Sobre guerreiros e pigmeus

por Luiz Henrique Matos

(O texto abaixo tem como propósito ser uma analogia para a nossa postura dentro das comunidades e em nossa conduta cristã. Reconheço que pode soar um tanto preconceituoso quanto à questões físicas e étnicas de alguns povos, mas isso não condiz com a intenção real, que é sempre a de edificar a caminhada com Cristo – escrevo esse comentário depois do texto já divulgado em outros meios, obrigado ao Tonho pela observação).

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Alguém disse certa vez, talvez um professor, que existe uma razão para alguns homens serem mais altos do que outros, a exemplo de algumas tribos africanas onde chegam a medir quase dois metros em contraste a certas comunidades de pigmeus, também africanos, que mal chegam a um metro e trinta.

Conta a história que no tempo em que nossos ancestrais começaram sua peregrinação pelo mundo, o macho tinha por função sair diariamente para a caça e trazer para casa o alimento que supriria a necessidade de sua família (eram tempos em que as geladeiras não existiam). Nessa jornada errante, algumas tribos foram viver em desertos e grandes planícies (no exemplo acima, é o caso dos africanos) e outras firmaram suas moradias nas florestas (os pigmeus).

Segundo a (provável) teoria do (também provável) professor, a caminhada por grandes campos e planícies criou em alguns homens a necessidade de ampliar o seu campo de visão diante de um horizonte tão longínquo. Essa necessidade, ao longo de anos e anos, gerou homens com biotipos mais altos e reconhecidos como grandes guerreiros e caçadores. E muito disso é por conta de sua excelente capacidade de visão e pela estatura.

Quanto aos pigmeus, cresceram em meio às florestas. Esse “habitat” sempre os impediu de ver mais do que alguns metros adiante e sua necessidade de visão limitava-se aos espaços e detalhes que os cercavam. Diante de tal cenário, seu corpo nunca foi dos mais avantajados. Enxergavam muito bem no estreito ambiente à sua volta mas eram facilmente atacados pelas feras quando expostos a um campo muito grande. A tática para não serem devorados era abaixar e se esconder, afim de passarem desapercebidos.

Hoje, as nossas igrejas estão cheias de “pigmeus”. Crescemos dentro de pequenos espaços e nos limitamos a olhar para os empecilhos que nos cercam, as lutas particulares, as dificuldades em nossas comunidades e nos esquecemos da “visão de Reino” que o Jesus nos deixou como tarefa. Precisamos passar mais tempo no deserto, encarar a planície e compreender que fomos criados para enxergar a partir de uma visão alta e global. Assim como Deus.

Quando deixarmos de olhar para os obstáculos de baixo para cima e os observarmos de cima para baixo, compreenderemos que os problemas não são afinal tão grandes. No momento em que lembrarmos que o mundo não é constituído apenas pela pequena floresta em que habitamos e suas dificuldades rotineiras, mas é na verdade uma enorme massa em movimento, saberemos então que essas tribulações são ínfimas diante do “todo”, que devemos ser guerreiros preparados para as batalhas e que afinal de contas, a Terra é redonda e quanto mais altos formos, mais longe enxergaremos.

Então veremos um mundo realmente grande. Veremos nossos irmãos sendo perseguidos de um lado, veremos a igreja carente de outro, os povos sofrendo por toda a parte, a sede de Cristo vindo daqueles que nem ao menos sabem que Ele veio. Entenderemos a necessidade e o valor de nossa intercessão, aprenderemos que a Terra não se resume ao nosso umbigo e enfim teremos implícitos em nossos corações o verdadeiro significado de expressões como: servir, amar ao próximo e crescer… crescer para ver longe.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaías 55:8-9).

Não fomos concebidos para viver perdidos em meio à floresta, sem visão, tropeçando em qualquer pedra que cruze o nosso caminho e nos escondendo das feras. Mas fomos feitos à semelhança de Deus para crescer e ter visão… visão do alto, visão ampla e plena, conscientes e batalhando pelas bênçãos e promessas que Deus sonhou para nós, todos nós.

Retratos e semelhanças

por Luiz Henrique Matos

“A glória de Deus é um ser humano em plenitude de vida” (Ireneu).

Fico a pensar por quais ruas ele andou, que caminhos trilhou, que vida levou desde aquele dia, sentado no banco da praça, com seus vinte e poucos anos, protegendo sob sua guarda a noiva que ostenta nos braços. Sei, tão pura e simplesmente, que hoje aquele jovem transformou-se em um pequeno senhor de poucos cabelos brancos que chamo por “meu vô” desde que me entendo por gente. Mas vê-lo no retrato com possivelmente a minha idade, abraçado à minha avó e juntos, sentados no banco da praça no interior, remete a imaginação a tempos em que eu não vivia, tempos sem os dezessete filhos que ele viria a ter.

Hoje, conheço e admiro – ainda que à distância fria e desgarrada de um neto adulto – sua bondade simples sem interesses ou jogos. Um homem que separa um tanto do alimento em seu prato para satisfazer a fome curiosa dos pássaros no quintal, que toca todo e qualquer inseto porta a fora a fim de poupa-los da morte iminente de um pisotear inimigo. Incapaz de maltratar, matar, enganar, seu único esforço é lutar contra a regra que o obriga a tomar pontualmente os remédios para o coração. Coração tão bom em espírito e essência, mas doente em seu aspecto físico e na aparência.

O homem muda na medida que os anos passam. Diz a piada que na velhice, voltamos a ser como quando bebês: carecas e banguelas. Mas assim como os anos transformam nossa aparência, também interferem em nossas emoções, pontos de vista e caráter. Mudamos não apenas fisicamente, mas também em nosso interior.

Vendo a foto do jovem na parede eu não diria que aquele é o vô e tampouco poderia concluir algo a respeito de sua personalidade. O retrato na parede mostra a imagem, o exterior, a aparência. Mas o convívio da vida revela o coração, o interior e a essência.

“Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27).

Fomos planejados desde o princípio dos tempos pelo nosso Pai Criador. Antes de nascermos nesse mundo, fomos concebidos em Seu coração. Ali, Ele pensou em nossa aparência, nossa personalidade, nossos talentos, fez planos para nosso futuro e procurou neste planeta o casal com o código genético ideal para que pudéssemos existir.

Não tivemos escolha quanto isso, o maior e mais claro sinal de nossa insignificância global e dependência. Somos “apenas” Criação de Deus, formados para Sua glória e louvor. O nosso exterior Ele fez, entalhou como obra de arte, tomando como inspiração Sua própria imagem, fazendo de nós uma amostra refletida de Sua figura. E como estátua de barro esculpida e sem vida, soprou em nossas narinas o espírito e nos permitiu nascer, tal como quis, livres, inteligentes e… homens.

Concebidos à luz em alguma maternidade, viemos a este mundo. Ao longo dos anos aprendemos a falar, andar e pensar sozinhos, independentes de nossos pais e (infelizmente) independentes de nosso Pai.

Cada vez que caminhamos sem a orientação de Deus, seguimos justamente na direção contrária, estamos em pecado (“pecado” que originalmente no grego quer dizer “errar o alvo”) e longe de nosso verdadeiro abrigo que encontramos n’Ele.

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” (Jeremias 17:9).

Mas também disso Ele – onisciente – já sabia. E triste por nossa rebeldia, nos livrou dessa escravidão, lavando-nos novamente, dessa vez no doloroso derramar do precioso sangue de Seu Filho. E para que voltemos todos para casa, Ele pede: “nasça novamente” (João 3:3).

Nascemos uma primeira vez e à Sua imagem fomos criados, mas precisamos nascer novamente para à Sua semelhança ser moldados. Como o barro foi trabalhado e esculpido para chegar ao padrão de Sua arte prima como homem e receber o espírito da vida, Ele precisa entrar em nosso interior para, de dentro para fora, moldar o nosso coração em um modelo idêntico ao Seu. Temos a aparência de Deus e quando reconhecemos Seu sacrifício, começamos a ser transformados para ter também o Seu caráter, com o Espírito Santo habitando em nós.

Isso é conversão. Isso é uma nova vida em Cristo. Isso é ser… cristão.

Jesus diz: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Apocalipse 3:20). Se você algum dia abriu essa porta, sabe o quão gratificante é ter Deus vivendo dentro de si, mas ao mesmo tempo e sabe também o quão doloroso é quando Seus instrumentos nos entalham por dentro, removendo o que é desnecessário, para que alcancemos a forma madura e perfeita que Ele um dia sonhou. Mas se você nunca permitiu uma fresta para aceitar esse convite, aconselho que faça-o agora e então você viverá dias de consolo, plenitude e sacrifícios, que o conduzirão ao crescimento pleno, à eternidade e ao colo de um Deus que você pode chamar de Papai. A todos nós, um banquete nos aguarda.

Renascidos em Cristo, somos o reflexo de Sua glória. Barros mudados à Sua semelhança e Filhos moldados à Sua essência. Antes criação, agora família.

E nascendo de novo, concebidos à luz da vida, seguiremos para além deste mundo. Ao longo dos anos aprenderemos a falar, andar e pensar em comunhão com Seu Espírito, independentes de nossos interesses e (felizmente) diariamente dependentes de nosso Pai, refletindo a Sua glória.

“E nós, todos os que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2 Coríntios 3:18).

Aos olhos dos homens, dos anjos e do inferno, Seu Sebastião é aquele garoto da fotografia datada, conhecido pela aparência, trajes e traços. Uma imagem a ser julgada, ignorada e esquecida pois de fato, imagens não traduzem o coração. Aos olhos dos insetos e pássaros, é ele o bom velhinho que dá de comer, partilha o pão e protege dos perigosos predadores. O curioso é ver que pequenos seres irracionais o enxergam mais próximos do ponto de vista do Pai eterno do que os homens. Os insetos o vêem como é, pura e unicamente pelo transbordar de suas atitudes. Mas nós precisamos de um certificado eclesiástico, registrado em cartório e protocolado na igreja para só então concedermos o “valioso” título de: bondade.

Pecados? Certamente ele os tem, mas você e eu também temos e cabe ao Juiz eterno, somente a Ele, julgar o seu caminhar. A mim, cabe ama-lo, como neto e como próximo e olhar não para sua foto, mas para o seu coração e ver o exemplo antagônico do que eu sou: um coração regrado, com boa aparência e saudável em suas funções, mas doente em essência, precisando dos cuidados de meu Santo Criador, sentindo as dores de ser apertado, manuseado e refeito para que um dia eu possa ver os sonhos do Pai sendo realizados em mim.

O troco

por Luiz Henrique Matos e Emmanuelle Burci

“Não façais mal e o mal não existirá” (Leon Tolstói)

Assim como uma pequena chama na floresta pode se transformar em uma grande queimada, também um ressentimento guardado sem perdão pode, com o passar do tempo, tomar proporções gigantescas e destruir toda beleza naquela que antes era uma terra viva. O fogo mata o que antes era fértil, consumindo o verde reluzente e transformando-o em uma sequidão cinza. Para conter o fogo e impedir a destruição, é preciso esfriar a brasa e aprender a perdoar. Guardar ressentimentos só nos faz sofrer ver todo o resto de nossas emoções serem sugados.

Uma segunda opção lógica seria revidar o golpe e fazer justiça com as próprias mãos, mas nesse caso, como no exemplo acima, seria apagar o fogo com mais fogo, seria jogar lenha em uma fogueira. Quando se fazemos um contra-ataque deixamos a posição de vítima e nos igualamos ao agressor. A idéia racional que temos de justiça é dar ao “pecador” uma pena que lhe faça lembrar do sofrimento que causou, mas se fosse realmente esse um plano de Deus, estaríamos todos morrendo e pagando o preço de nossos pecados crucificados no Calvário.

Não precisamos morrer como Ele. De fato, isso aconteceu uma única vez, quando nosso Salvador o fez por todos nós. Mas devemos buscar viver como Ele, seguindo Seus passos e exemplo para vivermos em santidade.

Os primeiros seguidores de Cristo foram chamados pelo povo de ‘cristãos’ justamente porque se assemelhavam a Ele em sua postura e conduta (seria bom se em nossos dias, também fosse dessa forma). Agora, se Jesus não veio para condenar, mas para nos perdoar e libertar de nossos pecados, porque então nos damos o direito de julgar e condenar aqueles que nos magoam?

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra” (Mateus 5:38-39).

Você pode pensar: “Tudo isso parece muito fácil se fosse um simples tapa, mas e o gosto amargo de ser traído, violentado, perseguido e oprimido pela injustiça? Isso é doloroso!” Certamente, o peso cai sobre as costas e com esse fardo é difícil caminhar. Mas por todas as nossas dores Ele morreu e as Escrituras nos dizem que não há provação que Ele não tenha passado afim de nos capacitar a viver e passar por elas como Ele o fez.

E, além disso, Jesus diz que essa é uma condição do Pai para os Seus filhos e se você deseja ver os seus pecados perdoados então precisa perdoar os que pecaram contra você. Não lhe cabe decidir em que medida seu próximo merece ou não ser perdoado.

“Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mateus 6:14-15 ênfase minha). “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem também será usada para medir vocês” (Mateus 7:1-2).

Não se trata de diminuir o sofrimento que o abala, tampouco dizer que o que se passa em sua vida é fútil a ponto de ser esquecido em um sopro. Trata-se, porém de cristianismo e em nenhum momento Jesus falou que isso seria fácil. Como parte do esforço na jornada da fé, esse é mais um passo que precisa ser dado no estreito e penoso caminho. Mas lembre, ainda que não mereçamos, há uma recompensa viva e eterna brilhando como luz no fim deste túnel que conduz para o Pai.

“A lógica diz: ‘cerre os punhos’. Jesus diz: ‘Encha a bacia’. A lógica diz:’Esmurre o nariz dela’. Jesus diz: ‘lave-lhes os pés’. A lógica diz: ‘Ela não merece isso’. Jesus diz: ‘Isso mesmo, mas você também não’”. (Max Lucado no livro “Ouvindo Deus na Tormenta”, p. 58).

Vamos ao zoológico!

por Luiz Henrique Matos

“Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Coríntios 1:27).

Nove feridos e seis mortos, esse é o saldo de mendigos agredidos em São Paulo, brutalmente atacados com pancadas na cabeça. Os atos aconteceram durante a madrugada e, segundo depoimentos de testemunhas, um indivíduo trajando roupas pretas fora o responsável pelos ataques a moradores de rua no centro da capital.

A polícia investiga, a população se indigna e os moradores de rua protestam. Já há anos eles protestam, mas nada se ouve, eles são mudos, nada se vê, eles são os seres invisíveis que “deletamos” em nossa rotina cotidiana da grande metrópole.

Agora sim, porque foram agredidos, as autoridades se interessam em abriga-los em albergues que sempre existiram, mas de portas fechadas aos “seres invisíveis”. Agora sim, a imprensa se comove em mostrar o rosto daqueles que por vergonha, medo e frio escondiam-se embaixo de papelões e jornais.

Acontece que tiramos a responsabilidade de nossas costas, com esse falso moralismo e encontramos um (possível) neonazista para incriminar. Ah sim, não somos todos nós os culpados, os corruptos e sonegadores, é ele, o skinhead maldito.

O curioso – e não menos trágico – dessa barbárie é que “morador de rua” na percepção da população e da imprensa, deixou de ser uma condição sub-humana de vida e passou a categoria social.

E nesses dias têm sido diferente, mendigos ganham quinze minutos de fama e são a nova atração de nosso zoológico de aberrações imundas e intocáveis. São os leprosos separados como resto, são a escória, a maldade inimiga que só ousamos enxergar através de um vidro: o que cobre nossos aparelhos televisores. Vidro que tal qual jornais e papelões, servem a nós como instrumento para encobrir a vergonha, o medo e o nojo em pensar que aquilo pode ser real. É real.

Mas agora… bem, agora eles são celebridades. Os “moradores de rua” se reúnem para fazer protesto, dão depoimentos na TV com direito a legenda informando: “Fulano de Tal, morador de rua”. Como se isso fosse uma preferência pessoal de habitat e não um sinal brutal de desigualdade.

Não impressionaria se em breve, miseráveis brasileiros que sobrevivem de forma precária em outras regiões de nosso país, abandonassem seus humildes barracos e passassem a migrar para São Paulo afim de tornarem-se “moradores de rua” na grande metrópole. Afinal, aqui sua voz ecoa com mais força, têm destaque nacional e a chance de aparecer na primeira página do jornal, página central de revista semanal e horário nobre da TV.

Será que realmente algo será feito? Certamente encontraremos um Zé Ninguém para culpar (nisso somos muito bons) mas, quando a onda passar, esses mendigos poderão um dia abandonar suas “casas” (sic!) e enfim fazerem parte de uma condição mais digna denominada apenas “moradores”?

“Estando Jesus em casa, foram comer com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores. Vendo isto, os fariseus perguntaram aos discípulos dele: ‘Por que o mestre de vocês come com publicanos e pecadores?’ Ouvindo isso, Jesus disse: ‘Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Vão e aprendam o que significa isto: ‘Misericórdia quero, e não sacrifício’. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores’”. (Mateus 9: 10-13).

“Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos?’ Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:44-46).

Homens das cavernas

por Luiz Henrique Matos

“As cavernas não são o lugar oportuno para melhorar o estado de ânimo. Existe certa mesmice entre todas elas, não importa em quantas você tenha dormido. Escuras. Úmidas. Frias. Bolorentas. Uma caverna se torna pior ainda quando você é o seu único habitante…” (Gene Edwards no livro “Perfil de Três Reis”, p. 39).

Quem já esteve em uma caverna entende o que o autor quer dizer. Não há nada de aconchegante naquela rocha, são locais cheios de infiltrações, irregularidades, insetos em suas cavidades, um ambiente gélido e desconfortável. Algumas não têm mais do que poucos metros de profundidade, já outras são tão extensas que mal se pode chegar ao seu fim. Definitivamente, não são lugares onde um homem possa viver em paz. Exalam a solidão, exaltam os ruídos com ecos espantados rasgando o silêncio assustador e as frias trevas em seu interior não são estímulos para a paz de espírito.

Uma caverna não é um lugar para se estar sozinho.

Em uma rocha dessas, em Horebe, o profeta Elias descansou após caminhar, fugitivo, por quarenta dias e quarenta noites. Deprimido, sem esperanças e fora dos planos que Deus havia traçado para seu ministério, entrou naquele lugar, deitou e não queria se levantar (já tinha inclusive, pedido a Deus para que tirasse sua vida). Foi ali, deitado, que ouviu então o Senhor chama-lo e dizer: “Que fazes aqui Elias?” (1 Reis 19:9).

Uma caverna não é um bom lugar para se viver.

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Mas existe um outro personagem, em uma outra história. É o causo do pequeno homem que foi ungido rei sobre Israel ainda jovem, mas durante quase 20 anos precisou fugir do rei vigente que tentava lhe tirar a vida. O jovem Davi então fugiu da lança de seu perseguidor e por anos buscou refúgio nas cavernas, várias delas, por todo o território de Israel e vizinhanças.

Havia porém um fato diferente naquela ocasião. As cavernas de Davi eram certamente as mesmas, tão frias e solitárias como a de Elias e qualquer outra que possamos visitar. Mas aquelas fendas pareciam feitas em uma rocha firme, aconchegante e abundante em paz. Não pelo seu estado físico, mas pelo poder renovador que a preenchia. Davi morava em cavernas comuns, mas abrigava-se na Rocha, que é o Senhor.

E foi Davi, habitando em cavernas, que escreveu os mais belos salmos que ainda hoje nos edificam e consolam quando nos sentimos tal qual Elias: “O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em quem me refúgio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio” (Salmos 18:2).

Na Rocha Eterna nunca se está sozinho.

Eis uma boa nova: há um lugar seguro para nós. Quando nossos perseguidores parecem insaciáveis, quando nosso chão está prestes a ceder e o desespero sobe pelo nosso interior afligindo o coração que se aperta, há um lugar seguro: a Rocha na nossa Salvação. Ali, abrigados ao lado do Pai, sustentados por Sua mão poderosa, podemos encostar nossa cabeça e repousar nessa tranqüilidade inabalável.

“Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna” (Isaías 26:4).

Abrigados na Rocha, esse é o melhor lugar para se viver. E a pedra angular – Jesus – nosso Salvador está a todo tempo com os braços abertos, prontos para nos acolher.

“Pois assim é dito na Escritura: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será envergonhado’” (1 Pedro 2:6). “Este Jesus é á pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular” (Atos 4:11).

“Não vos assombreis, nem temais; porventura não vo-lo declarei há muito tempo, e não vo-lo anunciei? Vós sois as minhas testemunhas! Acaso há outro Deus além de mim? Não, não há Rocha; não conheço nenhuma” (Isaías 44:8).

Nome sujo

por Luiz Henrique Matos

Luiz Henrique de Oliveira Matos, é assim que fui batizado. Desde a gravidez de minha mãe, meus pais me tornaram conhecido aos parentes e amigos por este nome. Passados os anos, ainda não faço idéia da origem do título, me soa um tanto luso, pela semelhança e pelo parentesco, mas ora pois, não sei bem de onde vem.

Nesse aspecto, gosto de observar os hábitos dos antigos, que davam aos filhos nomes que de fato, tivessem algum significado. Assim faziam os índios, as tribos primatas e os hebreus. Consultando as Escrituras percebemos que cada nome tem o seu significado e esse tem ligação direta com a vida de seu dono.

A título de exemplo vemos que Abraão quer dizer ‘pai de muitos’, Assuero significa ‘homem poderoso’, Malaquias é ‘mensageiro do Senhor’, Jotão é ‘o Senhor é perfeito’ e Timóteo quer dizer ‘que honra a Deus’. São nomes muito bonitos, fortes e cheios de significados, mas que sinceramente, eu não daria a nenhum de meus filhos. Mas existem também os nomes cujos significados são tão pouco interessantes que nem precisariam ter um. Veja alguns exemplos e tente entender o que se passava na cabeça dos pais desses coitados: Esaú quer dizer ‘peludo’, Nabote é ‘frutas’, Finéas é ‘boca de serpente’ e Filipe se resume a ‘amante de cavalos’.

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Hoje em dia, temos também a nossa preocupação com o nome. Não exatamente o significado, como faziam nossos antepassados, mas com o seu ‘valor’. Nosso nome é a propriedade que temos e pela qual zelamos. Um ‘nome sujo’ na praça pode significar o impedimento ao se abrir uma conta corrente, ao conseguir crédito para uma compra, a perda de propriedades e até a impossibilidade de se conseguir um emprego registrado.

O que caracteriza um nome sujo? Dividas.

Deixar de pagar um título e deixar voltar o cheque estão entre algumas das razões. Estar em dívida significa necessariamente estar em falta com alguém. E para ‘limpar o nome’ é preciso seguir alguns passos (muito mais complicados e lentos do que o que fizemos para suja-lo): Perceber que estamos errados e reparar o erro (pagar). Se não fizermos isso, nosso nome certamente constará no registro de inadimplentes e essa falta nos seguirá cada vez mais nos arquivos de órgãos financeiros privados e federais.

E uma dívida leva a outra. Para cobrir um rombo, faz-se outro na terra farta das financiadoras e então surgem sabe-se lá de onde, juros e mais juros a serem pagos e essa maldição perdura por tempos e tempos.

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Há pouco mais de dois mil anos, toda a humanidade vivia em dívida. Um dia, lá no início, Adão estourou sua conta e pela primeira vez, desobedeceu a ‘regra’. E então, por séculos, toda a descendência do homem continuou a cometer infrações e prosseguir em errar, errar, errar e errar. Escravos de um devorador que nos mantinha presos às suas regras e estratégias destrutivas, afundamos no buraco negro sem qualquer chance de sair dali. Senão por um milagre!

Então, surpreendentemente, surgiu um homem, ou melhor, o Filho do Homem e pagou a nossa dívida – “Vocês foram comprados por alto preço” (1 Coríntios 6.20) – com seu sangue Ele nos livrou da escravidão da morte e nos libertou para a vida eterna. Ele limpou o nosso nome e de placa, o nosso coração.

E apesar do altíssimo preço pago Ele nada cobrou, mas ao contrário, o fez de graça. “E, se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça” (Romanos 11.6). E graças a Deus, desde então é possível que nos cheguemos aos Seus pés e O adoremos por isso que fez.

Não quer dizer que somos filhos obedientes. Sem juízo, continuamos a errar e soltar aqui e ali os nossos ‘borrachudos’ e com isso, pecamos contra os mandamentos de Deus e formamos outras dívidas. Mas – oh glória! – Ele também pensou nisso e nos permite recobrar nosso crédito com um simples e único gesto: chegar a Ele e pedir perdão.

É com Ele, somente com Ele a nossa dívida. E o processo para ‘limpar o nosso nome’ não muda, devemos: reconhecer que erramos e deixar de pecar. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1.9).

Agora, uma pergunta: porquê é tão difícil reconhecer que erramos? A Bíblia descreve todos os erros e nos dá parâmetro para saber o que são pecados. Deus nos diz que seremos perdoados sempre que, de coração, nos arrependermos. E mais do que isso, diz também apagará esse pecado: “Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de seus pecados” (Isaías 43.25).

As misericórdias do Senhor renovam-se a cada manhã, a cada nascer do dia, nasce também a graça, o poder e o amor eterno de Deus. Não precisamos fugir e desviar o olhar, mas prostrados, chegar diante dEle prontos para sermos apedrejados pela acusação maligna e ouvir Sua doce voz a dizer: “Nem eu também te condeno. Vai, e não peques mais” (João 8.11).

Tudo se cria

por Luiz Henrique Matos

(7º e último texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

O ser humano é um espécime engraçado. Somos os únicos dotados da capacidade de raciocinar, um privilégio dado por Deus, mas de certa forma – como tudo o que é de graça – desprezamos essa bênção com um escape um tanto esquisito. Alguns estudos revelam que o cérebro humano é capaz de adaptar-se facilmente a algo que chamamos de “rotina”. Ele é auto-suficiente para não nos fazer pensar muitas vezes na mesma coisa. Aquela sensação de que a cada ano os dias passam mais depressa ou a impressão estranha ao chegar em casa do trabalho e nem perceber o percurso que fizemos, trata-se de uma reação cerebral para não gastarmos novamente a mesma força, ou seja, se já fizemos algo outras tantas vezes, nosso cérebro otimiza suas funções e faz parecer que não as temos vivido.

Pois existe uma má notícia nisso: se cada vez mais os dias parecem “voar”, isso é sinal de que temos feito todos os dias a mesma coisa, sem repetição, sem novidades. Daí o fato de nossas férias parecerem ter dias mais longos do que o normal, nesse período temos experiências diferentes.

Em um artigo para o jornal O Estado de São Paulo, Airton Luiz Mendonça escreve sobre o assunto: “Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos” … “Felizmente há um antídoto: Mude e Marque. Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos” … “Seja diferente”.

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Infelizmente, isso não afeta somente nossa experiência individual. Nota-se também o mesmo “efeito” na vida a dois. Quando iniciamos um relacionamento afetivo, tudo parece novo, os filmes no cinema, os jantares, almoços, passeios, os primeiros gestos de carinho que um casal nunca esquece e se recorda eternamente, guardando cartas e recados amorosos. O momento em que se conhecem e interagem, a excitação do primeiro amor.

Mas temos em nós essa tendência e tal qual o cérebro, os relacionamentos começam a cair nessa “rotina” e o que no começo foram os momentos marcantes da vida a dois, agora tornam-se parte da mesmice diária, sem graça e cansativa. Por conta disso, muitos casais reclamam e discutem sem saber o que de fato mudou, ou melhor, não mudou. Por essa razão, as conversas cessam e os jantares cheios de descobertas e som de música clássica passam a ser silenciosos e acompanhados pela trilha sonora do telejornal. O aroma de perfume, o penteado impecável e a roupa nova dão lugar ao desodorante Avanço spray, barba mal feita e camiseta velha do time de futebol com autógrafo do ponta-esquerda.

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Ainda falando em relacionamento. Você se lembra de sua última oração? Lembra-se das últimas palavras que trocou em sua conversa com Deus? Não se trata do “quando” mas “o quê” foi que você disse ao seu Pai.

No nosso relacionamento com Deus, passamos invariavelmente pelo impacto do “primeiro amor”, o arder da descoberta do Espírito Santo habitando em nós, o quebrantar pela Sua presença e pelo arrependimento, a emoção e ansiedade em conhecer mais de perto o nosso Jesus Salvador.

Mas o tempo passa e a rotina aparece. Acordar, orar, tomar café, trabalhar, comer, trabalhar, ver TV, orar e dormir. Dia após dia, domingo após domingo, transformamos esse relacionamento precioso em algo distante e frio. Armazenamos Deus em um pote fechado ao qual recorremos quando isso nos convém.

Um relacionamento entre duas pessoas que se amam. Não tenha dúvida de que assim como marido e esposa, pai e filho, irmão e irmão, o Pai e Seus filhos também compartilham esse sentimento, mas precisamos voltar ao primeiro amor. Ouvir a dura disciplina que nos alerta: “Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor” (Apocalipse 2.4).

O Pai quer ouvir Seu filho chegar, deitar em Seu colo e ali abrir o coração sobre as coisas que lhe afligem, as que alegram, os pedidos de desculpa, os agradecimentos pelo presente da vida. Ele quer que ele reconheça Sua grandeza e poder, mas antes disso quer que eles O olhem e sintam o Seu carinho, Seu toque e o quanto Ele tem Se dedicado a mostrar o Seu amor. Ele quer nos ouvir falar, trabalhar em nossa causa e então responder: “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu” (Isaías 43.1b).

A leitura das Escrituras unida a uma vida de oração e amor a Deus e ao próximo, nisso traduz-se a nossa essência. Não precisamos das regras, precisamos de amor, simples e verdadeiro amor. E a cada dia Ele se preocupa em nos mostrar esse amor, surpreendendo-nos com a providência do pão, com a misericórdia no perdão e a sustento de Sua proteção. Bênçãos, abundância e toque renovador, cada item da natureza terrena e celestial reflete a maravilhosa capacidade do Pai em criar e operar para o nosso bem.

Precisamos ser criativos e com dedicação e todo o coração, oferecer a Ele algo novo. Desejar verdadeiramente agrada-Lo, obedecendo aos Seus mandamentos e tendo compromisso com Sua palavra. Buscar a Deus pelo que Ele é e não pelo que faz. Seguir a afirmação de Lutero, que dizia: “Ser cristão para mim é olhar para Jesus Cristo e dizer: esse homem para mim é Deus”. Então começaremos a aprender o que de fato é adoração.

* Sementes para uma vida de criatividade em nosso relacionamento com o Pai – Suas orações têm sido fruto de momentos de intimidade com o Pai ou resumem-se a um gesto religioso? Inove em seu relacionamento com Ele, pense e dedique-se a fazer coisas novas para agrada-Lo. Ele certamente merece. Procure agradar a Deus com algo diferente, fugindo da rotina da religiosidade, dos dogmas, doutrinas e tradições que vivemos em nossas igrejas.

De propósito

por Luiz Henrique Matos

(6º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Noé tinha exatos seiscentos anos quando concluiu a construção da arca, cumpriu o seu propósito e viu cair a primeira gota de chuva sobre a Terra. Abraão tinha setenta e cinco anos quando Deus o mandou sair de sua casa e ir para um lugar distante, prometendo-lhe um filho com sua mulher estéril e a partir dele, uma descendência incontável como as estrelas do céu.

Davi foi ungido rei aos quinze anos de idade, mas teve que fugir e esconder-se por cerca de mais quinze até que fosse reconhecido e levado ao trono sobre Israel. Jesus nasceu entre os homens e aguardou por trinta anos até começar Seu ministério e então morrer na cruz para cumprir as 332 profecias ditas a seu respeito e salvar a humanidade. E Lázaro, bem, Lázaro esperou menos, foram “só” quatro dias, mas ele estava morto até que seu amigo Jesus chegasse e lhe desse a vida novamente.

Quanto tempo você tem esperado? Quanto tempo ainda vai esperar? Não é tarde, nunca é. Houve um rapaz, bandido, que no seu leito de morte, olhou para o lado e viu um barbudo que também morria. Olhando em seus olhos sentiu algo estranho, um arrepio talvez, e junto disso, um coração angustiado e arrependido. Então ele disse: “Jesus, lembra-te de mim quanto entrares no teu Reino” (Lucas 23, 42). E o barbudo que morria – Deus – o perdoou e salvou.

Davi escreveu certa vez: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Salmo 139, 13-16).

E o mesmo Deus que criou o universo, a terra e tudo o que há aqui, criou também a mim e a você. E não criou à toa, aliás, Deus não faz nada à toa. Tudo tem o seu porquê, tudo tem o seu propósito.

Noé foi chamado louco e zombado por todos durante os cerca de noventa anos que passou construindo a arca, mas se não o tivesse feito, teria também sido consumido pelo dilúvio e toda a humanidade teria seu fim, inclusive seu descendente Abraão. E se Abraão não tivesse saído de sua casa e crido que Sara podia ficar grávida, não veria nascer o seu filho Isaque e séculos depois, desse mesmo fruto, o surgimento do povo judeu seria inviável e com isso tornaria-se impossível o nascimento de Davi.

E Davi… e se por um instante aquele adolescente franzino ignorasse as palavras de Deus e continuasse a passar a vida cuidando de suas ovelhas, teria certamente destruído todo o povo de Israel, impedindo o surgimento do reino. E se Davi não tivesse adulterado (quem imaginaria) com Bate-Seba, não nasceria o seu filho Salomão e dos descendentes dessa história, Jesus. E Jesus enfim, precisou morrer, para que você e eu, hoje, pudéssemos nos alegrar pela vida eterna que há nEle. Ah, e sem Jesus, é claro, o pobre Lázaro estaria naquela tumba para sempre.

Há um motivo nos acontecimentos, um encadeamento na história que só nos faz enxergar o resultado quando percorremos todo o trajeto. Mas existe, porém, algo comum nas vidas desses homens: Eles ouviram a voz de Deus. E mais do que ouvir, eles a obedeceram sabendo que havia para eles, um propósito.

* * *

E assim como tudo o que Deus faz, é também com um propósito que Ele te criou. Pense por um instante em Deus, todas as Suas ocupações, todas as orações que Lhe dirigem, as blasfêmias, as batalhas, a logística desse mundo. E ainda assim, Ele separou um tempo especial para parar, sonhar, sorrir e criar a sua vida. No coração do Pai, há um plano especial para o qual você foi moldado e que só você pode realizar. Ele sonhou com um objetivo para o mundo e nesse contexto Ele te inseriu.

E você também pode, desde já, passar a caminhar seguindo os sonhos de Deus e experimentando a abundância de vida que há nEle. Ou então, pode continuar nessa inércia e esperar o último respiro, em seu leito de morte, para reconhecer que deveria ter feito diferente e procurar o Salvador que lhe estenda a mão. Mas irmão, essa escolha Ele deixou em suas mãos.

Como na história de Noé, Abraão, Davi, Jesus e Lázaro, é visto que não há nada melhor do que ouvir a voz do Pai e saber a direção em que é preciso caminhar. E é isso que Ele quer que você faça. Ele quer lhe ouvir perguntando qual é a Sua vontade e espera feliz o momento certo de responder.

Deus te concebeu com um propósito de vida e hoje você tem uma escolha: pode se prostrar diante dEle e começar uma vida ativa de comunhão com o Pai, aprendendo dia após dia a ouvir e obedecer a Sua voz, sentir o toque do Seu poder, ver grandes planos se concretizarem e passar a viver os sonhos de Deus. Ou também pode escolher por esperar anos e anos por um chamado que parece nunca vir (mas como ouvir a voz de Deus se você não a conhece?), sentando em um banco de igreja e lendo esse texto em algum lugar.

O que lhe parece mais correto?

“Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Coríntios 2, 9).

Assim como Lázaro naquela tumba, você hoje pode estar morto no cumprir e realizar dos sonhos de Deus. Já há algum tempo que você morreu, até cheira mal pelos dias que se passaram e agora está em um buraco escuro tapado por uma grande pedra.

Mas enquanto você está preso, perdido em sua morte, Jesus chora do lado de fora, ordena que removam a pedra que o mantém preso e grita com poder e amor:

– Lázaro, venha para fora! (João 11, 43).

“Eis que estou a porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Apocalipse 3, 20).

Sementes para um “propósito de vida” – Arrependa-se de uma vida acomodada, ore ao Senhor pedindo uma direção e diga a Ele, de coração, que quer viver os sonhos dEle para você. Experimente o melhor de Deus, tenha uma vida abundante e vitoriosa em Jesus Cristo.

Me dê motivos

por Luiz Henrique Matos

Afinal, porque Jesus nasceu? Pare um instante para pensar, qual o motivo de o Senhor ter nascido como homem e vivido 33 anos entre nós se, sendo Deus, poderia fazer uma breve “participação especial” na história da humanidade e resolver a questão da redenção de forma muito menos polêmica?

Qual a razão para Ele ter sido gerado em uma mulher, carregado por nove meses, nascido em um lugar sem condições apropriadas, fugir para o Egito, trabalhar como carpinteiro, esperar trinta anos para começar seu ministério, pregar por três anos apenas, ser perseguido e ainda sofrer tudo o que sofreu sem ter nenhum tipo de culpa, pecado ou necessidade?

Ele poderia, por exemplo, do alto de Sua glória, lá no céu, olhar para a humanidade, colocar Satanás em uma gaiola, furar a ponta do dedo com uma agulha e com aquela gota de sangue espremida, lavar todos os homens de seus pecados e nos dar a salvação. Nenhum trabalho, nenhum sofrimento, um preço razoável e tudo se resolveria.

Acho que é assim que eu agiria e acredito que alguns outros também (ou você colocaria seu filho para morrer na cruz no lugar de outra pessoa, que nem gosta de você?). Mas, Ele não. Ele é Deus, o Filho presente ao lado do Pai desde o princípio. Jesus participou da criação do universo e dos planos para conceber o homem à semelhança do Senhor. E sendo Ele a Palavra criadora, sabe exatamente como se comporta, como julga e como vive a Sua criação.

Deus sabia o que o homem esperava, Ele havia feito a promessa há tantos anos antes de vir. Homens de Deus profetizaram a vinda do Messias e os judeus esperavam (e alguns ainda esperam) o surgir do Cristo de forma sobrenatural, esplendorosa e prática, talvez como citei acima, mas com um cavalo branco, milhares de anjos voando e louvando e o som de um trovão em tons altíssimos.

Mas em Seu coração havia um propósito muito mais profundo. Como se diz na teologia, Jesus é 100% Deus e 100% homem. Para livrar o homem de todos os seus pecados e dores e tornar-se enfim o seu Salvador, Ele optou por viver como homem, ser tentado em TODOS as suas fraquezas e aflições e mostrar um exemplo vivo de como Ele espera que Seus filhos se comportem, de como Ele sonhou que ajam.

Nasceu como todos nós, viveu, trabalhou, pregou e morreu. Em tudo o que passou, Jesus sofreu mais do que qualquer um sofreria e venceu além do que pensávamos ser possível. Sendo Deus, não usou em momento algum de Sua deidade em benefício próprio.

“Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hebreus 4:15 ênfase minha). Você já foi tentado em tudo? Eu não.

Viveu e morreu como um de nós para que possamos compreender que se o Deus pôde ser homem e ainda assim vencer, então é possível que busquemos ser como Ele (veja bem, “ser como” Ele e não “ser” Ele). O escritor Max Lucado escreveu algo a respeito:

“Porquê? Por que Ele suportou todos estes sentimentos? Porque Ele sabia que você também os sentiria. Ele sabia que você sentiria cansaço, perturbação, sono, fome e raiva. Ele sabia que você sentiria dor. Se não dor corporal, a dor da alma… Dor muito aguda para qualquer droga. Ele sabia que você sentiria sede. Não só de água, mas sede da verdade, e a verdade que salta da imagem de um Cristo sedento é: Ele compreende” (no livro “Ele escolheu os cravos”, p. 89).

Saiba sempre de uma coisa: Deus te compreende. Quando tudo pesa e quando tudo é leve. Quando odeia e quando ama. Quando acerta e quando peca. Quando levanta e quando cai. Quando ri e quando chora. Em todo o tempo Ele entende e Ele ama. O amor de Deus não depende de nós, é incondicional. Não é uma troca, é graça. Nós só precisamos dizer: “Sim Jesus, eu creio”.

Foi por isso que Ele veio, para nos mostrar Seu sentimento, Sua misericórdia e fazer ecoar pela eternidade Seu brado, ainda que silencioso e refletido no gesto da crucificação enquanto exclama: “Eu te amo meu filho e fiz isso para tê-lo de volta em meus braços”.

Jumentologia

por Luiz Henrique Matos

(5º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Até agora estou desconcertado, meio eufórico, mas me conforto em saber que eu sou parte da promessa. Você pode ler na sua Bíblia, há claramente uma descrição a meu respeito em uma das profecias que fala do Cristo (Zacarias 9, 9). Mas para esclarecer os fatos, vou lhe contar um pouco de minha história…

Oxente! Eu estava lá, tocando minha vidinha em Betfagé, próximo a Jerusalém, sossegado, na minha. Sempre tranqüilo, ao lado de minha mãe naquela humilde cidade da Judéia. Mas aí um dia, as coisas mudaram para nós.

Chegaram dois homens e sem mais nem menos começaram a desamarrar mâínha e eu do poste onde estávamos presos. Já iam nos levando embora quando outros homens ali do vilarejo perguntaram onde iam aqueles cabras com dois jumentos que nem eram deles. Tiveram ali um dedo de prosa, chegaram em uma conclusão e finda a conversa continuaram levando a gente em direção à entrada da cidade.

“Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: ‘Vão ao povoado que está adiante de vocês; logo encontrarão uma jumenta amarrada, com um jumentinho ao lado. Desamarrem-nos e tragam-nos para mim. Se alguém lhes perguntar algo, digam-lhe que o Senhor precisa deles e logo os enviará de volta'” (Mateus 21, 1-3).

Ali, na entradinha do vilarejo, estava aquele homem alto, forte e barbudo. Junto dele, mais doze cabras que o cercavam e serviam. Então pegaram a mãe e eu, jogaram umas mercadorias no lombo dela e o tal do Mestre (como eles chamavam o cabra forte e barbudo) subiu no meu lombo. Eu mal podia imaginar que enfim, o meu dia de fama estava começando.

“Os discípulos foram e fizeram como Jesus havia ordenado. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, colocaram sobre eles os seus mantos, e sobre estes Jesus montou” (Mateus 21, 6-8).

Sendo sincero com você nessa minha autobiografia, sempre sonhei em ser um popstar sabe? Queria ficar famoso e brilhar no showbusiness aqui na minha terra, mas esse não era um lugar de grandes oportunidades para os jumentos. O povo nos recrimina, fala que não somos tão dignos, sei lá, acho tudo isso muito preconceituoso. Até usam nosso nome como artifício para denominar alguns humanos: “Seu jumento!” eu ouvia alguém gritar e logo pensava que era comigo, mas quando via, era alguém ganhando a glória pelos nossos feitos. Mas algum dia, ah algum dia, eu seria reconhecido e mudaria essa perspectiva!

Minha mãe contava a história de um ancestral nosso que era de uma linhagem nobre e até falou com os tais humanos. Êita! Veja só, disse para um cabra coisas que Deus precisava falar e o cabeça dura não ouvia. E olha que o hômi era profeta (mas pelo que ouvi, o tal do profeta Balaão era teimoso que nem um jumento!). Na Bíblia até tem um registro que fala disso (Números 22, 20-31).

Mas eu, Jujúmento de Israel, depois de tanto tempo no ostracismo, esquecido aqui nessa terra, já até achava que minha vida estava mesmo destinada a atividades operacionais e chatas e que de fato, eu nunca brilharia. Mas eis que aquele Mestre é usado para me dar essa glória. Naquele dia ele montou em mim e foi mostrando o caminho do estrelato enquanto dirigia para entrar na cidade.

Cheguei então à via principal daquele local. Via pessoas me cercando, abrindo caminho para eu passar e estendendo mantos e ramos de árvores para dar passagem ao Jujú aqui. Era tudo por minha causa, eu era a estrela brilhando naquele dia e o homem sentado nas minhas costas mostrava para toda aquela gente que um jumentinho pode enfim ser uma celebridade. Gritavam ali umas coisas estranhas: “Rosana! Rosana!” mas eu nem ligava muito (isso lá é nome de macho?) só desfilava com toda pompa e honra.

“Uma grande multidão estendeu seus mantos pelo caminho, outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho. A multidão que ia adiante dele e os que o seguiam gritavam: ‘Hosana ao Filho de Davi! Bendito é aquele que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!'” (Mateus 21, 8-9).

E assim foi até chegarmos no centro da cidade. Aí o Mestre desceu do meu lombo, entrou no templo e fez um fuzuê lá dentro. Expulsou uns caras que vendiam coisas por ali, disse que aquela era a casa do Pai dele e que eles não deveriam fazer aquilo. Teve gente que gostou da atitude, mas um monte de cabra casca-grossa não achou nada bom e começou a perseguir o Mestre depois disso.

Eu só sei que tive meu momento de glória. Fui montado por um cabra muito do gente boa e tive meu nome escrito no livro mais publicado e vendido de toda a humanidade. Minha história está lá, para os meus descendentes lerem e lembrarem que jumento também tem seu valor e que eles também podem ser “instrumentos” nas mãos do Criador (sim, Ele também criou os jumentos ãra!).

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta” (Zacarias 9, 9).

* * *

Em suas atribuições sabemos que Deus é o único onipotente, onisciente e onipresente. Criou todas as coisas nessa terra, o tempo, as florestas, os homens e… os jumentos. Cada um de nós foi projetado por Deus para cumprir o Seu propósito e o que Deus sonhou para mim e para você são coisas exclusivas, que só nós poderemos fazer.

Mas há um inimigo muito audaz que pode impedir a concretização dos sonhos de Deus: a nossa carnalidade. Explícita na vaidade, na arrogância, na auto-suficiência, no rancor, na altivez e tantos outros frutos de nossa índole corrupta. O pecado é o que nos separa de Deus. Originalmente, em grego, “pecado” quer dizer “errar o alvo”, ou seja, errar o plano para o qual fomos criados.

Como o Jujúmento em seu texto, somos escolhidos e separados pelo Senhor como instrumentos para a Sua obra e temos todo o potencial e capacidade para cumprir esse chamado. Mas em nossa ignorância requeremos para nós mesmos uma glória que é dEle. Nos dispomos e nos alegramos em ser usados para levar Jesus ao encontro do povo, mas chegamos também a acreditar que o caminho aberto à frente e a celebração são de fato, para nós.

Precisamos aprender a ser mais jumentos e menos humanos em outro aspecto, o real: ter humildade para servir mais e brilhar menos. Carregar sobre nós Aquele que reina e deixar que com os nossos esforços diários e constantes Ele seja visto e adorado. A obra é dEle, nós somos dEle e tudo o que for feito por Ele através de nós, deve refletir a Sua santidade e honrar o Seu nome.

É necessário saber que Deus é Deus apesar de nós e Sua obra a de se cumprir. Precisamos deixar de ser teimosos tal qual jum… ops, Balaão e ser mais humildes como o ancestral de nosso amigo que falou com o profeta.

Sementes – Exerça sua humildade e coloque-se à disposição de Deus para servi-Lo independentemente de sua vontade. Ele quer subir em nossos lombos e ser visto pelos povos através de nossas vidas. Mas Deus não divide Sua glória com ninguém, por isso não queira brilhar ou ser aclamado pelo que faz. A honra é conseqüência de um trabalho feito com excelência, mas a glória e louvor devem ir para o nosso Deus, sempre.

Pega ladrão

por Luiz Henrique Matos

(4º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

O centrovante avança pelo campo de ataque com a bola dominada nos pés. Toda raça e habilidade nos minutos finais do jogo e fazer um gol nesse momento seria a consagração da vitória. Enquanto avança, toda a defesa do time adversário recua rapidamente e se posiciona na entrada da grande área. Sem opções de ataque, o jogador pára, segura a bola e procura ao seu redor alguma opção de tabela entre seus companheiros. Enquanto espera, é surpreendido por um volante do time rival que chega por trás e rouba-lhe a bola dos pés.

Onze horas da noite no centro da cidade de São Paulo. O rapaz sai do trabalho e caminha cerca de dois quilômetros até o ponto de ônibus onde toma a condução que o leva para casa. O chefe lhe pediu que fizesse hora extra e o segurou no escritório até tarde. No ombro esquerdo, o peso da mochila com os cadernos e livros da escola e lá no fundo o envelope com o pagamento do mês: dois salários mínimos e alguns passes de ônibus. Cansado, ele caminha pelas ruas escuras do centro abandonado da capital, pensativo nas atividades do dia seguinte e frustrado com o trabalho que já não o motiva mais. Não percebe quando um garoto vindo em direção contrária se joga sobre ele, fazendo com que, na trombada, perca o equilíbrio, enquanto outro moço aparece por trás, puxa de seu ombro a mochila e saem, ambos, correndo ruelas a dentro.

“Olha o ladrão!” é o que deveria gritar o companheiro de time do pobre centrovante que agora vê perdida a antes dominada bola nos pés e a chance do gol decisivo. Nunca fui um exímio boleiro, mas como um bom espectador aprendi que no futebol é assim, não adianta ter a bola nos pés, é necessário estar atento às movimentações no adversário para não ser pego de surpresa pelo combatente inimigo que chega com os pés e os cravos da chuteiras apontados para a canela alheia.

“Olha o ladrão!” é o grito vazio do trabalhador que vê sua mochila e salário sendo levados pelo oportunismo dos trombadinhas na cidade grande. Viver em uma grande metrópole é isso, não se pode caminhar sozinho no escuro, mas um passo após o outro deve ser dado, observando as movimentações ao redor e qualquer sinal de perigo prevenido.

“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10).

É preciso tomar cuidado, o ladrão está a solta. Com sua chuteira cheia de cravos pontiagudos, ele mira nossa carne afim de roubar a bola de bênçãos e preferivelmente quebrar uma de nossas pernas (vida) com seu ataque voraz. Ele chega na espreita, ataca em bando os que lhe parecem fracos, não suporta ver o salário da providência sendo recebido dignamente com o suor do rosto humano. Com seus comparsas malignos ele planeja a tocaia para deixar desamparado o pobre trabalhador e roubar seu sustento, destruir sua família e matar sua esperança.

Imprescindível é também vigiar. O ladrão está a solta e tem seus objetivos muito claros, mas o bom guerreiro sabe como combatê-lo. Somos filhos escolhidos e temos por herança a salvação por Cristo, mas Ele nos alerta para não deixar a retaguarda desprotegida, nos posicionar como a sentinela e estar prontos para nos defender dos ataques. “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41 nvi).

Satanás não perde tempo investindo em áreas em que estamos fortalecidos. Ao contrário, ele lança seus dardos na direção da carne sensível, nas dificuldades, nas tentações, nos pecados em que tanto teimamos e onde sabe que já caímos. Ele chuta a perna de apoio do atacante, ele empurra o desatento andarilho, ele é a astuta serpente maquinando contra a inocente ambição de Eva (Gênesis 3:1).

Paulo sabiamente alertou o centrovante: “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1 Coríntios 10:12). O gol realmente parecia fácil naquele contra-ataque. O salário suado parecia ganho naquele exausto final de dia.

Vigiar: olhar para cada ponto do campo e saber a posição do adversário, seguir à noite pelas ruas procurando pontos iluminados onde se possa ver a movimentação das sombras. Orar: ter sobre si a cobertura do manto de Deus, que nos reveste de Sua paz e segurança na medida que nos dispomos a seguir o seu caminho.

E então, cada passo é certeiro em direção ao gol de placa, para a alegria da torcida celestial que canta: “Santo! Santo! Santo! É o Senhor!” (Isaías 6:3). E no final, cada dia de trabalho e aflição (João 16:33) será vencido e recompensado com a tranqüilidade de se chegar na morada preparada (João 14:2), receber um abraço quente e aconchegante do Pai e deitar na cama da eternidade com a sensação de dever cumprido.

“Eu lhes disse estas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (João 16:33).

Sementes – Olhe para cada área de sua vida, ore a Deus pedindo a revelação de suas fraquezas e que Ele lhe cure e fortaleça nos momentos de luta e tribulação. Vigie em cada gesto, cada falsa oportunidade, cada emboscada que possa estar mascarada pela tentação maligna. Vigiar e orar é o seu papel, o dEle é edificar esse santuário precioso que é a sua vida. Veja: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmo 127:1).

A teologia Peter Parker

por Luiz Henrique Matos

(3º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Peter Parker ilustra de maneira brilhante (bem, nem tanto) um aspecto teológico ligado à nossa cultura cristã. Apesar disso, seu nome verdadeiro não é tão famoso quanto seu alter-ego. Para quem não conhece os super-heróis das histórias em quadrinhos, Peter Parker é o garoto conhecido por Homem Aranha, cujo primeiro filme estreou em 2002 e a continuação deve ser lançada ainda esse ano.

Um resumo dessa história. Peter Parker é o mocinho. Ele é um adolescente desajeitado e nada popular, até o dia em que é picado por uma aranha e adquire super poderes como: força, agilidade, grudar nas paredes e soltar teias (também poderosas) que lhe permitem ser um Tarzan na grande metrópole em que vive. Mas Peter só passa a ser um herói efetivamente no dia em que descobre os seus poderes e neles, a essência de seu propósito de vida: ajudar as pessoas.

Outra história. João José da Silva é o mocinho. Ele é um adolescente desajeitado e nada popular até o dia em que é tocado por Jesus em uma ministração e a partir de então o poder do Espírito Santo o transborda, passa a habitar em seu coração e João passa a ser cheio de: fé, amor e passa a ser um instrumento de Deus para curar, libertar, profetizar e operar Sua vontade nessa terra. Mas João só passa a ser um servo efetivamente no dia em que descobre quem é o “dono” do poder e a essência de seu propósito de vida: amar ao Senhor acima de tudo e às outras pessoas como a si mesmo.

No fim do primeiro filme, Peter Parker se vê diante de uma situação sofrida. Seu tio, que o criara desde a infância está prestes a morrer e sabe de seus super-poderes. Em sua fala derradeira aquele homem diz ao sobrinho: “Peter, quanto maior o poder, maior a responsabilidade”. E então o jovem assume sua identidade heróica, torna-se o Homem Aranha e passa a ajudar Nova York no combate ao crime, injustiças e mazelas da sociedade.

Seguindo sua vida com Deus, João José da Silva se vê diante de uma situação sofrida. Seu ministério de música, que assumira desde a conversão está prestes a ruir. E em sua oração desesperada ao Pai, ele ouve uma resposta: “João meu filho, quanto maior o poder, maior a responsabilidade. Quanto mais você desejar se um instrumento que alcance vidas para o Meu Reino, maior a responsabilidade por essas pessoas Eu vou colocar sobre você. Quanto mais de Mim você quiser ter em si, mais eu vou querer que você transborde Minha presença sobre os que não Me conhecem. E filho, Eu quero muito te encher, mais do que você pode sonhar, quero brotar de dentro de você como um rio de águas vivas e abundantes. E quando isso acontecer, todos saberão que você é Meu servo e Eu Sou seu Deus”.

E então João, o que você vai fazer?

* * *

Nos dedicamos ao serviço em nossas comunidades e vivemos rotineiramente a prática de uma vida religiosa, mas é triste saber que em muitos casos, nos contentamos em ver o agir de Deus sem senti-Lo efetivamente. Há algo necessário para os que se dispõem em servir ao Senhor: responsabilidade. Essa é uma semente que deve ser regada durante toda nossa vida.

Responsabilidade para com Deus, com as Escrituras, com as vidas, com os sonhos do Pai para cada um de nós. O Senhor quer ver Sua obra ser concretizada por meio daqueles que Ele chamou e escolheu desde o momento em que foram concebidos.

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

Sementes – Isaías 6:1-8, Tiago 2:26, Hebreus 11:1-40, 1 Pedro 3:20-22, Salmo 139. Ore, coloque-se diante de Deus pedindo a Ele que cumpra os sonhos que tem para sua vida.

O mundo cinza

por Luiz Henrique Matos

(2º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

Você consegue sentir falta de algo que não existe? Sente, por exemplo, saudades de uma pessoa que não conhece?

E se o mundo fosse feito diferente? E se Deus o tivesse criado sem as belezas, recursos e maravilhas naturais, você sentiria a ausência desses elementos? Não.

Pense nas coisas que você gosta nessa terra. Talvez cachoeiras, praias com seus mares verdes e areias finas, a beleza dos oceanos, as florestas com cada palmo de sua terra, flora e fauna. O céu azul, as nuvens brancas e todo o universo desconhecido que está acima de tudo isso. A água que sacia a sede, o sabor de cada fruto e cada alimento.

Imagine por um segundo que tudo isso não exista, que Deus tenha criado um mundo estritamente funcional, onde não haveria dia ou noite, sol, lua ou estrelas, o céu seria simplesmente cinza. Nos alimentaríamos de um único e suficiente elemento, talvez um “maná” que saciaria toda nossa fome pela vida toda. O mundo seria uma planície reta, com o solo escuro. Sem verão ou inverno, apenas um clima sóbrio que nos manteria imunes, sem qualquer variação.

Parece horrível, mas nós não notaríamos. Só sentimos falta de algo que necessariamente possamos imaginar, desejar e achar necessário (ou você acredita mesmo que refrigerante e hambúrguer são uma necessidade real?).

Mas Ele preferiu fazer diferente. Por algum motivo Deus não quis um mundo sombrio. Por alguma razão o Rei do universo fez um mundo lindo, perfeito e delicioso. Porquê?

Porque Ele tinha em mente a Sua mais célebre obra de arte, Ele iria realizar um sonho e pensou que esse sonho precisava de um cenário impecável onde viver, de forma a refletir Sua própria glória e majestade.

E não foi de uma vez. A Bíblia diz que Deus foi criando cada elemento da terra e a medida que surgia o resultado Ele gostava (Gênesis 1:10, 12, 18, 21, 25 e 31). O Senhor partiu de uma idéia fixa, começou então a passar Seu pincel sobre a “tela” e foi gostando. Caprichou aqui, fez um enfeite ali e terminou Sua magnífica obra de arte: um planeta perfeito. E viu que isso era bom.

Mas ainda havia um novo passo. Ele viria a criar o elemento singular que reinaria sobre todos os outros. Dotado de inteligência, raciocínio e feito à Sua imagem e semelhança, Deus criou o homem.

* * *

Não é maravilhoso pensar que Deus criou esse planeta só para que habitássemos nele? Fez águas potáveis e cristalinas a ponto de refletirem nosso rosto. E hoje vemos correr em suas margens a imagem de nosso descaso. O que era fonte de vida e abundância, hoje é um símbolo urbano do que representa morte e poluição (quem mora em São Paulo entende melhor o que digo).

E como deveríamos nos sentir em saber que cada gesto nosso a destruir o meio-ambiente é igualmente uma mancha nessa “obra de arte” divina? Sendo mais claro, onde está a nossa consciência ao saber que cada papel jogado no chão é uma atitude de negligência para com a obra de Deus?

Isso realmente pode soar como radicalismo, mas não é. Seguir a Deus tem seu preço e esse preço chama-se “obediência”. Obediência é reflexo de amor, respeito, compromisso, dependência, ou seja, quem segue aos mandamentos, necessariamente obedece.

Em verdade, nunca saberemos exatamente a vontade do Senhor se ficarmos sentados no banco da igreja ouvindo o sermão dominical. Precisamos nos aprofundar em Sua vontade explícita nas Escrituras para a partir de então tomar uma atitude construtiva para o Reino. E então concluímos que sim, a Bíblia fala de ecologia.

“Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:20a).

* * *

Para não parecer vago, veja o exemplo de Salomão e Adão, dois homens reconhecidamente sábios. Um foi o rei mais inteligente que este mundo já conheceu e o outro, o primeiro de todos nós e alguém que antes de pecar, provavelmente usava 100% da capacidade de seu cérebro (os seres humanos como um todo usam, no máximo, 10% do seu potencial). Veja um pequeno trecho do que esses homens fizeram:

Salomão: “Dissertou a respeito das árvores, desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota da parede; também dissertou sobre os animais, as aves, os répteis e os peixes. De todos os povos vinha gente para ouvir a sabedoria de Salomão, e da parte de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1 Reis 4:33-34).

Adão: “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar” (Gênesis 2:15). E segue: “Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo” (Gênesis 2:19-20a).

Sábios, comprometidos com Deus, adoradores verdadeiros, exemplos do que o Senhor sonhara para Sua criação. Eles agiram com respeito à Sua obra, a preservaram e a cultivaram. E Deus tem sido tão bom que deixou isso registrado para que nós, hoje, pudéssemos tomar suas atitudes como exemplo. Com os 10% de capacidade que nos restam, não é difícil entender esse propósito. Ou é?

Sementes: Pense no seu dia a dia, o ambiente em que vive, os locais por onde passa. O que você faz com o lixo do que consome? Como administra água, luz e gás? Afinal, qual tem sido o seu esforço em preservar a obra de Deus para as próximas gerações?

Dia D

por Luiz Henrique Matos

Acho que vou chorar. Creio realmente que naquela hora, ao ouvir meu nome, vou sentir um arrepio me subindo pelas espinhas, um aperto de dentro para fora em meu coração que não me deixa pensar em outra coisa, um calor que derrete o gelo e a frieza em meu interior e faz vazar aquele líquido salgado que escorre de dentre os olhos pelas bochechas e embaça minha vista, trava meu nariz, me deixa avermelhado e impede que com clareza eu enxergue o que tanto sonhei. Aliás, com ou sem lágrimas, nem sei se conseguirei olhar diretamente em Seus olhos. Penso que minha primeira atitude será, cabisbaixo, parar diante de Sua glória revelada como uma criança envergonhada, me dobrar calmamente, ajoelhar aos Seus pés em silêncio e fazer algo que nunca ao menos mereci: humilhar-me diante dEle e mostrar minha admiração e honra.

Nada se pode imaginar a respeito da mente e da criatividade de Deus. Não sabemos como será o tal momento, os detalhes, a decoração, o ambiente, a aparência dos anjos auxiliando, guardando e louvando. Como é o Seu trono, como são Suas vestes brancas, o formato do Seu cajado e de que comprimento afinal é Sua barba? Imagino que Ele estará ali, contemplando aliviado àqueles que creram (pudera, Ele trabalhou tanto por isso), com um sorriso no canto dos lábios, a sensação de ter valido a pena o sacrifício de Seu Filho unigênito e o olhar amoroso de um Pai vendo enfim, Seus filhos pródigos voltando para casa.

Como ovelhas antes desgarradas, estaremos ali reunidos. E já separados dos bodes, voltaremos obedientes para o lar, sendo conduzidos pelo nosso Bom Pastor. O veremos então dando alguns passos em nossa direção e dirigir-nos a voz com o tão esperado convite: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25:34). Ouviremos nossos nomes sendo chamados, um a um, não como nos conhecemos, mas como por Ele somos conhecidos.

“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido” (1 Coríntios 13:12).

Conscrito

por Luiz Henrique Matos

(1º texto da série “Plantar e Colher – Princípios Bíblicos”)

“Jovem, ao completar 18 anos, exerça sua cidadania, aliste-se no Serviço Militar Brasileiro”. A locução do comercial não muda, todo rapaz finda sua adolescência, ao mesmo em que treme pela expectativa em tirar sua carta de motorista e pilotar livre seu potente quatro rodas, teme ao pensar na possibilidade de ser convocado a servir o exército.

Alguns (poucos) até gostam. Gostam de dirigir e também do exército. São aqueles malucos que eu via cruzar toda a fila e dizer: “Sou voluntário”. Eu confesso que não entendia um gesto como esse. Entrar para o exército é, segundo o julgamento de muitos, assinar o atestado de humilhação. Armas, disciplina, acordar cedo, obediência, postura, aptidão física, todos esses são pontos com os quais nunca tive muita afinidade.

Ser soldado no quartel é ser um peão nas mãos de grandes jogadores. Eles te manipulam, mandam “pagar dez” flexões (como eu tinha medo disso), judiam, fazem sofrer, te ensinam a ser… ser… servir.

Algum tempo depois de minha liberação por “excesso de contingente” (na verdade eu tinha um grau altíssimo de miopia e uma escoliose que me livraram a barra), ouvi de um vizinho, ex-cabo, que um homem de patente maior nunca manda seu subordinado executar uma tarefa que ele mesmo não possa realizar. Ou seja, para comandar é preciso saber obedecer. Para receber, primeiro é preciso aprender a dar.

Essa foi uma lição que grandes reis como Davi e seu filho Salomão também aprenderam e exerceram. Quando Salomão morreu, seu filho Roboão assumiu o trono e cheio de imaturidade, não soube como agir quando o povo de Israel veio lhe pedir que aliviasse um pouco a carga de trabalho que estava sobre eles e se assim o fizesse, eles o serviriam como fizeram com seu pai. Os sábios que viram Salomão governar o alertaram: “Se hoje fores um servo deste povo e servi-lo, dando-lhe uma resposta favorável, eles sempre serão teus servos” (1 Reis 12:7). O mimado Roboão não ouviu às autoridades, antes, atendeu seus também imaturos amigos de infância e oprimiu aquele gente. O povo não gostou, revoltou-se contra ele e isso provocou a divisão do reino de Israel.

É a regra do quartel, que eu não fiz, mas hoje aprendo: para ser servido é necessário primeiro aprender a servir. Para ser um rei, é necessário antes, saber ser plebeu. Ninguém pode conduzir uma pessoa por um caminho que não conheça. Ou já se viu alguma vez, alguém primeiro ser contratado como presidente de uma empresa e depois de alguns anos ser “promovido” a assistente? Ou no exército, um general aos 18 anos de idade ir descendo em sua patente até que, aos 60 anos, torna-se enfim um soldado?

“Como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:28).

Jesus serviu ao povo. Preocupava-Se com suas necessidades, dores e dificuldades. O Senhor por mais que fosse o alvo daquela multidão que O seguia, cuidava de servi-los. Transformou água em vinho para que não ficassem sem o que beber durante uma festa de casamento, multiplicou pães para uma multidão de cinco mil homens, repartiu o pão e o vinho com os doze que o seguiam depois de lavar-lhes os pés, curou muitos enfermos, ressuscitou um morto e morreu para que os que já estavam mortos tivessem vida.

E serviu também quando já não estava mais aqui, tendo como primeira providencia ao chegar em casa ressurreto, (creio eu) dar um beijo e um abraço apertado em Seu Pai e em seguida enviar sobre Seus filhos o Espírito Santo amado, não nos deixando sós, mas cheios de Sua presença e amor para sempre.

Martinho Lutero declarou: “Este é o mistério da riqueza da divina graça para os pecadores; através de uma maravilhosa troca, nossos pecados não são mais nossos, mas de Cristo, e a integridade de Cristo não é mais dEle, e sim, nossa”. Isso é servir, tomar a dor do outro sobre si e ajuda-lo carregando seu fardo. Isso também se chama misericórdia, ou seja, compaixão pela dor ou sofrimento do próximo. Se ser cristão é seguir a Cristo buscando ser como Ele, então, uma de nossas práticas fundamentais é aprender a servir.

Servir a Deus é servir ao próximo e vice-versa. Servir ao mandamento-mor de Amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo como Ele nos amou. Somos capazes? É óbvio que não. Mas esse é o sonho em Seu coração e deve ser então o nosso alvo.

“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da natureza pecaminosa; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor” (Gálatas 5:13).

Ajudar aos necessitados não é caridade, é cristianismo. Orar uns pelos outros não boa ação, é cristianismo. Pagar impostos, obedecer às leis, ser submissos aos nossos chefes e superiores, dar exemplo da diferença que é ter Deus vivendo em nós, viver a vida de Cristo. Ser cristão não é tagarelar versículos bíblicos aos ventos, mas viver dia-a-dia cada palavra gravada nas Escrituras (conforme 1 Pedro 2:11-23).

E então, pelo nosso gesto, vendo a luz de Cristo em nós, não existirão patentes ou cargos, tão pouco hierarquias que quebrem o laço. O mais alto comandante, o presidente da multinacional, o empresário, o político, o sacerdote, todos se dobrarão e hão de prostrar-se de diante de um carpinteiro, pobre, galileu, amigo de pescadores e prostitutas que salvou o mundo.

Ao que Ele diz a Seus discípulos: “Mas, vocês não serão assim. Ao contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa, como o que serve. Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve. Vocês são os que têm permanecido ao meu lado durante as minhas provações. E eu lhes designo um Reino, assim como meu Pai o designou a mim, para que vocês possam comer e beber à minha mesa no meu Reino e sentar-se em tronos, julgando as doze tribos de Israel” (Lucas 22:26-30).

As sementes (o que precisamos observar e praticar para cumprir esse chamado e iniciar o plantio – é importante estudar esses fundamentos nas Escrituras): na comunhão para adorar (Sofonias 3:9), na diferença neste mundo (Malaquias 3:18), na rejeição do pecado (Mateus 6:24), no trabalho secular (Efésios 6:5-7), no ministério (Colossenses 3: 23-24) e na certeza da promessa (Apocalipse 22:3-5).

Vale a máxima do padeiro: “Servir bem para servir sempre”.

Saudades da minha Facit

por Luiz Henrique Matos

Facit! Esse era o nome da máquina onde aprendi a datilografar. Datilografia era curso essencial para se conseguir aquele concorrido emprego de contínuo no banco. Fora do curso, confesso que datilografei a máquina algumas raras vezes. As teclas são pesadas, o barulho é chato e ela não vem com kit multimídia para se ouvir uma boa música enquanto o texto é criado. Mas isso não é o pior, nenhum dos modelos disponíveis, me permitem apertar o “Backspace” tantas vezes para apagar, corrigir e incluir novas palavras (como fiz aqui, nesse exato instante) e nem disponibilizam os famosos “Ctrl+C” e “Ctrl+V” que me fazem ter uma pontinha de afeto pelas grandes marcas de computadores.

Posso parecer um dos antigos quando falo de máquinas de escrever, saudosistas que rejeitam os avanços tecnológicos e sofrem para entender que para se desligar o computador é preciso apertar o botão “Iniciar” (e isso até eu não entendo). Sou um adepto e fã dessa invenção, armazeno minhas músicas, escrevo minhas mensagens, guardo arquivos, envio o boletim a vocês por e-mail, salvo no site, me comunico com gente de todo lugar… definitivamente, a informática e seus avanços me seduzem.

E pensar que quando nascemos, os poucos microcomputadores disponíveis custavam uma bela grana e a Internet ainda era uma ferramenta de uso militar e acadêmico. Hoje, minha sobrinha de 6 anos, navega pelo site da Mônica, joga o cd-rom do Rei Leão e dá um show quando precisa desenhar no Photoshop (manuseia melhor o mouse do que o lápis!). São os avanços. Imagine por exemplo, que essas mensagens do Missão Pax surgissem há vinte anos. Eu precisaria postar todas as quintas-feiras dezenas de cartas, para que na segunda elas chegassem via correio a todos. O website seria inviável, talvez houvesse um livro em formato de fichário, onde cada um poderia guardar o fascículo (caramba, nunca achei que escreveria essa palavra) da semana.

Mas existe mesmo um certo charme na lembrança – com cheiro de naftalina – das máquinas de escrever e os manuscritos. Minha esposa diz que gosta mais quando lhe escrevo cartas à mão, assim pode ver minha letra, o texto soa mais intimista, pessoal e exclusivo. E também acho isso tudo verdade.

Digamos que o malefício da tecnologia e a globalização no que cabe a ela é que passamos a viver em um mundo onde o “direito autoral” acaba perdido. Músicas podem ser desconfiguradas – a era do sampler, do remix, do virtual – sites invadidos, obras violadas e textos difundidos sem que se conheça seu autor, seus originais e sua veracidade.

* * *

Essa nova idéia de mundo dificulta nosso entendimento a respeito da preservação de documentos originais. Pensemos um minuto nos manuscritos bíblicos por exemplo, eles foram guardados por séculos e séculos. Quantas vezes não questionamos a possibilidade de que algum estudioso, padre ou governante não possa ter passado um Liquid Paper no texto de Êxodo por exemplo e mudado a história. Moisés, que havia passado por sobre uma região alagadiça (como defendem alguns céticos), ficou conhecido então por abrir as águas e atravessar o mar. É essa a nossa mente ocidental, moderna e… incrédula.

No baixo de minha ignorância, posso chacoalhar a memória em busca das aulas de história da tia Antonieta e lembrar que até meados o século XV o acesso a documentos era algo restrito às grandes autoridades.

Falando especificamente das Escrituras, até uns 400 anos a.C. existiam apenas os manuscritos originais em hebraico, que eram os livros e leis usados pelos judeus (sobre os quais lemos em todo o Velho Testamento). Paralelamente aos fatos, o império grego cresceu, dominou diversas nações e a maior estratégia de expansão do reino era difundir sua língua por todo o mundo. Isso incluía a Palestina, onde vivia o povo de Israel.

Após o reinado de Alexandre, o Grande sobre a Grécia, os Ptolomeus o sucederam no poder. Foram eles que organizaram uma comissão de 75 anciãos, eruditos, que fizeram a tradução das Escrituras para o grego, já então língua “oficial” e conhecida de todo o povo (isso acontece no intervalo de mais ou menos 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamentos). Esses manuscritos, somados a outros de diferentes partes, são a maior fonte para as traduções bíblicas que se sucederam, inclusive a portuguesa.

Quanto a preservação de originais, o maravilhoso das Escrituras é notar que diferentes documentos de épocas distintas e localidades também guardam até hoje a mesma informação, sem controvérsias ou distinções entre si. Portanto, é bobagem essa história de que a igreja romana manipulou os originais conforme suas intenções políticas e sociais. Alguns desses documentos nem estiveram sob seu domínio.

Abrindo um parêntese sobre esse ponto, vale pensar o seguinte: Deus é soberano e não cai uma folha de árvore sem o Seu consentimento. Logo, seria estupidez cogitar que o homem tenha interferido nas Escrituras livremente, segundo seus interesses e que o Senhor teria permitido que Seus filhos se baseassem em mentiras para segui-Lo. Então chega de “achismos” a respeito da Bíblia e passemos encara-la como o que verdadeiramente é: a Verdade Divina. Fecho os parênteses.

As traduções em diversas línguas sobre as quais falamos só puderam ser feitas depois da invenção do livro. Por volta de 1.450 (veja bem, só 35 anos antes da Reforma Protestante), Johann Gutemberg “inventou” a imprensa. Até então, a maioria da população era formada por pessoas analfabetas, só a alta sociedade tinha acesso à leitura. A igreja, com seus manuscritos e pedras empilhadas, detinha o domínio sobre a Lei e manipulava os fiéis como bem entendia. Autoridades teológicas de então, tinham a descoberta de Gutemberg como algo destruidor, o povo passaria a ter acesso aos escritos e isso acabaria com a autonomia do clero.

Durante séculos o homem viveu dessa forma, ouvindo o que deveria seguir, calado e confiando no que lhe diziam “os intérpretes”. Não é necessário muito esforço para resgatar a origem do protestantismo e nem é de se surpreender que o maior protesto de Lutero era justamente contra a venda de indulgências, algo que não consta em qualquer versículo das Escrituras mas que era pregado pela própria igreja por interesses financeiros e exclusivistas. Outra defesa do então frei era de que o povo deveria ter livre acesso às Escrituras, algo também controlado pela instituição chamada igreja (a partir dessa conquista da Reforma é que foi atribuído aos protestantes o título de “evangélicos”).

E desde então a invenção revolucionária de Gutemberg nos tem sido útil para que, na cabeceira de nossas camas, na mesa de trabalho e até no computador possamos ter uma versão das Escrituras, traduzida em nossa língua mãe e acessível financeiramente.

Sabemos que há pouco mais de 500 anos, a disseminação da informação acelerou-se de forma quase incontrolável. Era o nascimento do Brasil, a imprensa ainda engatinhava e a Reforma acontecia em um canto da Alemanha.

Hoje, não só temos livros jogados por todo canto, como somos capazes de divulgar informação para todo o mundo, em qualquer instante, idioma, formato ou fonte. Seja verdade ou mentira, bom ou mal, podemos nos comunicar. São os avanços, é o “pogréssio”.

* * *

Será possível que se Moisés vivesse em nossos tempos, subiria na cobertura de seu prédio para uma vigília com o Senho, então anotaria a revelação dos mandamentos em um Palm Top, salvaria no HD de seu microcomputador e enviaria por e-mail ao povo de Israel? A mensagem sairia com uma nota de rodapé dizendo: “Se isso é verdade para você, repasse a todos os seus amigos, não tenha vergonha. Piadas você conta e manda para todos, mas quando são coisas de Deus você guarda ou deleta. Passe para o maior número de contatos e seja abençoado”. Ou talvez passaria os dez mandamentos a todos via Torpedos SMS em seu celular pré-pago?

Não interessa a forma. Não podemos nos apegar a idéias tradicionalistas. Tudo aconteceu como diz a história porque Deus quis assim. E naquele tempo, essa era a forma de todos se comunicarem (lembrando que Moisés estava no deserto)

Deus tem Seus propósitos. E Sua palavra difere de todo escrito justamente porque o Senhor cuida de Sua verdade. Quando entregou as Leis a Moisés, as gravou em tábuas de pedra. Na própria Bíblia lemos uma passagem a respeito dos desejos de Deus para Seus filhos com a seguinte afirmação: “escreve-as na tábua do teu coração” (Provérbios 3:3b), era a cultura e o dia a dia daquele povo.

Independentemente dos tempos (sejam as pedras, os couros, os escribas, os primeiros impressos, os microcomputadores ou sei lá o que vem pela frente), o Senhor preserva Sua Palavra com poder e soberania. O homem tentou frustrar as intenções de Deus, mas Ele faz com que elas sejam mantidas, na íntegra.

Devemos porém, ter cuidado em não deixar que essa geração destrua o que há de história a ser transmitida à nossa descendência. Preservar os fatos e as verdades para que não se percam. E acima de tudo, compreender que a vontade de Deus não está gravada em livros, e-mails, blogs ou em papéis. Os planos do Senhor para nós não estão nos cronogramas de leitura da Bíblia e nem em um versículo aleatório.

Os sonhos do Pai para Seus filhos estão no Seu coração e esse, nós só conhecemos quando temos com Ele uma intimidade sincera, sem falsidades, dogmas ou religiosidade. Ler a Bíblia, seja em papel, tela ou áudio deve ser um hábito que nos conduza a um conhecimento melhor e maior dos planos de Deus, de Sua essência, Seu caráter e Sua verdade. E não há homem que frustrará o desejo do Rei soberano.

“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz e mais afiada do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12).

Não posso viver sem mim

por Luiz Henrique Matos

“Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39 NVI).

Gosto de pensar nas coisas que posso fazer às pessoas que amo. Festejar aniversários e datas especiais. Aprecio cada comemoração com minha esposa, preparar-lhe algumas surpresas, levar flores, dar presentes sem ser algum dia específico, criar situações novas pelo simples prazer em ver estampada em seu rosto a sua expressão mais bela: o sorriso.

Posso facilmente ama-la e também aos meus familiares, meu pastor, amigos e irmãos queridos. Creio que eu consiga ama-los assim como amo a mim e acredito também que faço a eles as mesmas coisas que eu gostaria que fizessem comigo (e também não lhes fazer as coisas que não gosto). Mas me sinto bastante fraco ao pensar se realmente consigo amar, como amo a mim, aos meus inimigos. Jesus disse: “Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam” (Lucas 6:27 NVI) e continuou: “Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles. Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os ‘pecadores’ amam aos que os amam” (Lucas 6:31-32 NVI).

Mas… o quanto amamos a nós mesmos?

De que forma nos relacionaremos com aqueles a quem amamos se não nos amamos da maneira certa? Antes de praticar o nosso amor para com os outros, precisamos pensar no amor que temos para conosco. Não de uma forma egoísta ou pessoal, mas no aspecto que cabe aos nossos relacionamentos. Precisamos fazer uma análise do nosso temperamento, nossos hábitos e a personalidade que desenvolvemos.

Se somos intolerantes, exigentes e perfeccionistas em nossas práticas pessoais, como podemos achar que agiríamos de maneira diferente com os outros? Se temos um comportamento acomodado, negligente e desleixado, igualmente não serviremos às pessoas como quer o Senhor. Indo mais a fundo, tendências suicidas, baixa auto-estima, egoísmo, ciúmes, inveja, preguiça e some-se aqui também todos os frutos da carne que Paulo descreve em Gálatas 5. Se temos isso dentro de nós, o que ofereceremos aos outros?

“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45 NVI).

Antes de tomar alguma atitude para “demonstrar amor ao próximo” devemos pensar se essa “ajuda” realmente condiz com “amor”.

Para seguirmos a Jesus e o amarmos acima de todas as coisas (o primeiro mandamento), precisamos renunciar a nós mesmos e nos preencher de Seu amor. Só então, mais parecidos com Jesus e entendendo melhor o nosso próprio coração, poderemos obedecer ao segundo mandamento do Senhor: amai-vos.

Como você tem se tratado? O quanto e como você se ama? Isso é reflexo de sua comunhão com Deus e o melhor exemplo da atitude que tem com as pessoas. Se seu coração está cheio de Deus, então é amor que você terá a compartilhar, mas se está afundado em angústia e dor, você na verdade precisa é de ajuda.

É amor que precisamos ter e praticar. Nossas vidas devem ser reflexo da glória e do caráter do Senhor, em todos os sentidos.

Pense em como o Pai tem nos tratado ao longo dos anos, Ele nos renova com Sua misericórdia e bençãos. O Senhor nos dá tudo quanto precisamos e não cobra preço por isso. Na verdade Ele pagou um alto preço por nós, com Seu sangue. E Ele o fez de graça, sem interesse algum, incondicional. Sua única vontade é ver uma coisa, algo que por opção Ele não controla… um gesto, uma expressão, um sentimento, uma atitude de: redenção, voluntária redenção.

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24 Almeida Atualizada).

Dentro da gaiola

por Luiz Henrique Matos

Shake e Micci dividem o mesmo quintal há anos. Dois cachorros, uma amizade sincera, um senso de proteção de pai para filho (do primeiro para o segundo). Shake é muito esperto, apesar de vira-lata, é também um cão de guarda legítimo. Quando jovem matava gatos, ratos, pombas e tudo quanto quisesse invadir seu território. Às vezes o soltávamos, saía então pelo bairro por algumas horas e voltava sozinho para casa. Já o Micci… bem o Micci. Um mestiço de Husky Siberiano, bonitinho, meigo, engraçado, mas digamos que tem um QI um tanto baixo. Andei pesquisando, o Husky Siberiano está na 45ª posição no ranking de inteligência das raças caninas.

Ao contrário de Shake, que passeava pelas ruas do bairro e voltava horas depois descansado e feliz, quando abríamos o portão para o Micci dando-lhe enfim a liberdade que reclamara com seus latidos ardidos, ele parava no limite da porta, exatamente na fronteira entre a garagem e a rua, avançava com a cabeça para o lado de fora e latia, só latia. Seu território era sua segurança, ele não ousava avançar, tinha medo. Seria uma versão canina do que os psicólogos chamam de “zona de conforto”. Não adiantava insistir, o portão podia ficar escancarado o dia todo e ele não saía.

Soube que o mesmo fato acontece com as formigas. Lembro-me de um amigo de infância ter contado que se for traçado um circulo ao redor daquelas coisinhas, elas não conseguem sair do espaço delimitado, andando de um limite a outro.

O fato é curioso, porque motivo essas coisas acontecem? De certa forma é natural, são seres irracionais. O estranho é pensar que nós, seres humanos, dotados de inteligência, criatividade e raciocínio passamos boa parte de nossas vidas tal qual o Micci e as formigas do meu vizinho, vivendo livres mas sem saber disso. Passamos anos dentro de uma garagem aberta ou de um círculo ilusório, mas não somos capazes de enxergar que a porta estava destrancada.

“Assim diz o Senhor: ‘No tempo favorável eu lhe responderei, e no dia da salvação eu o ajudarei; eu o guardarei e farei que você seja uma aliança para o povo, para restaurar a terra e distribuir suas propriedades abandonadas, para dizer aos cativos: Saiam, e àqueles que estão nas trevas: Apareçam! Eles se apascentarão junto aos caminhos e acharão pastagem em toda colina estéril’” (Isaías 49:8-9).

Quando morreu, Jesus libertou não um ou dois indivíduos, mas toda a raça humana desde Adão até os o fim dos tempos, sabe-se lá daqui quantos anos. Com seu sacrifício Ele tirou de nós a culpa do crime pelo qual havíamos sido condenados, o pecado. Na ressurreição, Ele abriu as cadeias onde estávamos presos e nos fez livres do inferno. Nosso futuro era claro, quer dizer, muito escuro, eram trevas, cinzas e fogo. Mas quando morreu, o Senhor nos comprou, abriu os cadeados e fechaduras que mantinham a humanidade cativa e no momento em que percebemos isso e reconhecemos então o nosso Salvador, saímos da cela para trilhar o caminho da liberdade em Sua direção.

Mas é triste pensar que passamos tantos anos de nossas vidas lamentando o sofrimento em que vivíamos, sem saber que a porta estava aberta. E igualmente, tantas pessoas nesse planeta ainda vivem sob a mesma cegueira, foram salvas da condenação, mas estão passivas na escravidão mentirosa que Satanás sopra em seus ouvidos e insistem no autoflagelo do sofrimento.

Pois bem, um dia alguém tomou essa iniciativa. Um dia você foi avisado que a porta estava destrancada (seja por um pastor, um amigo, uma música, livro ou a Bíblia). Se você então ama seu próximo como ama a si mesmo, então faça a ele o melhor que foi feito a você até hoje: anuncie-lhe a salvação por Cristo Jesus.

E anunciar o evangelho não é só abrir a boca e tagarelar sobre Jesus ao primeiro coitado que lhe aparecer pela frente. Saiba que Deus já tem um plano. Quando sonhou com sua vida, Ele pensou na sua essência e no dom que tem para você: pregar, tocar um instrumento, ajudar no templo, dar alimento aos pobres, desenhar, escrever. Seja qual for, o objetivo desse “presente” é servi-Lo, adora-Lo alcançando vidas que Ele ama e nós também devemos amar.

Existem pessoas, criadas à semelhança de Deus, sentindo-se presas como animais irracionais e nós estamos aqui, sentados nos bancos de nossas igrejas, cheios de palavras, intenções e idéias, mas efetivamente temos feito o quê? Não somos super-heróis, santos e cheios de poder, Jesus sim, é o Salvador, Santo e Onipotente, que com um gesto nos salvou.

Nós somos dEle, somos a voz no silêncio deprimente, somos os ex-detentos que devem entrar na prisão escura com uma lâmpada, pisar na lama, estender as mãos e ajudar os que estão cegos a enxergar a Verdade exposta à sua frente.

“A prisão foi abalada, e suas portas abertas, mas, a menos que saiamos de nossas celas e sigamos em direção à luz da liberdade, ainda permanecemos sem verdadeira remissão” (Donald Bloesch).

A diferença

por Luiz Henrique Matos

Os deuses do mundo são os que esperam sacrifícios de seus seguidores.

O Deus eterno sacrificou a Si mesmo em nosso favor, para mostrar que antes de nossa devoção, Ele nos amou.

O incrédulo sente-se em um barco à deriva, sem rumo, destino ou futuro.

O crente navega pela tempestade seguro de que o Senhor controla os ventos a seu favor e caminha sobre as águas em sua direção lhe convidando à vitória no sobrenatural.

O coração do homem é corrupto e condena ao mínimo erro de seu próximo.

O coração de Deus é puro e perdoa Sua criação ao mínimo sinal de arrependimento, buscando a ovelha perdida ainda que essa caminhe distante de todo o rebanho.

O caminho do pecado é largo, belo e oferece prazeres, mas conduz seus peregrinos à morte.

O caminho de Deus é estreito, cheio de espinhos e provações, mas a luz que ilumina o fim da trilha é a glória da vida eterna.

A morte espiritual no pecado é o sinal do inferno, a voz diabólica da acusação, opressão e provocação maligna.

A vida em Cristo Jesus é o milagre da cruz, a esperança pela fé na promessa, no porvir e na voz da Soberania Divina que exclama dos céus: Esse é meu Filho amado em quem me comprazo!

O poder da Palavra

por Luiz Henrique Matos

“Então, os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam” (Marcos 16:20).

Os sinais que a acompanham. Interessante, os sinais não seguem com os homens, tão pouco com suas atitudes ou vontades, os sinais não vêm sozinhos. Mas a Bíblia diz que eles acompanham a Palavra do Senhor. Deus Pai optou por não falar ao mundo com Sua voz estrondosa e trovejante. Deus Filho viveu entre nós, falou conosco durante apenas 33 anos, e libertação, cura e ressurreição acompanhavam Seu caminhar (afinal, Ele é o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus viva). E o Deus Consolador habita em nosso meio, mais especificamente em nossos corações eternamente.

Mas nos das de hoje, a voz de Deus no mundo não sai de Sua boca, mas é colocada por Ele em nós. Somos os instrumentos escolhidos por Ele para disseminar Sua vontade e pregar a mensagem da Verdade.

E como homens, somos tão ávidos em ver os tais sinais e maravilhas, em vislumbrar os milagres, em presenciar o sobre-humano e esquecemos que a única forma de isso ter de fato uma ação concreta e gerar frutos é por meio do plantio. Ao semear o poder de Deus presente nas Escrituras, vemos o Seu agir e mais importante, experimentamos em nós, um pouco da satisfação do Pai ao ver Seus filhos andando no caminho que Ele escolheu.

“Pregue sempre o evangelho, quando necessário use palavras” (São Francisco de Assis).

A quem enviarei?

por Luiz Henrique Matos

“Envia-me a mim” disse Isaías ao Senhor, quando perguntou aos Seus anjos quem iria por Ele. E Isaías foi, profetizou e anunciou o Reino e Jesus ao povo de Israel (Isaías 6).

“Envia-me a mim” ofereceu-Se Jesus ao Pai, quando dos altos arquitetou o plano de salvação de Sua criação. Então Jesus veio, fez-se homem entre nós, viveu, morreu, ressuscitou par anos libertar e não nos deixou sós (1 João 4:14).

“Envia-me a mim” lembrou o Espírito Santo a Jesus, quando o Messias subiu ao céu após a Sua morte. O Espírito Santo desceu sobre os filhos de Deus e passou a habitar em todos os que crêem no sacrifício da cruz (Atos 2).

“Envia-me a mim” dizemos nós, domingo após domingo em nossas orações e cânticos. Mas não convictos de que como Isaías, Jesus ou o Espírito de Deus temos cumprido com nosso papel de seguir os planos do Pai para nós, individualmente. E se oramos, devemos estar certos de que Ele nos ouve e aguarda o momento exato para nos dar Sua resposta.

– Pai, envia-me a mim.

– Filho, “ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. E estes sinais hão de seguir os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e quando beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal algum; imporão as mãos sobre enfermos, e os curarão” (Marcos 16:15-18).

Sem começo, meio ou fim

por Luiz Henrique Matos

Sempre gostei de ler. Desde a infância meus pais sempre incentivaram a mim e meus irmãos a cultivar esse hábito. No começo eram livros só com figuras, pinturas e ilustrações auto-explicativas. Depois esses deram espaço a uma ou duas frases por página e a medida que os anos passavam (ou eu subia um grau na minha carreira escolar) o espaço para os desenhos iam ficando cada vez menores e as letras diminuíam em tamanho, cresciam em espaço e não satisfeitas tornavam os livros cada vez mais grossos.

As letras sempre foram o meu esconderijo secreto. Os momentos em que estou sozinho, alheio ao mundo e focado em um único ponto. Minha cabeça pára de girar, os relatórios atrasados, dores de cabeça e avenidas entupidas deixam-me por um instante e permitem que eu me concentre em uma coisa apenas: a história contada.

Há alguns anos descobri as Escrituras Sagradas, ou melhor, com o perdão da palavra, creio que foram elas que me descobriram. Palavras de consolo, de ânimo, histórias reais de vida, de morte e até de ressurreição. Aventuras, poesias, história, geografia, romances, ilustrações. Palavras de vida, palavras vivas. Eternas e ternas. A cada leitura uma experiência e um crescimento. Não é bem a voz de um homem que ali se encontra, mas dentre tantos relatos, histórias e pontos de vista, posso encontrar a influência de um só Autor, inspirando Seus instrumentos a registrarem Sua verdade.

Cuidadosamente, Ele preparou tudo muito antes de acontecer, deu o grito de largada e assistiu o desenrolar dos fatos. Amparou os tropeços arrependidos, castigou a arrogância destemida, viu Seus filhos crescerem em estatura, graça e sabedoria. Por cerca de 1.600 anos providenciou que essas palavras fossem registradas, por – estima-se – 42 homens diferentes em momentos e lugares igualmente distintos. E apesar de tantos probabilidades de erros e contradições, essas palavras se confirmam e completam em harmonia incomparável.

Doce como o mel, luz para o meu caminho, lâmpada para os meus pés, fonte de sabedoria, verdade cortante, espada, Palavra de Deus.

Hoje, quase 2.000 anos depois do ponto final desses relatos, mesmo que os leia de uma ponta a outra, percebo que esses livros envolvem de forma especial e de fato, me tornam um homem ao mesmo tempo mais forte e inocente, um filho liberto e igualmente dependente, vazio de mim mesmo e cheio de Sua inspiração. E ao contrário das leituras em que me embrenhei a.C. (antes de Cristo em mim), a Palavra do Senhor não tem um ponto final, ela é realmente viva, tal como seu grande Autor que continua a falar, falar e falar a quem quer que Lhe consulte.

Está com sede?

por Luiz Henrique Matos

A oração

Oi Mestre, tudo na Paz? Estava pensando em Você. Pensando nos tempos em que esteve aqui em nosso meio como Homem, pisando o mesmo chão, caminhando sob o mesmo sol, conversando face a face com Seus filhos, bebendo da mesma água, sentando à mesma mesa, navegando pelos mares e desfrutando o prazer de sentir a brisa suave tocando o Seu rosto.

Conheço e leio a respeito do quanto sofreu por mim e por todos os homens dessa terra. A cada dia me sinto tanto mais tocado pelo Seu martírio, arrependido pelos motivos em que tudo aconteceu e agradeço de coração pelo que fez. O Senhor sabe que diariamente nos falamos e nesses momentos tenho o privilégio de Lhe declarar meu amor, que pessoalmente, pretenderia fazer em todo o instante com meus gestos, falas e pensamentos, mas é difííícil.

Seu sofrimento, meus irmãos e eu conhecemos há tempos (tanto que muitas vezes até somos frios com relação a isso). Sua ressurreição também é muito clara e de fato cremos nela. Mas por esses dias refleti sobre algo um tanto diferente: tenho desejado estar mais ao Seu lado. Eu falo fisicamente, junto, assim como dois grandes chapas, como Pai e filho, unha e carne.

De verdade, não quero que caminhe comigo. Mas quero eu caminhar Contigo, seguir os Seus passos e não os meus. Quero andar como Sua sombra.

Desejo tanto ter estado ao Seu lado enquanto caminhou neste mundo. Ver Lázaro ser ressuscitado, recostar minha cabeça sobre Seu peito durante a ceia, ungir Sua cabeça com o óleo, estar ao Seu lado naquela sala quando desceu um cara doente pelo teto da casa, vê-Lo pregar no templo e expulsar aqueles hipócritas que desonraram a casa do Pai com o comércio ali dentro. Tenho o desejo de ter vivido nessa época e estar ao Seu lado enquanto seguia para a cruz e ali, aos Seus pés, mais uma vez Lhe dizer o quanto esse amor é fundamental em minha vida.

Ah Jesus, são tantas histórias que leio nas Escrituras, e pensar que muitas outras nem foram contadas. Dormir sob o mesmo teto, comer dos cinco pães multiplicados, orar junto com o Senhor em uma vigília no monte, espera-Lo voltar do deserto enquanto derrotava Satanás e ouvir as novidades.

Eu não tenho cabelos cumpridos como os galileus ou as mulheres, mas seria um prazer ajoelhar-me para secar-Lhe os pés. Eu realmente não sou digno disso, mas viver ao Seu lado nesses tempos me seria uma honra.

Creio que nesse momento posso compreender Suas palavras àquela samaritana e confesso, tenho sede profunda em ser preenchido com as águas vivas e adora-Lo não pelo que fez, mas pelo que é.

A revelação

Filho, Minha graça seja contigo! Tem sido uma aventura agradável lhe ensinar Meus caminhos. Estive nessa terra por um tempo breve, só para cumprir esse propósito que você disse já conhecer e mostrar-lhe um pouco do Meu amor.

João escreveu bem quando registrou que muitos outros feitos foram realizados e não caberiam naquele livro se tivessem sido relatados, mas creio sinceramente que os que ali estão bastam para que conheça exatamente o que Eu espero de você, Meu discípulo.

Saiba que as experiências de Lázaro, Maria, João e tantos outros são testemunhos do Meu amor e vontade a todos os que em Mim depositar sua fé. Mas tenho para todos os Meus filhos planos tão maiores e grandiosos.

Querido, nas Escrituras já lhe disse que todos os seus dias foram planejados por Mim e não por acaso te fiz nascer nesses tempos. E se o fiz, é porque Meus sonhos para sua vida e minha unção sobre você foram programados para tocar essa geração e não quando estive aqui, como você tem desejado.

Como já disse a Filipe, eu vivi, morri, ressuscitei e subi ao céu. Mas Minha primeira providência foi enviar sobre todos os Meus, o amado Espírito Santo para habitar não seu lado, mas dentro de você. Eu, como pessoa, não estou mais por aí, mas Minha divindade, poder, sentimentos, amor e vida (que é o que importa) moram em seu coração.

Você não pôde estar comigo há dois mil anos, mas pelo que fiz na cruz, hoje pode sentir a todo instante o Meu toque, algo que nenhum dos que estiveram ali puderam ter.

João Batista batizava com água. Eu, porém, batizo com o Espírito Santo a todos os que vêem a Mim com o coração quebrantado, crente e disposto. E sobre os que desejam mais, derramo sim rios de águas vivas. Como eu mesmo disse à samaritana que você citou: “No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São esses os adoradores que o Pai procura” (João 4:23).

Se você quer mais é só pedir, Eu estou aqui.

Criminoso confesso

por Luiz Henrique Matos

Por um instante, imagine-se há 1.971 anos em Jerusalém. Você está em meio a uma multidão de homens, mulheres e crianças, judeus e curiosos, moradores e turistas. Tudo acontece durante o período da festa da Páscoa e a cidade está cheia de gente, vindos de todas as partes do país. Há poucos minutos você viu um tumulto e entrou para ver do que se tratava.

Veja então Jesus. Ele está ali, no topo daquela escadaria, diante de Pôncio Pilatos. Depois de passar a madrugada sendo espancado e julgado pelos líderes judeus Ele volta até Pilatos, o então governador romano em Jerusalém. Só os romanos tinham autoridade para condenar alguém à morte e caberia àquele homem dar seu ultimato a respeito do líder rebelde que se dizia Filho de Deus, sobre quem os judeus pediam tal pena. Em uma tentativa frustrada, pediu ao povo que escolhesse por libertar entre Jesus e Barrabás, um famoso criminoso, e o povo optou pelo segundo. Noutro momento, espancou a Cristo como manda a tradição romana para ver se isso era suficiente para saciar aquela sede de sangue, mas ainda assim não os satisfez. Agora aquele homem não tinha opções. Em seu apelo derradeiro perguntava: “O que eu faço com esse, que se diz Rei dos Judeus?”

E você está ali, no meio daquele povo. Vendo aquele homem que se diz Deus sangrar como um cordeiro sacrificado diante de um altar. Nenhum milagre aparente, nenhum trovejar nos céus, nada sobrenatural que pudesse testificar aquele judeu como o Senhor. Afinal, como poderia Deus cambalear dessa forma? Como poderia o Messias nascer em um lugar miserável como a Galiléia? Como poderia o Cordeiro ser filho do carpinteiro? Ele só pode estar blasfemando.

Pilatos então faz sua pergunta, ao que você, envolvido pela multidão exclama: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Você ainda pode ver o governador romano consentir aos seus soldados que conduzam Jesus ao sacrifício. Eles colocam aquela cruz sobre Suas costas e Ele caminha até o Gólgota, onde é pregado naquele madeiro e exposto a todos até que morra.

Qual é a sua reação ao assistir a carnificina? Naquele tempo, talvez nenhuma. Esse tipo de morte era comum à época. Era de fato, divertido, ver um bandido ser morto. Cuspir nele, atirar pedras e rir de sua humilhação durante a “via crucis” fazia parte do espetáculo. Mas Ele era um bandido?

Você não tem mesmo dúvidas, Ele não pode ser Deus. Se é mesmo o Messias, porque não desce da cruz e salva a si mesmo e a todos? Porque então ao invés de nascer naquela manjedoura em Belém, não rasgou os céus e desceu montado em um cavalo branco? Seria muito mais nítido compreender dessa forma. Ao contrário, Ele apareceu na cidade dias atrás, montado sim, mas sobre um jumento!

Em pé, parado, aos pés da cruz, você contempla o sangue jorrar do corpo deformado daquele homem que há alguns dias pregava com ousadia no templo e tempos atrás foi aclamado por curar cegos, paralíticos e até ressuscitar mortos. Sua cruz está no centro, à direita há um ladrão gritando esbravejante, à esquerda um outro que Lhe fala algumas palavras e ouve Seu sussurrar como resposta. O que Ele diz? Porque não grita xingando àqueles que o chamavam de mestre e seguiam como discípulos?

Mas você só assiste. Assiste até que vê Sua cabeça erguer-se com dificuldade, Seus olhos abrirem-se com tanto esforço e focarem nos seus. Sim, Ele está olhando para você. Um calor toma conta do seu corpo, parece que você não tem mais controle sobre si, há um sentimento de medo mas imediatamente é substituído pela segurança de uma mão que te sustenta.

Ele te vê e você não consegue desviar. Não há ódio, mágoa ou rancor em Seu olhar. Ao contrário, há um amor inexplicável. Você então sente-se como se não tivesse controle algum, começa a chorar e ver os pregos que O sustentam na cruz, as marcas da tortura, os cravos fincados em Sua cabeça, a dificuldade em respirar. Você já não tem mais dúvidas, todos erraram. Foi você. Sim, foi você quem há algumas horas duvidou e gritou: “Crucifica-o!”

* * *

Por sorte – você pensa agora – eu não estava ali há tantos séculos. Nasci há algumas décadas e nada sei sobre o que aconteceu naquele dia. Sei que Jesus me salvou e ponto.

Mas o que as Escrituras dizem é um tanto diferente. Jesus entregou-se voluntariamente, é fato. Ele nasceu com o propósito de morrer, ressuscitar e com isso, lhe dar a salvação sobre os pecados e a vida eterna ao Seu lado. Mas… porquê Ele precisou morrer?

Porque você o matou.

Não exatamente com suas mãos, armas ou com seu grito, mas esse crime foi cometido em seu coração. Tão pouco o fez com ódio ou raiva intencionais, mas por negligência e teimosia em achar que sozinho, veja só, seria capaz de conduzir sua vida.

Quando sonha em ser independente do Pai, quando os desejos são maiores do que a obediência, a razão maior do que a fé, o egoísmo maior do que o amor, o pecado maior do que a santidade. É nesses momentos que uma voz interior exclama: “Crucifica-o!”

Não foram judeus, não foram romanos, não foram homens. Não foi a carne, sangue ou qualquer obra material, foi o pecado, o mal uso do livre-arbítrio, a rebeldia humana que afastaram Deus.

Sente-se culpado? Algum remorso? Pois Ele não quer que Lhe sejam pedidas desculpas, mas ao contrário, Ele anseia por um convite. Ele não quer ter razão, quer derramar amor. Ele não quer um trono para ser rei, quer reinar em Sua casa, o lugar que escolheu: o seu coração.

O fruto do ódio humano foi o amor paternal. O resultado de Sua prisão, foi a sua liberdade. O peso da cruz sobre Seus ombros, foi para aliviar o fardo sobre os seus. A razão de Sua morte, era gerar vida.

“Pai, perdoa-lhes”, foi Seu pedido enquanto sofria. Assim é Deus, Misericordioso e Soberano. Não há atitude humana, que mude Seu amor, seja para menos ou para mais. Ele te ama de forma igual e eterna. E Ele mesmo consola o que chama de Seu quando esse coloca-se aos Seus pés clamando:

– Pai, me perdoe, eu pequei contra Ti.

“Espírito Santo Consolador, desça sobre ele”, é Sua promessa sendo cumprida, para que mesmo não podendo vê-Lo, você possa senti-Lo habitando dentro de seu coração para todo o sempre.

É verdade, segui-Lo vale qualquer preço e ama-Lo deve ser seu maior esforço. É preciso então prosseguir na certeza de que, por mais distante que você esteja, Ele nunca se afasta. Por mais longe você vá ou fundo que venha a cair, o caminho de volta é sempre perto e instantâneo, porque Sua mão está estendida para te resgatar. Agarre-a.

O rei Davi, você e Saddam Hussein

por Luiz Henrique Matos

Orar para ter sorte e proteção do céu, ler a Bíblia de manhã como um horóscopo para ver o que Deus diz, esperar a “revelação profética” de um “irmão ungido” para decidir o futuro, carregar uma Bíblia na bolsa para ficar protegido do diabo, gritar enquanto ora para ver se Deus ouve melhor, recitar versículos de “vitória” como mantras para se guardar, ambicionar “cargos” dentro da igreja, ler Salmos e Provérbios porque “falam” mais… Quantas bobagens. E saber que isso em nada difere das práticas ocultistas que são tantas vezes condenadas nas escrituras e nas congregações. Mas infelizmente fazem parte da realidade de nossa igreja.

“Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio” (Apocalipse 2:4-5a NVI).

Penosamente, por conseqüência da cultura firmada em misticismos e da miscigenação religiosa que temos no Brasil, ao nos convertermos trazemos para o cristianismo vícios que não são verdadeiros a ele. Por isso, precisamos conhecer a base de nossa fé para que não sejamos enganados por essas mentiras de Satanás dentro de nossas próprias comunidades.

“O Espírito da verdade. O mundo não pode recebe-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e está em vocês” (João 14:17).

Deus vive em nós. A partir do momento em que olhamos para a vida de Jesus e acreditamos que Ele nasceu, morreu e ressuscitou para nos salvar, o Espírito Santo de Deus passa a habitar em nós. Isso é o sinal da salvação que temos no Senhor.

O poder que vemos manifesto através de outras pessoas na igreja, os dons do Espírito Santo sendo realizados, Suas curas, revelações, milagres, sinais e maravilhas, profecias, o orar em línguas estranhas. Tudo isso, sem o verdadeiro conhecimento de seu propósito pode levar o povo de Deus a tirar conclusões erradas sobre o agir sobrenatural e o pior, ter isso como verdade e conduzir sua vida espiritual sobre detalhes tão pequenos diante da grandeza de Seu Provedor.

“Se você acha que a educação custa caro, tente a ignorância” (Berek Bok). “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” (Salmo 119:105).

Um irmão ser usado com dons de Deus não é nenhum sinal de status ou algo diferente que ele tenha e qualquer outro cristão não. A Bíblia já diz, os dons são do Espírito Santo e não dos homens (leia atentamente 1 Coríntios 12, 13 e 14). Esse agir que vemos, é a vontade de Deus sendo realizada por meio daqueles que se dispõem a viver em intimidade, obediência e submissão aos Seus preceitos.

Como ter uma vida assim? Buscando a Deus.

O Senhor não faz distinção de Sua criação. Ele ama da mesma forma George W. Bush e Saddam Hussein, mas vemos pelos frutos que o contrário não parece ser verdadeiro. E igualmente aos dois anteriores, Ele amou Abraão e amou Davi e vimos na história que houve um sentimento recíproco nessa relação, o primeiro foi por Ele chamado de amigo e do segundo foi dito ter um coração segundo o Seu. Da mesma forma Ele ama a mim e a você. E como tem sido nosso relacionamento com Ele?

Deus fala com quem fala com Ele. Ele age através daqueles que se dispõem a ser instrumentos em Suas mãos. Ele responde aos que Lhe perguntam. Dá aos que Lhe pedem. E dEle, só dEle é a glória por tudo isso. Não devemos tentar ter glória no lugar de Deus, esse foi o pecado de Satanás.

As escrituras descrevem cada mandamento que devemos seguir e cada pecado que devemos evitar. Citam as conseqüências da obediência e da desobediência também. Nela lemos quais são os frutos do Espírito Santo e os frutos carne. Ali vemos exemplos de homens que viveram em intimidade com o Senhor e outros que perderam suas vidas justamente porque O negaram.

A Bíblia em si, como livro, não é nada se através dela não tivermos a revelação de Deus. E só conhecemos a Deus se temos amor por Ele e pelo que nos deixou como herança. Nossa riqueza é Jesus. Assim, só chegamos à plenitude em Deus, por meio dEle mesmo.

Deus nos criou à Sua semelhança e Ele nos conhece mais do que nós. Ele tem intimidade conosco, porque sonda o nosso interior, nos julga pelos nossos pensamentos e nos vê pelo que somos e não pelo que aparentamos. Mas nós temos intimidade com Ele? Um relacionamento envolve sempre duas pessoas e o problema é que na maior parte das vezes temos os nossos olhos focados só na criatura (nós) e não no Criador (Deus).

Pois esse é o princípio da adoração: Deus.

E saiba que o Senhor tem sentimentos a seu respeito, Ele tem ouvido tudo o que você lhe diz, mas também tem muito a dizer. Aprenda a ouvi-Lo. Para isso é necessário conhecer o Seu caráter, Seus sonhos, Sua vontade, Seu coração e Sua voz. Voz que, as escrituras dizem, é como de muitas águas, que pode soar como um trovão, que algumas vezes veio diretamente do céu e em outras da boca de um anjo ou profeta. Mas essa voz hoje, dirigida a você, tem um som doce e agradável, que fala no íntimo e diz sempre antes de tudo: “Meu filho, eu te amo”.

O que você vai responder?

Casados para sempre

por Luiz Henrique Matos

Aquele corredor nunca pareceu tão longo, o tapete estendido entre os bancos, a porta dos fundos fechada e todas aquelas pessoas olhando para trás. A expectativa coletiva, o frio na barriga dos convidados à postos. E ali na frente, o noivo em pé, olhando para o horizonte vazio à espera de sua amada que prometera não se atrasar.

Cada minuto lhe parecem horas. Há tempo para pensar em todos os momentos juntos até ali. Como em um filme, um flashback lhe surge à mente recordando cada detalhe dessa história. O dia em que se conheceram, os dois corações pareciam bater no mesmo ritmo, freqüência e intensidade. Os olhares. O amor apaixonado do começo há alguns anos, o frio na barriga dos primeiros momentos, a vontade de agradar com pequenas surpresas e presentes. Os carinhos. O toque de mãos e dedos entrelaçados como uma força única que parecia uni-los infinitamente. As longas noites de conversas. A amizade íntima e sincera, em que mesmo o silêncio, já dizia muito.

Ele lembra do dia do noivado. Ali eles fizeram seu pacto, a primeira aliança, o compromisso e intenção de estarem juntos para toda a eternidade. O desejo declarado diante de todos a respeito do relacionamento e família que desejam constituir. Os frutos de um amor verdadeiro que viriam.

É certo que tiveram dificuldades. A traição dela no princípio, a inconstância em seus sentimentos… como lhe doeram! Mas ele, mais do que ninguém, sabia de sua promessa e perseverou. Poucos entendiam o quanto sofreu e lutou por esse amor. Foi ao fundo do poço, mas reergueu-se para salvar seu relacionamento. Hoje, sequer lembra-se do que aconteceu, “está no profundo mar do esquecimento” diz ele cheio de perdão.

Mas chegou a hora. Depois de tantos preparativos e conversas, esse é o momento tão esperado. O noivo apaixonado, confiante em seus sentimentos, sorri por dentro e por fora enquanto aguarda sua amada. Estão ali as testemunhas comprovando a união, toda a família, os sacerdotes e os anjos que começam a tocar seus instrumentos celestiais naquela marcha de núpcias e louvor.

Ao que abre-se a porta e ela vem, caminhando em passos firmes, com vestes brancas e resplandecentes. Diante do altar se encontram, ele levanta o véu que cobre seu rosto e podem ver-se face a face, relembram então as palavras e momentos daquela união, trocam as alianças, abraçam-se e celebram: casados para sempre!

E certamente, sabemos, eles viverão juntos para todo o sempre. Na saúde e na saúde, na alegria e na alegria. Um laço eterno e maravilhoso que a morte nunca separará. O Noivo vem para buscar Sua noiva e cumprir a promessa que fizera quando se conheceram: “Eu voltarei” (João 14:3).

Essa é a promessa: tão certa quanto Sua criação e existência, Ele conduzirá os passos de Sua amada noiva, a igreja, arrependida, limpa e consagrada ao paraíso que lhe fora dedicado desde o princípio. Estejamos prontos.

“Regozijemo-nos, alegremo-nos e demos-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se arrumou'” (Apocalipse 19:6-7b). “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo’” (Mateus 25:34).

A razão do ser

por Luiz Henrique Matos

Creio que um dia, no alto de Sua glória, Deus teve um sonho. Ele pensou e sorriu, olhou então para o universo vazio e disse: vou criar o homem.

Mas porquê? Qual o motivo dEle ter nos criado? Um universo tão extenso, um mundo tão grande, cheio de perfeições e seres magníficos, o céu, os mares, a terra… tudo isso como um lar para Adão, Eva e sua descendência até nós! Quando Deus criou o homem, Ele tinha um plano perfeito em Seu coração. E esse plano deu seqüência à criação de toda a humanidade, habitando em um mundo sem maldade, sem pecado, incorruptível, abundante de Seu amor. Ele planejou, esculpiu Sua obra de arte e deixou gravado nas escrituras a Sua satisfação quando declara: “E viu Deus que isso era bom” (Gênesis 1:10, 12, 18, 21 e 25).

Infelizmente o homem fugiu desse propósito, cedendo à tentação do pecado e comendo do fruto proibido. E mesmo diante do pecado de Adão e toda a conseqüência de erros e desonras de Seu povo através das gerações, como prova de Sua promessa, Ele não desistiu. Ainda assim Ele amou. Ele viu Suas ovelhas seguindo para a morte e isso Lhe era doloroso demais. E para nossa redenção, fez-se homem entre nós. Viveu sem pecado, anunciou o Reino e voluntariamente foi sacrificado como preço pago para nossa salvação e remissão de nossos pecados. E desde então, estamos novamente limpos para cumprir os sonhos de Deus para nós.

Quando Deus sonhou com o homem, Ele quis ser conhecido entre todos. Nosso Deus é soberano e poderia reinar e falar com Sua criação como bem entendesse, pessoalmente, por sinais, sonhos. Mas não, Ele desejou que o homem fosse o reflexo de Sua glória nessa terra. “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). O Pai não nos criou somente para adora-Lo e servi-Lo, os anjos já o fazem com excelência. Ele sonhou com uma família, que vivesse e refletisse Sua santidade, Sua beleza, Seu amor.

No livro de Êxodo há um momento em que Moisés pergunta o nome de Deus, ao que Ele diz: “Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Êxodo 3:14) e mais adiante “Falou mais Deus a Moisés, e disse-lhe: Eu sou Jeová” (Êxodo 6:2). A pronúncia para a expressão “Eu sou” em hebraico é Jehovah (ou, como conhecemos, Jeová). Também daí vem a composição do nome de Jesus Cristo. “Jesus” quer dizer “Jehovah reina sobre nós” e “Cristo”, vem do grego Christós que quer dizer: “o que foi ungido”. No Evangelho segundo João, vemos a narrativa de quando Jesus está no templo, os fariseus começam a questiona-Lo e em meio ao diálogo o Senhor lhes diz: “Então Jesus disse: ‘Quando vocês levantarem o Filho do homem, saberão que Eu Sou'” (8:28a) e continua “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (8:58). Vemos então que desde o princípio o Filho de Deus esteve ao Seu lado, participando da nossa criação. Jesus foi o Deus Homem, viveu aqui como o exemplo físico e concreto do que o Senhor quer que sejamos.

Somos parecidos com Deus quando estamos limpos do pecado, quando temos comunhão com Ele em oração, quando O amamos e buscamos acima de todas as coisas. Fomos criados à semelhança de Deus porque Ele quis assim. E ao Seu povo, Ele deixou instruções claras de como realizar o sonho dEle.

Deus nos diz: “Sejam como Eu Sou”.

Marketing do Senhor?

por Luiz Henrique Matos

Você sabe o que é marketing? Segundo Philip Kotler (o cara mais entendido nesse assunto) “Marketing é a atividade dirigida para a satisfação das necessidades e desejos, através dos processos de troca”.

Analisando friamente, vemos que Jesus foi um ótimo marqueteiro. Não no sentido negativo da palavra mas no aspecto conceitual mesmo. Seguindo a definição de Kotler, sabemos que Ele satisfaz plenamente nossas necessidades e desejos. E só pede em troca que sejamos fiéis a Sua Palavra. E convenhamos, não existe “consumidor de Deus” que esteja insatisfeito com os “serviços prestados”.

E a nós, igreja do Senhor, não tem nada de errado usar o marketing e as ferramentas da administração em favor do Reino. Comunidades cristãs em todo o mundo já tem programas de televisão, rádios, websites na internet, divulgação de CDs em revistas, malas diretas, e-mails de divulgação. E isso não é de hoje, veja por exemplo os Gideões Internacionais, há anos eles deixam amostras de Novo Testamento em qualquer canto que se vá, com o objetivo claro de expor a Palavra de Deus a todos. Deus deu inteligência e conhecimento ao homem para que esse faça uso dela em um bom propósito. É verdade que tudo desse mundo tem seu mal uso, mas isso não significa que pertençam a Satanás, significa sim, que são usados por ele em outras áreas.

Em nossos dias, uma grande ferramenta de marketing que temos em nossas mãos é um filme. É natural que pela superexposição na mídia (lembram do e-mail da semana retrasada?) falemos de “A Paixão de Cristo”, no cinema há algum tempo, ainda está bem fresco em nossas conversas e é especulado por muitos como “a melhor ferramenta de evangelização em dois mil anos”.

É fato que esse filme não é exatamente a Bíblia e nem se compara a uma experiência verdadeira com o Senhor. Portanto, não podemos usa-lo livremente como único argumento na tentativa de converter uma vida. A semente a ser plantada sempre foi e continua sendo a Palavra de Deus e quem a semeia é o Espírito Santo. Mas isso não quer dizer que devemos descartar um meio valioso que temos em mãos. Afinal, de cinema todo mundo gosta, de ir a igreja, só crente mesmo. Então, para onde é mais fácil levar um amigo?

Para se ter uma idéia do barulho que a fita tem feito, basta entrar em qualquer portal evangélico na internet. Bem ou mal, todos falam algo sobre o filme (a expressão “A Paixão de Cristo” traz 53.000 resultados no site de busca Google). Olhe então para sua caixa de e-mails, com certeza algum texto evangelístico, uma apresentação em powerpoint ou notícia já devem ter aparecido. Nas igrejas, os pastores falam sobre o filme. Em algumas cidades do mundo, congregações fecharam salas exclusivamente para exibição aos seus membros.

Como não era de se impressionar, os grandes estúdios de cinema norte-americanos já começaram a encomendar histórias com o mesmo perfil “religioso” para serem filmadas. Junto com o filme, crescem também em vendas os livros, cds, filmes e todo material que trate sobre a morte de Cristo.

Também no meio secular, o assunto ganhou destaque em espaços, digamos, valiosos em se tratando de divulgação. A revista Time, trouxe na capa de uma de suas edições uma chamada para a matéria que debate o motivo da morte de Jesus. O jornal francês Le Monde, diz que o filme provoca fundamentalismo entre cristãos. No Brasil, a Editora Abril dedicou a capa de três revistas no mesmo mês para o assunto, além das inúmeras matérias no interior de outras publicações e a Editora Globo colocou na primeira página de sua principal revista (Época), uma reportagem sobre o filme. Na Folha de São Paulo e outros grandes diários do mundo todo, várias notas sobre o tema. Enfim, toda a mídia tem dado destaque ao assunto, eu creio que não é por interesse ou sede do Senhor, mas porque isso dá audiência e audiência gera publicidade, que traz dinheiro para o caixa.

Em marketing, damos a esse efeito o nome de Mídia Expontânea, ou seja, divulga-se o nome do produto em um meio confiável e de credibilidade, sem que seja necessário desembolsar dinheiro para isso. Há também um outro conceito aplicado a tudo isso, chamado Marketing Viral, ou o famoso “boca-a-boca”. Todo cristão promove o filme, todo judeu critica, todo mundo comenta alguma coisa para se fazer de entendido e isso naturalmente desperta a curiosidade humana em torno do assunto.

E justamente sobre isso está a oportunidade que temos. Não é exatamente sobre o filme, mas pela curiosidade que as pessoas ficam em saber do que tanta gente tem falado. Com isso, nossos pastores e mestres recebem convites para esclarecer e debater o assunto em canais de audiência que não se conseguiria normalmente. O filme ajuda muito, mais ainda por contar com tanto primor e emoção uma história como a de Cristo.

Mas devemos ter consciência de que essa “onda” do Mel Gibson vai passar, outros assuntos polêmicos surgirão e na velocidade em que gira a informação no mundo globalizado em que vivemos, não dá para crer que em um ou dois anos, ainda se ganhe alguma notícia falando de “A Paixão de Cristo”.

E o que nós, filhos dEle, podemos fazer aqui embaixo para ajudar a manter o assunto na boca (e no coração) do povo? Usar as mesmas ferramentas, fazer o marketing, divulgar as escrituras, dar produtos cristãos, ou seja, levar sempre adiante o ensinamento do Senhor. Devemos sempre lembrar que se hoje a história de Cristo é viva e permanece íntegra, é porque nosso Deus soberano usou ferramentas de divulgação (homens de Seu povo) para manter acessa a chama de Jesus. E como se acende uma chama? Com fogo, assim como se acende uma vela, que ilumina um ambiente escuro.

Quando imitamos e vivemos segundo o caráter do Mestre, somos efetivamente “a luz” deste mundo e estamos fazendo o que Ele nos ensinou: brilhar onde quer que estejamos. E se somos luz do mundo e sal da terra, não há filme, religião, opinião ou jornal que bloqueie o interesse das pessoas pelo responsável por tudo isso. Aquele quem tem Jesus, de seu interior fluem rios de águas vivas.

Três momentos na cruz

por Luiz Henrique Matos

O culto, literalmente, fervia. Um sol de trinta e tantos graus aquecia o teto e o ambiente daquele templo improvisado em um salão aberto nas laterais. O lugar era lindo, um sítio cheio de gramas, plantas, patos, galinhas e outros animais. A ocasião muito peculiar, um acampamento de verão daquela igreja local. Mas o fervor também acontecia pelo ambiente expontâneo de adoração naquela reunião. Todos envoltos em paixão, ligados e derramados em amor pelo Senhor e recebendo o melhor dEle em suas vidas.

Um grupo de irmãos foi chamado pela mulher que ministrava aquela reunião para orar por outras pessoas. Fui levado pelo Espírito Santo a orar por um amigo que estava ali e tive uma revelação sobre a vida dele. As palavras de Deus para aquele irmão, me marcaram e tenho certeza, estarão comigo para o resto de minha caminhada nessa terra.

O Senhor lhe dizia: “Filho, olhe para a cruz. Eu me lembrei de você quando estava ali“.

Ato 1: Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que estão fazendo (Lucas 23:34 NVI)

Essa mensagem não foi só para ele. Tenho certeza de que ali, voluntariamente pendurado naquele madeiro, o Nazareno pensou em cada um de nós… seu sacrifício maior não foram as chibatadas, os cuspes, chutes, os cravos ou os pregos que Seu corpo sentiu. Sua dor maior foi ter sobre Si, o meu pecado e o seu. E o que até hoje não posso compreender, é que ali, Ele conseguiu nos amar e perdoar. Ele pensa em nós. Ele morre por nós.

Ato 2: Está consumado! (João 19:30 NVI)

Dói muito pensar em nossos pecados, cada um deles, é constrangedor. Pequenos delitos, momentos de descuido. Ao lembrar do sacrifício do Senhor e sua agonia, aquelas lágrimas e o sangue vertidos… aqueles pregos, a dor! Cada pecado rasga um pouco mais o corpo do Deus homem. Cada ofensa o faz agonizar um tanto mais em tristeza. Mas agora, existe um fato maravilhoso, Sua morte e dor nos libertaram do pecado, da doença, do inferno. Tudo foi apagado e lavado pelo Seu santo sangue. Ele chora por nós. Ele nos ama.

Ato 3: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito (Lucas 23:46 NVI)

Três dias se passaram, Seu corpo sumiu do sepulcro. Surge em seguida com a boa notícia da ressurreição. Seu convite é para que pensemos nEle, não como um mártir, mas como Deus. Ele morreu, mas Sua vitória efetiva está na vida, quando esmagou Satanás e libertou Sua criação para a eternidade. Jesus não está na cruz, Ele não está morto. E essa é toda a razão pela qual vivemos. Em Cristo, temos vitória, amor, perdão, paz, consolo… em Cristo, temos uma vida terna, vida eterna. Ele vence por nós. Ele vive para nós.

Atos: E o que temos feito por Ele?

Pensar nEle. Morrer por Ele. Chorar diante dEle. Ama-Lo. Vencer nEle. Viver para Ele… E então, depois disso, você e eu temos o privilégio de ser por Ele chamados filhos!

Olhe para a cruz. Ele pensou em você ali.

O que os olhos vêem e o coração sente

por Luiz Henrique Matos

Recentemente li um artigo em que o autor fazia uma afirmação bem óbvia mas ao mesmo tempo muito válida, dizendo algo como: “você fala e vive aquilo a que está exposto, se você assiste à noticiários o dia todo, falará sobre notícias, se trabalha com jardinagem, falará de plantas”. E assim por diante.

No mundo em que vivemos, é muito mais fácil aceitarmos o que lançam aos nossos olhos, do que buscar a verdade que nos move. Daí a grande influência da televisão, da bebida, da moda, das drogas, do crime… do pecado. O inferno trabalha intensamente para colocar em nosso caminho tudo o que lhe interessa. Quando passamos por exemplo, diante de uma banca de jornais, o que vemos de imediato? Nudez, violência, corrupção, fofoca… É sempre mais fácil que nossos pensamentos estejam ligados à situações pecaminosas e como conseqüência disso, nossas vidas se preenchem dos frutos da carne (Gálatas 5:19-21) que no exemplo citado acima são: prostituição, luxúria, ira, mentira, maledicência e tantos outros.

Não estou dizendo que devemos rejeitar as informações e atualidades para nos apegarmos a um exagerado fanatismo religioso. Isso é inconcebível. Estamos inseridos em tantas coisas como o mercado de trabalho, política, os interesses de nossas comunidades, estudos, além de toda a movimentação social ao nosso redor e saber o que acontece é uma necessidade. Mas o fato é que precisamos colocar como centro para nossas vidas, um ponto de partida em que todo o nosso caminhar saia desse princípio: Deus. A pergunta é: o que vivemos, na maior parte do tempo, agrada o coração do Senhor?

Jesus falou: “No mundo passareis por aflições, mas não temam, eu venci o mundo” (João 16:33). Isso quer dizer que em qualquer situação que estejamos, se estamos nEle não temos o que temer, pois somos antecipadamente vencedores.

Quando confrontados pelo maligno, expostos às suas vontades e setas, devemos vestir os “óculos de Deus” para enxergar a circunstância a partir do Seu ponto de vista. E o ponto de vista do Pai nós só sabemos quando o conhecemos intimamente. E intimidade nós obtemos perseverando em oração, leitura da Bíblia e comunhão na igreja. O convite hoje é que juntos, como Corpo, nos unamos em ter Jesus Cristo como prioridade em nossas vidas e dessa forma, passar a partilhar Aquele que ocupa mais espaço em nosso tempo.