilíbrio, enquanto outro moço aparece por trás, puxa de seu ombro a mochila e saem, ambos, correndo ruelas a dentro.

“Olha o ladrão!” é o que deveria gritar o companheiro de time do pobre centrovante que agora vê perdida a antes dominada bola nos pés e a chance do gol decisivo. Nunca fui um exímio boleiro, mas como um bom espectador aprendi que no futebol é assim, não adianta ter a bola nos pés, é necessário estar atento às movimentações no adversário para não ser pego de surpresa pelo combatente inimigo que chega com os pés e os cravos da chuteiras apontados para a canela alheia.

“Olha o ladrão!” é o grito vazio do trabalhador que vê sua mochila e salário sendo levados pelo oportunismo dos trombadinhas na cidade grande. Viver em uma grande metrópole é isso, não se pode caminhar sozinho no escuro, mas um passo após o outro deve ser dado, observando as movimentações ao redor e qualquer sinal de perigo prevenido.

“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10).

É preciso tomar cuidado, o ladrão está a solta. Com sua chuteira cheia de cravos pontiagudos, ele mira nossa carne afim de roubar a bola de bênçãos e preferivelmente quebrar uma de nossas pernas (vida) com seu ataque voraz. Ele chega na espreita, ataca em bando os que lhe parecem fracos, não suporta ver o salário da providência sendo recebido dignamente com o suor do rosto humano. Com seus comparsas malignos ele planeja a tocaia para deixar desamparado o pobre trabalhador e roubar seu sustento, destruir sua família e matar sua esperança.

Imprescindível é também vigiar. O ladrão está a solta e tem seus objetivos muito claros, mas o bom guerreiro sabe como combatê-lo. Somos filhos escolhidos e temos por herança a salvação por Cristo, mas Ele nos alerta para não deixar a retaguarda desprotegida, nos posicionar como a sentinela e estar prontos para nos defender dos ataques. “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41 nvi).

Satanás não perde tempo investindo em áreas em que estamos fortalecidos. Ao contrário, ele lança seus dardos na direção da carne sensível, nas dificuldades, nas tentações, nos pecados em que tanto teimamos e onde sabe que já caímos. Ele chuta a perna de apoio do atacante, ele empurra o desatento andarilho, ele é a astuta serpente maquinando contra a inocente ambição de Eva (Gênesis 3:1).

Paulo sabiamente alertou o centrovante: “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1 Coríntios 10:12). O gol realmente parecia fácil naquele contra-ataque. O salário suado parecia ganho naquele exausto final de dia.

Vigiar: olhar para cada ponto do campo e saber a posição do adversário, seguir à noite pelas ruas procurando pontos iluminados onde se possa ver a movimentação das sombras. Orar: ter sobre si a cobertura do manto de Deus, que nos reveste de Sua paz e segurança na medida que nos dispomos a seguir o seu caminho.

E então, cada passo é certeiro em direção ao gol de placa, para a alegria da torcida celestial que canta: “Santo! Santo! Santo! É o Senhor!” (Isaías 6:3). E no final, cada dia de trabalho e aflição (João 16:33) será vencido e recompensado com a tranqüilidade de se chegar na morada preparada (João 14:2), receber um abraço quente e aconchegante do Pai e deitar na cama da eternidade com a sensação de dever cumprido.

“Eu lhes disse estas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (João 16:33).

Sementes – Olhe para cada área de sua vida, ore a Deus pedindo a revelação de suas fraquezas e que Ele lhe cure e fortaleça nos momentos de luta e tribulação. Vigie em cada gesto, cada falsa oportunidade, cada emboscada que possa estar mascarada pela tentação maligna. Vigiar e orar é o seu papel, o dEle é edificar esse santuário precioso que é a sua vida. Veja: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmo 127:1).

A teologia Peter Parker

por Luiz Henrique Matos

(3º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Peter Parker ilustra de maneira brilhante (bem, nem tanto) um aspecto teológico ligado à nossa cultura cristã. Apesar disso, seu nome verdadeiro não é tão famoso quanto seu alter-ego. Para quem não conhece os super-heróis das histórias em quadrinhos, Peter Parker é o garoto conhecido por Homem Aranha, cujo primeiro filme estreou em 2002 e a continuação deve ser lançada ainda esse ano.

Um resumo dessa história. Peter Parker é o mocinho. Ele é um adolescente desajeitado e nada popular, até o dia em que é picado por uma aranha e adquire super poderes como: força, agilidade, grudar nas paredes e soltar teias (também poderosas) que lhe permitem ser um Tarzan na grande metrópole em que vive. Mas Peter só passa a ser um herói efetivamente no dia em que descobre os seus poderes e neles, a essência de seu propósito de vida: ajudar as pessoas.

Outra história. João José da Silva é o mocinho. Ele é um adolescente desajeitado e nada popular até o dia em que é tocado por Jesus em uma ministração e a partir de então o poder do Espírito Santo o transborda, passa a habitar em seu coração e João passa a ser cheio de: fé, amor e passa a ser um instrumento de Deus para curar, libertar, profetizar e operar Sua vontade nessa terra. Mas João só passa a ser um servo efetivamente no dia em que descobre quem é o “dono” do poder e a essência de seu propósito de vida: amar ao Senhor acima de tudo e às outras pessoas como a si mesmo.

No fim do primeiro filme, Peter Parker se vê diante de uma situação sofrida. Seu tio, que o criara desde a infância está prestes a morrer e sabe de seus super-poderes. Em sua fala derradeira aquele homem diz ao sobrinho: “Peter, quanto maior o poder, maior a responsabilidade”. E então o jovem assume sua identidade heróica, torna-se o Homem Aranha e passa a ajudar Nova York no combate ao crime, injustiças e mazelas da sociedade.

Seguindo sua vida com Deus, João José da Silva se vê diante de uma situação sofrida. Seu ministério de música, que assumira desde a conversão está prestes a ruir. E em sua oração desesperada ao Pai, ele ouve uma resposta: “João meu filho, quanto maior o poder, maior a responsabilidade. Quanto mais você desejar se um instrumento que alcance vidas para o Meu Reino, maior a responsabilidade por essas pessoas Eu vou colocar sobre você. Quanto mais de Mim você quiser ter em si, mais eu vou querer que você transborde Minha presença sobre os que não Me conhecem. E filho, Eu quero muito te encher, mais do que você pode sonhar, quero brotar de dentro de você como um rio de águas vivas e abundantes. E quando isso acontecer, todos saberão que você é Meu servo e Eu Sou seu Deus”.

E então João, o que você vai fazer?

* * *

Nos dedicamos ao serviço em nossas comunidades e vivemos rotineiramente a prática de uma vida religiosa, mas é triste saber que em muitos casos, nos contentamos em ver o agir de Deus sem senti-Lo efetivamente. Há algo necessário para os que se dispõem em servir ao Senhor: responsabilidade. Essa é uma semente que deve ser regada durante toda nossa vida.

Responsabilidade para com Deus, com as Escrituras, com as vidas, com os sonhos do Pai para cada um de nós. O Senhor quer ver Sua obra ser concretizada por meio daqueles que Ele chamou e escolheu desde o momento em que foram concebidos.

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

Sementes – Isaías 6:1-8, Tiago 2:26, Hebreus 11:1-40, 1 Pedro 3:20-22, Salmo 139. Ore, coloque-se diante de Deus pedindo a Ele que cumpra os sonhos que tem para sua vida.

O mundo cinza

por Luiz Henrique Matos

(2º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Você consegue sentir falta de algo que não existe? Sente, por exemplo, saudades de uma pessoa que não conhece?

E se o mundo fosse feito diferente? E se Deus o tivesse criado sem as belezas, recursos e maravilhas naturais, você sentiria a ausência desses elementos? Não.

Pense nas coisas que você gosta nessa terra. Talvez cachoeiras, praias com seus mares verdes e areias finas, a beleza dos oceanos, as florestas com cada palmo de sua terra, flora e fauna. O céu azul, as nuvens brancas e todo o universo desconhecido que está acima de tudo isso. A água que sacia a sede, o sabor de cada fruto e cada alimento.

Imagine por um segundo que tudo isso não exista, que Deus tenha criado um mundo estritamente funcional, onde não haveria dia ou noite, sol, lua ou estrelas, o céu seria simplesmente cinza. Nos alimentaríamos de um único e suficiente elemento, talvez um “maná” que saciaria toda nossa fome pela vida toda. O mundo seria uma planície reta, com o solo escuro. Sem verão ou inverno, apenas um clima sóbrio que nos manteria imunes, sem qualquer variação.

Parece horrível, mas nós não notaríamos. Só sentimos falta de algo que necessariamente possamos imaginar, desejar e achar necessário (ou você acredita mesmo que refrigerante e hambúrguer são uma necessidade real?).

Mas Ele preferiu fazer diferente. Por algum motivo Deus não quis um mundo sombrio. Por alguma razão o Rei do universo fez um mundo lindo, perfeito e delicioso. Porquê?

Porque Ele tinha em mente a Sua mais célebre obra de arte, Ele iria realizar um sonho e pensou que esse sonho precisava de um cenário impecável onde viver, de forma a refletir Sua própria glória e majestade.

E não foi de uma vez. A Bíblia diz que Deus foi criando cada elemento da terra e a medida que surgia o resultado Ele gostava (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25 e 31). O Senhor partiu de uma idéia fixa, começou então a passar Seu pincel sobre a “tela” e foi gostando. Caprichou aqui, fez um enfeite ali e terminou Sua magnífica obra de arte: um planeta perfeito. E viu que isso era bom.

Mas ainda havia um novo passo. Ele viria a criar o elemento singular que reinaria sobre todos os outros. Dotado de inteligência, raciocínio e feito à Sua imagem e semelhança, Deus criou o homem.

* * *

Não é maravilhoso pensar que Deus criou esse planeta só para que habitássemos nele? Fez águas potáveis e cristalinas a ponto de refletirem nosso rosto. E hoje vemos correr em suas margens a imagem de nosso descaso. O que era fonte de vida e abundância, hoje é um símbolo urbano do que representa morte e poluição (quem mora em São Paulo entende melhor o que digo).

E como deveríamos nos sentir em saber que cada gesto nosso a destruir o meio-ambiente é igualmente uma mancha nessa “obra de arte” divina? Sendo mais claro, onde está a nossa consciência ao saber que cada papel jogado no chão é uma atitude de negligência para com a obra de Deus?

Isso realmente pode soar como radicalismo, mas não é. Seguir a Deus tem seu preço e esse preço chama-se “obediência”. Obediência é reflexo de amor, respeito, compromisso, dependência, ou seja, quem segue aos mandamentos, necessariamente obedece.

Em verdade, nunca saberemos exatamente a vontade do Senhor se ficarmos sentados no banco da igreja ouvindo o sermão dominical. Precisamos nos aprofundar em Sua vontade explícita nas Escrituras para a partir de então tomar uma atitude construtiva para o Reino. E então concluímos que sim, a Bíblia fala de ecologia.

“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20a).

* * *

Para não parecer vago, veja o exemplo de Salomão e Adão, dois homens reconhecidamente sábios. Um foi o rei mais inteligente que este mundo já conheceu e o outro, o primeiro de todos nós e alguém que antes de pecar, provavelmente usava 100% da capacidade de seu cérebro (os seres humanos como um todo usam, no máximo, 10% do seu potencial). Veja um pequeno trecho do que esses homens fizeram:

Salomão: “Dissertou a respeito das árvores, desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede; também dissertou sobre os animais, as aves, os répteis e os peixes. De todos os povos vinha gente para ouvir a sabedoria de Salomão, e da parte de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1 Reis 4:33-34).

Adão: “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar” (Gênesis 2:15). E segue: “Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo” (Gênesis 2:19-20a).

Sábios, comprometidos com Deus, adoradores verdadeiros, exemplos do que o Senhor sonhara para Sua criação. Eles agiram com respeito à Sua obra, a preservaram e a cultivaram. E Deus tem sido tão bom que deixou isso registrado para que nós, hoje, pudéssemos tomar suas atitudes como exemplo. Com os 10% de capacidade que nos restam, não é difícil entender esse propósito. Ou é?

Sementes: Pense no seu dia a dia, o ambiente em que vive, os locais por onde passa. O que você faz com o lixo do que consome? Como administra água, luz e gás? Afinal, qual tem sido o seu esforço em preservar a obra de Deus para as próximas gerações?

Dia D

por Luiz Henrique Matos

Acho que vou chorar. Creio realmente que naquela hora, ao ouvir meu nome, vou sentir um arrepio me subindo pelas espinhas, um aperto de dentro para fora em meu coração que não me deixa pensar em outra coisa, um calor que derrete o gelo e a frieza em meu interior e faz vazar aquele líquido salgado que escorre de dentre os olhos pelas bochechas e embaça minha vista, trava meu nariz, me deixa avermelhado e impede que com clareza eu enxergue o que tanto sonhei. Aliás, com ou sem lágrimas, nem sei se conseguirei olhar diretamente em Seus olhos. Penso que minha primeira atitude será, cabisbaixo, parar diante de Sua glória revelada como uma criança envergonhada, me dobrar calmamente, ajoelhar aos Seus pés em silêncio e fazer algo que nunca ao menos mereci: humilhar-me diante dEle e mostrar minha admiração e honra.

Nada se pode imaginar a respeito da mente e da criatividade de Deus. Não sabemos como será o tal momento, os detalhes, a decoração, o ambiente, a aparência dos anjos auxiliando, guardando e louvando. Como é o Seu trono, como são Suas vestes brancas, o formato do Seu cajado e de que comprimento afinal é Sua barba? Imagino que Ele estará ali, contemplando aliviado àqueles que creram (pudera, Ele trabalhou tanto por isso), com um sorriso no canto dos lábios, a sensação de ter valido a pena o sacrifício de Seu Filho unigênito e o olhar amoroso de um Pai vendo enfim, Seus filhos pródigos voltando para casa.

Como ovelhas antes desgarradas, estaremos ali reunidos. E já separados dos bodes, voltaremos obedientes para o lar, sendo conduzidos pelo nosso Bom Pastor. O veremos então dando alguns passos em nossa direção e dirigir-nos a voz com o tão esperado convite: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25:34). Ouviremos nossos nomes sendo chamados, um a um, não como nos conhecemos, mas como por Ele somos conhecidos.

“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido” (1 Coríntios 13:12).

Conscrito

por Luiz Henrique Matos

(1º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

“Jovem, ao completar 18 anos, exerça sua cidadania, aliste-se no Serviço Militar Brasileiro”. A locução do comercial não muda, todo rapaz finda sua adolescência, ao mesmo em que treme pela expectativa em tirar sua carta de motorista e pilotar livre seu potente quatro rodas, teme ao pensar na possibilidade de ser convocado a servir o exército.

Alguns (poucos) até gostam. Gostam de dirigir e também do exército. São aqueles malucos que eu via cruzar toda a fila e dizer: “Sou voluntário”. Eu confesso que não entendia um gesto como esse. Entrar para o exército é, segundo o julgamento de muitos, assinar o atestado de humilhação. Armas, disciplina, acordar cedo, obediência, postura, aptidão física, todos esses são pontos com os quais nunca tive muita afinidade.

Ser soldado no quartel é ser um peão nas mãos de grandes jogadores. Eles te manipulam, mandam “pagar dez” flexões (como eu tinha medo disso), judiam, fazem sofrer, te ensinam a ser… ser… servir.

Algum tempo depois de minha liberação por “excesso de contingente” (na verdade eu tinha um grau altíssimo de miopia e uma escoliose que me livraram a barra), ouvi de um vizinho, ex-cabo, que um homem de patente maior nunca manda seu subordinado executar uma tarefa que ele mesmo não possa realizar. Ou seja, para comandar é preciso saber obedecer. Para receber, primeiro é preciso aprender a dar.

Essa foi uma lição que grandes reis como Davi e seu filho Salomão também aprenderam e exerceram. Quando Salomão morreu, seu filho Roboão assumiu o trono e cheio de imaturidade, não soube como agir quando o povo de Israel veio lhe pedir que aliviasse um pouco a carga de trabalho que estava sobre eles e se assim o fizesse, eles o serviriam como fizeram com seu pai. Os sábios que viram Salomão governar o alertaram: “Se hoje fores um servo deste povo e servi-lo, dando-lhe uma resposta favorável, eles sempre serão teus servos” (1 Reis 12:7). O mimado Roboão não ouviu às autoridades, antes, atendeu seus também imaturos amigos de infância e oprimiu aquele gente. O povo não gostou, revoltou-se contra ele e isso provocou a divisão do reino de Israel.

É a regra do quartel, que eu não fiz, mas hoje aprendo: para ser servido é necessário primeiro aprender a servir. Para ser um rei, é necessário antes, saber ser plebeu. Ninguém pode conduzir uma pessoa por um caminho que não conheça. Ou já se viu alguma vez, alguém primeiro ser contratado como presidente de uma empresa e depois de alguns anos ser “promovido” a assistente? Ou no exército, um general aos 18 anos de idade ir descendo em sua patente até que, aos 60 anos, torna-se enfim um soldado?

“Como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:28).

Jesus serviu ao povo. Preocupava-Se com suas necessidades, dores e dificuldades. O Senhor por mais que fosse o alvo daquela multidão que O seguia, cuidava de servi-los. Transformou água em vinho para que não ficassem sem o que beber durante uma festa de casamento, multiplicou pães para uma multidão de cinco mil homens, repartiu o pão e o vinho com os doze que o seguiam depois de lavar-lhes os pés, curou muitos enfermos, ressuscitou um morto e morreu para que os que já estavam mortos tivessem vida.

E serviu também quando já não estava mais aqui, tendo como primeira providencia ao chegar em casa ressurreto, (creio eu) dar um beijo e um abraço apertado em Seu Pai e em seguida enviar sobre Seus filhos o Espírito Santo amado, não nos deixando sós, mas cheios de Sua presença e amor para sempre.

Martinho Lutero declarou: “Este é o mistério da riqueza da divina graça para os pecadores; através de uma maravilhosa troca, nossos pecados não são mais nossos, mas de Cristo, e a integridade de Cristo não é mais dEle, e sim, nossa”. Isso é servir, tomar a dor do outro sobre si e ajuda-lo carregando seu fardo. Isso também se chama misericórdia, ou seja, compaixão pela dor ou sofrimento do próximo. Se ser cristão é seguir a Cristo buscando ser como Ele, então, uma de nossas práticas fundamentais é aprender a servir.

Servir a Deus é servir ao próximo e vice-versa. Servir ao mandamento-mor de Amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como Ele nos amou. Somos capazes? É óbvio que não. Mas esse é o sonho em Seu coração e deve ser então o nosso alvo.

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da natureza pecaminosa; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor” (Gálatas 5:13).

Ajudar aos necessitados não é caridade, é cristianismo. Orar uns pelos outros não boa ação, é cristianismo. Pagar impostos, obedecer às leis, ser submissos aos nossos chefes e superiores, dar exemplo da diferença que é ter Deus vivendo em nós, viver a vida de Cristo. Ser cristão não é tagarelar versículos bíblicos aos ventos, mas viver dia-a-dia cada palavra gravada nas Escrituras (conforme 1 Pedro 2:11-23).

E então, pelo nosso gesto, vendo a luz de Cristo em nós, não existirão patentes ou cargos, tão pouco hierarquias que quebrem o laço. O mais alto comandante, o presidente da multinacional, o empresário, o político, o sacerdote, todos se dobrarão e hão de prostrar-se de diante de um carpinteiro, pobre, galileu, amigo de pescadores e prostitutas que salvou o mundo.

Ao que Ele diz a Seus discípulos: “Mas, vocês não serão assim. Ao contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa, como o que serve. Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve. Vocês são os que têm permanecido ao meu lado durante as minhas provações. E eu lhes designo um Reino, assim como meu Pai o designou a mim, para que vocês possam comer e beber à minha mesa no meu Reino e sentar-se em tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Lucas 22:26-30).

As sementes (o que precisamos observar e praticar para cumprir esse chamado e iniciar o plantio – é importante estudar esses fundamentos nas Escrituras): na comunhão para adorar (Sofonias 3:9), na diferença neste mundo (Malaquias 3:18), na rejeição do pecado (Mateus 6:24), no trabalho secular (Efésios 6:5-7), no ministério (Colossenses 3: 23-24) e na certeza da promessa (Apocalipse 22:3-5).

Vale a máxima do padeiro: “Servir bem para servir sempre”.

Saudades da minha Facit

por Luiz Henrique Matos

Facit! Esse era o nome da máquina onde aprendi a datilografar. Datilografia era curso essencial para se conseguir aquele concorrido emprego de contínuo no banco. Fora do curso, confesso que datilografei a máquina algumas raras vezes. As teclas são pesadas, o barulho é chato e ela não vem com kit multimídia para se ouvir uma boa música enquanto o texto é criado. Mas isso não é o pior, nenhum dos modelos disponíveis, me permitem apertar o “Backspace” tantas vezes para apagar, corrigir e incluir novas palavras (como fiz aqui, nesse exato instante) e nem disponibilizam os famosos “Ctrl+C” e “Ctrl+V” que me fazem ter uma pontinha de afeto pelas grandes marcas de computadores.

Posso parecer um dos antigos quando falo de máquinas de escrever, saudosistas que rejeitam os avanços tecnológicos e sofrem para entender que para se desligar o computador é preciso apertar o botão “Iniciar” (e isso até eu não entendo). Sou um adepto e fã dessa invenção, armazeno minhas músicas, escrevo minhas mensagens, guardo arquivos, envio o boletim a vocês por e-mail, salvo no site, me comunico com gente de todo lugar… definitivamente, a informática e seus avanços me seduzem.

E pensar que quando nascemos, os poucos microcomputadores disponíveis custavam uma bela grana e a Internet ainda era uma ferramenta de uso militar e acadêmico. Hoje, minha sobrinha de 6 anos, navega pelo site da Mônica, joga o cd-rom do Rei Leão e dá um show quando precisa desenhar no Photoshop (manuseia melhor o mouse do que o lápis!). São os avanços. Imagine por exemplo, que essas mensagens do Missão Pax surgissem há vinte anos. Eu precisaria postar todas as quintas-feiras dezenas de cartas, para que na segunda elas chegassem via correio a todos. O website seria inviável, talvez houvesse um livro em formato de fichário, onde cada um poderia guardar o fascículo (caramba, nunca achei que escreveria essa palavra) da semana.

Mas existe mesmo um certo charme na lembrança – com cheiro de naftalina – das máquinas de escrever e os manuscritos. Minha esposa diz que gosta mais quando lhe escrevo cartas à mão, assim pode ver minha letra, o texto soa mais intimista, pessoal e exclusivo. E também acho isso tudo verdade.

Digamos que o malefício da tecnologia e a globalização no que cabe a ela é que passamos a viver em um mundo onde o “direito autoral” acaba perdido. Músicas podem ser desconfiguradas – a era do sampler, do remix, do virtual – sites invadidos, obras violadas e textos difundidos sem que se conheça seu autor, seus originais e sua veracidade.

* * *

Essa nova idéia de mundo dificulta nosso entendimento a respeito da preservação de documentos originais. Pensemos um minuto nos manuscritos bíblicos por exemplo, eles foram guardados por séculos e séculos. Quantas vezes não questionamos a possibilidade de que algum estudioso, padre ou governante não possa ter passado um Liquid Paper no texto de Êxodo por exemplo e mudado a história. Moisés, que havia passado por sobre uma região alagadiça (como defendem alguns céticos), ficou conhecido então por abrir as águas e atravessar o mar. É essa a nossa mente ocidental, moderna e… incrédula.

No baixo de minha ignorância, posso chacoalhar a memória em busca das aulas de história da tia Antonieta e lembrar que até meados o século XV o acesso a documentos era algo restrito às grandes autoridades.

Falando especificamente das Escrituras, até uns 400 anos a.C. existiam apenas os manuscritos originais em hebraico, que eram os livros e leis usados pelos judeus (sobre os quais lemos em todo o Velho Testamento). Paralelamente aos fatos, o império grego cresceu, dominou diversas nações e a maior estratégia de expansão do reino era difundir sua língua por todo o mundo. Isso incluía a Palestina, onde vivia o povo de Israel.

Após o reinado de Alexandre, o Grande sobre a Grécia, os Ptolomeus o sucederam no poder. Foram eles que organizaram uma comissão de 75 anciãos, eruditos, que fizeram a tradução das Escrituras para o grego, já então língua “oficial” e conhecida de todo o povo (isso acontece no intervalo de mais ou menos 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamentos). Esses manuscritos, somados a outros de diferentes partes, são a maior fonte para as traduções bíblicas que se sucederam, inclusive a portuguesa.

Quanto a preservação de originais, o maravilhoso das Escrituras é notar que diferentes documentos de épocas distintas e localidades também guardam até hoje a mesma informação, sem controvérsias ou distinções entre si. Portanto, é bobagem essa história de que a igreja romana manipulou os originais conforme suas intenções políticas e sociais. Alguns desses documentos nem estiveram sob seu domínio.

Abrindo um parêntese sobre esse ponto, vale pensar o seguinte: Deus é soberano e não cai uma folha de árvore sem o Seu consentimento. Logo, seria estupidez cogitar que o homem tenha interferido nas Escrituras livremente, segundo seus interesses e que o Senhor teria permitido que Seus filhos se baseassem em mentiras para segui-Lo. Então chega de “achismos” a respeito da Bíblia e passemos encara-la como o que verdadeiramente é: a Verdade Divina. Fecho os parênteses.

As traduções em diversas línguas sobre as quais falamos só puderam ser feitas depois da invenção do livro. Por volta de 1.450 (veja bem, só 35 anos antes da Reforma Protestante), Johann Gutemberg “inventou” a imprensa. Até então, a maioria da população era formada por pessoas analfabetas, só a alta sociedade tinha acesso à leitura. A igreja, com seus manuscritos e pedras empilhadas, detinha o domínio sobre a Lei e manipulava os fiéis como bem entendia. Autoridades teológicas de então, tinham a descoberta de Gutemberg como algo destruidor, o povo passaria a ter acesso aos escritos e isso acabaria com a autonomia do clero.

Durante séculos o homem viveu dessa forma, ouvindo o que deveria seguir, calado e confiando no que lhe diziam “os intérpretes”. Não é necessário muito esforço para resgatar a origem do protestantismo e nem é de se surpreender que o maior protesto de Lutero era justamente contra a venda de indulgências, algo que não consta em qualquer versículo das Escrituras mas que era pregado pela própria igreja por interesses financeiros e exclusivistas. Outra defesa do então frei era de que o povo deveria ter livre acesso às Escrituras, algo também controlado pela instituição chamada igreja (a partir dessa conquista da Reforma é que foi atribuído aos protestantes o título de “evangélicos”).

E desde então a invenção revolucionária de Gutemberg nos tem sido útil para que, na cabeceira de nossas camas, na mesa de trabalho e até no computador possamos ter uma versão das Escrituras, traduzida em nossa língua mãe e acessível financeiramente.

Sabemos que há pouco mais de 500 anos, a disseminação da informação acelerou-se de forma quase incontrolável. Era o nascimento do Brasil, a imprensa ainda engatinhava e a Reforma acontecia em um canto da Alemanha.

Hoje, não só temos livros jogados por todo canto, como somos capazes de divulgar informação para todo o mundo, em qualquer instante, idioma, formato ou fonte. Seja verdade ou mentira, bom ou mal, podemos nos comunicar. São os avanços, é o “pogréssio”.

* * *

Será possível que se Moisés vivesse em nossos tempos, subiria na cobertura de seu prédio para uma vigília com o Senho, então anotaria a revelação dos mandamentos em um Palm Top, salvaria no HD de seu microcomputador e enviaria por e-mail ao povo de Israel? A mensagem sairia com uma nota de rodapé dizendo: “Se isso é verdade para você, repasse a todos os seus amigos, não tenha vergonha. Piadas você conta e manda para todos, mas quando são coisas de Deus você guarda ou deleta. Passe para o maior número de contatos e seja abençoado”. Ou talvez passaria os dez mandamentos a todos via Torpedos SMS em seu celular pré-pago?

Não interessa a forma. Não podemos nos apegar a idéias tradicionalistas. Tudo aconteceu como diz a história porque Deus quis assim. E naquele tempo, essa era a forma de todos se comunicarem (lembrando que Moisés estava no deserto)

Deus tem Seus propósitos. E Sua palavra difere de todo escrito justamente porque o Senhor cuida de Sua verdade. Quando entregou as Leis a Moisés, as gravou em tábuas de pedra. Na própria Bíblia lemos uma passagem a respeito dos desejos de Deus para Seus filhos com a seguinte afirmação: “escreve-as na tábua do teu coração” (Provérbios 3:3b), era a cultura e o dia a dia daquele povo.

Independentemente dos tempos (sejam as pedras, os couros, os escribas, os primeiros impressos, os microcomputadores ou sei lá o que vem pela frente), o Senhor preserva Sua Palavra com poder e soberania. O homem tentou frustrar as intenções de Deus, mas Ele faz com que elas sejam mantidas, na íntegra.

Devemos porém, ter cuidado em não deixar que essa geração destrua o que há de história a ser transmitida à nossa descendência. Preservar os fatos e as verdades para que não se percam. E acima de tudo, compreender que a vontade de Deus não está gravada em livros, e-mails, blogs ou em papéis. Os planos do Senhor para nós não estão nos cronogramas de leitura da Bíblia e nem em um versículo aleatório.

Os sonhos do Pai para Seus filhos estão no Seu coração e esse, nós só conhecemos quando temos com Ele uma intimidade sincera, sem falsidades, dogmas ou religiosidade. Ler a Bíblia, seja em papel, tela ou áudio deve ser um hábito que nos conduza a um conhecimento melhor e maior dos planos de Deus, de Sua essência, Seu caráter e Sua verdade. E não há homem que frustrará o desejo do Rei soberano.

“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz e mais afiada do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12).

Não posso viver sem mim

por Luiz Henrique Matos

“Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39 NVI).

Gosto de pensar nas coisas que posso fazer às pessoas que amo. Festejar aniversários e datas especiais. Aprecio cada comemoração com minha esposa, preparar-lhe algumas surpresas, levar flores, dar presentes sem ser algum dia específico, criar situações novas pelo simples prazer em ver estampada em seu rosto a sua expressão mais bela: o sorriso.

Posso facilmente ama-la e também aos meus familiares, meu pastor, amigos e irmãos queridos. Creio que eu consiga ama-los assim como amo a mim e acredito também que faço a eles as mesmas coisas que eu gostaria que fizessem comigo (e também não lhes fazer as coisas que não gosto). Mas me sinto bastante fraco ao pensar se realmente consigo amar, como amo a mim, aos meus inimigos. Jesus disse: “Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam” (Lucas 6:27 NVI) e continuou: “Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles. Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os ‘pecadores’ amam aos que os amam” (Lucas 6:31-32 NVI).

Mas… o quanto amamos a nós mesmos?

De que forma nos relacionaremos com aqueles a quem amamos se não nos amamos da maneira certa? Antes de praticar o nosso amor para com os outros, precisamos pensar no amor que temos para conosco. Não de uma forma egoísta ou pessoal, mas no aspecto que cabe aos nossos relacionamentos. Precisamos fazer uma análise do nosso temperamento, nossos hábitos e a personalidade que desenvolvemos.

Se somos intolerantes, exigentes e perfeccionistas em nossas práticas pessoais, como podemos achar que agiríamos de maneira diferente com os outros? Se temos um comportamento acomodado, negligente e desleixado, igualmente não serviremos às pessoas como quer o Senhor. Indo mais a fundo, tendências suicidas, baixa auto-estima, egoísmo, ciúmes, inveja, preguiça e some-se aqui também todos os frutos da carne que Paulo descreve em Gálatas 5. Se temos isso dentro de nós, o que ofereceremos aos outros?

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45 NVI).

Antes de tomar alguma atitude para “demonstrar amor ao próximo” devemos pensar se essa “ajuda” realmente condiz com “amor”.

Para seguirmos a Jesus e o amarmos acima de todas as coisas (o primeiro mandamento), precisamos renunciar a nós mesmos e nos preencher de Seu amor. Só então, mais parecidos com Jesus e entendendo melhor o nosso próprio coração, poderemos obedecer ao segundo mandamento do Senhor: amai-vos.

Como você tem se tratado? O quanto e como você se ama? Isso é reflexo de sua comunhão com Deus e o melhor exemplo da atitude que tem com as pessoas. Se seu coração está cheio de Deus, então é amor que você terá a compartilhar, mas se está afundado em angústia e dor, você na verdade precisa é de ajuda.

É amor que precisamos ter e praticar. Nossas vidas devem ser reflexo da glória e do caráter do Senhor, em todos os sentidos.

Pense em como o Pai tem nos tratado ao longo dos anos, Ele nos renova com Sua misericórdia e bençãos. O Senhor nos dá tudo quanto precisamos e não cobra preço por isso. Na verdade Ele pagou um alto preço por nós, com Seu sangue. E Ele o fez de graça, sem interesse algum, incondicional. Sua única vontade é ver uma coisa, algo que por opção Ele não controla… um gesto, uma expressão, um sentimento, uma atitude de: redenção, voluntária redenção.

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24 Almeida Atualizada).

Dentro da gaiola

por Luiz Henrique Matos

Shake e Micci dividem o mesmo quintal há anos. Dois cachorros, uma amizade sincera, um senso de proteção de pai para filho (do primeiro para o segundo). Shake é muito esperto, apesar de vira-lata, é também um cão de guarda legítimo. Quando jovem matava gatos, ratos, pombas e tudo quanto quisesse invadir seu território. Às vezes o soltávamos, saía então pelo bairro por algumas horas e voltava sozinho para casa. Já o Micci… bem o Micci. Um mestiço de Husky Siberiano, bonitinho, meigo, engraçado, mas digamos que tem um QI um tanto baixo. Andei pesquisando, o Husky Siberiano está na 45ª posição no ranking de inteligência das raças caninas.

Ao contrário de Shake, que passeava pelas ruas do bairro e voltava horas depois descansado e feliz, quando abríamos o portão para o Micci dando-lhe enfim a liberdade que reclamara com seus latidos ardidos, ele parava no limite da porta, exatamente na fronteira entre a garagem e a rua, avançava com a cabeça para o lado de fora e latia, só latia. Seu território era sua segurança, ele não ousava avançar, tinha medo. Seria uma versão canina do que os psicólogos chamam de “zona de conforto”. Não adiantava insistir, o portão podia ficar escancarado o dia todo e ele não saía.

Soube que o mesmo fato acontece com as formigas. Lembro-me de um amigo de infância ter contado que se for traçado um circulo ao redor daquelas coisinhas, elas não conseguem sair do espaço delimitado, andando de um limite a outro.

O fato é curioso, porque motivo essas coisas acontecem? De certa forma é natural, são seres irracionais. O estranho é pensar que nós, seres humanos, dotados de inteligência, criatividade e raciocínio passamos boa parte de nossas vidas tal qual o Micci e as formigas do meu vizinho, vivendo livres mas sem saber disso. Passamos anos dentro de uma garagem aberta ou de um círculo ilusório, mas não somos capazes de enxergar que a porta estava destrancada.

“Assim diz o Senhor: ‘No tempo favorável eu lhe responderei, e no dia da salvação eu o ajudarei; eu o guardarei e farei que você seja uma aliança para o povo, para restaurar a terra e distribuir suas propriedades abandonadas, para dizer aos cativos: Saiam, e àqueles que estão nas trevas: Apareçam! Eles se apascentarão junto aos caminhos e acharão pastagem em toda colina estéril’” (Isaías 49:8-9).

Quando morreu, Jesus libertou não um ou dois indivíduos, mas toda a raça humana desde Adão até os o fim dos tempos, sabe-se lá daqui quantos anos. Com seu sacrifício Ele tirou de nós a culpa do crime pelo qual havíamos sido condenados, o pecado. Na ressurreição, Ele abriu as cadeias onde estávamos presos e nos fez livres do inferno. Nosso futuro era claro, quer dizer, muito escuro, eram trevas, cinzas e fogo. Mas quando morreu, o Senhor nos comprou, abriu os cadeados e fechaduras que mantinham a humanidade cativa e no momento em que percebemos isso e reconhecemos então o nosso Salvador, saímos da cela para trilhar o caminho da liberdade em Sua direção.

Mas é triste pensar que passamos tantos anos de nossas vidas lamentando o sofrimento em que vivíamos, sem saber que a porta estava aberta. E igualmente, tantas pessoas nesse planeta ainda vivem sob a mesma cegueira, foram salvas da condenação, mas estão passivas na escravidão mentirosa que Satanás sopra em seus ouvidos e insistem no autoflagelo do sofrimento.

Pois bem, um dia alguém tomou essa iniciativa. Um dia você foi avisado que a porta estava destrancada (seja por um pastor, um amigo, uma música, livro ou a Bíblia). Se você então ama seu próximo como ama a si mesmo, então faça a ele o melhor que foi feito a você até hoje: anuncie-lhe a salvação por Cristo Jesus.

E anunciar o evangelho não é só abrir a boca e tagarelar sobre Jesus ao primeiro coitado que lhe aparecer pela frente. Saiba que Deus já tem um plano. Quando sonhou com sua vida, Ele pensou na sua essência e no dom que tem para você: pregar, tocar um instrumento, ajudar no templo, dar alimento aos pobres, desenhar, escrever. Seja qual for, o objetivo desse “presente” é servi-Lo, adora-Lo alcançando vidas que Ele ama e nós também devemos amar.

Existem pessoas, criadas à semelhança de Deus, sentindo-se presas como animais irracionais e nós estamos aqui, sentados nos bancos de nossas igrejas, cheios de palavras, intenções e idéias, mas efetivamente temos feito o quê? Não somos super-heróis, santos e cheios de poder, Jesus sim, é o Salvador, Santo e Onipotente, que com um gesto nos salvou.

Nós somos dEle, somos a voz no silêncio deprimente, somos os ex-detentos que devem entrar na prisão escura com uma lâmpada, pisar na lama, estender as mãos e ajudar os que estão cegos a enxergar a Verdade exposta à sua frente.

“A prisão foi abalada, e suas portas abertas, mas, a menos que saiamos de nossas celas e sigamos em direção à luz da liberdade, ainda permanecemos sem verdadeira remissão” (Donald Bloesch).

A diferença

por Luiz Henrique Matos

Os deuses do mundo são os que esperam sacrifícios de seus seguidores.

O Deus eterno sacrificou a Si mesmo em nosso favor, para mostrar que antes de nossa devoção, Ele nos amou.

O incrédulo sente-se em um barco à deriva, sem rumo, destino ou futuro.

O crente navega pela tempestade seguro de que o Senhor controla os ventos a seu favor e caminha sobre as águas em sua direção lhe convidando à vitória no sobrenatural.

O coração do homem é corrupto e condena ao mínimo erro de seu próximo.

O coração de Deus é puro e perdoa Sua criação ao mínimo sinal de arrependimento, buscando a ovelha perdida ainda que essa caminhe distante de todo o rebanho.

O caminho do pecado é largo, belo e oferece prazeres, mas conduz seus peregrinos à morte.

O caminho de Deus é estreito, cheio de espinhos e provações, mas a luz que ilumina o fim da trilha é a glória da vida eterna.

A morte espiritual no pecado é o sinal do inferno, a voz diabólica da acusação, opressão e provocação maligna.

A vida em Cristo Jesus é o milagre da cruz, a esperança pela fé na promessa, no porvir e na voz da Soberania Divina que exclama dos céus: Esse é meu Filho amado em quem me comprazo!

O poder da Palavra

por Luiz Henrique Matos

“Então, os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam” (Marcos 16:20).

Os sinais que a acompanham. Interessante, os sinais não seguem com os homens, tão pouco com suas atitudes ou vontades, os sinais não vêm sozinhos. Mas a Bíblia diz que eles acompanham a Palavra do Senhor. Deus Pai optou por não falar ao mundo com Sua voz estrondosa e trovejante. Deus Filho viveu entre nós, falou conosco durante apenas 33 anos, e libertação, cura e ressurreição acompanhavam Seu caminhar (afinal, Ele é o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus viva). E o Deus Consolador habita em nosso meio, mais especificamente em nossos corações eternamente.

Mas nos das de hoje, a voz de Deus no mundo não sai de Sua boca, mas é colocada por Ele em nós. Somos os instrumentos escolhidos por Ele para disseminar Sua vontade e pregar a mensagem da Verdade.

E como homens, somos tão ávidos em ver os tais sinais e maravilhas, em vislumbrar os milagres, em presenciar o sobre-humano e esquecemos que a única forma de isso ter de fato uma ação concreta e gerar frutos é por meio do plantio. Ao semear o poder de Deus presente nas Escrituras, vemos o Seu agir e mais importante, experimentamos em nós, um pouco da satisfação do Pai ao ver Seus filhos andando no caminho que Ele escolheu.

“Pregue sempre o evangelho, quando necessário use palavras” (São Francisco de Assis).

A quem enviarei?

por Luiz Henrique Matos

“Envia-me a mim” disse Isaías ao Senhor, quando perguntou aos Seus anjos quem iria por Ele. E Isaías foi, profetizou e anunciou o Reino e Jesus ao povo de Israel (Isaías 6).

“Envia-me a mim” ofereceu-Se Jesus ao Pai, quando dos altos arquitetou o plano de salvação de Sua criação. Então Jesus veio, fez-se homem entre nós, viveu, morreu, ressuscitou par anos libertar e não nos deixou sós (1 João 4:14).

“Envia-me a mim” lembrou o Espírito Santo a Jesus, quando o Messias subiu ao céu após a Sua morte. O Espírito Santo desceu sobre os filhos de Deus e passou a habitar em todos os que crêem no sacrifício da cruz (Atos 2).

“Envia-me a mim” dizemos nós, domingo após domingo em nossas orações e cânticos. Mas não convictos de que como Isaías, Jesus ou o Espírito de Deus temos cumprido com nosso papel de seguir os planos do Pai para nós, individualmente. E se oramos, devemos estar certos de que Ele nos ouve e aguarda o momento exato para nos dar Sua resposta.

– Pai, envia-me a mim.

– Filho, “ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. E estes sinais hão de seguir os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e quando beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal algum; imporão as mãos sobre enfermos, e os curarão” (Marcos 16:15-18).

Sem começo, meio ou fim

por Luiz Henrique Matos

Sempre gostei de ler. Desde a infância meus pais sempre incentivaram a mim e meus irmãos a cultivar esse hábito. No começo eram livros só com figuras, pinturas e ilustrações auto-explicativas. Depois esses deram espaço a uma ou duas frases por página e a medida que os anos passavam (ou eu subia um grau na minha carreira escolar) o espaço para os desenhos iam ficando cada vez menores e as letras diminuíam em tamanho, cresciam em espaço e não satisfeitas tornavam os livros cada vez mais grossos.

As letras sempre foram o meu esconderijo secreto. Os momentos em que estou sozinho, alheio ao mundo e focado em um único ponto. Minha cabeça pára de girar, os relatórios atrasados, dores de cabeça e avenidas entupidas deixam-me por um instante e permitem que eu me concentre em uma coisa apenas: a história contada.

Há alguns anos descobri as Escrituras Sagradas, ou melhor, com o perdão da palavra, creio que foram elas que me descobriram. Palavras de consolo, de ânimo, histórias reais de vida, de morte e até de ressurreição. Aventuras, poesias, história, geografia, romances, ilustrações. Palavras de vida, palavras vivas. Eternas e ternas. A cada leitura uma experiência e um crescimento. Não é bem a voz de um homem que ali se encontra, mas dentre tantos relatos, histórias e pontos de vista, posso encontrar a influência de um só Autor, inspirando Seus instrumentos a registrarem Sua verdade.

Cuidadosamente, Ele preparou tudo muito antes de acontecer, deu o grito de largada e assistiu o desenrolar dos fatos. Amparou os tropeços arrependidos, castigou a arrogância destemida, viu Seus filhos crescerem em estatura, graça e sabedoria. Por cerca de 1.600 anos providenciou que essas palavras fossem registradas, por – estima-se – 42 homens diferentes em momentos e lugares igualmente distintos. E apesar de tantos probabilidades de erros e contradições, essas palavras se confirmam e completam em harmonia incomparável.

Doce como o mel, luz para o meu caminho, lâmpada para os meus pés, fonte de sabedoria, verdade cortante, espada, Palavra de Deus.

Hoje, quase 2.000 anos depois do ponto final desses relatos, mesmo que os leia de uma ponta a outra, percebo que esses livros envolvem de forma especial e de fato, me tornam um homem ao mesmo tempo mais forte e inocente, um filho liberto e igualmente dependente, vazio de mim mesmo e cheio de Sua inspiração. E ao contrário das leituras em que me embrenhei a.C. (antes de Cristo em mim), a Palavra do Senhor não tem um ponto final, ela é realmente viva, tal como seu grande Autor que continua a falar, falar e falar a quem quer que Lhe consulte.

Está com sede?

por Luiz Henrique Matos

A oração

Oi Mestre, tudo na Paz? Estava pensando em Você. Pensando nos tempos em que esteve aqui em nosso meio como Homem, pisando o mesmo chão, caminhando sob o mesmo sol, conversando face a face com Seus filhos, bebendo da mesma água, sentando à mesma mesa, navegando pelos mares e desfrutando o prazer de sentir a brisa suave tocando o Seu rosto.

Conheço e leio a respeito do quanto sofreu por mim e por todos os homens dessa terra. A cada dia me sinto tanto mais tocado pelo Seu martírio, arrependido pelos motivos em que tudo aconteceu e agradeço de coração pelo que fez. O Senhor sabe que diariamente nos falamos e nesses momentos tenho o privilégio de Lhe declarar meu amor, que pessoalmente, pretenderia fazer em todo o instante com meus gestos, falas e pensamentos, mas é difííícil.

Seu sofrimento, meus irmãos e eu conhecemos há tempos (tanto que muitas vezes até somos frios com relação a isso). Sua ressurreição também é muito clara e de fato cremos nela. Mas por esses dias refleti sobre algo um tanto diferente: tenho desejado estar mais ao Seu lado. Eu falo fisicamente, junto, assim como dois grandes chapas, como Pai e filho, unha e carne.

De verdade, não quero que caminhe comigo. Mas quero eu caminhar Contigo, seguir os Seus passos e não os meus. Quero andar como Sua sombra.

Desejo tanto ter estado ao Seu lado enquanto caminhou neste mundo. Ver Lázaro ser ressuscitado, recostar minha cabeça sobre Seu peito durante a ceia, ungir Sua cabeça com o óleo, estar ao Seu lado naquela sala quando desceu um cara doente pelo teto da casa, vê-Lo pregar no templo e expulsar aqueles hipócritas que desonraram a casa do Pai com o comércio ali dentro. Tenho o desejo de ter vivido nessa época e estar ao Seu lado enquanto seguia para a cruz e ali, aos Seus pés, mais uma vez Lhe dizer o quanto esse amor é fundamental em minha vida.

Ah Jesus, são tantas histórias que leio nas Escrituras, e pensar que muitas outras nem foram contadas. Dormir sob o mesmo teto, comer dos cinco pães multiplicados, orar junto com o Senhor em uma vigília no monte, espera-Lo voltar do deserto enquanto derrotava Satanás e ouvir as novidades.

Eu não tenho cabelos cumpridos como os galileus ou as mulheres, mas seria um prazer ajoelhar-me para secar-Lhe os pés. Eu realmente não sou digno disso, mas viver ao Seu lado nesses tempos me seria uma honra.

Creio que nesse momento posso compreender Suas palavras àquela samaritana e confesso, tenho sede profunda em ser preenchido com as águas vivas e adora-Lo não pelo que fez, mas pelo que é.

A revelação

Filho, Minha graça seja contigo! Tem sido uma aventura agradável lhe ensinar Meus caminhos. Estive nessa terra por um tempo breve, só para cumprir esse propósito que você disse já conhecer e mostrar-lhe um pouco do Meu amor.

João escreveu bem quando registrou que muitos outros feitos foram realizados e não caberiam naquele livro se tivessem sido relatados, mas creio sinceramente que os que ali estão bastam para que conheça exatamente o que Eu espero de você, Meu discípulo.

Saiba que as experiências de Lázaro, Maria, João e tantos outros são testemunhos do Meu amor e vontade a todos os que em Mim depositar sua fé. Mas tenho para todos os Meus filhos planos tão maiores e grandiosos.

Querido, nas Escrituras já lhe disse que todos os seus dias foram planejados por Mim e não por acaso te fiz nascer nesses tempos. E se o fiz, é porque Meus sonhos para sua vida e minha unção sobre você foram programados para tocar essa geração e não quando estive aqui, como você tem desejado.

Como já disse a Filipe, eu vivi, morri, ressuscitei e subi ao céu. Mas Minha primeira providência foi enviar sobre todos os Meus, o amado Espírito Santo para habitar não seu lado, mas dentro de você. Eu, como pessoa, não estou mais por aí, mas Minha divindade, poder, sentimentos, amor e vida (que é o que importa) moram em seu coração.

Você não pôde estar comigo há dois mil anos, mas pelo que fiz na cruz, hoje pode sentir a todo instante o Meu toque, algo que nenhum dos que estiveram ali puderam ter.

João Batista batizava com água. Eu, porém, batizo com o Espírito Santo a todos os que vêem a Mim com o coração quebrantado, crente e disposto. E sobre os que desejam mais, derramo sim rios de águas vivas. Como eu mesmo disse à samaritana que você citou: “No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São esses os adoradores que o Pai procura” (João 4:23).

Se você quer mais é só pedir, Eu estou aqui.

Criminoso confesso

por Luiz Henrique Matos

Por um instante, imagine-se há 1.971 anos em Jerusalém. Você está em meio a uma multidão de homens, mulheres e crianças, judeus e curiosos, moradores e turistas. Tudo acontece durante o período da festa da Páscoa e a cidade está cheia de gente, vindos de todas as partes do país. Há poucos minutos você viu um tumulto e entrou para ver do que se tratava.

Veja então Jesus. Ele está ali, no topo daquela escadaria, diante de Pôncio Pilatos. Depois de passar a madrugada sendo espancado e julgado pelos líderes judeus Ele volta até Pilatos, o então governador romano em Jerusalém. Só os romanos tinham autoridade para condenar alguém à morte e caberia àquele homem dar seu ultimato a respeito do líder rebelde que se dizia Filho de Deus, sobre quem os judeus pediam tal pena. Em uma tentativa frustrada, pediu ao povo que escolhesse por libertar entre Jesus e Barrabás, um famoso criminoso, e o povo optou pelo segundo. Noutro momento, espancou a Cristo como manda a tradição romana para ver se isso era suficiente para saciar aquela sede de sangue, mas ainda assim não os satisfez. Agora aquele homem não tinha opções. Em seu apelo derradeiro perguntava: “O que eu faço com esse, que se diz Rei dos Judeus?”

E você está ali, no meio daquele povo. Vendo aquele homem que se diz Deus sangrar como um cordeiro sacrificado diante de um altar. Nenhum milagre aparente, nenhum trovejar nos céus, nada sobrenatural que pudesse testificar aquele judeu como o Senhor. Afinal, como poderia Deus cambalear dessa forma? Como poderia o Messias nascer em um lugar miserável como a Galiléia? Como poderia o Cordeiro ser filho do carpinteiro? Ele só pode estar blasfemando.

Pilatos então faz sua pergunta, ao que você, envolvido pela multidão exclama: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Você ainda pode ver o governador romano consentir aos seus soldados que conduzam Jesus ao sacrifício. Eles colocam aquela cruz sobre Suas costas e Ele caminha até o Gólgota, onde é pregado naquele madeiro e exposto a todos até que morra.

Qual é a sua reação ao assistir a carnificina? Naquele tempo, talvez nenhuma. Esse tipo de morte era comum à época. Era de fato, divertido, ver um bandido ser morto. Cuspir nele, atirar pedras e rir de sua humilhação durante a “via crucis” fazia parte do espetáculo. Mas Ele era um bandido?

Você não tem mesmo dúvidas, Ele não pode ser Deus. Se é mesmo o Messias, porque não desce da cruz e salva a si mesmo e a todos? Porque então ao invés de nascer naquela manjedoura em Belém, não rasgou os céus e desceu montado em um cavalo branco? Seria muito mais nítido compreender dessa forma. Ao contrário, Ele apareceu na cidade dias atrás, montado sim, mas sobre um jumento!

Em pé, parado, aos pés da cruz, você contempla o sangue jorrar do corpo deformado daquele homem que há alguns dias pregava com ousadia no templo e tempos atrás foi aclamado por curar cegos, paralíticos e até ressuscitar mortos. Sua cruz está no centro, à direita há um ladrão gritando esbravejante, à esquerda um outro que Lhe fala algumas palavras e ouve Seu sussurrar como resposta. O que Ele diz? Porque não grita xingando àqueles que o chamavam de mestre e seguiam como discípulos?

Mas você só assiste. Assiste até que vê Sua cabeça erguer-se com dificuldade, Seus olhos abrirem-se com tanto esforço e focarem nos seus. Sim, Ele está olhando para você. Um calor toma conta do seu corpo, parece que você não tem mais controle sobre si, há um sentimento de medo mas imediatamente é substituído pela segurança de uma mão que te sustenta.

Ele te vê e você não consegue desviar. Não há ódio, mágoa ou rancor em Seu olhar. Ao contrário, há um amor inexplicável. Você então sente-se como se não tivesse controle algum, começa a chorar e ver os pregos que O sustentam na cruz, as marcas da tortura, os cravos fincados em Sua cabeça, a dificuldade em respirar. Você já não tem mais dúvidas, todos erraram. Foi você. Sim, foi você quem há algumas horas duvidou e gritou: “Crucifica-o!”

* * *

Por sorte – você pensa agora – eu não estava ali há tantos séculos. Nasci há algumas décadas e nada sei sobre o que aconteceu naquele dia. Sei que Jesus me salvou e ponto.

Mas o que as Escrituras dizem é um tanto diferente. Jesus entregou-se voluntariamente, é fato. Ele nasceu com o propósito de morrer, ressuscitar e com isso, lhe dar a salvação sobre os pecados e a vida eterna ao Seu lado. Mas… porquê Ele precisou morrer?

Porque você o matou.

Não exatamente com suas mãos, armas ou com seu grito, mas esse crime foi cometido em seu coração. Tão pouco o fez com ódio ou raiva intencionais, mas por negligência e teimosia em achar que sozinho, veja só, seria capaz de conduzir sua vida.

Quando sonha em ser independente do Pai, quando os desejos são maiores do que a obediência, a razão maior do que a fé, o egoísmo maior do que o amor, o pecado maior do que a santidade. É nesses momentos que uma voz interior exclama: “Crucifica-o!”

Não foram judeus, não foram romanos, não foram homens. Não foi a carne, sangue ou qualquer obra material, foi o pecado, o mal uso do livre-arbítrio, a rebeldia humana que afastaram Deus.

Sente-se culpado? Algum remorso? Pois Ele não quer que Lhe sejam pedidas desculpas, mas ao contrário, Ele anseia por um convite. Ele não quer ter razão, quer derramar amor. Ele não quer um trono para ser rei, quer reinar em Sua casa, o lugar que escolheu: o seu coração.

O fruto do ódio humano foi o amor paternal. O resultado de Sua prisão, foi a sua liberdade. O peso da cruz sobre Seus ombros, foi para aliviar o fardo sobre os seus. A razão de Sua morte, era gerar vida.

“Pai, perdoa-lhes”, foi Seu pedido enquanto sofria. Assim é Deus, Misericordioso e Soberano. Não há atitude humana, que mude Seu amor, seja para menos ou para mais. Ele te ama de forma igual e eterna. E Ele mesmo consola o que chama de Seu quando esse coloca-se aos Seus pés clamando:

– Pai, me perdoe, eu pequei contra Ti.

“Espírito Santo Consolador, desça sobre ele”, é Sua promessa sendo cumprida, para que mesmo não podendo vê-Lo, você possa senti-Lo habitando dentro de seu coração para todo o sempre.

É verdade, segui-Lo vale qualquer preço e ama-Lo deve ser seu maior esforço. É preciso então prosseguir na certeza de que, por mais distante que você esteja, Ele nunca se afasta. Por mais longe você vá ou fundo que venha a cair, o caminho de volta é sempre perto e instantâneo, porque Sua mão está estendida para te resgatar. Agarre-a.

O rei Davi, você e Saddam Hussein

por Luiz Henrique Matos

Orar para ter sorte e proteção do céu, ler a Bíblia de manhã como um horóscopo para ver o que Deus diz, esperar a “revelação profética” de um “irmão ungido” para decidir o futuro, carregar uma Bíblia na bolsa para ficar protegido do diabo, gritar enquanto ora para ver se Deus ouve melhor, recitar versículos de “vitória” como mantras para se guardar, ambicionar “cargos” dentro da igreja, ler Salmos e Provérbios porque “falam” mais… Quantas bobagens. E saber que isso em nada difere das práticas ocultistas que são tantas vezes condenadas nas escrituras e nas congregações. Mas infelizmente fazem parte da realidade de nossa igreja.

“Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio” (Apocalipse 2:4-5a NVI).

Penosamente, por conseqüência da cultura firmada em misticismos e da miscigenação religiosa que temos no Brasil, ao nos convertermos trazemos para o cristianismo vícios que não são verdadeiros a ele. Por isso, precisamos conhecer a base de nossa fé para que não sejamos enganados por essas mentiras de Satanás dentro de nossas próprias comunidades.

“O Espírito da verdade. O mundo não pode recebe-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e está em vocês” (João 14:17).

Deus vive em nós. A partir do momento em que olhamos para a vida de Jesus e acreditamos que Ele nasceu, morreu e ressuscitou para nos salvar, o Espírito Santo de Deus passa a habitar em nós. Isso é o sinal da salvação que temos no Senhor.

O poder que vemos manifesto através de outras pessoas na igreja, os dons do Espírito Santo sendo realizados, Suas curas, revelações, milagres, sinais e maravilhas, profecias, o orar em línguas estranhas. Tudo isso, sem o verdadeiro conhecimento de seu propósito pode levar o povo de Deus a tirar conclusões erradas sobre o agir sobrenatural e o pior, ter isso como verdade e conduzir sua vida espiritual sobre detalhes tão pequenos diante da grandeza de Seu Provedor.

“Se você acha que a educação custa caro, tente a ignorância” (Berek Bok). “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” (Salmo 119:105).

Um irmão ser usado com dons de Deus não é nenhum sinal de status ou algo diferente que ele tenha e qualquer outro cristão não. A Bíblia já diz, os dons são do Espírito Santo e não dos homens (leia atentamente 1 Coríntios 12, 13 e 14). Esse agir que vemos, é a vontade de Deus sendo realizada por meio daqueles que se dispõem a viver em intimidade, obediência e submissão aos Seus preceitos.

Como ter uma vida assim? Buscando a Deus.

O Senhor não faz distinção de Sua criação. Ele ama da mesma forma George W. Bush e Saddam Hussein, mas vemos pelos frutos que o contrário não parece ser verdadeiro. E igualmente aos dois anteriores, Ele amou Abraão e amou Davi e vimos na história que houve um sentimento recíproco nessa relação, o primeiro foi por Ele chamado de amigo e do segundo foi dito ter um coração segundo o Seu. Da mesma forma Ele ama a mim e a você. E como tem sido nosso relacionamento com Ele?

Deus fala com quem fala com Ele. Ele age através daqueles que se dispõem a ser instrumentos em Suas mãos. Ele responde aos que Lhe perguntam. Dá aos que Lhe pedem. E dEle, só dEle é a glória por tudo isso. Não devemos tentar ter glória no lugar de Deus, esse foi o pecado de Satanás.

As escrituras descrevem cada mandamento que devemos seguir e cada pecado que devemos evitar. Citam as conseqüências da obediência e da desobediência também. Nela lemos quais são os frutos do Espírito Santo e os frutos carne. Ali vemos exemplos de homens que viveram em intimidade com o Senhor e outros que perderam suas vidas justamente porque O negaram.

A Bíblia em si, como livro, não é nada se através dela não tivermos a revelação de Deus. E só conhecemos a Deus se temos amor por Ele e pelo que nos deixou como herança. Nossa riqueza é Jesus. Assim, só chegamos à plenitude em Deus, por meio dEle mesmo.

Deus nos criou à Sua semelhança e Ele nos conhece mais do que nós. Ele tem intimidade conosco, porque sonda o nosso interior, nos julga pelos nossos pensamentos e nos vê pelo que somos e não pelo que aparentamos. Mas nós temos intimidade com Ele? Um relacionamento envolve sempre duas pessoas e o problema é que na maior parte das vezes temos os nossos olhos focados só na criatura (nós) e não no Criador (Deus).

Pois esse é o princípio da adoração: Deus.

E saiba que o Senhor tem sentimentos a seu respeito, Ele tem ouvido tudo o que você lhe diz, mas também tem muito a dizer. Aprenda a ouvi-Lo. Para isso é necessário conhecer o Seu caráter, Seus sonhos, Sua vontade, Seu coração e Sua voz. Voz que, as escrituras dizem, é como de muitas águas, que pode soar como um trovão, que algumas vezes veio diretamente do céu e em outras da boca de um anjo ou profeta. Mas essa voz hoje, dirigida a você, tem um som doce e agradável, que fala no íntimo e diz sempre antes de tudo: “Meu filho, eu te amo”.

O que você vai responder?

Casados para sempre

por Luiz Henrique Matos

Aquele corredor nunca pareceu tão longo, o tapete estendido entre os bancos, a porta dos fundos fechada e todas aquelas pessoas olhando para trás. A expectativa coletiva, o frio na barriga dos convidados à postos. E ali na frente, o noivo em pé, olhando para o horizonte vazio à espera de sua amada que prometera não se atrasar.

Cada minuto lhe parecem horas. Há tempo para pensar em todos os momentos juntos até ali. Como em um filme, um flashback lhe surge à mente recordando cada detalhe dessa história. O dia em que se conheceram, os dois corações pareciam bater no mesmo ritmo, freqüência e intensidade. Os olhares. O amor apaixonado do começo há alguns anos, o frio na barriga dos primeiros momentos, a vontade de agradar com pequenas surpresas e presentes. Os carinhos. O toque de mãos e dedos entrelaçados como uma força única que parecia uni-los infinitamente. As longas noites de conversas. A amizade íntima e sincera, em que mesmo o silêncio, já dizia muito.

Ele lembra do dia do noivado. Ali eles fizeram seu pacto, a primeira aliança, o compromisso e intenção de estarem juntos para toda a eternidade. O desejo declarado diante de todos a respeito do relacionamento e família que desejam constituir. Os frutos de um amor verdadeiro que viriam.

É certo que tiveram dificuldades. A traição dela no princípio, a inconstância em seus sentimentos… como lhe doeram! Mas ele, mais do que ninguém, sabia de sua promessa e perseverou. Poucos entendiam o quanto sofreu e lutou por esse amor. Foi ao fundo do poço, mas reergueu-se para salvar seu relacionamento. Hoje, sequer lembra-se do que aconteceu, “está no profundo mar do esquecimento” diz ele cheio de perdão.

Mas chegou a hora. Depois de tantos preparativos e conversas, esse é o momento tão esperado. O noivo apaixonado, confiante em seus sentimentos, sorri por dentro e por fora enquanto aguarda sua amada. Estão ali as testemunhas comprovando a união, toda a família, os sacerdotes e os anjos que começam a tocar seus instrumentos celestiais naquela marcha de núpcias e louvor.

Ao que abre-se a porta e ela vem, caminhando em passos firmes, com vestes brancas e resplandecentes. Diante do altar se encontram, ele levanta o véu que cobre seu rosto e podem ver-se face a face, relembram então as palavras e momentos daquela união, trocam as alianças, abraçam-se e celebram: casados para sempre!

E certamente, sabemos, eles viverão juntos para todo o sempre. Na saúde e na saúde, na alegria e na alegria. Um laço eterno e maravilhoso que a morte nunca separará. O Noivo vem para buscar Sua noiva e cumprir a promessa que fizera quando se conheceram: “Eu voltarei” (João 14:3).

Essa é a promessa: tão certa quanto Sua criação e existência, Ele conduzirá os passos de Sua amada noiva, a igreja, arrependida, limpa e consagrada ao paraíso que lhe fora dedicado desde o princípio. Estejamos prontos.

“Regozijemo-nos, alegremo-nos e demos-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se arrumou'” (Apocalipse 19:6-7b). “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo’” (Mateus 25:34).

A razão do ser

por Luiz Henrique Matos

Creio que um dia, no alto de Sua glória, Deus teve um sonho. Ele pensou e sorriu, olhou então para o universo vazio e disse: vou criar o homem.

Mas porquê? Qual o motivo dEle ter nos criado? Um universo tão extenso, um mundo tão grande, cheio de perfeições e seres magníficos, o céu, os mares, a terra… tudo isso como um lar para Adão, Eva e sua descendência até nós! Quando Deus criou o homem, Ele tinha um plano perfeito em Seu coração. E esse plano deu seqüência à criação de toda a humanidade, habitando em um mundo sem maldade, sem pecado, incorruptível, abundante de Seu amor. Ele planejou, esculpiu Sua obra de arte e deixou gravado nas escrituras a Sua satisfação quando declara: “E viu Deus que isso era bom” (Gênesis 1:10, 12, 18, 21 e 25).

Infelizmente o homem fugiu desse propósito, cedendo à tentação do pecado e comendo do fruto proibido. E mesmo diante do pecado de Adão e toda a conseqüência de erros e desonras de Seu povo através das gerações, como prova de Sua promessa, Ele não desistiu. Ainda assim Ele amou. Ele viu Suas ovelhas seguindo para a morte e isso Lhe era doloroso demais. E para nossa redenção, fez-se homem entre nós. Viveu sem pecado, anunciou o Reino e voluntariamente foi sacrificado como preço pago para nossa salvação e remissão de nossos pecados. E desde então, estamos novamente limpos para cumprir os sonhos de Deus para nós.

Quando Deus sonhou com o homem, Ele quis ser conhecido entre todos. Nosso Deus é soberano e poderia reinar e falar com Sua criação como bem entendesse, pessoalmente, por sinais, sonhos. Mas não, Ele desejou que o homem fosse o reflexo de Sua glória nessa terra. “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). O Pai não nos criou somente para adora-Lo e servi-Lo, os anjos já o fazem com excelência. Ele sonhou com uma família, que vivesse e refletisse Sua santidade, Sua beleza, Seu amor.

No livro de Êxodo há um momento em que Moisés pergunta o nome de Deus, ao que Ele diz: “Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Êxodo 3:14) e mais adiante “Falou mais Deus a Moisés, e disse-lhe: Eu sou Jeová” (Êxodo 6:2). A pronúncia para a expressão “Eu sou” em hebraico é Jehovah (ou, como conhecemos, Jeová). Também daí vem a composição do nome de Jesus Cristo. “Jesus” quer dizer “Jehovah reina sobre nós” e “Cristo”, vem do grego Christós que quer dizer: “o que foi ungido”. No Evangelho segundo João, vemos a narrativa de quando Jesus está no templo, os fariseus começam a questiona-Lo e em meio ao diálogo o Senhor lhes diz: “Então Jesus disse: ‘Quando vocês levantarem o Filho do homem, saberão que Eu Sou'” (8:28a) e continua “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (8:58). Vemos então que desde o princípio o Filho de Deus esteve ao Seu lado, participando da nossa criação. Jesus foi o Deus Homem, viveu aqui como o exemplo físico e concreto do que o Senhor quer que sejamos.

Somos parecidos com Deus quando estamos limpos do pecado, quando temos comunhão com Ele em oração, quando O amamos e buscamos acima de todas as coisas. Fomos criados à semelhança de Deus porque Ele quis assim. E ao Seu povo, Ele deixou instruções claras de como realizar o sonho dEle.

Deus nos diz: “Sejam como Eu Sou”.

Marketing do Senhor?

por Luiz Henrique Matos

Você sabe o que é marketing? Segundo Philip Kotler (o cara mais entendido nesse assunto) “Marketing é a atividade dirigida para a satisfação das necessidades e desejos, através dos processos de troca”.

Analisando friamente, vemos que Jesus foi um ótimo marqueteiro. Não no sentido negativo da palavra mas no aspecto conceitual mesmo. Seguindo a definição de Kotler, sabemos que Ele satisfaz plenamente nossas necessidades e desejos. E só pede em troca que sejamos fiéis a Sua Palavra. E convenhamos, não existe “consumidor de Deus” que esteja insatisfeito com os “serviços prestados”.

E a nós, igreja do Senhor, não tem nada de errado usar o marketing e as ferramentas da administração em favor do Reino. Comunidades cristãs em todo o mundo já tem programas de televisão, rádios, websites na internet, divulgação de CDs em revistas, malas diretas, e-mails de divulgação. E isso não é de hoje, veja por exemplo os Gideões Internacionais, há anos eles deixam amostras de Novo Testamento em qualquer canto que se vá, com o objetivo claro de expor a Palavra de Deus a todos. Deus deu inteligência e conhecimento ao homem para que esse faça uso dela em um bom propósito. É verdade que tudo desse mundo tem seu mal uso, mas isso não significa que pertençam a Satanás, significa sim, que são usados por ele em outras áreas.

Em nossos dias, uma grande ferramenta de marketing que temos em nossas mãos é um filme. É natural que pela superexposição na mídia (lembram do e-mail da semana retrasada?) falemos de “A Paixão de Cristo”, no cinema há algum tempo, ainda está bem fresco em nossas conversas e é especulado por muitos como “a melhor ferramenta de evangelização em dois mil anos”.

É fato que esse filme não é exatamente a Bíblia e nem se compara a uma experiência verdadeira com o Senhor. Portanto, não podemos usa-lo livremente como único argumento na tentativa de converter uma vida. A semente a ser plantada sempre foi e continua sendo a Palavra de Deus e quem a semeia é o Espírito Santo. Mas isso não quer dizer que devemos descartar um meio valioso que temos em mãos. Afinal, de cinema todo mundo gosta, de ir a igreja, só crente mesmo. Então, para onde é mais fácil levar um amigo?

Para se ter uma idéia do barulho que a fita tem feito, basta entrar em qualquer portal evangélico na internet. Bem ou mal, todos falam algo sobre o filme (a expressão “A Paixão de Cristo” traz 53.000 resultados no site de busca Google). Olhe então para sua caixa de e-mails, com certeza algum texto evangelístico, uma apresentação em powerpoint ou notícia já devem ter aparecido. Nas igrejas, os pastores falam sobre o filme. Em algumas cidades do mundo, congregações fecharam salas exclusivamente para exibição aos seus membros.

Como não era de se impressionar, os grandes estúdios de cinema norte-americanos já começaram a encomendar histórias com o mesmo perfil “religioso” para serem filmadas. Junto com o filme, crescem também em vendas os livros, cds, filmes e todo material que trate sobre a morte de Cristo.

Também no meio secular, o assunto ganhou destaque em espaços, digamos, valiosos em se tratando de divulgação. A revista Time, trouxe na capa de uma de suas edições uma chamada para a matéria que debate o motivo da morte de Jesus. O jornal francês Le Monde, diz que o filme provoca fundamentalismo entre cristãos. No Brasil, a Editora Abril dedicou a capa de três revistas no mesmo mês para o assunto, além das inúmeras matérias no interior de outras publicações e a Editora Globo colocou na primeira página de sua principal revista (Época), uma reportagem sobre o filme. Na Folha de São Paulo e outros grandes diários do mundo todo, várias notas sobre o tema. Enfim, toda a mídia tem dado destaque ao assunto, eu creio que não é por interesse ou sede do Senhor, mas porque isso dá audiência e audiência gera publicidade, que traz dinheiro para o caixa.

Em marketing, damos a esse efeito o nome de Mídia Expontânea, ou seja, divulga-se o nome do produto em um meio confiável e de credibilidade, sem que seja necessário desembolsar dinheiro para isso. Há também um outro conceito aplicado a tudo isso, chamado Marketing Viral, ou o famoso “boca-a-boca”. Todo cristão promove o filme, todo judeu critica, todo mundo comenta alguma coisa para se fazer de entendido e isso naturalmente desperta a curiosidade humana em torno do assunto.

E justamente sobre isso está a oportunidade que temos. Não é exatamente sobre o filme, mas pela curiosidade que as pessoas ficam em saber do que tanta gente tem falado. Com isso, nossos pastores e mestres recebem convites para esclarecer e debater o assunto em canais de audiência que não se conseguiria normalmente. O filme ajuda muito, mais ainda por contar com tanto primor e emoção uma história como a de Cristo.

Mas devemos ter consciência de que essa “onda” do Mel Gibson vai passar, outros assuntos polêmicos surgirão e na velocidade em que gira a informação no mundo globalizado em que vivemos, não dá para crer que em um ou dois anos, ainda se ganhe alguma notícia falando de “A Paixão de Cristo”.

E o que nós, filhos dEle, podemos fazer aqui embaixo para ajudar a manter o assunto na boca (e no coração) do povo? Usar as mesmas ferramentas, fazer o marketing, divulgar as escrituras, dar produtos cristãos, ou seja, levar sempre adiante o ensinamento do Senhor. Devemos sempre lembrar que se hoje a história de Cristo é viva e permanece íntegra, é porque nosso Deus soberano usou ferramentas de divulgação (homens de Seu povo) para manter acessa a chama de Jesus. E como se acende uma chama? Com fogo, assim como se acende uma vela, que ilumina um ambiente escuro.

Quando imitamos e vivemos segundo o caráter do Mestre, somos efetivamente “a luz” deste mundo e estamos fazendo o que Ele nos ensinou: brilhar onde quer que estejamos. E se somos luz do mundo e sal da terra, não há filme, religião, opinião ou jornal que bloqueie o interesse das pessoas pelo responsável por tudo isso. Aquele quem tem Jesus, de seu interior fluem rios de águas vivas.

Três momentos na cruz

por Luiz Henrique Matos

O culto, literalmente, fervia. Um sol de trinta e tantos graus aquecia o teto e o ambiente daquele templo improvisado em um salão aberto nas laterais. O lugar era lindo, um sítio cheio de gramas, plantas, patos, galinhas e outros animais. A ocasião muito peculiar, um acampamento de verão daquela igreja local. Mas o fervor também acontecia pelo ambiente expontâneo de adoração naquela reunião. Todos envoltos em paixão, ligados e derramados em amor pelo Senhor e recebendo o melhor dEle em suas vidas.

Um grupo de irmãos foi chamado pela mulher que ministrava aquela reunião para orar por outras pessoas. Fui levado pelo Espírito Santo a orar por um amigo que estava ali e tive uma revelação sobre a vida dele. As palavras de Deus para aquele irmão, me marcaram e tenho certeza, estarão comigo para o resto de minha caminhada nessa terra.

O Senhor lhe dizia: “Filho, olhe para a cruz. Eu me lembrei de você quando estava ali“.

Ato 1: Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que estão fazendo (Lucas 23:34 NVI)

Essa mensagem não foi só para ele. Tenho certeza de que ali, voluntariamente pendurado naquele madeiro, o Nazareno pensou em cada um de nós… seu sacrifício maior não foram as chibatadas, os cuspes, chutes, os cravos ou os pregos que Seu corpo sentiu. Sua dor maior foi ter sobre Si, o meu pecado e o seu. E o que até hoje não posso compreender, é que ali, Ele conseguiu nos amar e perdoar. Ele pensa em nós. Ele morre por nós.

Ato 2: Está consumado! (João 19:30 NVI)

Dói muito pensar em nossos pecados, cada um deles, é constrangedor. Pequenos delitos, momentos de descuido. Ao lembrar do sacrifício do Senhor e sua agonia, aquelas lágrimas e o sangue vertidos… aqueles pregos, a dor! Cada pecado rasga um pouco mais o corpo do Deus homem. Cada ofensa o faz agonizar um tanto mais em tristeza. Mas agora, existe um fato maravilhoso, Sua morte e dor nos libertaram do pecado, da doença, do inferno. Tudo foi apagado e lavado pelo Seu santo sangue. Ele chora por nós. Ele nos ama.

Ato 3: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito (Lucas 23:46 NVI)

Três dias se passaram, Seu corpo sumiu do sepulcro. Surge em seguida com a boa notícia da ressurreição. Seu convite é para que pensemos nEle, não como um mártir, mas como Deus. Ele morreu, mas Sua vitória efetiva está na vida, quando esmagou Satanás e libertou Sua criação para a eternidade. Jesus não está na cruz, Ele não está morto. E essa é toda a razão pela qual vivemos. Em Cristo, temos vitória, amor, perdão, paz, consolo… em Cristo, temos uma vida terna, vida eterna. Ele vence por nós. Ele vive para nós.

Atos: E o que temos feito por Ele?

Pensar nEle. Morrer por Ele. Chorar diante dEle. Ama-Lo. Vencer nEle. Viver para Ele… E então, depois disso, você e eu temos o privilégio de ser por Ele chamados filhos!

Olhe para a cruz. Ele pensou em você ali.

O que os olhos vêem e o coração sente

por Luiz Henrique Matos

Recentemente li um artigo em que o autor fazia uma afirmação bem óbvia mas ao mesmo tempo muito válida, dizendo algo como: “você fala e vive aquilo a que está exposto, se você assiste à noticiários o dia todo, falará sobre notícias, se trabalha com jardinagem, falará de plantas”. E assim por diante.

No mundo em que vivemos, é muito mais fácil aceitarmos o que lançam aos nossos olhos, do que buscar a verdade que nos move. Daí a grande influência da televisão, da bebida, da moda, das drogas, do crime… do pecado. O inferno trabalha intensamente para colocar em nosso caminho tudo o que lhe interessa. Quando passamos por exemplo, diante de uma banca de jornais, o que vemos de imediato? Nudez, violência, corrupção, fofoca… É sempre mais fácil que nossos pensamentos estejam ligados à situações pecaminosas e como conseqüência disso, nossas vidas se preenchem dos frutos da carne (Gálatas 5:19-21) que no exemplo citado acima são: prostituição, luxúria, ira, mentira, maledicência e tantos outros.

Não estou dizendo que devemos rejeitar as informações e atualidades para nos apegarmos a um exagerado fanatismo religioso. Isso é inconcebível. Estamos inseridos em tantas coisas como o mercado de trabalho, política, os interesses de nossas comunidades, estudos, além de toda a movimentação social ao nosso redor e saber o que acontece é uma necessidade. Mas o fato é que precisamos colocar como centro para nossas vidas, um ponto de partida em que todo o nosso caminhar saia desse princípio: Deus. A pergunta é: o que vivemos, na maior parte do tempo, agrada o coração do Senhor?

Jesus falou: “No mundo passareis por aflições, mas não temam, eu venci o mundo” (João 16:33). Isso quer dizer que em qualquer situação que estejamos, se estamos nEle não temos o que temer, pois somos antecipadamente vencedores.

Quando confrontados pelo maligno, expostos às suas vontades e setas, devemos vestir os “óculos de Deus” para enxergar a circunstância a partir do Seu ponto de vista. E o ponto de vista do Pai nós só sabemos quando o conhecemos intimamente. E intimidade nós obtemos perseverando em oração, leitura da Bíblia e comunhão na igreja. O convite hoje é que juntos, como Corpo, nos unamos em ter Jesus Cristo como prioridade em nossas vidas e dessa forma, passar a partilhar Aquele que ocupa mais espaço em nosso tempo.

Ervas daninhas

por Luiz Henrique Matos

Elas crescem nas terras mais saudáveis, alastram-se de forma oculta, disseminam-se pelas plantas a ponto de estragarem toda a colheita e só são notadas quando sua condição sobre o território já é devastadora. O terror dos cultivadores, as pragas, também chamadas de Ervas daninhas. São na verdade as doenças, tumores malignos corpos saudáveis. E como toda moléstia, faz-se necessária a prevenção, o cuidado e a vigilância.

Pragas… são nossos “pecadinhos” que lentamente corrompem algum ponto em nossas vidas e começam a imobilizar a saúde de nosso espírito. É a pequena brecha que abrimos na janela e resulta na invasão daquele que entra com o objetivo único de roubar, matar e destruir.

Ervas daninhas… são os principados, potestades e espíritos malignos que nos atacam. Mascarados em coisas mínimas, disfarçados de igrejas cristãs, sob a máscara de uma profecia. Heresias. João nos diz: “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo” (I João 4:1). Daí a importância em conhecer com excelência a Palavra de Deus e tê-la como espada para combater o maligno.

Conhecer a Bíblia é conhecer a Jesus e o crescimento dessa relação é gradativo. Lemos no Evangelho de João que “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus” (João 1:1). Jesus é a Palavra. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14:6). Logo a Palavra também é o Caminho, a Verdade e a Vida. Portanto, se desejamos conhecer mais sobre Jesus, devemos ler o que Ele é. E a Palavra de Deus é a Bíblia, que é a personalidade, a vontade e o caráter de Cristo.

Na Bíblia entendemos a vontade de Deus para o Seu povo e através dela crescemos em sabedoria para julgar os espíritos e discernir entre as bênçãos de Deus e os dardos de Satanás. Quando o Senhor foi tentado no deserto (Lucas 4:1-13), Satanás não o atacou com desejos carnais, ele usou versículos da Bíblia para tentar induzi-lo ao pecado (lembrando que apesar de citar trechos bíblicos, ele os usou de forma distorcida e mentirosa). Mas Jesus Cristo derrubou o ataque maligno com a Verdade, pura verdade.

“Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15).

Assim nós, conhecendo a verdade presente na Bíblia, devemos nos firmar nEle e usa-la para os propósitos de Deus: crescimento, revelação, intimidade, vida. Então, estaremos livres de pragas e desastres em nossas terras, teremos plantações saudáveis, poderemos semear vida e colher os frutos do Espírito, que nos alimenta, nos sacia, nos fortalece. O que plantarmos, isso colheremos.

“Vocês os reconhecerão por seus frutos. Poderia alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?” (Mateus 7:16).

Próxima parada

por Luiz Henrique Matos

São pouco mais de seis horas da manhã, seus olhos ainda lutam contra a claridade do dia, sua língua ainda sente o paladar misto do café com o hortelã do creme dental, seu corpo ainda habitua-se às poucas horas em que está em pé e apesar disso, João caminha pela estreita viela em direção à avenida no fim da rua. Ele dobra a esquina e de longe enxerga o ponto de ônibus, como sempre, lotado.

O excesso de gente já não é novidade, o mesmo ocorre todos os dias. A cada trinta minutos (quando não há greve), a condução pára e toda a multidão se acotovela para passar ao mesmo tempo por aquela pequena porta. O prêmio da disputa é valioso, um espaço sentado em um dos poucos e desconfortáveis bancos do ônibus. João como sempre, chega atrasado, entra por último e viaja em pé até o ponto final da linha, próximo ao seu trabalho.

No longo percurso, João tem muito tempo para pensar na vida, cochilar um pouco, ler dia após dia o mesmo capítulo daquele pequeno e surrado Novo Testamento (que ganhou de sua noiva e guarda no bolso da camisa – “Traz proteção”, afirma ele), embalar novamente ao chacoalhar do trânsito para dormir mais um pouco e… capoft! acordar pouco depois de perder o equilíbrio e cair esparramado por conta da brusca freada do veículo. “Ô motorista, préstenção!” balbucia ele antes de levantar, bater a sujeira e se acomodar novamente.

Parece um tanto curioso, mas aquela vemos que aquela massa (ônibus + passageiros) está em movimento enquanto os passageiros estão parados. Quando então o veículo pára bruscamente, percebemos a ação de um efeito da física chamado “inércia”: o tombo do João. Ele caiu justamente porque seu corpo (que já estava parado) se opôs ao movimento do ônibus (que corria mas parou de repente).

Inércia: 1. Falta de ação, de atividade; letargia, torpor. 2. Indolência; preguiça. 3. Resistência que todos os corpos materiais opõem à modificação do seu estado de movimento. 4. Resistência à mudança. (Dicionário Aurélio).

João e sua vergonhosa queda, somos tantos de nós, vivendo em nossas congregações e seguindo uma rotina acomodada. Tomamos o ônibus da religião, montamos no lombo da igreja e vamos de carona, em uma vida de tradições e aparências. “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (I Coríntios 10:12).

Mas uma hora o ônibus freia… e no que temos sido inertes?

“Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta.” (Tiago 2:26). As obras, a que Tiago refere-se não são as atividades que desenvolvemos dentro da igreja ou o bem estar social ao qual despendemos tempo, ele está falando de ação. A fé é a força que nos faz caminhar. Sem a “obra” nós temos essa força mas não caminhamos, estamos parados.

“Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil? Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar?” (Tiago 2:20-21).

Deus quer nos fazer viver em milagres e ele nos convida a caminhar sobre as águas em sua direção, mas antes nós devemos sair do barco e dar o primeiro passo (Mateus 14:27-29). Não vamos subir em um veículo confortável e deixar “a vida” nos levar. Antes porém, caminhemos com fé na direção de nosso propósito: a salvação em Jesus Cristo.

“Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.” (I Coríntios 9:25-27).

A patrulha celestial

por Luiz Henrique Matos

Tomado de assalto

Vivendo em uma grande metrópole como São Paulo é (ironicamente) natural que todo cidadão tenha lá sua experiência pessoal com essa violência quase epidêmica que nos acomete. E como todo cidadão que se preze, faço parte dessa nada agradável estatística.

Aos 11 anos. À tarde, em um fliperama perto de minha escola ginasial. Com alguns amigos eu passeava por aquele lugar, procurando a máquina certa onde investir minha ficha e gozar de alguns minutos de diversões eletrônicas. Cinqüenta centavos, esse era o valor desses minutos. Cinqüenta centavos, o exato valor que aquele outro garoto, dois palmos mais alto, pressionava-me a lhe entregar. Eu cedi. Cedi e horas depois me culpei por não ter revidado com os golpes ninjas que eu com certa dificuldade aprendera a manusear no vídeo-game.

Aos 14 anos. À noite, dentro de um ônibus no centro de São Paulo. Eu seguia com meu tio e um amigo seu para um show de rock n’ roll na cidade. No trajeto, o veículo parou e nesse momento eu senti uma mão subtrair de minha cabeça o boné que antes ela ostentava. Importado, com o logotipo dos X-Men bordado, presente de aniversário da minha tia. O rapaz (imagino) enfiou a mão pela janela e puxou o boné. O ônibus seguiu seu destino, eu também, mas o boné ficou.

Última segunda-feira. Fim de tarde, saindo do trabalho. Deixei o escritório e caminhava até a rua onde costumo estacionar meu carro. Dobrei a esquina e o vi ali parado, sujo como sempre, embaixo de uma árvore e com o pisca-alerta ligado. Espere, pisca-alerta ligado? Inocente, cheguei a pensar que circulei com aquele carro por quatro anos sem saber que ele tinha um alarme. Segui até ele, abri a porta e me deparei com o painel violado. Levaram meu cd-player. O indivíduo extraiu a fechadura ao lado do passageiro, fez o seu trabalho cuidadosamente e ligou o pisca-alerta só para festejar a conquista. Triste, foi presente de Natal de minha esposa três anos atrás.

Hoje exerço o aprendizado cristão. Nenhuma mágoa ou rancor. Estou no mundo e sujeito às suas aflições (João 16:33).

O grande seqüestro

Não soube ao certo quanto tempo durou. Sei que só aos vinte anos fui descobrir que estava naquele cativeiro. Para ser sincero, já havia me acostumado. Via o mundo por aquela janelinha, dormia e sonhava tão mal, comia aquela refeição barata e pensava ser aquilo o meu alimento.

Então, um dia, eu vi aquela mão estendida. Era um convite, eu sei, mas convite para quê? Um mundo diferente, novo, cheio daquela luz ofuscando minha vista. Eu não queria isso, estava tudo bem.

Liberdade? Uma nova vida? Entrar pela porta estreita? Viver como quem sonha? Alimento sólido e espiritual? Apagar o meu passado…

Essa era sua oferta bizarra e eu a experimentei. E gostei. Cheguei a compara-la com os “baratos” vendidos por aquele traficante do colégio, mas foi diferente. A sensação era maravilhosa, melhor do que qualquer droga. E era de graça. Era na verdade, a Graça.

E eu só sabia chorar.

Seu poder me deu liberdade, me tirou daquela prisão e quando enfim pude contemplar minha situação, clamei: “Oh Deus, me sinto na lama!” E mesmo sujo, pude sentir seu afago, seu toque, sua voz doce me dizendo: “Venha como você está. Eu te limpo. Você agora é meu. Filho!”. Com passos trêmulos eu fui, desci às águas e renasci. Limpo e novo.

O Salvador

Pude ler, em certa ocasião, suas palavras dizendo: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir” (João 10:10a). Roubar-nos a inocência infantil, seqüestrar o pensamento e até quando conseguir, induzir nossos passos a trilharem o caminho da morte.

Aprendi que ele, o bandido, ambicionou ser como Deus, independente daquele Reino. Foi expulso dos céus, com um terço dos anjos que seguiram sua mentira. Reinou pois, neste mundo, plantando o pecado na criação de Deus, o coração do primeiro homem, Adão.

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Romanos 5:19).

Então o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Nasceu, viveu, pregou, chorou, sofreu, morreu e ressuscitou. E em toda sua vida, cumpriu o plano perfeito e com sua morte, concretizou a estratégia divina, colocando Satanás no subterrâneo, embaixo dos céus e sob nossos pés.

Cristo veio para nos fazer livres, nos tornar filhos e tirar-nos do caminho criminoso do diabo. Foi Jesus quem nos livrou dos “pequenos” assaltos que ele promoveu em nossa santidade, nos levando a pecar. Foi Jesus que nos libertou do cativeiro escuro e nos revelou seu amor incondicional, constrangedor e misericordioso. E ainda hoje Ele faz tudo isso.

Satanás reinou neste mundo, mas Deus amou o mundo. Amou tanto que enviou seu Filho para que pelo mundo morresse e cada um que aqui viesse a nascer, o fizesse como filho e herdeiro de sua maravilhosa promessa: a vida eterna!

Não ponha o dedo na tomada!

por Luiz Henrique Matos

Quantas vezes? Quantas vezes não nos deparamos com essa frase? Desde pequenos quando somos o alvo direto dessa exclamação até adultos, quando do outro lado, somos os exclamadores. Em minha ignorância, confesso, não sei porque aqueles buraquinhos na parede exercem tanta atração aos olhos e dedinhos minúsculos dos bebês. Invariavelmente, a voz paterna é ignorada, o dedo fura-bolo-indicador cutuca aquele pequeno orifício (que até brilha no escuro!) e brzzzz! o choque doloroso e assustador faz aquele “serzinho” derramar-se em lágrimas.

Não ponha o dedo na tomada! É o que nosso Pai diz muitas vezes na Bíblia. Essa bronca está disfarçada em passagens, histórias, versículos e mandamentos. Deus nos diz isso com seus próprios lábios ou através de seus servos. Temos livre acesso às escrituras e cada palavra ali impressa expressa a vontade manifesta do Senhor.

O escritor norte-americano Charles Swindoll disse certa vez que a melhor maneira de demostramos a Deus o nosso amor é pela obediência. Obediência àquilo que nos parece mais difícil do que ceder às tentações do pecado e nos esbaldar nos prazeres infernais de nossa carne. E obedecê-lo implica em seguir o que diz a Bíblia.

E finalmente, a Bíblia nos diz que devemos obedecer a autoridade do Senhor: “Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer “ (Tiago 1:25). Ele é o nosso Deus Criador, Salvador e Consolador e por isso, devemos a Ele o nosso compromisso, devoção e obediência. Jesus é o nosso melhor exemplo e quando o fez, pretendia nos estimular a um comportamento idêntico e formar uma família exemplar: “Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12:50).

Temos também que obedecer as autoridades instituídas por Deus nessa terra: “Disse-lhe, então, Pilatos: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar? Respondeu-lhe Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fora dado” (João 19:10-11a). E pensar que o próprio Deus morreu submisso a autoridade de um homem cujo poder havida sido dado por Ele! O autor do livro de Hebreus resume a atitude de Cristo: “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu” (Hebreus 5:8). Toda autoridade nessa terra foi levantada por Deus e se o Senhor os pôs em tal condição, por amor a Ele devemos obedece-las, assim como a Ele, independente de gostarmos ou não de suas regras.

Obediência requer submissão e isso é muito difícil, doloroso e vai contra esse nosso impulso humano de auto-suficiência. Mas se queremos a vontade de Deus em nós, devemos nos humilhar e lembrar sempre que somos apenas criação e sonho de Seu coração. E antes de tomar decisões racionais e humanas, é necessário trazer à memória o alerta Paterno e sua expressão mista de amor e repreensão, com o dedo indicador levantado e sua voz dizendo “Tsc… nãnãninanão! Eu já te falei, não faça isso!”.

“Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada” (João 14:23).

PS: Outros versículos sobre o assunto que valem a leitura: João 15:10, Josué 1:8, Mateus 7:21, Êxodo 19:5, Deuteronômio 5:29, 1 Reis 3:14, Mateus 7:24, Mateus 22:21 e Romanos 5:19.

Maranata!

por Luiz Henrique Matos

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Traga refrigério para essa terra,
Tome tua igreja para sempre,
E leve-nos para casa.

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Conduza tua noiva ao altar santo,
Permita-nos louva-lo eternamente,
E diante de ti contemplar tua face.

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Queremos sentir o teu abraço,
Voltar ao paraíso,
E não ver pecado em qualquer parte.

Maranata! Vem Senhor Jesus!
Queremos nos prostrar diante de tua glória,
Entrar na sala do trono,
E como os anjos te exaltar: Santo! Santo! Santo!

Meu Deus, eu sou teu

por Luiz Henrique Matos

Por onde anda o meu Senhor?
Busco, procuro, me sinto um tanto só.
Onde está o Rei dos reis?
Em meu coração quero senti-lo.

Não foi tu quem se ausentou,
Eu sei, fui eu que abandonei minha morada,
Tua morada.
Meu coração é o teu reino, ó Deus!

E mesmo só em meus sentimentos
Sei que teus pés estão sobre a terra,
Teus olhos sondam o meu interior
E tua presença me invade com poder.

Então eu clamo: voe livre Espírito Santo!
E encha minha vida com tua santidade.
Então eu chamo: venha Espírito de Deus!
E conduza os passos desse teu servo.

Minha vida está em tuas mãos,
Como águia subo em tua direção
E contigo sempre estarei, eternamente.
Amém!

Uma fogueira embaixo d’água

por Luiz Henrique Matos

“Acende o fogo em mim…” a música tocava no rádio enquanto eu dirigia de volta para casa. Um dia típico em que São Paulo faz jus à sua fama. Muita garoa, céu cinzento e um congestionamento que põe em prova a paciência de qualquer cristão.

A música, confesso, não surtia efeito em meu pensamento que vagava longe, depois das oito horas de batente em uma sexta-feira. Liguei o “piloto automático” e seguia de volta para casa em meu 1.0.

Subi então um viaduto e enquanto repetia-se o verso da música, cheguei ao ponto alto daquela pista e lá no fundo uma nuvem era atravessada por um persistente raio de Sol, formando um tímido arco-íris.

Gosto de contemplar a criação de Deus. A igreja em que minha esposa e eu somos membros fica no sudoeste do estado e enquanto trilhamos os quase trezentos quilômetros de nossa casa até lá, é visível nas paisagens naturais, a obra do Senhor que cresce com Sua autorização e providencia formando florestas, com a combinação tão majestosa do verde e seus vivos tons.

Quantas vezes já não vi um arco-íris? Centenas, eu sei. Mas é uma agradável surpresa presenciar um milagre em meio à selva de pedras da capital e esse tão lamentável amontoado de cinza com suas gélidas variações.

“Estabeleço convosco a minha aliança: Não mais será destruído tudo o que tem vida pelas águas do dilúvio; não haverá mais dilúvio para destruir a terra. E disse Deus: Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, por gerações perpétuas: O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver uma aliança entre mim e a terra. Sempre que eu trouxer nuvens sobre a terra, e aparecer o arco nas nuvens, eu me lembrarei da minha aliança, que está entre mim e vós e todos os seres viventes de toda a carne. As águas não se tornarão ais dilúvio para destruir tudo o que tem vida” (Gênesis 9:11-15).

Obrigado Senhor! Estamos em 2004 d.C., até onde sei a declaração de Deus a Noé em Gênesis aconteceu há alguns milhões de anos e ainda assim, Sua aliança é real, intensa e fixa diante de meus olhos. Sob a gélida chuva que cai, eu não resisto e meu espírito declara: “Eu me rendo… vem Senhor, acende seu fogo em mim!”

Um coração dedicado

por Luiz Henrique Matos

“E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mateus 22:37).

Nesses versículos o Senhor Jesus no ensina em poucas palavras toda a razão e motivação de nossas vidas. Mas como posso adorar a Deus com todo meu coração se não posso vê-lo? Não consigo medir a amplitude de sua majestade, seu poder… como compreender com minha ignorância humana a verdade sobre onipresença, onipotência ou onisciência. Como pode isso acontecer? Sou tão pequeno.

Eu não sei o tamanho de Deus, o pouco que consigo visualizar de meu Senhor é pela vivência que tenho tido nesses tempos em que me lancei em seus braços. Deus! Isso é grande demais para mim. De certa forma, tento ‘enquadrar’ Deus através do que ele fez EM minha vida (a transformação de meu caráter) e PELA minha vida (sua morte em eu lugar). E ‘só’ por conta disso, tenho uma vaga idéia do que é amar verdadeiramente. Não pelo que sinto por ele, mas pelo que ele sente por mim. E cada experiência dessas me soa como encontrar uma pequena peça de um quebra-cabeças infinito mas que revela um pouco de sua glória, mesmo sabendo que só terei essa experiência quando estiver ao seu lado, lá em ‘riba’.

“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I João 4:20). Isso é um exercício para o meu comportamento. Se quero ama-lo, preciso amar tudo o que ele fez, principalmente aquelas ‘cascas de ferida’ que aparecem em nossas vidas.

Pense em uma pessoa que ama muito, talvez sua esposa, filhos, pais, amigos, não importa. Mas lembre especificamente no que você procura fazer para mostrar a eles o seu amor. Em geral procuramos declarar nosso sentimento através de palavras, cartas, presentes, surpresas, mas sabemos que o amor verdadeiro não é refletido somente por pequenos gestos (isso é conseqüência do que sentimento), ele é mostrado, ele é visível em nossos gestos, olhares, preocupações, agrados, compadecimento… quando amamos alguém, queremos estar mais ao seu lado.

Isso também deve ser aplicado em nosso relacionamento com Deus. Não podemos comprar o seu amor, salvação e misericórdia. Ele já me amou, salvou e perdoou antes de eu saber (só precisava ver isso).

E o que posso fazer para mostrar meu amor àquele que deve sê-lo acima de tudo e todos?

Podemos usar palavras (orando), cartas (textos e cânticos), presentes (ofertas), mas isso não tem “efeito” algum se antes, o nosso coração não arde em paixão por Jesus. Devemos sim, mostrar nosso amor verdadeiro ao Pai, com nossos gestos. Amamos a Deus quando temos prazer em estar com ele, quando nossas atitudes tem o propósito de fazê-lo feliz, quando nos preocupamos em saber se ele gosta de nossas ações e em procuramos acima de tudo o desejo do seu coração para nós.

Agradamos ao Pai com sussurros, com louvor, com uma ‘oração surpresa’ em um momento qualquer (fora da igreja e de ‘esquemas’ que criamos para o devocional, nós temos o Espírito Santo em todo o tempo, dentro de nós!), quando amamos e cuidamos da sua criação (nosso próximo), resistimos à tentação de pecar e rejeitamos as coisas ‘do mundo’ e priorizamos as de Deus. Nesses momentos imagino que o Pai, lá de cima, olha e diz: “Esse é o meu garoto… ê filhão!”.

Queremos mesmo estar cada vez mais “ao lado” de nosso amado? E o que fazemos para declarar esse amor?

Existe um texto na Bíblia, muito usado em casamentos e aconselhamento de casais. São os versos de Paulo em I Coríntios 13, que falam sobre o amor. Vou transcrever um trecho abaixo, mas tente aplica-los em sua vida espiritual, tomando como base os dois versículos que estão no começo dessa mensagem (o primeiro mandamento de Jesus).

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Coríntios 13:1-8).

Essa é a melhor descrição do que é o amor que pode haver em qualquer livro. Esse amor que buscamos sentir pelo nosso próximo, é o amor que Deus também sente por nós. E quando reconhecemos o amor infinito e incondicional de nosso Deus, deixamos de lado a religiosidade, a vergonha, o preconceito, o pecado e lembramos que esse ‘relacionamento’ tem duas pontas, dois corações ligados em um sentimento comum e maravilhoso: o nosso coração com o coração do Pai. A partir de então, estamos vazios de nós mesmos para sermos preenchidos pelo seu Espírito Santo, com nossos corações abertos a recebê-lo e dispostos a ama-lo com todo nosso entendimento.

“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:19-24).

Antes de tudo, ame a Deus. Jesus disse: “a hora vem, e agora é”. Ele é digno e merecedor do melhor que temos. Quem ama dá o melhor de si para o seu amado. Devemos dar o nosso melhor para Deus. Seja dançando, dando brados de júbilo, saltos, canções, orações, línguas, ou então, de forma intimista, silenciosa, sentado e tranquilo. Afinal, quem disse que a adoração está no gesto? Deus não quer os nossos gestos, ele quer o nosso coração!.

O importante é que seja sempre o melhor, amor verdadeiro, devoto, entre filho e Pai. Assim como você e eu, Deus também tem o “jeito” especial dele com cada um de nós. Ele nos fez, diferentes uns dos outros, de maneira individual e única, do modo como ele se agrada em nos ver, com um propósito maravilhoso.

Se estamos realmente preocupados em agradar o coração daquele que nos amou primeiro, precisamos buscar primeiramente a sua vontade. Como o nosso Amado gosta de ser tratado? Ele deixou tudo escrito, em um “bilhetinho” de mil e tantas páginas, chamado de Livro Sagrado.

“No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez” (Gênesis 5:1b).

Discípulos!

por Luiz Henrique Matos

Em alguns momentos tento pensar como um ateu. Não que eu tenha alguma tendência a isso, tenho na verdade curiosidade em enxergar a vida e todas as circunstâncias que nos cercam partindo da ótica de alguém que não acredita em Deus. Como deve ser exercitar a consciência em busca de uma resposta racional para algo tão grandioso como a criação? Fico imaginando a nuvem negra que Satanás coloca diante dessas pessoas, não permitindo que vejam e sintam aquilo que habita dentro delas: o sopro da vida.

O mundo e tudo o que nele há, o firmamento, a natureza, o homem, pode-se realmente acreditar que tudo foi “auto-desenvolvido” de acordo com uma teoria evolucionista?

Confesso que por algum tempo, no princípio de minha conversão, minha grande luta espiritual era pender para a incredulidade. Tantos livros, tantas filosofias, idéias… me fizeram cego para por vezes imaginar que explicações humanas eram realmente mais fortes do que a afirmação e soberania divina (claro que eu não tinha essa conclusão naqueles momentos). Mas um dia Deus me levou a Hebreus 11:1 e 3:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê”.

E então, passei a entregar minha oração ao Senhor dizendo a Ele que não me importavam as teorias científicas, não eram provas racionais que me fariam crer, eu gostaria viver pela fé, crendo somente nele e tendo Jesus como meu Salvador. Depois disso pude sentir o “toque” do Espírito Santo sobre minha vida, passei a ter experiências íntimas com o Pai e viver sentindo sua presença em mim.

Pude contar com a misericórdia de Deus e hoje imagino sob essa ótica “racional” se Deus fosse realmente uma criação humana, como dizem os ateus, um mito inventado pelo homem pela necessidade de apegarmo-nos a algo sobrenatural, que nos livre do medo da morte e firme nossa vida em um sentimento de esperança.

Vemos em nossos dias um número cada vez maior de pessoas apegando-se a religiões distintas como espiritismo, candomblé, budismo, islamismo, etc. Pessoas buscando de alguma forma uma “fonte” espiritual que supra suas necessidades, que preencha o vazio que tornou-se sua vida. E a religião a que se apegam não se firma apenas em denominações, há outros tantos que buscam suprir essa carência nas drogas, cristais, luzes, aromas, bares, festas, orgias, jogos, ou seja, todo e qualquer vício que lhes encubra ou disfarce a falta que lhes faz aquilo que não sabem que tem.

E essa carência que todos nós temos é de ninguém mais do que Jesus. Ele é a Verdade, o Caminho e a Vida (João 14:16), é o poder capaz de nos preencher e de satisfazer todas as nossas necessidades. A única coisa de que realmente precisamos.

Nascemos com o sopro da vida em nossas narinas. Deus nos cria e enquanto vivemos como crianças somos inocentemente puros e perfeitos aos seus olhos. Mas crescemos e desviamos nossos passos do caminho traçado por ele para nós e quando tiramos Deus de nós, esse vazio não pode ser preenchido por outra coisa que não seja Ele mesmo. Esse espaço é “propriedade exclusiva do Senhor” (como dizem aqueles adesivos colados em carros) e esse espaço é o nosso coração – a única coisa que ele quer de nós.

Deus não quer nossos dons, não liga para nossa aparência, roupas novas, gel nos cabelos ou a chapinha feita antes dos cultos. O Senhor não quer saber se nós temos um português adequado, faculdade de teologia ou curso de oratória. Ele não quer de mim esse texto que você lê. Deus quer nossa dedicação, nosso amor, nossa entrega. Isso é a prova de nossa fé, nos entregarmos a ele, acreditando que Jesus é nosso único e ‘suficiente’ salvador.

Sabemos porém que o inimigo, com o objetivo de “matar, roubar e destruir”, trabalha intensamente procurando desviar o nosso entendimento da direção do caminho verdadeiro e nos apresenta essas “religiões” com seu propósito maligno.

E por amor a nós, o Senhor não interfere nessa jornada a menos que lhe peçamos isso. Deus não nos toma de maneira brusca, ele não faz em nosso lugar, ao contrário, ensina-nos a direção em que devemos caminhas. Nosso Pai quer que todos aprendamos a crescer como filhos e servos. Ele não quer nos ver sofrendo, ao contrário, ele quer nos ver amadurecendo, como um fruto planejado em seus sonhos e semeado em seu coração.

Para tanto ele levanta aqueles que já conhecem e estão conhecendo a Jesus para serem instrumentos limpos em suas mãos. Ferramentas dele para evangelizar, proclamar e levar o seu sonho aos povos, todos os povos.

Você e eu já temos essa consciência e sabemos o que as pessoas verdadeiramente tem buscado em suas práticas pagãs, mas estão cegas pela armadilha do diabo. E cabe a cada um de nós (não só um ou outro), obedecer à convocação de Jesus que nos disse “ide” (Marcos 16.15), mas também praticar seu santo mandamento que diz “ame-os como você ama a si mesmo” (Mateus 22.39).

E Deus nos capacita para esse chamado. Você tem um talento, um dom, uma vocação, derramada por Deus sobre sua vida, para ser um instrumento nas mãos dele. Ele quer usar os nossos lábios, nossos braços, nosso intelecto para seu louvor. É para isso que existimos, esse é o propósito da fé, não apensar tê-la para crer em Deus, mas que essa fé produza obras frutíferas para o reino: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2.26).

Nascemos para ‘adorar’ e ‘servir’ ao Deus vivo.

Vemos ultimamente que nossa geração tem sido tocada com um propósito de adoração muito forte. Em todos os países pode-se observar o surgimento de ministérios abençoados que chamam os filhos de Deus para buscar sua face e seu reino antes de tudo. Experiências novas, a plenitude do Espírito, isso é prova de um anseio que o povo de Deus tem tido pela sua presença, sede e fome por mais de dele, assim como Moisés que buscava incessantemente ver a face do Pai. Essas experiências nos preenchem de sua maravilhosa presença e fortalecem nossas vidas para a caminhada da fé. É o nosso relacionamento com o Senhor no aspecto da adoração.

Mas não podemos ser negligentes com o segundo ponto, o de servir a Deus. E servir a Deus não é somente estar dentro da igreja, cumprindo os protocolos e burocracias religiosas. Precisamos cumprir o mandamento de amar o nosso próximo (vamos deixar claro que o próximo não é só o nosso irmão em Cristo, mas toda a criação de Deus na Terra) e levar Jesus a todos os que não o conhecem, assim como alguém fez conosco um dia.

Suponha por um instante que você ainda não conheça a Jesus. Gostaria que algum amigo seu soubesse a Verdade e não a compartilhasse com você? È disso que Jesus fala. Se estamos dispostos a seguir o mandamento de Deus, devemos praticar o amor do Senhor.

E como podemos dizer que amamos alguém se não partilhamos com ele a coisa mais importante de nossas vidas?

Amar a Deus requer compromisso e obediência à sua palavra.

“Fiel é esta palavra: Se, pois, já morremos com ele, também com ele viveremos; se perseveramos, com ele também reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo. Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (II Timóteo 2:11-13 e 15).

“E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás por cima, e não por baixo; se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, para os guardar e cumprir, não te desviando de nenhuma das palavras que eu hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, e não andando após outros deuses, para os servires” (Deuteronômio 28:13-14).

Maravilhosa promessa

por Luiz Henrique Matos

Torturado, humilhado, como sofreu o meu Senhor!

Oh Mestre, sabes que eu nada sou, nada posso, nada tenho que me faça merecer seu perdão.

Meu Jesus, tu me sondas e conheces, é impossível para mim contemplar tão alto como tu.

A inescrutável decisão de descer do trono altíssimo para destronar o princípe do mal, quando os três magos puderam dizer: Nasceu! Jesus Cristo nasceu!

Me comprou, não com ouro ou prata, mas com sangue, seu santo sangue!

Tirou-me do inferno, resgatou-me da lama, tantas vezes quando nela me encharquei, abriu as portas da prisão, foi luz na minha escuridão.

Senhor, não há sofrimento que eu sinta que tu não tenhas passado, e vencido.

Nem mesmo a morte pode faze-lo calar e frear o poder que de ti emana e o faz cumprir a maravilhosa promessa que é minha esperança: Ressuscitou! Jesus ressuscitou!

Enviou teu Santo Espírito, soprando-o para que em mim vivesse Deus!

Neste mundo ao qual não pertenço, mas aqui habito para cumprir o teu querer, vivo a expectativa da promessa.

Sigo o caminho, aos tropeços e cambaleios, mas em ti firmo os meus olhos.

Senhor eu te amo e aos cantos faço ecoar minha voz, declarando: Voltará! Jesus voltará!